Esqueletos no armário

"Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento." (Mateus 9:13)

Se analisarmos a vida de alguns personagens bíblicos, encontraremos alguns esqueletos em seus armários. No Antigo Testamento nos deparamos com Abraão, um homem exemplar conhecido como “Pai da fé”, que, para salvar o pescoço, mentiu duas vezes sobre Sara, dizendo que ela era sua irmã. Jacó, o pai da nação israelita, aproveitando-se da fraqueza de seu irmão Esaú, roubou-lhe a bênção da primogenitura, e depois disso, enganou o pai. E o rei Davi, um homem segundo o coração de Deus, cometeu adultério com a esposa de um fiel general seu e depois mandou matá-lo para tentar encobrir seu pecado.

O Novo Testamento conta que Pedro passou três anos e meio com Jesus e foi considerado um dos Seus três amigos mais chegados. Mas durante o julgamento de Jesus Pedro negou que O conhecesse, embora tivesse sido avisado com antecedência que faria isso.

Notem que esses quatro heróis cometeram seus pecados mais graves após terem dedicado a vida a Deus. Transportando isso para o nosso contexto, podemos dizer que eles escorregaram após “terem sido batizados e se tornado membros regulares da igreja”.

Paulo, antes de se tornar o “apóstolo aos gentios” foi, segundo suas próprias palavras, “blasfemo, e perseguidor, e insolente” (1Tm 1:13). Mas mesmo depois de convertido ele confessou: “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm 7:19).

A que conclusão podemos chegar com base nesses antecedentes nada recomendáveis dos heróis bíblicos? Que Jesus não veio “chamar justos, e sim pecadores [ao arrependimento]” (Mt 9:13) . Paulo apontou para si mesmo como exemplo dessa verdade ao dizer: “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1Tm 1:15).

A Bíblia é um livro confiável, pois não esconde o fato de que os seus heróis eram seres humanos falíveis e tinham deficiências de caráter como nós. Entre eles havia covardes, mentirosos, homicidas, adúlteros. Mas Deus os amava a despeito disto. Ele via neles não só defeitos, mas também virtudes, e um grande potencial para se tornarem cidadãos do Seu reino. E isto deve ser um estímulo para nós, porque por piores que sejam nossos defeitos, Ele nos ama e quer nos salvar.

Por mais repulsivos que sejam os esqueletos em nosso armário, se permitirmos que Ele nos transforme seremos mais que vencedores.