A Segunda Vinda de Cristo


A segunda vinda de Cristo é a bendita esperança da Igreja, o grande ponto culminante do evangelho. A vinda do Salvador será literal, pessoal, visível e universal. Quando Ele voltar, os justos falecidos serão ressuscitados e, juntamente com os justos que estiverem vivos, serão glorificados e levados para o Céu, mas os ímpios irão morrer. O cumprimento quase completo da maioria dos aspectos da profecia, bem como a condição atual do mundo, indica que a vinda de Cristo é iminente. O tempo exato desse acontecimento não foi revelado, e somos portanto exortados a estar preparados em todo o tempo.

“Mamãe”, confidenciou um pequeno à hora de ir para a cama, “sinto tanta saudade de meu amigo Jesus. Quando Ele virá?”

Essa criança mal poderia imaginar que o desejo de seu pequeno coração tem sido o anseio de longas eras. As palavras finais da Bíblia asseguram que o retorno ocorrerá em breve: “Certamente venho sem demora.” E João, o revelador, o leal companheiro de Jesus, acrescenta: “Amém. Vem, Senhor Jesus” (Apoc. 22:20).

Contemplar a Jesus! Unir-se a Ele para sempre, a Ele que nos ama infinitamente mais do que podemos imaginar! Receber o fim de todo sofrimento terrestre! Desfrutar da eternidade com os amados ressurretos, os quais agora dormem! Não admira que desde a ascensão de Cristo os Seus amigos tenham contemplado o futuro na expectativa deste dia.

Um dia Ele virá, ainda que até mesmo para os santos a Sua vinda constitua uma irresistível surpresa – pois todos tiram sua soneca ou dormem durante a longa espera (Mat. 25:5). À “meia-noite”, na hora mais escura da Terra, Deus manifestará Seu poder ao libertar Seu povo. As Escrituras assim descrevem os eventos: “Grande voz” procede “do santuário, do lado do trono, dizendo: Feito está!” Esta voz sacode a Terra, causando tão “grande terremoto, como nunca houve igual desde que há gente sobre a Terra” (Apoc. 16:17 e 18). As montanhas tremem, rochas são lançadas em todas as direções, e toda a Terra tem suas camadas deslocadas como as ondas do oceano. Sua superfície se rompe e “caíram as cidades das nações. ...

Todas as ilhas fugiram, e os montes não foram achados” (versos 19 e 20). “O céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola. Então, todos os montes e ilhas foram movidos dos seus lugares” (Apoc. 6:14).

A despeito do caos que se está manifestando no mundo físico, o povo de Deus toma alento quando vê “o sinal do Filho do homem” (Mat. 24:30). Enquanto Ele desce sobre as nuvensdo céu, todos os olhos vêem o Príncipe da Vida. Nessa oportunidade Ele vem, não como homem de dores, mas como vitorioso conquistador que reclama o que é Seu. Em lugar da coroa de espinhos, Sua cabeça sustenta uma gloriosa coroa, e “tem no Seu manto e na Sua coxa um nome inscrito: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES” (Apoc.19:12 e 16).

Em Sua vinda, grande desespero atinge aqueles que se recusaram a reconhecer Jesus como Salvador e Senhor, e rejeitaram as exigências de Sua lei durante a existência. Nada torna tão claro aos transgressores sua culpa quanto aquela voz que tão pacientemente insistiu: “Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer?” (Ezeq. 33:11). “Os reis da Terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face dAquele que Se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?” (Apoc. 6:15-17).

Mas o gozo daqueles que durante muito tempo aguardaram esse dia, sobrepuja o desespero dos ímpios. A vinda do Redentor traz a seu glorioso clímax a história do povo de Deus; é este o seu momento de libertação. Com vibrante adoração eles exclamam: “Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos, e Ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na Sua salvação exultaremos e nos alegraremos” (Isa. 25:9).

À medida que Jesus Se aproxima, chama Seus santos adormecidos de suas sepulturas e comissiona os anjos a reunir “os Seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus” (Mat. 24:31). Em todo o mundo, os justos mortos ouvem a Sua voz e se erguem de seus sepulcros – oh, feliz momento!

Então os justos vivos são transformados “num momento, num abrir e fechar de olhos” (I Cor. 15:52). Glorificados e sendo agora portadores da imortalidade, junto com os justos ressuscitados, são os santos erguidos aos ares, para o encontro com seu Senhor, com o qual permanecerão para sempre (I Tess. 4:16 e 17).

A Certeza do Retorno de Cristo

Os apóstolos e os cristãos primitivos consideravam o retorno de Cristo como a “bendita, esperança” (Tito 2:13; cf. Heb. 9:28). Esperavam que todas as promessas e profecias das Escrituras se cumprissem por ocasião do Segundo Advento (II Ped. 3:13; cf. Isa. 65:17), pois esse é o próprio alvo da peregrinação cristã. Todo que ama a Cristo olha ansiosamente em direção ao futuro, ao dia em que estará apto a compartilhar com Ele de comunhão face a face – com Ele, com o Pai, com o Espírito Santo e com os anjos.

O Testemunho das Escrituras. A certeza do Segundo Advento encontra suas raízes na confiabilidade das Escrituras. Pouco antes de Sua morte, Jesus explicou aos discípulos que estaria retornando para junto do Pai a fim de preparar-lhes lugar. Mas Ele também prometeu: “Virei outra vez” (João 14:3).

