Dois Lobos

O pequeno Júnior estava zangado. Sentia raiva de um garoto da escola que havia derrubado seu lanche de propósito. O avô percebeu que havia algo errado com o menino e perguntou:

– O que aconteceu?

– Estou com ódio de um garoto da escola – respondeu Júnior.

– Deixe-me lhe falar um pouco sobre esta coisa de sentir ódio – disse o idoso homem calmamente. – Eu também senti ódio de muitas pessoas que me prejudicaram, especialmente quando percebia que era pura maldade. No entanto, percebi que, com o tempo, o ódio se volta contra nós mesmos, corroendo nosso coração. E a pessoa odiada nada sofre. É como tomar veneno e desejar que o inimigo morra. Tomei a decisão de mudar de atitude.

– O que o senhor fez, vovô? – perguntou Júnior, bastante curioso.

– Bem, é como se eu tivesse a sensação de que existem dois lobos dentro de mim. Um lobo é bom, só quer o bem das pessoas e não machuca ninguém. Ele vive em harmonia com o mundo e não se ofende, não fica magoado. É um lobo que luta pelo que é certo sem ferir os outros.

– E o outro lobo, vovô? – perguntou Júnior, mais curioso ainda.

– O outro lobo é cheio de raiva. Qualquer coisa pode desencadear sua ira. Briga com todos e, muitas vezes, sem motivo para isso. Não consegue nem pensar direito, porque seu ódio é tão grande que gasta toda sua energia mental. É uma raiva sem sentido, pois não pode mudar nada. Às vezes, é difícil conviver com os dois lobos dentro de mim, porque ambos tentam dominar meu espírito.

– Mas, vovô – disse o garoto intrigado –, qual deles vence?

O avô sorriu e respondeu baixinho:

– Vence aquele que eu alimento mais freqüentemente.

Nas decisões do dia-a-dia, qual dos lobos você está alimentando mais?


"Se alguém diz: “Eu amo a Deus”, mas odeia o seu irmão, é mentiroso." (1 João 4:20)