A Nova Terra


Na Nova Terra, em que habita justiça, Deus proverá um lar eterno para os remidos e um ambiente perfeito para vida, amor, alegria e aprendizado eternos, em Sua presença. Pois aqui o próprio Deus habitará com o Seu povo, e o sofrimento e a morte terão passado. O grande conflito estará terminado e não mais existirá pecado. Todas as coisas, animadas e inanimadas, declararão que Deus é amor; e Ele reinará para todo o sempre.

Depois de árdua escaramuça com a morte, um garoto disse, aliviado: “Meu lar é o Céu, mas não estou com saudades.” Tal como ele, muitos sentem que, por ocasião da morte, o Céu é uma alternativa preferível àquele “outro lugar”, mas ainda assim algo muito inferior às realidades e estímulos da vida, aqui e agora. Se a visão que muitos têm do mundo vindouro fosse correta, tais sentimentos seriam justificáveis. Mas a partir das descrições e alusões providas pelas Escrituras, aquilo que Deus está preparando para o deleite dos redimidos sobrepuja em tal medida a vida que agora vivemos, que mui poucos hesitariam em abrir mão deste mundo em favor do mundo vindouro

A Natureza da Nova Terra

Realidade Tangível. Os dois primeiros capítulos da Bíblia falam da criação efetuada por Deus, de um mundo perfeito para a habitação dos seres humanos, também por Ele criados. Os dois últimos capítulos da Bíblia também falam de Deus criando um mundo perfeito para a humanidade – mas dessa vez trata-se de uma re-criação, a restauração da Terra da devastação ocasionada pelo pecado.

Vez após outra, a Bíblia declara que o eterno lar dos remidos será um lugar real, uma localidade em que pessoas reais, com corpo e cérebro, poderão ver, ouvir, tocar, provar, medir, pintar, experimentar com toda plenitude. E nessa nova Terra que Deus estabelecerá o Céu real do futuro.

O apóstolo Pedro descreve concisamente o que as Escrituras têm a dizer no tocante ao assunto. No capítulo 3, ele fala do mundo antediluviano, “o mundo daquele tempo” que foi destruído pela água. O segundo mundo é aquele que agora existe, um mundo que está sendo “entesourado para fogo”. O terceiro mundo é aquele que aguardamos, composto por “novos céus e nova Terra, nos quais habita justiça” (versos 6, 7 e 13).[1] Esse “terceiro mundo” é tão real quanto os dois primeiros.

Continuidade e Diferença. A expressão “nova Terra” significa tanto continuidade quanto diferença em relação à Terra atual.[2] Pedro e João divisam a velha terra purificada pelo fogo e liberta, assim, de toda contaminação, e então renovada (II Ped. 3:10-13; Apoc. 21:1).[3] A nova Terra é, portanto, antes de mais nada, esta Terra, e não algum lugar distante. Embora renovada, ela permanecerá familiar, conhecida – o lar. Isto é bom! Ela é nova, entretanto, no sentido de que Deus removerá da Terra toda e qualquer mancha causada pelo pecado.

A Nova Jerusalém

A Nova Jerusalém é a capital da nova Terra. Na linguagem hebraica, Jerusalém significa “cidade de paz”. A Jerusalém terrestre dificilmente terá feito jus a seu nome, mas a Nova Jerusalém refletirá fielmente, em seu nome, a realidade.

Um Vínculo de União. Em determinado sentido, essa cidade vincula o Céu e a nova Terra. Primariamente, o termo “céu” aplica-se ao céu atmosférico. As Escrituras utilizam o termo para referir-se: (1) ao céu atmosférico (Gên. 1:20), (2) ao céu estrelado (Gên. 1:14-17) e (3) ao “terceiro céu”, onde se localiza o paraíso (II Cor. 12:2-4). A partir dessa conexão de “céu” com paraíso, torna-se ele sinônimo desse termo, que define o lugar do trono e da habitação de Deus. Assim, por extensão, as Escrituras designam o reino de Deus, Seu governo e as pessoas que voluntariamente O aceitam, como o “reino dos Céus”.

