Um casal feliz

Uma típica sala de aula universitária pós-moderna. Os alunos, quase todos de classe média ou rica. Tema: o casamento. Na opinião do grupo, Vinicius de Morais tem razão: o amor deve ser eterno enquanto dure. Quando o amor e o romantismo se apagam, a relação deve terminar, em vez de submeter-se à triste monotonia do matrimônio.

O mestre disse que respeitava as opiniões, mas contou a eles a seguinte história: Meus pais viveram 55 anos casados. Numa manhã, minha mãe descia a escada para preparar o café e sofreu um enfarto. Meu pai correu até ela, levantou-a como pôde e levou-a ao hospital, mas, quando lá chegou, mamãe estava morta. No velório, meu pai quase não falou e não chorou. Ficou o tempo todo olhando para o nada, possivelmente recordando em detalhes aqueles 55 anos.

Após o sepultamento, o pai reuniu toda a família para um jantar simples em sua casa. No final, ao lado da cadeira vazia de mamãe, ele falou com emoção: Meus filhos, foram 55 anos bons. Ninguém pode falar do amor verdadeiro se não tem idéia do que significa partilhar a vida com alguém por tanto tempo. Enxugou uma lagrima e continuou: Ela e eu tivemos muitas crises, doenças, um dia perdi o emprego. Compartilhamos a alegria do nascimento dos filhos e de suas conquistas. Choramos juntos quando entes queridos partiram, oramos juntos na sala de espera de hospitais, trocamos abraços no Natal, perdoamos nossos erros.

E, após uma pausa, papai continuou: Filhos, agora eu estou contente. E vocês sabem por que? Porque ela se foi antes de mim e não teve a agonia de minha partida. Sou eu que vou passar por esta situação, e agradeço a Deus por isso. Eu a amo tanto que não gostaria que sofresse par mim. E já vou antecipando a alegria do reencontro no céu, pátria do amor.

E o mestre concluiu: Naquele dia, eu e meus irmãos entendemos o verdadeiro amor. Está muito além do romantismo, e não tem muito a ver com erotismo, mas se vincula ao trabalho, cuidado e respeito que se professam duas pessoas comprometidas. E uma cumplicidade total, que se revela nos pequenos gestos, no dia-a-dia, todos os dias. O verdadeiro amor não é egoísta, nem presunçoso, nem alimenta o desejo sobre a pessoa amada. Mais que ser feliz, amar é fazer feliz a pessoa amada.

"Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor." Romanos 8:38 e 39