Assim como a primeira vinda de Cristo à Terra fora profetizada, também a Sua segunda vinda é antecipada pelas Escrituras. Mesmo antes do Dilúvio, Deus contou a Noé que seria a vinda de Cristo em glória o evento que poria termo ao pecado. Ele profetizou: “Eis que veio o Senhor entre Suas santas miríades, para exercer juízo contra todos e para fazer convictos todos os ímpios, acerca, de todas as obras ímpias que impiamente praticaram, e acerca de todas as palavras insolentes que ímpios pecadores proferiram contra Ele” (Jud. 14 e 15).

Mil anos antes de Cristo, o salmista falou da vinda do Senhor para reunir o Seu povo, dizendo: “Vem o nosso Deus, e não guarda silêncio; perante Ele arde um fogo devorador, ao Seu redor esbraveja grande tormenta. Intima os Céus lá em cima e a Terra, para julgar o Seu povo. Congregai os Meus santos, os que comigo fizeram aliança. por meio de sacrifícios” (Sal. 50:3-5).

Os discípulos de Cristo se regozijaram na promessa de Seu retorno. Em meio às dificuldades que encontravam, a certeza dessa promessa sempre permitiu a renovação de sua coragem e força. O Mestre voltaria a fim de levá-los para a casa do Pai!

A Garantia Representada Pela Primeira Vinda. A segunda vinda acha-se intimamente vinculada à primeira vinda de Cristo. Se Ele não houvesse vindo pela primeira vez e obtido uma vitória decisiva sobre o pecado e Satanás (Col. 2:15), não haveria razão para crer que algum dia voltará e porá fim ao domínio de Satanás sobre este mundo, restaurando-o à perfeição original. Uma vez, porém, que Ele apareceu “para aniquilar, pelo sacrifício de Si mesmo, o pecado”, temos também razões para crer que Ele “aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que O aguardam para a salvação” (Heb. 9:26 e 28).

O Ministério Celestial de Cristo. A revelação de Cristo a João torna claro que o santuário celestial é o centro do plano da salvação (Apoc.1:12 e 13; 3:12; 4:1-5; 5:8; 7:15; 8:3; 11:1 e 19; 14:15 e 17; 15:5, 6 e 8; 16:1 e 17). As profecias indicadoras de que Ele já iniciou Seu ministério final em favor dos pecadores, acrescentam à certeza de que Ele em breve retornará a fim de levar Seu povo para o lar. A confiança em que Cristo está operando ativamente no sentido de consumar a redenção já alcançada na cruz, tem trazido grande encorajamento aos cristãos que contemplam o horizonte à espera de Seu retorno.

A Maneira do Retorno de Cristo

Assim como Cristo falou a respeito dos sinais que indicariam a proximidade de Sua vinda, mencionou também a preocupação de que Seu povo não fosse enganado por falsos indicadores. Advertiu que antes do Segundo Advento surgiriam “falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos”. Ele admoestou: “Se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! ou Ei-lo ali!, não acrediteis” (Mat. 24:24 e 23). Estando previamente advertidos, estamos previamente armados. Tendo em vista habilitar os crentes para distinguirem entre o genuíno evento e as falsas demonstrações, várias passagens bíblicas revelam detalhes quanto à maneira do retorno de Cristo.

Retorno Literal e Pessoal. Quando Jesus ascendeu numa nuvem, dois anjos dirigiram-se aos discípulos, que ainda contemplavam, pasmados, o Salvador que acabara de desaparecer lá no alto, dizendo-lhes: “Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao Céu virá do modo como O vistes subir” (Atos 1:11).

Em outras palavras, disseram que o mesmo Senhor que naquele momento os havia deixado – um ser pessoal, de carne e osso, e não uma entidade meramente espiritual (Luc. 24:36-43) – haveria de retornar à Terra. Seu Segundo Advento será tão literal e pessoal quanto o foi Sua partida.

Retorno Visível. A vinda de Cristo não será uma experiência interior, invisível, mas um real encontro com uma Pessoa visível. Não deixando qualquer terreno a dúvidas quanto à visibilidade de Seu retorno, Jesus advertiu Seus discípulos contra o risco de imaginarem um retorno secreto, ao comparar Sua volta com a luminosidade e visibilidade do relâmpago (Mat. 24:27).

A Escritura declara positivamente que tanto os justos quanto os ímpios testemunharão simultaneamente Sua vinda. João escreveu: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho O verá, até quantos O traspassaram” (Apoc.1:7). E Cristo mencionou a reação dos ímpios: “Todos os povos da Terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória” (Mat. 24:30).

Retorno Audível. Acrescentando informações ao quadro de um reconhecimento universal do retorno de Cristo, a Bíblia afirma que Sua vinda também se caracterizará por sons muito audíveis: “Porquanto o Senhor mesmo, dada a Sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos Céus” (I Tess. 4:6). O “grande clangor de trombeta” acompanha a reunião de Seu povo. Nada há de secreto aqui.

Retorno Glorioso. Ao Cristo retornar, vem Ele como um conquistador, com poder e “na glória de Seu Pai, com os Seus anjos” (Mat. 16:27). O apóstolo João retrata a glória do retorno de Cristo de modo mais dramático. Ele traça o quadro de Cristo cavalgando um cavalo branco e conduzindo inumeráveis exércitos celestiais. O esplendor sobrenatural do Cristo glorificado é evidente (Apoc. 19:11-16).

Retorno Súbito e Inesperado. Os crentes em Cristo, tendo almejado e aguardado por tanto tempo o retorno de seu Senhor, saberão quando Ele Se aproximar (I Tess. 5:4-6). Mas em relação aos habitantes da Terra em geral o apóstolo Paulo escreveu: “O dia do Senhor vem como ladrão de noite. Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores do parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão” (I Tess. 5:2 e 3; cf. Mat. 24:43).

