O pior pecado

"Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster." (Romanos 14:4)

Apesar de haver falta de juízes para julgar os volumosos processos que se amontoam nos fóruns, o número de pessoas com vocação para a magistratura, mesmo dentro da igreja parece ser muito grande. Com que facilidade se julga um irmão pelo que come, bebe, veste ou faz! E isto não é novo, pois quase dois mil anos atrás o apóstolo Paulo já perguntava: “Quem és tu que julgas o servo alheio?”

Boa pergunta. Quem és tu? Um padrão de conduta, cujo exemplo todos deveriam seguir? Então, pelo menos uma coisa te falta: não julgar os outros, especialmente considerando o verso anterior: “Quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu” (Rm 14:3). Outra tradução diz: “Pois Deus o aceitou” (NVI). A conclusão é óbvia: Se Deus o aceitou, por que você não o aceitaria?

Paulo não está falando somente de dieta, neste passo. Está falando também de atitudes. A dieta aqui é apenas uma ilustração. Poderia ser vestuário, lazer, esportes, etc. Mas ele fala de dieta porque este sempre foi o principal motivo de polêmica e divisão dentro da igreja. Por isso ele insiste, neste mesmo capítulo: “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17).

O que fica implícito naquele que julga é o seguinte: “Sou mais santo do que tu” (Is 65:5). E isto é arrogância. Julgar um irmão é o pior pecado, porque o juiz se coloca acima de Deus, o qual já o aceitou com todas as falhas e pecados que tem.

Nos primeiros cinco capítulos de Romanos, Paulo está tentando transmitir o fato de que somos todos pecadores e carentes da misericórdia de Deus (Rm 3:10, 12, 23). Consequentemente, ninguém tem moral para apontar o dedo para alguém.

“Em questões de consciência, a alma deve ser deixada livre. Ninguém deve controlar o espírito de outro, julgar por outro, ou prescrever-lhe o dever. Deus dá a toda alma liberdade de pensar, e seguir suas próprias convicções. [...] No reino de Cristo não há nenhuma orgulhosa opressão, nenhuma obrigatoriedade de costumes” (O Desejado de Todas as Nações, p. 550, 551).