Deus responde, além de qualquer expectativa, a petição apresentada na Oração do Senhor: “Venha o Teu reino; seja feita a Tua vontade, assim na Terra como nos Céus”, ao deslocar a Nova Jerusalém para o planeta Terra (Apoc. 21:1 e 2).

Ele não apenas restaura a Terra, Ele a exalta. Transcendendo seu presente estado decaído, ela se torna a capital do Universo.

Descrição Física. João utiliza termos românticos para configurar a beleza da Nova Jerusalém: A cidade é semelhante a uma “noiva adornada para o seu esposo” (Apoc. 21:2). A descrição dos atributos físicos que ele faz da cidade, retrata a sua realidade.

1. A luz. O primeiro atributo específico que João percebeu ao ver “a noiva, a esposa do Cordeiro”, é a sua luz (Apoc. 21:9 e 11). A glória de Deus ilumina a cidade, tornando supérflua a luz do Sol e da Lua (Apoc. 21:23 e 24). Nenhum beco escuro tirará a beleza da Nova Jerusalém, pois seus muros e avenidas serão translúcidos e ali “não haverá noite” (Apoc. 21:25). “Nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do Sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles” (Apoc. 22:5).

2. Sua construção. Deus utilizou somente materiais dos mais preciosos na construção da cidade. O muro é de jaspe, “uma pedra preciosíssima” (Apoc. 21:11 e 18). Os fundamentos são adornados com doze gemas diferentes: jaspe, safira, calcedônia, esmeralda, sardônio, sárdio, crisólito, berilo, topázio, crisópraso, jacinto e ametista (Apoc. 21:19 e 20).

Essas gemas não são, entretanto, o material primário de construção. Em sua maior parte, Deus fez a cidade – seus edifícios e ruas – de ouro (Apoc. 21:18 e 21), utilizando o precioso metal tão liberalmente quanto hoje as pessoas utilizam concreto. Esse ouro é mais puro do que aquele que conhecemos, pois João o apresenta como “ouro puro, semelhante a vidro límpido” (Apoc. 21:18).

Doze portas, cada uma fabricada com uma única pérola, asseguram o acesso à cidade. “Pérolas são o produto de sofrimento: um pequeno corpo irritante incrustase sob a concha da ostra, e à medida que a pequena criatura sofre, transforma aquele irritante numa vistosa gema. As portas são de pérola. Sua entrada, minha entrada, Deus a providenciou através de infinitos sofrimentos pessoais, quando em Cristo reconciliou consigo mesmo todas as coisas.”[4]

Tão significativo quanto a lista de materiais empregados na construção da cidade, é o fato de que o anjo que mostrou a cidade a João, mediu as suas muralhas. Se elas podiam ser medidas, possuindo altura, e comprimento e espessura, torna-se claro que a cidade é um elemento real, pois baseia-se em dados da realidade.

3. Seu suprimento de água e alimento. Do trono de Deus, localizado no centro da cidade, flui o “rio da água da vida” (Apoc. 22:1). Tal como uma figueira-de-bengala, com seus múltiplos troncos, a árvore da vida cresce “de ambos os lados do rio”. Seus doze frutos contêm os elementos vitais dos quais a humanidade ficou privada desde que Adão e Eva abandonaram o Jardim do Éden – eles são o antídoto para o envelhecimento, desgaste ou simples fadiga (Apoc. 22:2; Gên. 3:22). Aqueles que comem do fruto dessa árvore nem mesmo necessitam de noite para repousar (cf. Apoc. 21:25), pois na nova Terra jamais sentirão cansaço.

Nosso Eterno Lar

A Bíblia torna claro que, finalmente, os salvos herdarão a Terra (Mat. 5:5; Sal. 37:9 e 29;115:16). Jesus prometeu preparar para os Seus seguidores “moradas” na casa de Seu Pai (João 14:1-3). Conforme observamos, as Escrituras localizam o trono do Pai e a sede do governo universal na Nova Jerusalém, que descerá até a Terra (Apoc. 21:2, 3 e 5).