Alguns têm entendido que a comparação feita por Paulo, da vinda de Cristo com a chegada de um ladrão, deva significar que Ele retornará de alguma forma secreta e invisível. Entretanto, tal modo de ver as coisas contradiz o quadro bíblico de Cristo retornando em glória e esplendor, à vista de todos (Apoc. 1:7). O ponto destacado por Paulo não é uma hipotética vinda secreta de Cristo, e sim o fato de que, para os que possuem mente mundana, será a Sua volta tão inesperada quanto o aparecimento de um ladrão.

Cristo salientou o mesmo ponto ao comparar Sua vinda com a inesperada destruição do mundo antediluviano pelas águas. “Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem” (Mat. 24:38 e 39). Embora Noé tenha pregado durante tantos anos a respeito do dilúvio vindouro, a maioria das pessoas foi apanhada de surpresa pelo evento. Havia duas classes de pessoas sobre a Terra. Uma cria nas palavras de Noé e assim entrou na arca e escapou da destruição; a outra – a imensa maioria – decidiu ficar do lado de fora da arca e assim “veio o dilúvio e os levou a todos” (Mat. 24:39).

Evento Cataclísmico. De modo semelhante ao dilúvio, o sonho de Nabucodonosor – a estátua de metal – retrata a maneira cataclísmica pela qual Cristo estabelecerá Seu reino de glória.

Nabucodonosor viu uma grande imagem, cuja “cabeça era de fino ouro, o peito e os braços, de prata, o ventre e os quadris, de bronze; as pernas, de ferro, os pés, em parte, de ferro, em parte, de barro”. Depois “uma pedra foi cortada sem auxílio de mãos, feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmiuçou. Então, foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais se fizeram como a palha das eiras do estio, e o vento os levou, e deles não se viram mais vestígios. Mas a pedra que feriu a estátua se tornou em grande montanha que encheu toda a Terra” (Dan. 2:32-35).

Através desse sonho, Deus concedeu a Nabucodonosor uma sinopse da história mundial. Entre os dias do rei e o estabelecimento do sempiterno reino de Cristo (a pedra), quatro impérios principais, seguidos de um conglomerado de nações fortes e fracas, ocupariam sucessivamente o palco dos eventos mundiais.

Mesmo nos dias de Cristo, os intérpretes já haviam identificado os quatro grandes impérios como sendo Babilônia (605 a 539 a.C.), Medo-Pérsia (539 a 331 a.C.), Grécia (331 a 168 a.C.) e Roma (168 a.C. a 476 d.C.)[1] Conforme profetizado, nenhum outro império sucederia Roma. Durante o quarto e quinto séculos de nossa era o império romano se fragmentaria em vários reinos menores, os quais mais tarde se tornariam as nações da Europa. Através dos séculos, poderosos governantes – Carlos Magno, Carlos V, Napoleão, Kaiser Guilherme e Hitler tentaram estabelecer outro império mundial. Todos eles fracassaram, pois a profecia advertira: “Não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro” (Dan. 2:43).

Finalmente, o sonho passou a focalizar o clímax dramático: o estabelecimento do eterno reino de Deus. A pedra cortada sem auxílio de mãos representa o reino da glória de Cristo (Dan. 7:14; Apoc. 11:15), o qual será estabelecido sem qualquer esforço humano por ocasião do Segundo Advento. O reino de Cristo não deverá coexistir com qualquer império humano.

Quando Ele esteve na Terra, ocasião em que o Império Romano dominava o mundo, o reino da “pedra” que esmaga todas as nações ainda não havia aparecido. Somente depois da fase do ferro e do barro, presentes nos pés da estátua – o período das nações européias divididas – é que a pedra entraria em cena. O reino de Cristo será estabelecido em Seu Segundo Advento, quando Ele separar os justos dos ímpios (Mat. 25:31-34).

Quando aparecer; esse reino atingirá a imagem “nos pés de ferro e de barro” e “esmiuçará e consumirá todos estes reinos”, deles não mais deixando nem “vestígios” (Dan. 2:34, 44 e 35). Efetivamente, o Segundo Advento é um acontecimento sensacional.

O Segundo Advento e a Raça Humana

O Segundo Advento de Cristo afetará as duas grandes divisões da humanidade – aqueles que O aceitaram e à salvação por Ele oferecida, e aqueles que Lhe volveram as costas.

A Reunião dos Eleitos. Um aspecto importante do estabelecimento do reino eterno de Cristo é o ajuntamento de todos os redimidos (Mat. 24:31; 25:32-34; Mar. 13:27), que serão levados para o lar celestial preparado por Cristo (João 14:3).

Quando o líder de uma nação visita outra, somente umas poucas pessoas podem participar da comitiva de recepção. Contudo, quando Cristo vier, todos os crentes que viveram em qualquer época – sem distinção de idade, gênero, nível de educação, situação econômica ou raça – participarão da grande celebração do Advento. Dois eventos tornarão possível esta reunião universal: a ressurreição dos justos mortos e a transformação dos justos vivos.

1. A ressurreição dos que morreram em Cristo. Ao soar a trombeta que anuncia o retorno de Cristo, os justos falecidos ressuscitarão incorruptíveis e imortais (I Cor. 15:52 e 53). Naquele momento, “os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (I Tess. 4:16). Em outras palavras, eles ressuscitarão antes que os justos vivos sejam elevados aos ares para o encontro com o Senhor.

