O Remanescente e Sua Missão


A Igreja universal se compõe de todos os que verdadeiramente crêem em Cristo; mas, nos últimos dias, um tempo de ampla apostasia, um remanescente tem sido chamado para fora, a fim de guardar os mandamentos de Deus e a fé de Jesus. Este remanescente anuncia a chegada da hora do Juízo, proclama a salvação por meio de Cristo e prediz a aproximação de Seu segundo advento. Essa proclamação é simbolizada pelos três anjos de Apocalipse 14; coincide com a obra de julgamento no Céu e resulta numa obra de arrependimento e reforma na Terra. Todo crente é convidado a ter uma parte pessoal neste testemunho mundial.

O Remanescente e Sua Missão

O grande dragão vermelho está pronto para atacar. Já conseguira arrastar consigo a terça parte dos anjos celestiais (Apoc. 12:4, 7-9). Agora, se lhe for possível devorar a criança que está por nascer, terá vencido a guerra.

A mulher que diante dele se encontra, está vestida do sol e tem a lua debaixo de seus pés, além de uma coroa com doze estrelas na cabeça. O Menino que ela está trazendo à luz, destina-se a “reger todas as nações com cetro de ferro” (Apoc. 12:5).

O dragão lança-se ao ataque, mas seus esforços para matar a Criança são baldados. Em vez disso, a Criança é arrebatada “para Deus até ao Seu trono” (Apoc. 12:5). Enraivecido, o dragão volve sua ira contra a mãe, à qual são miraculosamente concedidas asas, que a conduzem para um lugar remoto especialmente preparado por Deus. Ali ele a sustenta durante um tempo, dois tempos e metade de um tempo – três anos e meio ou 1.260 dias proféticos (Apoc. 12:1-6, 13 e 14).

Em profecia bíblica, uma mulher pura representa a fiel Igreja de Deus.[1] Uma mulher retratada como prostituta ou adúltera, representa o povo de Deus que experimentou a apostasia (Ezeq. 16; Isa. 57:8; Jer. 31:4 e 5; Osé. 1-3; Apoc. 17:1-5).

O dragão, a “antiga serpente, que se chama diabo e Satanás” (Apoc. 12:9), esperava poder devorar a Criança, o longamente esperado Messias, Jesus Cristo. Satanás, ao guerrear contra seu arquiinimigo Jesus, utilizou o Império Romano. Nada, nem mesmo a morte sobre a cruz, poderia deter a Cristo em Sua missão como Salvador da humanidade.

Na cruz Jesus Cristo derrotou a Satanás. Falando de Sua crucifixão, Cristo disse: “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso” (João 12:31). O Apocalipse descreve o hino celestial da vitória: “Agora veio a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do Seu Cristo, pois foi expulso o acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite, diante do nosso Deus. Por isso, festejai, ó Céus, e vós, os que neles habitais” (Apoc. 12:10 e 12). A expulsão de Satanás do Céu restringiu suas ações. Não mais poderia Satanás acusar o povo de Deus diante dos seres celestiais.

Embora o Céu tivesse motivo para regozijo, a Terra foi advertida: “Ai da Terra e do mar, pois o diabo desceu até vós, cheio de grande cólera, sabendo que pouco tempo lhe resta” (Apoc. 12:12).

Dando vasão a sua ira, Satanás começou a perseguir a mulher – a Igreja (Apoc. 12:13), a qual, embora atravessando intensos sofrimentos, sobreviveu. Áreas da Terra fracamente povoadas – o “deserto” – serviram como refúgio para o fiel povo de Deus durante os 1.260 dias proféticos ou 1.260 anos literais (Apoc. 12:14-16).[2]

Ao final dessa experiência no deserto, o povo de Deus emergiu em resposta a sinais que indicavam a proximidade da volta de Cristo. João identificou esse grupo fiel como “os restantes da... descendência [da mulher], os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” (Apoc. 12:17). O diabo odeia particularmente a este remanescente (Apoc. 12:17).

Quando e onde teve lugar essa perseguição? Como aconteceu? Em que momento começou a aparecer o remanescente? Qual é a sua missão? A resposta a essas perguntas exige uma revisão tanto das Escrituras quanto da História.