Casas no Cidade. A Nova Jerusalém é a cidade pela qual Abraão esperava (Heb.11:10). Dentro da grande cidade, Cristo está preparando “mansões” (João 14:2), ou – conforme indica a palavra original – “lugares de habitação” ou “moradas” – casas de verdade.

Casas na Campo. Contudo, os redimidos não estarão confinados dentro dos muros da Nova Jerusalém. Eles herdarão a Terra. Poderão deixar seus lares na cidade e dirigir-se ao campo, onde projetarão e construirão os lares de seus sonhos – suas casas de campo – plantarão vinhedos, colherão seus frutos e deles comerão (Isa. 65:21).

No Lar, Junto Com Deus e Cristo. Na nova Terra, a promessa feita por Cristo a Seus discípulos encontrará finalmente seu eterno cumprimento: “Para que, onde Eu estou, estejais vós também” (João 14:3). O propósito da Encarnação, “Deus conosco” atingirá finalmente seu alvo. “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles” (Apoc. 21:3). Aqui, os salvos terão o privilégio de viver na presença do Pai e do Filho, em constante companheirismo com eles.

A Vida na Nova Terra

Com o que se parecerá a vida na Nova Terra?

Reinando Com Deus e Com Cristo. Deus envolverá os redimidos nos assuntos de Seu reino. “Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os Seus servos O servirão... E reinarão pelos séculos dos séculos” (Apoc. 22:3-5; cf. 5:10).

Não temos informações quanto à extensão de seu domínio. Entretanto, podemos assumir com segurança que, num dos importantes papéis a serem desempenhados nesse reino, os remidos servirão como embaixadores de Cristo ao Universo, testificando de sua experiência com o amor de Deus. Sua mais abrangente alegria será glorificar a Deus.

Atividades Físicas na Nova Terra. A vida na nova Terra desafiará os mais ambiciosos por toda a eternidade. Os lampejos que possuímos quanto às categorias de atividades disponíveis aos redimidos por certo estimulam nosso apetite, mas nem mesmo chegam a aproximar-se do início da delimitação das possibilidades.

Já observamos a promessa bíblica de que os remidos construirão casas e nelas habitarão (Isa. 65:21). Construir implica projetar, edificar, mobiliar e, potencialmente, remodelar ou reconstruir. E a partir da palavra “habitar”, podemos formar a imagem de uma ampla gama de atividades relacionadas com a vida diária.

A motivação subjacente a toda a existência da nova Terra é a restauração daquilo que Deus havia planejado para a Sua criação original. No Éden Deus concedeu aos primeiros seres humanos um jardim para “cuidar e cultivar” (Gên. 2:15). Se – conforme diz Isaías – na nova Terra haverão de plantar vinhedos, por que não jardins e campos de cereais? Se – conforme indica o Apocalipse – haverão de tocar harpas, por que não trompetes ou outros instrumentos? Em última análise, foi Deus quem implantou no ser humano a capacidade criadora e o colocou num mundo de ilimitadas potencialidades (Gên. 1:28-31).

Vida Social na Nova Terra. Grande parte de nossa alegria na Terra renovada, será obtida através de relacionamentos.

1. Amigos e família. Reconheceremos nós os amigos e familiares depois que formos transformados à imagem de Jesus? Depois da ressurreição de Cristo os discípulos não tiveram qualquer dificuldade em reconhecê-Lo. Maria identificou Sua voz (João 20:11-16), Tomé a Sua aparência física (João 20:27 e 28), e os discípulos de Emaús as Suas maneiras (Luc. 24:30, 31 e 35). No reino do Céu, Abraão, Isaque e Jacó ainda conservarão seus nomes e identidades (Mat. 8:11). Podemos imaginar com segurança que na nova Terra seguiremos mantendo o relacionamento com aqueles que hoje conhecemos e amamos.