Os ressuscitados unem-se novamente àqueles que choraram a sua partida. Neste momento eles exultam grandemente: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (I Cor. 15:55).

Não serão os corpos enfermos, envelhecidos ou mutilados que desceram à sepultura que se erguerão no momento em que os justos retomarem a vida: ao contrário, seus corpos serão novos, imortais, perfeitos, não mais revelando as marcas do pecado que os fizera entrar em decadência. Os santos ressurretos experimentarão o término da obra de restauração efetuada por Cristo, passando a refletir a perfeita imagem de Deus na mente, na alma e no corpo (I Cor. 15:42-54).

2. A transformação dos justos vivos. Quando os mortos justos experimentam a ressurreição, ocorre uma transformação dos justos que estiverem vivos sobre a face da Terra por ocasião do Segundo Advento. “Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade” (I Cor. 15:53).

No retorno de Cristo, nenhum grupo de crentes assume precedência sobre qualquer outro grupo. Paulo revela que os justos vivos e transformados serão “arrebatados juntamente com eles [os justos ressuscitados], entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor” (I Tess. 4:17; cf. Heb. 11:39 e 40). Desse modo, todos os crentes estarão reunidos no grande encontro do Segundo Advento, tanto os justos ressuscitados de todas as eras quanto aqueles que estiverem vivos na chegada de Cristo.

A Morte dos Ímpios. Para os salvos o Segundo Advento representará uma oportunidade de alegria e libertação, mas para os perdidos será um tempo de devastante terror. Eles resistiram ao amor de Cristo e aos Seus convites de salvação durante tanto tempo que se deixaram enfeitiçar pelas ilusões enganadoras (II Tess. 2:9-12; Rom. 28-32). Quando virem Aquele a quem rejeitaram, vindo sobre as nuvens como Rei dos reis e Senhor dos senhores, saberão que terá chegado a hora de sua própria destruição. Esmagados pelo terror e desespero, clamarão às rochas inanimadas que os protejam (Apoc. 6:16 e 17).

Nessa oportunidade, Deus destruirá Babilônia, a união de todas as religiões apóstatas. Ela “será consumida no fogo” (Apoc. 18:8). O líder dessa confederação – o mistério da iniqüidade, o homem do pecado – a este “o Senhor Jesus matará com o sopro de Sua boca e o destruirá pela manifestação de Sua vinda” (II Tess. 2:8). Os poderes responsáveis pela imposição da marca da besta serão “lançados no lago de fogo e enxofre”. O restante dos maus serão “mortos com a espada que saía da boca dAquele que estava montado no cavalo” – Jesus Cristo o Senhor (Apoc. 119:20 e 21).

Sinais do Breve Retorno de Cristo

As Escrituras não somente revelam a maneira e o objetivo da vinda de Cristo, como também descrevem os sinais que indicam a proximidade desse evento épico. Os primeiros sinais indicadores da proximidade da volta de Jesus ocorreram mais de 1.700 anos depois da ascensão de Cristo; outros mais seguiram-se, contribuindo para evidenciar que Seu retorno está muito próximo.

Sinais no Mundo Natural. Jesus predisse: “Haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas” (Luc. 21:25), especificando que “o Sol escurecerá, a Lua não dará sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, verão o Filho do homem vir nas nuvens, com grande poder e glória” (Mar. 13:24-26). Adicionalmente, João viu um grande terremoto que precederia a manifestação dos sinais no Céu (Apoc. 6:12). Todos esses sinais haveriam de assinalar o fim dos 1.260 anos de perseguição.

1. O testemunho da Terra. Em cumprimento a essa profecia, “o maior de todos os terremotos conhecidos”[2] ocorreu em 1o de novembro de 1755. Conhecido como o terremoto de Lisboa, seus efeitos foram observados na Europa, África e América, cobrindo uma área de mais de 46 milhões de quilômetros quadrados. Seu poder destruidor centralizou-se em Lisboa, Portugal, onde, em questão de minutos, arrasou edifícios públicos e residenciais, causando milhares de mortes.[3]

Embora os efeitos físicos do terremoto tenham sido imensos, seu impacto sobre o pensamento da época não foi menor. Muitos que então viviam reconheceram-nos como um sinal do fim[4] e passaram a dar consideração séria ao julgamento de Deus e aos últimos dias. O terremoto de Lisboa representou um fator de incremento no estudo das profecias.

2. O testemunho do Sol e da Lua. Vinte e cinco anos mais tarde, ocorreu o próximo sinal mencionado na profecia – o escurecimento do Sol e da Lua. Cristo havia indicado a ocasião do cumprimento deste sinal, observando que ele deveria vir em seguida à grande tribulação, os 1.260 anos de perseguição papal mencionados em várias outras porções das Escrituras (Mat. 24:29). Mas Cristo dissera também que a tribulação que precederia estes sinais seria abreviada (Mat. 24:21 e 22). Por meio da influência da Reforma e dos movimentos que dela se originaram, a perseguição papal foi efetivamente abreviada, de tal modo que em meados do século dezoito ela praticamente cessara.

