O Mentor



Em 1919, um homem que se recuperava dos ferimentos sofridos na Grande Guerra da Europa alugou um pequeno apartamento em Chicago. Ele escolheu um local nas proximidades da casa de Sherwood Anderson, o autor famoso. Anderson havia escrito o aclamado romance Winesburg, Ohio e era conhecido por sua disposição em ajudar escritores mais jovens.

Os dois homens tornaram-se amigos e passaram a encontrar-se quase que diariamente durante dois anos. Faziam as refeições juntos, davam longas caminhadas e discutiam, até altas horas da noite, a arte de escrever bem.

O rapaz sempre levava rascunhos de seu trabalho a Anderson, e o autor veterano reagia com críticas cruelmente honestas. Todavia, o rapaz nunca desanimou. Ele ouvia com atenção, fazia anotações e retornava à máquina de escrever para aperfeiçoar sua obra.

Não tentava defender-se, porque, conforme comentou posteriormente: “Eu não sabia escrever até conhecer Sherwood Anderson.” Uma das coisas que Anderson fez para ajudar seu jovem protegido foi apresentá-lo a seus colegas do mundo editorial.

Em breve, o rapaz já estava escrevendo sem ajuda. Em 1926, ele publicou seu primeiro romance, que foi aclamado pela crítica. Seu título era The Sun Also Rises [O Sol Também se Levanta], e o nome do autor era Ernest Hemingway.

Mas esperem um pouco! A história não termina aqui. Depois que Hemingway partiu de Chicago, Anderson mudou-se para Nova Orleans. Lá, ele conheceu outro jovem escritor, um poeta com um desejo insaciável de aperfeiçoar seu talento.

Anderson o fez passar pelos mesmos testes de Hemingway — escrever, criticar, discutir, incentivar — e escrever cada vez mais. Ele entregou exemplares de seus romances ao jovem e o incentivou a lê-los atentamente, observando as palavras, os temas e o desenvolvimento do personagem e da história.

Um ano depois. Anderson ajudou o jovem a publicar seu primeiro romance, Soldier Pay [O Pagamento do Soldado]. Três anos depois, aquele brilhante novo talento, William Faulkner, escreveu The Sound and the Fury [O Som e a Fúria], que rapidamente se tornou uma obra-prima norte-americana.

O papel de Anderson como mentor de autores aspirantes não parou aí. Na Califórnia, ele passou vários anos trabalhando com o dramaturgo Thomas Wolfe e com um jovem chamado John Steinbeck, entre outros.

Em resumo, três dos protegidos de Anderson ganharam o Prêmio Nobel de Literatura e quatro Prêmios Pulitzer na mesma categoria, O famoso crítico literário Malcolm Cowley disse que Anderson foi “o único escritor de sua geração que deixou sua marca no estilo e na visão da geração seguinte”.

Por que Anderson dedicou seu tempo e conhecimentos com tanta generosidade para ajudar os mais jovens? Entre outros motivos, talvez porque tivesse recebido a influência de um autor mais velho, o grande Theodore Dreiser. Também passou um bom tempo ao lado de Cari Sandburg.

Considero instrutivo esse tipo de comportamento. Além de refletir minha própria experiência, ele também ilustra o princípio fundamental da experiência humana: a melhor maneira de causar impacto no futuro é ajudar a construir a vida de outra pessoa. Isso é que é ser um mentor.


E nós temos dedicado um pouco do nosso tempo e conhecimento para formar novos cristãos. Para ensiná-los a conhecer sobe Cristo e viver como ele viveu?

Estamos nos preocupando com isto?

Realmente?


“Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens.
Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos que estão na casa.
Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” (Mateus 5: 13 à 16)



(Howard Hendricks com Chip MacGregor, Histórias Para o Coração.)