Efetivamente, serão as relações das quais lá desfrutaremos – e não apenascom familiares e amigos atuais – que fazem do Céu a nossa esperança. Seus benefícios materiais “parecerão como nada em comparação com os valores eternos do relacionamento com Deus Pai; com o nosso Salvador; com o Espírito Santo; com os anjos; com os santos de todas as famílias, nações, línguas e povos; e com os nossos familiares. ... Não mais personalidades fragmentadas, famílias divididas, ou comunhão abalada. Inteireza e perfeita saúde serão universais. A integração física e mental farão do Céu e da eternidade o mais pleno cumprimento de tudo”.[5]

“O amor e simpatias que o próprio Deus plantou na alma, encontrarão ali o mais verdadeiro e suave exercício. A comunhão pura com os seres santos, a vida social harmoniosa com os bem-aventurados anjos e com os fiéis de todos os tempos... – tudo isso concorre para constituir a felicidade dos remidos.”[6]

2. Casamento?Alguns dos contemporâneos de Cristo relataram o caso da mulher que havia enviuvado repetidamente, tendo-se casado sete vezes ao todo. Perguntaram-Lhe quem seria o seu marido quando da ressurreição. Não é necessário muita imaginação para se ver as infindáveis complicações que apareceriam, caso o relacionamento matrimonial do presente estado de coisas fosse renovado no Céu. A resposta de Cristo revela a sabedoria divina: “Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus. Porque, na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no Céu” (Mat. 22:29 e 30).

Significa isso que os remidos serão privados dos benefícios hoje associados ao matrimônio? Na nova Terra, os remidos não serão privados de coisa alguma boa! Deus prometeu que “nenhum bem sonega aos que andam retamente” (Sal. 84:11). Se isso é verdade nesta vida, quanto mais deverá sê-lo na vindoura!

A verdadeira essência do matrimônio é o amor. A maior alegria possível encontra-se na expressão do amor. Dizem as Escrituras: “Deus é amor” e “na Tua presença há plenitude de alegria; na Tua destra delícias perpetuamente” (I João 4:8; Sal. 16:11). Na nova Terra, ninguém sentirá falta de amor ou de prazer. Ninguém se sentirá solitário, vazio ou desamado ali.

Podemos ter a confiança de que o amorável Criador, que designou o casamento para trazer alegria à experiência humana no mundo atual, terá algo ainda melhor para o mundo vindouro – algo que será tão superior ao casamento quanto o novo mundo será superior ao atual.

Atividade Intelectual na Nova Terra

Restauração Mental. “As folhas da árvore [da vida] são para a cura dos povos” (Apoc. 22:2). A cura de que fala o Apocalipse significa mais que “cura”, pois tem a ver com “restauração”, uma vez que ali ninguém mais adoecerá (Isa. 33:24 e 20). À medida que comerem da árvore da vida, os remidos libertar-se-ão das limitações físicas e mentais que séculos de pecado lhes ocasionaram; eles serão restaurados à imagem de Deus.

Potencial Ilimitado. A eternidade oferece horizontes intelectuais ilimitados. “Ali, mentes imortais contemplarão, com deleite que jamais se fatigará, as maravilhas do poder criador, os mistérios do amor que redime. Ali não haverá nenhum adversário cruel, enganador, para nos tentar ao esquecimento de Deus. Todas as faculdades se desenvolverão, ampliar-se-ão todas as capacidades. A aquisição de conhecimentos não cansará o espírito nem esgotará as energias. Ali os mais grandiosos empreendimentos poderão ser levados avante, alcançadas as mais elevadas aspirações, as mais altas ambições realizadas; e surgirão ainda novas alturas a atingir, novas maravilhas a admirar, novas verdades a compreender, novos objetivos a aguçar as faculdades do espírito, da alma e do corpo.”[7]

Objetivos Espirituais na Nova Terra. Separada de Cristo, a vida eterna seria sem significado. Através de toda a eternidade, os redimidos sentirão fome e sede de Jesus – por maior compreensão de Sua vida e obra, por mais comunhão com Ele, por mais tempo para testemunhar diante do mundo não caído de Seu incomparável amor, por um caráter que reflita mais intimamente o Seu. Os redimidos viverão para e com Cristo. NEle descansarão, plenamente satisfeitos, para sempre!