Em cumprimento à profecia de Cristo, o dia 19 de maio de 1780 testemunhou uma extraordinária escuridão na porção nordeste do continente norte-americano.[5]

Rememorando esse evento, Timothy Dwight, presidente da Universidade de Yale, disse: “O dia 19 de maio de 1780 foi memorável. Candeeiros foram acesos em muitas casas; os pássaros silenciaram e desapareceram, e as galinhas retiraram-se para os poleiros. ... A opinião geral prevalecente era de que o dia do juízo havia chegado.”[6]

Samuel Williams, de Harvard, relatou que a escuridão “aproximou-se com as nuvens do sudoeste ‘entre as 10 e as 11 horas da manhã e prosseguiu até a meia-noite seguinte’, variando de intensidade e duração em diferentes lugares. Em

algumas localidades ‘as pessoas não conseguiam enxergar o suficiente como para ler escrita comum ao ar livre’”.[7] Na opinião de Samuel Tenny, “a escuridão daquela noite foi provavelmente a maior jamais observada desde que o Todo poderoso deu origem à luz. ... Se todos os corpos celestes luminosos do Universo tivessem sido envoltos em nuvens impenetráveis, ou eliminados da existência, a escuridão não poderia ter sido mais completa”.[8]

Às 9 horas da noite ergueu-se a Lua, mas a escuridão persistiu até à meia-noite. Quando a Lua se tornou visível, sua aparência era como de sangue.

João, o revelador, profetizara os extraordinários eventos deste dia. Depois do terremoto, escreveu ele, o Sol tornar-se-ia “negro como saco de crina, a Lua... como sangue” (Apoc. 6:12).

3. O testemunho das estrelas. Tanto Cristo quanto João profetizaram a queda das estrelas, indicando o evento como um outro sinal do breve aparecimento de Cristo (Apoc. 6:13; cf. Mat. 24:29). O grande chuveiro de meteoros ocorrido em 13 de novembro de 1833 – o mais extraordinário espetáculo de estrelas cadentes de que há registro – cumpriu essa profecia. Estimou-se que um observador isolado poderia haver contado em média cerca de 60.000 meteoros por hora.[9] O fenômeno foi observado desde o Canadá até o México, e do meio do Atlântico até o Pacífico;[10] muitos cristãos reconheceram nele o cumprimento da profecia bíblica.[11]

Uma testemunha ocular disse que “dificilmente se poderia perceber no céu um espaço que não estivesse instantaneamente ocupado por essas estrelas cadentes, tampouco se poderia perceber entre elas qualquer diferença particular no tocante à aparência, embora por vezes elas se projetassem em grupos – trazendo à memória a ‘figueira que lança de si os seus frutos, quando sacudida por forte vento’”.[12]

Cristo concedeu esses sinais com o fito de alertar os cristãos quanto à proximidade de Sua vinda, de modo que pudessem regozijar-se e empreender cabal preparo para a mesma. Ele disse: “Ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima.” E acrescentou: “Vede a figueira e todas as árvores. Quando começam a brotar, vendo-o, sabeis, por vós mesmos, que o verão está próximo. Assim também, quando virdes acontecerem estas coisas, sabei que está próximo o reino de Deus” (Luc. 21:28-31).

O testemunho singular da Terra, do Sol, da Lua e das estrelas, que ocorreu na exata seqüência e tempo preditos por Cristo, dirigiu a atenção de muitos para as profecias atinentes ao Segundo Advento.

Sinais no Mundo Religioso. A Escritura prediz que certo número de sinais significativos no mundo religioso marcariam o tempo que precederia imediatamente o retorno de Cristo.

1. Um grande despertamento religioso. O livro de Apocalipse revela o surgimento de um grande movimento religioso de extensão mundial, ocorrendo antes do Segundo Advento. Na visão dada a João, um anjo que anuncia a volta de Cristo simboliza este movimento: “Vi outro anjo voando pelo meio do Céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a Terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora do Seu juízo; e adorai Aquele que fez o Céu, e a Terra, e o mar, e as fontes das águas” (Apoc. 14:6 e 7).

A própria mensagem indica quando ela deveria ser pregada. O evangelho eterno tem sido pregado ao longo dos séculos. Mas esta mensagem, enfatizando o aspecto do juízo dentro do evangelho, somente poderia ser pregada no tempo do fim, pois seria então verdade que “é chegada a hora do Seu juízo”.

O livro de Daniel nos informa que no tempo do fim as suas profecias seriam abertas, retirando-se o “selo” de sobre as mesmas (Dan. 12:4). Nessa oportunidade, as pessoas compreenderiam os seus mistérios. A remoção do selo ocorreu quando chegou ao fim o período de 1.260 anos de supremacia papal, mediante o aprisionamento do papa em 1798. A combinação entre aprisionamento do papa e os sinais ocorridos no mundo natural, conduziu muitos cristãos ao estudo das profecias relacionadas com os eventos da segunda vinda de Cristo, e isso resultou em uma nova profundidade na compreensão dessas profecias.

Esta focalização do Segundo Advento também trouxe a lume um reavivamento mundial da esperança do Advento. Assim como os reformadores se ergueram independentemente nos vários países, assim ocorreu com o movimento adventista. A natureza mundial desse movimento é um dos mais claros sinais de que a volta de Cristo se aproxima. Assim como João Batista preparou o caminho para o primeiro advento de Cristo, assim o movimento adventista está preparando o caminho para Seu segundo advento – proclamando a mensagem de Apoc. 14:6- 12, o último apelo de Deus para que todos se preparem para o glorioso retorno do Salvador.[13]

2. Pregando o evangelho. Deus “estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça” (Atos 17:31). Advertindo-nos quanto a esse dia, Cristo não disse que ele chegaria quando o mundo inteiro se houvesse convertido, mas que “será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim” (Mat. 24:14). E Pedro estimula os crentes: “esperando e apressando a vinda do Dia de Deus” (II Ped. 3:12).

