Os Dois Querubins

[Bezalel]Ali, virei a ti e, de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho, falarei contigo acerca de tudo o que Eu te ordenar para os filhos de Israel. (Êxodo 25: 22)

Tudo no tabernáculo era pleno de significado e apontava para o grande Plano da Redenção que seria consumado pelo “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, séculos mais tarde, sobre o Calvário. O propiciatório simbolizava o trono de Deus, sede da Sua misericórdia. Era o reflexo do Seu amor, a expressão da Sua graça.

Em cada uma de suas extremidades havia um querubim fundido do mais puro ouro. Olhemos para essas duas figuras místicas colocadas sobre o propiciatório por ordem de Deus. Não estavam ali para serem adoradas, mas para simbolizar sua função diante do trono de Deus.

“Acima do propiciatório”, entre os querubins, “estava o shekinah, manifestação da presença divina; e entre os querubins, Deus tornava conhecida a Sua vontade [...] Algumas vezes, uma luz caía sobre o anjo à direita, para significar aprovação ou aceitação; ou uma sombra ou nuvem repousava sobre o que ficava ao lado esquerdo, para revelar reprovação ou rejeição” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 349). Esses anjos representavam também “a reverência com que a hoste celestial considera a lei de Deus e seu interesse no plano da redenção” (ibid., p. 349).

Todo aquele ritual simbólico realizado diariamente e, de modo especial, uma vez ao ano, apontava para a obra redentora de Cristo. Ali, no lugar santíssimo, a lei, dentro da arca da aliança, e a graça, manifestada sobre o propiciatório, se uniram para a salvação da raça humana; “a misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram” (Sl 85: 10, ARC).

Talvez, alguém diga que a arca de Moisés desapareceu, e isso é verdade. Ela foi escondida por orientação divina e ninguém mais a viu. Entretanto, Cristo, o centro de todo aquele cerimonial simbólico, vive para sempre. O trono da graça, nos Céus, jamais será abalado. Os símbolos desapareceram, mas ficou a realidade. Aqueles rituais representativos perderam-se no passado, mas as bênçãos essenciais de todo aquele simbolismo têm duração eterna. Enquanto tivermos necessidades de perdão, voltemo-nos para aquele trono onde Deus nos espera, por meio de Cristo, com braços abertos, para que recebamos graça, pois Ele é a nossa justiça.

REFLEXÃO: “Esta Boa Nova [...] é tão notável [...] que os anjos do Céu dariam tudo para saber mais a respeito” (1Pe 1: 12).