A Grande Apostasia

A perseguição da Igreja cristã ocorreu inicialmente sob Roma pagã, e depois a partir da apostasia gerada em suas próprias fileiras. Tal apostasia não representou qualquer surpresa – João, Paulo e Cristo já a haviam profetizado.

Durante Seu mais notável discurso, Jesus advertira os apóstolos quanto ao aparecimento do engano: “Vede que ninguém vos engane. Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos” (Mat. 24:4 e 24). Os seguidores de Cristo experimentariam um período de “grande tribulação”, mas sobreviveriam a ele (Mat. 24:21 e 22). Impressionantes sinais marcariam, na natureza, o fim dessa perseguição; os mesmos sinais determinariam a proximidade do retorno de Cristo (Mat. 24:29, 32 e 33).

Paulo advertira igualmente: “Depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles” (Atos 20:29 e 30). Esses “lobos” conduziriam a Igreja à apostasia.

Paulo explicou que tal apostasia teria de ocorrer antes do retorno de Cristo. Sua vinda era tão certa que o simples fato de ela ainda não se haver manifestado, foi apontado pelo apóstolo como evidência de que a vinda de Cristo ainda não era iminente Ou, segundo suas próprias palavras: “Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus” (II Tess. 2:3 e 4).

Mesmo nos dias de Paulo, a apostasia já se encontrava em operação, embora de forma limitada. Seu método de operação era satânico, “com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça” (II Tess. 2:9 e 10).Antes do final do primeiro século, João observou que “muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora”. Efetivamente, disse ele, “o espírito do anticristo, ... presentemente, já está no mundo” (I João 4:1 e 3).

De que modo deveria operar esse sistema apóstata?

O Surgimento do “Homem do Pecado”. “À medida que a igreja abandonou seu ‘primeiro amor’ (Apoc. 2:4), perdeu também a pureza da doutrina, seus elevados padrões de conduta pessoal e o invisível laço de unidade gerado pelo Espírito Santo. Na adoração, o formalismo ocupou o lugar da simplicidade.Popularidade e poder pessoal passaram a influir mais e mais na escolha dos líderes, que primeiro assumiram crescente autoridade nas igrejas locais, e então procuraram estender sua autoridade sobre as igrejas vizinhas.

“A Administração da igreja local sob a orientação do Espírito Santo, com o tempo cedeu lugar ao autoritarismo eclesiástico depositado nas mãos de um único oficial, o bispo, ao qual todo membro individual da igreja se achava sujeito e através de quem, unicamente, se dizia ter este membro acesso à salvação. Portanto, a liderança pensava apenas em dirigir a igreja, em vez de servi-la, e o ‘maior’ já não era aquele que a si mesmo se considerava como ‘servo de todos’. Assim, de modo gradual, desenvolveu-se o conceito de uma hierarquia sacerdotal que se interpunha entre o indivíduo e seu Senhor.”[3]

À medida que a importância do indivíduo e da igreja local se deteriorava, o bispo de Roma emergiu como o poder supremo da cristandade. Com o apoio do imperador, o mais elevado dos bispos, ou papa,[4] veio a ser reconhecido como a cabeça visível da igreja universal, investido de autoridade suprema sobre todos os líderes da igreja em todo o mundo.

Sob a liderança do papado,[5] a Igreja cristã mergulhou em apostasia ainda mais profunda. A crescente popularidade da Igreja acelerou seu declínio. Padrões de conduta rebaixados fizeram com que os não convertidos se sentissem confortáveis no seio da Igreja. Multidões que conheciam pouquíssimo do verdadeiro cristianismo, uniram-se à Igreja apenas nominalmente, trazendo consigo suas doutrinas pagãs, imagens, formas de adoração, celebrações, festas e simbolismos.

Esse compromisso entre paganismo e cristianismo conduziu à formação ou surgimento do “homem do pecado” – um gigantesco sistema de falsa religião, mistura de verdade e erro. A profecia de II Tessalonicenses 2 não condena indivíduos, mas expõe o sistema religioso responsável pela grande apostasia. Muitos dos crentes que estão dentro deste sistema, contudo, pertencem à Igreja universal de Deus, pois vivem de acordo com a luz que possuem.