As estatísticas referentes à tradução e distribuição da Bíblia no corrente século, dão conta do crescimento do testemunho do evangelho. Em 1900, a Bíblia achava-se disponível em 537 idiomas. Em 1980, ela havia sido traduzida – no todo ou em parte – para 1.811 idiomas, representando aproximadamente 96 por cento da população do mundo. Semelhantemente, a distribuição anual das Escrituras passou de 5,4 milhões de exemplares em 1900 para cerca de 36,8 milhões de Bíblias e aproximadamente meio bilhão de porções da Bíblia em 1980.[14]

Adicionalmente, possui agora o cristianismo uma variedade sem precedente de recursos para utilizar em sua missão: agências de serviços, instituições médicas e educacionais, obreiros nacionais e estrangeiros, emissoras de rádio e televisão e vultosos meios financeiros. Nos dias de hoje, poderosas emissoras de rádio de ondas curtas podem levar o evangelho a praticamente todos os países ao redor do mundo. Utilizados sob a orientação do Espírito Santo, esses recursos jamais igualados poderão tornar realidade o alvo de evangelizar todo o mundo em nossos dias.

Os adventistas do sétimo dia, contando com membros que representam cerca de 700 idiomas e 1.000 dialetos, estão proclamando o evangelho em 190 países. Quase 90 por cento desses membros vivem fora da América do Norte. Por crermos que a obra médica e educacional desempenha papel essencial na pregação do evangelho, estamos operando cerca de 600 hospitais, casas de saúde, clínicas e dispensários, 19 lanchas médicas, 27 fábricas de produtos alimentícios saudáveis, 86 escolas superiores e universidades, 834 escolas secundárias, 4.166 escolas fundamentais, 125 escolas bíblicas por correspondência e 33 institutos de idiomas.

Nossas 51 casas editoras produzem literatura em 190 idiomas e nossas emissoras de rádio de ondas curtas atingem cerca de 75 por cento da população mundial. O Espírito Santo tem abençoado grandemente o nosso impulso missionário.

3. Declínio religioso. A proclamação ampla do evangelho não significa necessariamente um crescimento maciço do genuíno cristianismo. Ao contrário, as Escrituras predizem um declínio da verdadeira espiritualidade no tempo do fim.

Paulo disse que “nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder” (II Tim. 3:1-5).

Assim é que hoje o amor ao eu, às coisas materiais e ao mundo, tem suplantado o Espírito Santo em muitos corações. As pessoas não mais querem permitir que os princípios da lei divina dirijam sua vida; a revolta contra a lei predomina. “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mat. 24:12).

4. Ressurgimento do papado. De acordo com a profecia bíblica, no final dos 1.260 anos o papado receberia uma “ferida mortal”, mas não chegaria a morrer. As Escrituras revelam também que essa ferida mortal seria curada. O papado experimentaria grande renovação de sua influência e respeito – “e toda a Terra se maravilhou, seguindo a besta” (Apoc.13:3). Já nos dias de hoje, muitos vêem o papa como líder moral da humanidade.

Em grande medida, o crescimento da influência do papado ocorreu quando os cristãos substituíram a autoridade da Bíblia pelas tradições, padrões humanos o ciência. Ao assim procederem, tornaram-se vulneráveis ao “homem da iniqüidade” que opera “com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira” (II Tess. 2:9).

Satanás e seus instrumentos trarão à existência uma confederação do mal, simbolizada pela iníqua e tríplice união do dragão, besta e falso profeta, que enganará o mundo (Apoc.16:13 e 14; cf. 13:13 e 14). Somente aqueles cuja orientação provém da Bíblia e que “guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apoc.14:12) poderão resistir com êxito a essa arrasadora e enganosa confederação.

5. Declínio da liberdade religiosa. O reavivamento do papado afetará dramaticamente o cristianismo. A liberdade religiosa, obtida a grande custo, assegurada pela separação entre Igreja e Estado, será solapada e finalmente abolida. Com o apoio de poderosos governantes civis, este poder apóstata tentará impor a sua forma de adoração a todas as pessoas. Todos terão de decidir entre a lealdade a Deus e Seus mandamentos e a lealdade à besta e sua imagem (Apoc. 14:6-12).

A pressão para que a pessoa se adapte a estas imposições, incluirá coerção econômica: “Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta, ou o número do seu nome” (Apoc. 13:17). Com o decorrer do tempo aqueles que se recusarem à submisão defrontar-se-ão com a pena de morte (Apoc. 13:15). Durante esse tempo de provação final Deus intervirá em favor de; Seu povo e livrará todo aquele que tiver seu nome escrito no livro da vida (Dan. 12:1; cf. Apoc. 3:5; 20:15).

Aumento da Iniqüidade. O declínio espiritual no seio do cristianismo e o reavivamento do homem da iniqüidade têm conduzido a crescente negligência da lei de Deus na igreja e na vida dos crentes. Muitos têm chegado a crer que Deus aboliu a lei e que os cristãos não mais se encontram sob a obrigação de observá-la. Esse desrespeito à lei de Deus tem levado a grande aumento dos crimes e do comportamento imoral.