O próprio Cristo vive para servir (Mat. 20:28), e chama Seus seguidores para viverem da mesma forma. Trabalhar para Ele, mesmo agora, é algo recompensador. E o relacionamento assim gerado oferece uma indicação das maiores bênçãos e privilégios de se trabalhar com Ele na eternidade. Lá, com grande gozo e satisfação, “Seus servos O servirão” (Apoc. 22:3).

Embora os redimidos tenham a oportunidade de investigar a casa dos tesouros da natureza de Deus, a ciência mais popular será a ciência da cruz. Com os intelectos restaurados à acuidade que Deus deseja que tenham, e tendo sido removida a cegueira causada pelo pecado, estarão aptos a perceber verdades espirituais sob uma luz que agora apenas podemos almejar. Tornarão o assunto da salvação – tema que possui profundidade, altura e largura que ultrapassa toda imaginação – o seu estudo e cântico por toda a eternidade. Através desse estudo, o redimido obterá vislumbres cada vez maiores da verdade conforme ela é em Cristo Jesus.

Semana após semana, os salvos encontrar-se-ão para a adoração sabática: “De um sábado a outro, virá toda a carne a adorar perante Mim, diz o Senhor” (Isa. 66:23).

Não Mais Haverá...

Todo Mal Erradicado. Algumas das mais preciosas promessas relacionadas com a nova Terra dizem respeito ao que não existirá ali. “A morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Apoc. 21:4). Todos esses males desaparecerão para sempre porque Deus erradicará toda forma de pecado – este é a causa do mal. As Escrituras mencionam a árvore da vida como parte da nova Terra, mas em nenhum momento o fazem em relação à árvore da ciência do bem e do mal, ou qualquer outra fonte de tentação. Naquela boa terra, os cristãos jamais terão de batalhar contra o mundo, a carne ou o diabo.

A garantia de que a nova Terra permanecerá “nova” a despeito da entrada de imigrantes provenientes do poluído e velho planeta Terra, é o fato de que Deus excluirá dali todos os covardes, incrédulos, abomináveis, assassinos, impuros, feiticeiros, idólatras e mentirosos (Apoc. 21:8; 22:15). Ele tem de fazê-lo – pois onde quer que entre o pecado, tão-somente causa ruína.

“Todo vestígio de maldição é removido. ... Apenas uma lembrança permanece: nosso Redentor sempre levará os sinais de Sua crucifixão. Em Sua fronte ferida, em Seu lado, em Suas mãos e pés, estão os únicos vestígios da obra cruel que o pecado efetuou. Diz o profeta, contemplando Cristo em Sua glória:

‘Raios brilhantes saíam da Sua mão, e ali estava o esconderijo da Sua força.’ Hab. 3:4. ... Através da eternidade os ferimentos do Calvário Lhe proclamarão o louvor e declararão o poder.”[8]

As Coisas Antigas Não Serão Lembradas. Na nova Terra, diz Isaías, “não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas” (Isa. 65:17).Lendo-se o contexto, entretanto, parece claro que são as tribulações que os remidos esquecerão para sempre (Isa. 65:16). Eles não poderão esquecer as boas coisas feitas por Deus, a abundante graça pela qual Ele os salvou, do contrário toda esta imensa batalha contra o pecado teria sido em vão. A experiência pessoal dos santos com a salvadora graça de Cristo será a essência de seu testemunho ao longo da eternidade.

Adicionalmente, a história do pecado forma um importante elemento da garantia de que “não se levantará por duas vezes a angústia” (Naum 1:9).Pensamentos quanto aos tristes resultados causados pelo pecado servirão comomeio de intimidação para qualquer um ser tentado a seguir outra vez tal caminho suicida.

