Somatória de erros

Então, os presidentes e os sátrapas procuravam ocasião para acusar a Daniel a respeito do reino; mas não puderam achá-la, nem culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa. (Daniel 6:4)

Em 17 de julho de 2007 ocorreu o mais grave acidente da aviação brasileira. O dia estava chuvoso, em São Paulo, e a pista do aeroporto de Congonhas, molhada e escorregadia. Um Air Bus 320, lotado de passageiros, pousou na pista, mas não conseguiu frear. Atravessou a movimentada avenida no extremo oposto, chocou-se contra um prédio e explodiu. Quase 200 pessoas morreram.

Um especialista em aviação, ao ser entrevistado disse: “Um acidente é a somatória de pequenos erros que, isolados, não fariam nada.”

A somatória de pequenos erros pode causar grandes tragédias. Em nossa vida, esses erros podem não ser simultâneos. Talvez ocorram em sequência, ao longo de muito tempo. Um pequeno hábito, por exemplo, pode se transformar em vício, minando aos poucos nossa vida física, mental e espiritual. Nosso grande desafio é não iniciá-lo, ainda que pequeno a princípio, pois sua repetição terá efeito cumulativo com o tempo, e provocará grandes danos no final.

Vejamos um exemplo bíblico de uma sucessão de erros que resultou em tragédia (2Sm 11): (1) Bate-Seba, mulher de Urias, foi se banhar ao ar livre, sabendo que poderia ser vista por alguém do palácio real, que ficava em lugar mais alto; (2) Davi a viu e cobiçou-a; (3); procurou saber quem era ela e mandou trazê-la ao palácio; (5) teve relações sexuais com ela, engravidando-a; (6) mandou Urias para casa, para que ele se deitasse com Bate-Seba e pensasse que o filho era dele; (7) como isso não deu certo, armou um esquema para que Urias fosse morto em combate.

Assim, um erro levou a outro, resultando em adultério, homicídio e remorso. Mas Davi se arrependeu, Deus o perdoou e transformou seu erro em bênção, fazendo com que da sua união com Bate-Seba nascesse Salomão, o homem mais sábio que já existiu.

Seríamos presunçosos, evidentemente, se concluíssemos que se Deus compensa nossos erros, podemos errar à vontade. Não. Nosso dever é procurar saber qual é a vontade de Deus, e somente quando a seguirmos da melhor forma possível, é que temos o direito de invocá-Lo para compensar nossos erros.

Se o nosso relacionamento com Deus for tão íntimo como era o de Daniel, talvez não se ache em nós “nenhum erro nem culpa”.

E é isso que Deus quer.