1. Rápido aumento dos crimes. O desrespeito à lei de Deus que é corrente em vastos arraiais cristãos tem contribuído para o desprezo que a moderna sociedade atribui à lei e à ordem. Em todo o mundo, o crime acha-se explosivamente fora de controle. Um relatório preenchido pelos correspondentes de várias capitais mundiais declara: “Tal como nos Estados Unidos, o crime acha-se em ascensão em praticamente todos os países do mundo.” “De Londres a Moscou e Johannesburgo, o crime está se tornando rapidamente a maior ameaça, levando à alteração do modo de vida das pessoas.”[15]

2. Revolução sexual. A desconsideração para com a lei de Deus também lançou por terra os parâmetros da modéstia e da pureza, resultando numa explosão de imoralidade. Hoje, é o sexo idolatrado e comercializado através de filmes, televisão, vídeo, músicas, revistas e propagandas. A revolução sexual resultou num espantoso incremento da taxa de divórcios, aberrações como o “casamento aberto” ou compartilhamento de parceiros, abuso sexual de crianças, apavorante número de abortos, homossexualidade e lesbianismo generalizados, epidemias de doenças sexualmente transmissíveis, inclusive a Aids (síndrome da imuno-deficiência adquirida).

Guerras e Calamidades. Jesus apresentou ainda o seguinte quadro, que ocorreria antes de Sua volta: “Levantar-se-á nação contra nação, e reino, contra reino; haverá grandes terremotos, epidemias e fome em vários lugares, coisas espantosas e também grandes sinais do céu” (Luc. 21:10 e 11; cf. Mar. 13:7 e S; Mat. 24:7). À medida que o fim se aproxima e se intensifica o conflito entre as forças divinas e as satânicas, essas calamidades também se tornarão mais severas e freqüentes, o que hoje pode ser visto como nunca dantes.

1. Guerras. Embora as guerras sempre tenham desgraçado a humanidade, nunca dantes na História foram elas tão globais e destrutivas. As duas guerras mundiais causaram maior número de baixas e sofrimentos do que todas as guerras anteriores combinadas.[16]

Muitos vêem hoje a perspectiva de um novo conflito de extensão mundial. A Segunda Guerra Mundial não erradicou as guerras. Desde então, ocorreram cerca de “140 conflitos desenvolvidos com armas convencionais, nos quais cerca de 10 milhões de pessoas morreram”.[17] A ameaça de uma guerra termonuclear de extensão todo-abrangente pesa sobre nossas cabeças como uma espada de Dâmocles.

2. Desastres naturais. Parece que os desastres sofreram acentuado aumento nos últimos anos. Cataclismas recentes da Terra e da atmosfera, sobrepondo-se um ao outro, têm levado alguns a perguntar-se se a natureza perdeu o controle – e se o mundo está experimentando alterações climáticas e estruturais profundas, as quais se intensificarão no futuro.[18]

3. Fomes. Fomes ocorreram muitas vezes no passado, mas nunca haviam se manifestado na escala presenciada durante o presente século. Nunca dantes tivera o mundo milhões de pessoas sofrendo tanto de inanição quanto de subnutrição.[19]

As perspectivas futuras não parecem mais alvissareiras. A extensão sem precedentes da inanição assinala claramente que o retorno de Cristo é iminente.

Preparados Todo o Tempo

A Bíblia assegura repetidamente que Jesus retornará. Mas, será que Ele virá daqui a um ano? Cinco anos? Dez? Vinte anos? Ninguém sabe ao certo. O próprio Jesus declarou: “A respeito daquele dia e hora ninguém sabe... senão o Pai” (Mat. 24:36).

Próximo ao final de Seu ministério terrestre, Cristo contou a parábola das dez virgens a fim de ilustrar a experiência da Igreja nestes últimos dias. As duas classes de virgens representam duas espécies de crentes que professam estar aguardando o seu Senhor. São chamados de virgens porque professam fé pura. Suas lâmpadas representam a Palavra de Deus, e o óleo representa o Espírito Santo.

Superficialmente, ambos os grupos parecem iguais; ambos saem para encontrar o noivo, ambos possuem óleo em suas lâmpadas, e sua conduta não aparenta diferenças. Todos eles ouviram a mensagem do breve retorno de Cristo e aguardam a sua ocorrência. Mas quando acontece uma aparente demora – então a fé dos dois grupos é provada.

Repentinamente, à meia-noite – à hora mais escura da história terrestre – eles ouvem um clamor: “Eis o noivo! Saí ao seu encontro” (Mat. 25:6). Agora, torna-se evidente a diferença entre os dois grupos: algumas pessoas não estão preparadas para encontrar o noivo. Estas virgens “néscias” não são hipócritas; elas respeitam a verdade, a Palavra de Deus. Entretanto, não possuem o óleo – não foram selados pelo Espírito Santo (cf. Apoc. 7:1-3). Esses cristãos se satisfizeram com um trabalho superficial e não caíram sobre a Rocha, Cristo Jesus. Eles possuem uma forma de piedade mas estão destituídos do poder de Deus.

Ao chegar o noivo, somente aqueles que estão prontos entram com Ele no salão da festa para celebrar o casamento, e então a porta se fecha. Depois de algum tempo as virgens néscias, que foram comprar mais óleo, retornam e clamam: “Senhor, Senhor, abre-nos a porta!” Mas o noivo responde: “Em verdade vos digo que não vos conheço” (Mat. 25:11 e 12).

Quão triste é pensar que ao Jesus retornar à Terra, pronunciará essas mesmas palavras a alguns que Ele ama. Ele advertiu: “Muitos, naquele dia, hão de dizer- Me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em Teu nome, e em Teu nome não expelimos demônios, e em Teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim, os que praticais a iniqüidade” (Mat. 7:22 e 23).

