A PRISÃO

UMA VIDA COM PROPÓSITO

Abandonar o "Eu" e olhar para Jesus deve ser um alvo diário. Nesta luta entre o bem e o mal há um árduo caminho a percorrer até que possamos falar como o apóstolo Paulo: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo, na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, O qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim" (Gálatas 2:20).

JESUS, MEU EXEMPLO DE VIDA

"Nenhum traço de Seus recentes sofrimentos podia ser notado quando o Salvador Se adiantou para encontrar Seu traidor. Colocando-se adiante dos discípulos, perguntou a turba: 'A quem buscais? Responderam-Ihe: A Jesus, o Nazareno. Então, Jesus lhes disse: Sou Eu (João 18:4 e 5).

Ao dizer essas palavras, o anjo que havia pouco O servira, colocou-se entre Ele e a multidão. Uma luz divina iluminou Seu rosto e uma forma de pomba pairava sobre Si. A turba assassina não pode suportar por um momento sequer a luz da presença divina. Recuaram cambaleantes, e sacerdotes, anciãos e soldados caíram por terra, sem sentidos.

O anjo retirou-se e a luz se apagou. Jesus poderia ter escapado, mas permaneceu ali, calmo e com perfeito domínio de Si mesmo enquanto os discípulos estavam assustados demais para dizer uma só palavra.

Os soldados logo se recobraram, levantando-se, e junto com os sacerdotes e Judas rodearam Jesus. Pareciam envergonhados de sua fraqueza e temerosos de que Ele pudesse fugir. O Salvador pergunta-lhes de novo:

'A quem buscais? Responderam-lhe: A Jesus, o Nazareno. Então, lhes disse Jesus: Já vos declarei que sou Eu; se e a Mim, pois, que buscais, deixai ir estes' (João 18:7 e 8)."

Enquanto Jesus estava preocupado em proteger seus discípulos, "Judas, o traidor, não esqueceu a parte que devia desempenhar. Quando a turba penetrou no horto, fora ele que a conduzira, seguido de perto pelo sumo sacerdote. Aos perseguidores de Jesus dera um sinal, dizendo: 'O que eu beijar e esse; prendei-O' (Mateus 26:48). Pretende então não ter parte nenhuma com eles. Achegando-se a Jesus, toma-Lhe a mão como um amigo familiar. Com as palavras:

'Eu Te saúdo, Rabi', ele O beija repetidamente e parece chorar, como sentindo com Ele o perigo que corria.

Jesus lhe disse: 'Amigo, a que vieste? (Mateus 26:50). A voz tremia-Lhe de dor, ao acrescentar: 'Judas, com um beijo traís o Filho do homem?' (Lucas 22:48). Esse apelo deveria ter despertado a consciência do traidor, e tocado seu obstinado coração; mas a honra, a fidelidade e a brandura humana o haviam abandonado. Permaneceu ousado e em desafio, não mostrando nenhuma disposição de abrandar-se. Entregara-se a Satanás, e não tinha poder para lhe resistir."

VIVENDO COMO UM DISCÍPULO

Judas com um beijo traiu o nosso Salvador. Jesus, olhando para os seus olhos, perguntou-lhe: "...Amigo, para que vieste?..." (Mateus 26:50). Nossa primeira reação ao sermos traídos, é ficarmos magoados e, quase que instintivamente, somos movidos a agredir a pessoa que nos fere. Mas dos lábios de Cristo não saiu nenhuma palavra dura para Judas. Seu olhar piedoso, repleto de amor e carinho, oferecido às pessoas que necessitavam, foi estendido àquele homem de coração duro e insensível, que estava sob o domínio do mal.