Mas, embora os eventos do passado sirvam a esse importante propósito, a atmosfera celestial limpará estas terríveis recordações da dor a elas associada. A promessa é que essas memórias não provocarão nos remidos qualquer remorso, pesar, desapontamento, tristeza ou vexame.

O Valor da Crença em Uma Nova Criação

A crença na doutrina da nova criação traz uma série de benefícios extremamente práticos para o cristão.

Provê Incentivo Para a Perseverança. O próprio Jesus, “em troca da alegria que Lhe estava proposta., suportou a cruz” (Heb. 12:2). Paulo renovou seuestímulo ao contemplar a glória futura: “Por isso, não desanimamos. ... Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” (II Cor. 4:16 e 17).

Apresenta a Alegria e Certeza da Recompensa. O próprio Cristo disse: “Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos Céus” (Mat. 5:12).Paulo reitera: “Se permanecer a obra de alguém... esse receberá galardão (I Cor.3:14).

Fortalece Contra a Tentação. Moisés foi capaz de afastar-se dos “prazeres transitórios do pecado” e dos “tesouros do Egito” porque “contemplava o galardão”(Heb. 11:25 e 26).

Provê um Antegozo do Céu. A recompensa do cristão não é apenas futura. O próprio Cristo, através do Espírito Santo, vem ao cristão e habita nele como uma espécie de garantia das bênçãos do futuro (II Cor. 1:22; 5:5; Efés. 1:14). Cristo diz: “Se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele, e ele, comigo” (Apoc. 3:20). “Quando Cristo entra, sempre traz consigo o Céu.” Comungar com Ele é “ter o Céu no coração; é o início de sua glória; é a salvação antecipada.”[9]

Conduz à Maior Eficácia. Alguns vêem os cristãos como tão voltados para o Céu, que chegam a perder todo valor terrestre.

Mas é a própria crença no além que dá aos cristãos a força para mudar o mundo. Conforme observou C. S. Lewis: “Se alguém ler a História constatará que os cristãos que mais fizeram por este mundo foram exatamente aqueles que mais pensaram no mundo do porvir. ... Foi a partir do momento em que os cristãos deixaram de pensar no outro mundo que se tornaram tão ineficazes no mundo presente. Focalize o Céu e você realizará tudo na Terra; focalize a Terra e você não conseguirá coisa alguma.”[10]

“O homem sábio terá mais cuidado em esculpir uma estátua no mármore do que em fabricar um boneco de neve.” [11] O cristão, que planeja viver para sempre, naturalmente estruturará sua vida com maior cuidado (e assim exercerá maior influência sobre a sociedade) do que a pessoa que imagina ser descartável, que nasceu apenas para ser jogada fora.

A “ocupação com os temas celestiais, que o Espírito Santo alimenta, possui grande capacidade de assimilação. Por meio deles é a alma elevada e enobrecida. Sua esfera e seu poder de visão são ampliados, e as proporções e valores relativos das coisas visíveis e invisíveis são mais claramente apreciados”.[12]

Revela o Caráter de Deus. O mundo, tal como agora o vemos, distorce grandemente o caráter de Deus e Seu plano original para este planeta. O pecado danificou de tal modo o ecossistema terrestre, que muitos não conseguem estabelecer qualquer conexão entre este mundo e o paraíso retratado em Gênesis 1e 2. Agora uma constante luta pela sobrevivência caracteriza a vida. Mesmo a vidado crente, que necessita batalhar contra o mundo, a carne e o diabo, não retrata adequadamente o plano original de Deus. Naquilo que Deus planejou para os remidos – um mundo não maculado pela mão de Satanás, um mundo no qual o propósito de Deus governa soberano – temos uma representação mais fiel de Seu caráter.

Aproxima-nos de Deus. Finalmente, a Bíblia descreve a nova Terra de modo a atrair as pessoas não-religiosas a Cristo. Uma pessoa, tendo ouvido falar que a “Terra restaurada a sua beleza edênica, tão real quanto ‘a Terra agora existente’, deveria constituir o lar final dos santos”, onde estariam “livres de toda tristeza, dor e morte, podendo conhecer e ver os outros face a face”, objetou vigorosamente:

“Oh, isto não pode ser; isso é justamente o que agradaria ao mundo; isso é exatamente o que os ímpios apreciariam.”