Antes do dilúvio, Deus enviou Noé para alertar o mundo antediluviano da vindoura destruição. De modo similar, Deus está enviando a tríplice mensagem de advertência a fim de preparar o mundo para o retorno de Cristo (Apoc. 14:6-16).

Todos os que aceitam a mensagem de misericórdia de Deus regozijar-se-ão diante da perspectiva da segunda vinda. Pertence-lhes a certeza: “Bemaventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro” (Apoc. 19:9).

De fato, “Cristo... aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que O aguardam para a salvação” (Heb. 9:28).

O retorno do Redentor representa o glorioso clímax da história do povo de Deus. É o momento de sua libertação, de modo que, cheios de alegria e senso de adoração eles exclamam: “Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos... Na Sua salvação exultaremos e nos alegraremos!” (Isa. 25:9).

Referências:
[1]. Froom, Prophetic Faith of Our Fathers, vol. 1, págs. 456 e 894; vol. 2, págs. 528 e 784; vol. 3, págs. 252 e 744; vol. 4, págs. 396 e 846.
[2]. G. I. Eiby, Earthquakes (New York, NY: Vam Nostrand Reinholdt Co., 1980), pág. 164.
[3]. Veja, por exemplo, Sir Charles Lyell, Principles of Geology (Philadelphia: James Kay, Jun. e Brother, 1837), vol. 1, págs. 416-419; “Lisbon”, Encyclopedia Americana, edição de Francis Lieber (Philadelphia, PA: Carcy and Lea, 1831), pág. 10; W. H. Hobbs, Earthquakes (New York: D. Appleton and Co., 1907), pág. 143; Thomas Hunter, An Historical Account of Earthquakes Extracted from the Most Authentic Historians (Liverpool: R. Williamson, 1756), págs. 54-90; cf. E. G. White, O Grande Conflito, págs. 304 e 305. Os primeiros informes davam conta de 100 mil mortes. Enciclopédias modernas apresentam a cifra de 60 mil.
[4]. Veja John Biddolf, A Poem on the Earthquake at Lisbon (Londres: W. Owen, 1755), pág. 9, citado in Source Book, pág. 358; Froom, Prophetic Faith of Our Fathers, vol. 2, págs. 674-677. Em 6 de fevereiro de 1756 a Igreja Anglicana celebrou um dia de jejum e humilhação em memória do terremoto (Ibidem). Veja também T. D. Kendrick, The Lisbon Earthquake (Londres: Methuen e Co. Ltd., 1955), págs. 72-164.
[5]. Cf. E. G. White, O Grande Conflito, págs. 306-308.
[6]. Timothy, Dwight, citado in Connecticut Historical Collections, compilação de John W. Barber, 2a edição (New Haven, CT: Durrie e Peck e J. W. Barber, 1836), pág. 403; citado em Source Book, pág. 316.
[7]. Samuel Williams, “An Account of a Very Uncommon Darkness in the State of New-England, May 19, 1780”, in Memoirs of the American Academy of Arts and Sciences: to the End of the Year 1783 (Boston, MA: Adams e Nourse, 1785), vol. 1, págs. 234 e 235; Cf. Source Book, pág. 315.
[8]. Carta a Samuel Tenny, Exeter [NH], dezembro de 1785, in Collections of the Massachusetts Historical Society for theYear 1792 (Boston, MA: Belknap e Hall, 1792), vol. 1, pág. 97.
[9]. Peter M. Millman, “The Falling of the Stars”, The Telescope, 7 (maio/junho de 1940, pág. 60). Veja também Froom, Prophetic Faith of Our Fathers, vol. 4, pág. 295.
[10]. Denison Olmsted, Letters on Astronomy, edição de 1840, págs. 348 e 349, in Source Book, págs. 410 e 411.
[11]. Froom, Prophetic Faith of Our Fathers, vol. 4, págs. 297-300; cf. E. G. White, O Grande Conflito, págs. 333 e 334.
[12]. Fenômenos conforme observados em Bowling Green, relatados no Salt River Journal de 20 de novembro de 1780, segundo citação de American Journal of Science and Arts, edição de Benjamin Silliman, 25 (1834), pág. 382.
[13]. Veja Froom, Prophetic Faith of Our Fathers, vol. 4, Damsteegt, Foundations of the Seventh-day Adventist Message and Mission.
[14]. David B. Barrett, editor, World Christian Encyclopedia. A Comparative Study of Churches and Religions in the Modern World a.C. 1900-2000 (Oxford: Oxford University Press, 1982), pág. 13.
[15]. “Abroad, Too, Fear Grips the Cities”, U. S. News and World Report, 23 de fevereiro de 1981, pág. 65.
[16]. David Singer e Melvin Small, The Wages of War: 1816-1965. A Statistical Handbook (New York, NY: John Wiley and Sons, 1972), págs. 66 e 67.
[17]. Margaret Thatcher, conforme citada em Ernest W. Lefever e Stephen Hung, The Apocalypse Premise (Washington, D.C.: Ethics and Public Policy Center, 1982), pág. 394.
[18]. Veja Paul Recer, “Is Mother Nature Going Berserk?” U. S. News & World Report, 22 de fevereiro de 1982, pág. 66.
[19]. Um suplemento especial da publicação norte-americana Development Forum, intitulada “Facts on Food” (novembro de 1974), disse que “metade da população mundial, mais de 2 bilhões de pessoas, é escassamente nutrida”. Citado em Ronald J. Sider, Rich Christians in an Age of Hunger (New York, NY: Paulist Press, 1977), pág. 228, no 4. Cf. pág. 16.