As Três Parábolas



Por John M. Drescher

Gostaria de contar três parábolas contidas no livro “Christian Nurture of Children” (“Educação Cristã dos Filhos”):

    1) Tomei uma criança pela mão, a fim de andarmos juntos parte do caminho. Eu deveria levá-la ao Pai. A tarefa me amedrontou, tão terrível me pareceu a responsabilidade. Falei, então, com a criança apenas sobre o Pai. Pintei a severidade do Pai, caso ela O desagradasse. Andamos sob as árvores altas e eu disse que o Pai tinha poder para derrubá-la num minuto, com Seus raios possantes. Andamos ao Sol, e lhe falei sobre a grandeza do Pai que fez o Sol ardente, esplendoroso.

    Ao cair da tarde um dia, nos encontramos com o Pai. A criança se escondeu por trás de mim; tinha medo, não queria olhar para aquela face tão cheia de Amor. Ela lembrou-se da minha descrição; não quis colocar sua mãozinha na mão do Pai. Fiquei entre a criança e o Pai. Refleti. Eu tinha sido tão conscienciosa, tão séria.

    2) Tomei uma criança pela mão. Eu deveria levá-la ao Pai. Senti-me esmagada pela multidão de coisas que deveria ensinar-lhe. Não nos demoramos, mas corremos todo o caminho. Num minuto comparávamos as folhas das árvores e no seguinte examinávamos o ninho de um pássaro. Enquanto a criança me fazia perguntas a respeito, eu a empurrava para caçar uma borboleta.

    Se por acaso adormecia eu a despertava, a fim de que não perdesse nada. Eu queria que ela visse. Falamos do Pai muitas vezes e rapidamente. Derramei em seus ouvidos todas as histórias que deveria saber, mas fomos em diversas ocasiões interrompidas pelo soprar do vento, do qual devíamos falar; pelo sair das estrelas, que tínhamos que estudar; pelo riacho murmurante, que precisávamos acompanhar até sua fonte.

    E então, ao cair do dia, encontramos o Pai. A criança O olhou de relance. O Pai estendeu-lhe a mão, mas ela não se interessou o bastante para tomá-la. Pontos febris queimavam em seu rosto, ela caiu exausta no chão e adormeceu. Eu estava de novo entre a criança e o Pai. Refleti. Eu lhe ensinara tantas, tantas coisas.

    3) Tomei uma criança pela mão para levá-la ao Pai. Meu coração estava cheio de gratidão pelo alegre privilégio. Andamos devagar. Moderei meus passos pelos dela. Falamos das coisas que a criança ia notando.

    Algumas vezes era um dos pássaros do Pai: observamos quando construía seu ninho e vimos os ovos que nele depositava. Conversamos depois sobre os cuidados que ele tinha com os filhotes. Outras vezes apanhávamos as flores do Pai e acariciávamos as pétalas macias, apreciando suas lindas cores. Com freqüência contávamos histórias do Pai. Eu as contava à criança e ela para mim. Nós contávamos uma para a outra essas histórias, repetidamente.

    De tempo em tempo parávamos, encostando nas árvores do Pai e deixando que o ar feito por Ele refrescasse nosso rosto, sem falar.

    E, então, ao fim do dia, encontramos o Pai. Os olhos da criança brilharam. Ela olhou com Amor, Confiança e Alegria para a face do Pai, colocando sua mão na mão dEle. Naquele momento fui esquecida. E me alegrei.



"Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, até quando for velho, não se desviará dele." (Provérbios 22:6)