Graça Sobre Graça

“Todos recebemos da Sua plenitude, graça sobre graça.” (João 1:16)

Usamos a palavra “graça” tantas vezes que nem nos preocupamos com seu significado. Assim, dizemos: ela dança com graciosidade, beleza, elegância; cair em graça; e que graça tem, quando falamos de alegria. O governo declara um ato de graça, absolvição e não condenação de um culpado. O mundo dos negócios tem um pobre conceito de graça. As financeiras e administradoras de cartão de crédito falam em “período de graça”, ou seja, o período entre a data de compra e o vencimento de uma fatura. As seguradoras e instituições previdenciárias falam em período de graça, quando o segurado não tem condições por si só de contribuir com o sistema, mas conserva os direitos de segurado. Nós também damos graças antes das refeições. Assim, gratidão, benefício e outras palavras compartilham algum significado com a palavra “graça”.

Jonas Merrit ilustra a graça da seguinte maneira: “Quando um homem trabalha oito horas por dia e recebe pelos seus esforços, isso é salário. Quando compete com um concorrente e o derrota num concurso, ele recebe um troféu. Isso é prêmio. Quando ele recebe alguma coisa em reconhecimento pelo bom trabalho ou realização, isso é condecoração. Mas quando o homem não pode ganhar nenhum salário, nem ganhar nenhum troféu e não merece nenhuma condecoração e, mesmo assim, recebe salário, prêmio e condecoração, isso é graça.”

A expressão do texto de hoje, graça sobre graça, tem a finalidade de mostrar a natureza da graça em relação à salvação, que nos habilita e satisfaz as nossas necessidades. Deus quer também que mostremos ao mundo como as pessoas que O receberam foram capacitadas a viver de maneira diferente e experimentar Sua paz. “Não compreendo todo o mistério da graça, somente que ela vem nos encontrar onde estamos, mas não nos deixa onde nos encontrou” (Anne Lamot).

Numa visita que fez a John Newton, autor do hino “Graça Excelsa”, um amigo leu para ele a passagem de 1 Coríntios 15:10: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou.” E Newton comentou: “Eu não sou o que devia ser, tão imperfeito e cheio de faltas! Eu não sou o que queria ser, aborrecer o mal e me apegar àquilo que é bom. Eu não sou aquilo que esperava ser: abandonar todo pecado e imperfeição... Mesmo assim eu não sou o que podia ser, nem aquilo que queria ser ou que esperava ser. Posso verdadeiramente dizer que eu não sou o que uma vez fui – um escravo do pecado e de Satanás; posso de todo o coração me unir com o apóstolo e reconhecer que, ‘pela graça de Deus, sou o que sou’.”