Um prego na ferradura

Na primavera de 1485, o Rei Ricardo III da Inglaterra preparava-se para a grande batalha de sua vida. Seu adversário era Henrique, o Duque de Richmond. A disputa determinaria o novo monarca inglês. Na manhã da batalha, Ricardo mandou preparar seu cavalo. Ele precisava estar à frente de suas tropas. O ferreiro real, porém, informou ao ajudante de Ricardo que ele teria de esperar, pois faltavam pregos para a ferradura. Faz o que puderes com o material que tens, insistiu o ajudante, O rei não pode esperar. Posso colocar a ferradura, esclareceu o ferreiro, mas não ficará firme como as demais. Faze isso depressa, concluiu o ajudante real.

As trombetas já haviam soado e os dois exércitos começaram a luta. Em meio a nuvens de poeira, Ricardo assumiu o posto mais avançado da batalha. Com decisão, montado em seu garboso cavalo, dirigia seu exercito e socorria os flancos ameaçados. A vitória começava a sorrir para ele. Porém, numa das arrancadas, seu cavalo perdeu uma das ferraduras. O animal desequilibrou-se e caiu. Ricardo foi jogado no chão e o cavalo saiu em disparada. O rei viu seus homens em pânico. Brandindo a espada, pedia: Um cavalo, por favor! E, patético, exclamou: Meu reino por um cavalo! Mas não havia nenhum por perto. Seu exército foi derrotado e o próprio rei foi morto.

Os historiadores fizeram uma síntese do dia e da batalha. Por falta de um prego, perdeu-se uma ferradura. Por falta de uma ferradura perdeu-se um cavalo. Por falta de um cavalo, perdeu-se uma batalha, por falta de uma batalha, perdeu-se um reino. E tudo isso por falta de um prego.

Uma das bandeiras mais citadas hoje é a "qualidade total". E nessa perspectiva as mínimas coisas revestem-se de importância. Em geral são as pequenas coisas que preparam ou comprometem as grandes. Isso vale para uma empresa, para uma família, para um país. Vale, sobretudo, para o projeto de vida de cada um.

Há causas e conseqüências. Aquilo que semeamos, cedo ou tarde, acabaremos colhendo. É ilusão querer colher sem semear. É igualmente ilusão querer colher flores onde plantamos espinheiros.


"Assim como quereis que os homens vos façam, do mesmo modo lhes fazei vós também." (Lucas 6:31)