A restauração da alma

"Refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do Seu nome." (Sal. 23:3)

A porta do meu escritório abriu-se repentinamente. Um rapaz de olhar severo e com a barba desalinhada invadiu a sala. Achando que ele ia me agredir, recuei. Meu tradutor russo colocou-se entre nós. Agitando os braços, o homem começou a falar nervosamente. Era março de 1992, e eu estava realizando uma série de reuniões evangelísticas no auditório do Kremlin, em Moscou. O tradutor, então, explicou que aquele homem era um dos mais conhecidos criminosos da cidade. Entrara e saíra da prisão 28 vezes. Cheio de culpa e sem esperança para o futuro, ele desejava encontrar paz.

Peguei minha Bíblia e li I João 1:9 para ele: "Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados." Contei-lhe a história do ladrão que, na cruz, recebera perdão. Com lágrimas correndo-lhe pela face, o jovem ajoelhou-se e também recebeu ali o perdão de Deus.

Deixei Moscou e não voltei lá por quase um ano. Quando regressei para dirigir uma reunião evangelística em um grande auditório cívico, meu intérprete comentou: "Você vai gostar do coral, esta noite. Todos os coristas foram batizados no ano passado, durante as reuniões evangelísticas." Gostei muito do coral. E não pude deixar de reparar em um rapaz bem barbeado, de expressão radiante e pouco mais de 30 anos de idade. Era o criminoso com quem eu tinha orado um ano antes. Seu rosto irradiava o amor de Deus. Seus olhos brilhavam com um senso de admiração pela graça de Deus. Os hinos fluíam de um coração convertido.

Deus não deseja somente nos perdoar, mas restaurar-nos. Quer restaurar nossa alegria, nossa paz e nosso propósito à Sua imagem. João escreveu desta maneira: "Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque haveremos de vê-Lo como Ele é." I João 3:2.

Se permitirmos, Ele nos restaurará, nos tornará "como Ele é". Que privilégio, que promessa, que destino!