A CONDENAÇÃO

UMA VIDA COM PROPÓSITO

Para o Cristão desenvolver uma espiritualidade sadia, deve investir tempo em ouvir e refletir a Palavra de Deus. Isso acontece através do estudo da Bíblia, da oração, de um relacionamento íntimo com Deus e de uma vida dedicada ao ministério de Cristo, sob o poder do Espírito Santo.

Toda transformação que ocorre em nosso coração não é obra humana, mas sim um milagre de Deus. A espiritualidade deve estar centrada em Cristo. Aquele que julga ter uma espiritualidade autêntica, mas omite ou diminui a importância da cruz, está destinado ao fracasso. Em Cristo está toda a vitória.

JESUS, MEU EXEMPLO DE VIDA

Apesar de Jesus ter sofrido nas mãos daqueles homens cruéis, Ele tinha à Sua disposição todo poder do universo.

"Aquele, porém, que podia comandar as hostes celestiais e chamar em Seu auxílio legiões de anjos, sendo que apenas um deles seria suficiente para subjugar a turba cruel, que poderia ter lançado par terra Seus atormentadores com apenas um raio de Sua divina majestade, submeteu-Se a todas as afrontas e ultrajes com uma compostura digna e humilde. Assim como os atos de Seus torturadores os envilecia à semelhança de Satanás, a mansidão e a paciência de Jesus exaltavam-No acima da humanidade e provavam Seu parentesco com Deus.

Pilatos comoveu-se profundamente com a paciência e a resignação do Salvador. Pediu que introduzissem a Barrabás na sala do julgamento e então colocou os prisioneiros lado a lado. Apontando para Jesus disse em tom solene: 'Eis o homem! [...] Eis que eu vo-Lo apresento, para que saibais que eu não acho nEle crime algum' (João 19: 5 e 4).

Ali estava o Filho de Deus, com o manto escarlate e a coroa de espinhos. Desnudo até a cintura, exibia nas costas os vergões extensos e cruéis dos quais o sangue fluía livremente. Seu rosto, manchado de sangue, trazia as marcas da completa exaustão e dor; mas nunca parecera mais belo. Cada traço expressava bondade e resignação e a mais terna piedade para com Seus algozes cruéis.

Em chocante contraste, achava-se a outro prisioneiro em cujas feições mostrava o criminoso empedernido que era.

Entre as espectadores havia alguns que simpatizavam com Jesus. Mesmo os sacerdotes e príncipes estavam convictos de que Ele era quem dizia ser. Mas não se renderam. Haviam induzido a turba a uma fúria insana e novamente os sacerdotes, os príncipes e o povo gritaram: 'Crucifica-O, crucifica-O!' (João 19:6).

Finalmente, com a paciência esgotada diante de uma crueldade tão vingativa e irracional, disse ao povo: Tomai-O vós outros e crucificai-O; porque eu não acho nEle crime algum' (João 19:6).

Pilatos fez tudo o que podia para libertar o Salvador; mas os judeus gritavam: 'Se soltas a Este, não és amigo de César! Todo aquele que se faz rei e contra César' (João 19:12).

Tais palavras atingiram Pilatos em seu ponto fraco. Ele já se tornara suspeito ao governo romano e tal noticia a seu respeito seria sua ruína. ‘Vendo Pilatos que nada conseguia, antes, pelo contrário, aumentava a tumulto, mandando vir água, lavou as mãos perante a povo, dizendo: Estou inocente do sangue dEste Justo; fique a caso convosco!' (Mateus 27:24).

Em vão Pilatos tentou eximir-se da culpa de condenar Jesus. Se tivesse agido com energia e firmeza a princípio, fiel à sua própria e justa convicção, o povo teria que acatar sua decisão e não subjugaria sua vontade. Sua vacilação e indecisão foram sua ruína. Viu que não podia libertar Jesus e ainda manter sua posição e honra. Preferiu sacrificar uma vida inocente a perder sua autoridade terrena. Submetendo-se as exigências do povo, novamente mandou açoitar Jesus, e entregou- O para ser crucificado.

Mas apesar de suas precauções, a que mais temia veio sobre ele. Foi destituído de sua posição de honra, vindo a morrer não muito tempo depois da crucifixão, ferido em seu orgulho e atormentado de remorsos.

Do mesmo modo, todos as que se comprometem com o pecado, só ganharão sofrimento e ruína. 'Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte' (Proverbios 14:12).

Quando Pilatos se declarou inocente do sangue de Cristo, Caifás respondeu com arrogância: 'Caia sobre nós o Seu sangue e sobre nossos filhos!' (Mateus 27:25).

Essas terríveis palavras foram repetidas pelos sacerdotes e pelo povo. Tremenda sentença acabavam de pronunciar sabre si mesmos, horrível herança para a posteridade.

Isso se cumpriu literalmente nas dramáticas cenas da destruição de Jerusalém, cerca de quarenta anos mais tarde.

Literalmente tem-se cumprido na dispersão, no desprezo e na opressão a que estão sujeitos seus descendentes desde aquele dia. Mas será duplamente literal quando o acerto final de contas vier. O cenário então será mudado. 'Esse Jesus...vira' (Atos 1:11) 'em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus ...' (II Tessalonicenses. 1:8). Dirão eles, então, aos montes e rochedos: 'Cai sobre nós e escondei-nos da face dAquele que Se assenta no trono e da Ira do Cordeiro, porque chegou o grande dia da Ira dEles; e quem é que pode suster-se?' (Apocalipse 6:16 e 17)."

Assim como esteve aqui cumprindo Sua promessa de morrer pela humanidade, Cristo voltará para buscar os frutos de Seu ardoroso trabalho.

VIVENDO COMO UM DISCÍPULO

Em cada momento do martírio de Cristo, exigia-se dEle resignação, coragem e fidelidade para cumprir Seu objetivo: salvar o homem. Em nenhum momento Ele pensou em desistir, e foi através de Sua vitória que nos tornamos vitoriosos.

Essa vitória deve ser anunciada a todo mundo. Devemos mostrar a todos que Cristo, o Cordeiro de Deus, morreu para nos dar a direito a salvação.

No passado, a morte do cordeiro representava o episódio da cruz. Os Levitas eram os responsáveis por cuidar do templo e dos rituais que apontavam para a Salvador. Hoje, tal responsabilidade paira sobre a Igreja, e pontualmente sobre cada um de nós que somos filhos de Deus, é nossa a tarefa de anunciar ao mundo a vitória de Cristo sobre a pecado.