Riqueza e cobiça

"Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores." (1 Timóteo 6:10)

Ananias e Safira eram dois crentes que se revestiam de uma falsa aparência de piedade. Quiseram dar a impressão de ser muito generosos ao venderem uma propriedade e doarem o dinheiro para ser administrado pelos apóstolos. Mas, secretamente, retiveram uma parte do dinheiro.

Eles não precisavam ter vendido a propriedade e, caso a vendessem, não eram obrigados a doar um centavo sequer para a igreja. O que Deus não tolerou, porém, foi o terem mentido à igreja e ao Espírito Santo. E ao pecarem contra o Espírito Santo selaram seu destino eterno, quer morressem imediatamente ou alguns anos depois. Mas Deus preferiu tirar-lhes a vida no ato, para com isto dar uma lição à igreja.

A Bíblia também relata a experiência de Acã, Jacó, Labão, Balaão, Judas e outros personagens que pagaram elevado preço por seu desejo incontido de conseguir bens materiais por meios escusos ou em detrimento dos interesses eternos.

Todos desejamos prosperar física, mental, material e espiritualmente. Não há nada de errado com a prosperidade em si. Se o indivíduo, ao aceitar o evangelho, piorasse de vida, que recomendação seria isto para o evangelho? Os princípios divinos contidos na Palavra de Deus, se seguidos, conduzem naturalmente o indivíduo ao caminho da saúde, de uma vida mais longa, próspera e feliz. O problema é querer enriquecer por qualquer meio e a qualquer preço, movido pela cobiça, pelo orgulho, passando os outros para trás e sacrificando os interesses eternos nessa corrida desenfreada para ficar rico.

A cobiça e o orgulho estão geralmente ligados ao materialismo. E foi o materialismo que Cristo condenou ao dizer: “Filhos, quão difícil é para os que confiam nas riquezas entrar no reino de Deus” (Mc 10:24).

Qual deve ser a atitude do cristão para com a riqueza? Em primeiro lugar, devemos nos lembrar de que a vida na Terra é transitória. Se tivermos sempre em mente que não somos mais do que uma pulsação da eternidade, isto nos ajudará a ver as coisas materiais sob uma perspectiva mais real.

Somos passageiros na embarcação da vida. Nossa cabina pode estar entulhada de bagagem de grande valor temporal, mas quando chegarmos ao porto final, teremos de desembarcar de mãos vazias. “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele” (1Tm 6:7). Só o que tiver sido investido na eternidade é que permanecerá.