Muitos “parecem pensar que a religião, com... sua recompensa final, deveria ser algo que o mundo não apreciaria; contudo, quando qualquer estado de felicidade é mencionado – pelo qual o coração do homem, em sua condição caída, muito almeja – eles pensam que isso não pode fazer parte da verdadeira religião”.[13] Nada poderia estar mais longe da verdade.

O verdadeiro propósito de Deus ao tornar conhecido aquilo que preparou para aqueles que O amam, é atrair indivíduos, desviando-os de suas preocupações com este mundo – tentando ajudá-los a discernir o valor do mundo vindouro e dar-lhes vislumbres das belas coisas preparadas no coração de amor do Pai.

Novas Para Sempre

Neste velho mundo, sempre ouvimos falar que “todas as coisas têm o seu fim”. A melhor dentre as boas-novas relacionadas com a nova Terra é que ela jamais chegará ao fim. Então viveremos essas realidades retratadas pelo coro “Aleluia”: “O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do Seu Cristo, e Ele reinará pelos séculos dos séculos” (Apoc. 11:15; cf. Dan. 2:44; 7:27). Dizem ainda as Escrituras que toda criatura se unirá a este jubiloso cântico: “Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos” (Apoc. 5:13).

“O grande conflito terminou. Pecado e pecadores não mais existem. O Universo inteiro está purificado. Uma única palpitação de harmonioso júbilo vibra por toda a vasta criação. DAquele que tudo criou emanam vida, luz e alegria por todos os domínios do espaço infinito. Desde o minúsculo átomo até ao maior dos mundos, todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena beleza e perfeito gozo, declaram que Deus é amor.” [14]

Referências

[1]. 1. Veja Tiago White, “The New Earth: The Dominion Lost in Adam Restored Through Christ”, Review and Herald, 22 de março de 1877, págs. 92 e 93.
[2]. 2. A palavra “novo/nova” traduz dois termos gregos utilizados em o Novo Testamento. Neos “expressa a idéia de novidade em relação ao tempo, podendo ser traduzido como ‘novo’, ‘recente’, ‘jovem’. Ela se opõe a archaios, ‘velho’, ‘original’, ‘antigo’”. Kainos, por outro lado, traz consigo a idéia de “novidade quanto à forma ou qualidade, e pode ser traduzido como ‘novo’, ‘fresco’, ‘diferente quanto à natureza’. Opõe-se a palaios, ‘velho’, ‘idoso’, ‘gasto’. ‘desfigurado’. Kainos é o termo utilizado para descrever a ‘nova Terra’” (“New Earth”, SDA Bible Dictionary, edição revista, pág. 792).
[3]. 3. Ibidem..
[4]. 4. Richard W. Coffen, “New Life, New Heaven, New Earth”, These Times, setembro de 1969, pág. 7.
[5]. 5. Neal C. Wilson, “God’s Family Reunited”, Adventist Review, 8 de outubro de 1981, pág. 23.
[6]. 6. E. G. White, O Grande Conflito, pág. 677.
[7]. 7. Ibidem.
[8]. 8. Ibidem, pág. 674.
[9]. 9. “Clusters of Eschol”, Review and Herald, 14 de novembro de 1854, págs. 111 e 112.
[10]. 10. C. S. Lewis, Mere Christianity (Westwood, NJ: Barbour and Co., 1952), pág. 113.
[11]. 11. Fagal, Heaven Is for You, pág. 37.
[12]. 12. “Clusters of Eschol”, págs. 111 e 112.
[13]. 13. Uriah Smith, “The Popular Hope, and Ours”, Review and Herald, 7 de fevereiro de 1854, pág. 20.
[14]. 14. E. G. White, O Grande Conflito, pág. 678.