A fuga das ferramentas

Certa noite, enquanto o carpinteiro estava fora, a caixa de ferramenta se abriu, e as ferramentas começaram a discutir sua existência e propósito.

A chave de fenda lamentava ser usada em silêncio e ser notada tão raramente. O serrote estava também desencantado com seu propósito, notando que outros serrotes haviam se transformado em instrumentos musicais e não tinham que tolerar o processo de serra. O alicate reclamava que brilhava mais que muitos ornamentos de carros e se sentia depreciado quando era usado só para apertar outras peças. O martelo argumentava que tinha a genealogia mais elevada, pois era feito artesanalmente de madeira mais nobre e de aço inoxidável. Por que estava sujeito ao constante contato com o ferro comum dos pregos? Outras ferramentas falaram de sua superioridade ou de como o carpinteiro as favorecia. Mas nenhuma queria ser usada para o propósito para o qual tinha sido criada.

Finalmente, muitas ferramentas decidiram fugir. De manhã, o carpinteiro notou que estavam faltando muitas de suas ferramentas. Claro, isso reduziu a velocidade do seu trabalho.

Meses se passaram. Gradualmente, o carpinteiro encontrou suas ferramentas. O martelo estava enferrujado. O serrote estava cego, a chave de fenda estava torta. O alicate nunca foi localizado. Enquanto isso, o carpinteiro havia substituído algumas das ferramentas perdidas mas estava pouco disposto a jogar fora as enferrujadas, tortas ou cegas. Cuidadosamente, ele as restaurou.

Certa noite, as ferramentas foram ouvidas. Havia tristeza pelo alicate, que nunca voltara, porém mais alegria pelo carpinteiro que restaurou as outras e as tornou novamente úteis.

"Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido." (Lucas 19:10)