A Igreja Sofredora. Com o declínio da espiritualidade, a Igreja de Roma desenvolveu um perfil mais secular, estreitando seus laços com o governo imperial. Igreja e Estado uniram-se numa aliança não santificada.

Em seu clássico A cidade de Deus, Agostinho – um dos mais influentes Pais da Igreja – estabeleceu o ideal católico de uma Igreja universal controlando um Estado universal. O pensamento de Agostinho assentou as bases da teologia papal da Idade Média.

Em 533 d.C., numa carta incorporada ao Código de Justiniano, o imperador Justiniano declara o bispo de Roma como sendo a cabeça de todas as igrejas.[6] Ele também reconheceu a influência do papa na eliminação de hereges.[7]

Quando Belisário, general de Justiniano, libertou Roma em 538 d.C., o bispo de Roma libertou-se do controle dos ostrogodos, cujo arianismo tivera como conseqüência restringir o crescimento da Igreja Católica. Agora o bispo poderia exercer as prerrogativas do decreto de Justiniano, do ano 533 d.C.; ele poderia fazer crescer a autoridade da “Santa Sé”. Assim, começaram os 1.260 anos de perseguição, previstos pela profecia bíblica (Dan. 7:25; Apoc. 12:6 e 14; 13:5-7).

Tragicamente a Igreja, com a assistência do Estado, tentou impor seus decretos e ensinamentos a todos os cristãos. Muitos abdicaram de suas crenças por temor à perseguição, enquanto aqueles que se mantiveram fiéis aos ensinamentos bíblicos, sofreram severa perseguição. O mundo cristão tornou-se um campo de batalha. Muitos foram aprisionados ou executados em nome de Deus! Durante os 1.260 anos de perseguição, milhões de crentes fiéis experimentaram grande sofrimento, enquanto muitos outros pagaram com a própria vida sua lealdade a Cristo.[8]

Cada gota de sangue derramado representou uma nódoa ao nome de Deus e de Jesus Cristo. Coisa alguma causou mais dano ao Cristianismo do que a implacável perseguição movida por ele. A grosseira distorção do caráter de Deus resultante dessas ações praticadas pela Igreja, assim como a doutrina do purgatório e do tormento eterno, conduziram muitos à completa rejeição do Cristianismo.

Muito antes do surgimento da Reforma, ergueram-se dentro da própria Igreja as vozes daqueles que protestavam contra a eliminação sumária dos opositores, contra suas arrogantes pretensões e contra a sua desmoralizadora corrupção. A indisposição da Igreja em reformar-se, deu à luz a Reforma Protestante no décimo sexto século. Seu sucesso representou um duro golpe para o prestígio e autoridade da Igreja de Roma. Por intermédio da Contra-Reforma, o papado envolveu-se numa sangrenta batalha contra o Protestantismo, mas gradativamente foi ele perdendo a luta diante das forças que reclamavam liberdade civil e religiosa.

Finalmente, 1.260 anos depois de 538 d.C., a Igreja Católica Romana recebeu uma ferida mortal (cf. Apoc. 13:3).[9] As espetaculares vitórias dos exércitos de Napoleão na Itália, colocaram o papa à mercê do governo revolucionário francês, que via na religião romana um inimigo irreconciliável da República. O governo francês ordenou a Napoleão que tomasse o papa como prisioneiro. Sob suas ordens, o general Berthier entrou em Roma e proclamou o fim do governo civil do papado. Levando o papa como prisioneiro, Berthier conduziu-o até a França, onde ele morreu em exílio.[10]

A derrocada do papado representou a culminação de uma longa série de eventos associados com o seu progressivo declínio. O evento assinalou o término do período profético dos 1.260 anos. Muitos protestantes interpretaram o acontecimento como a realização da profecia.[11]

A Reforma

Doutrinas não-escriturísticas baseadas na tradição, implacável perseguição dos dissidentes, corrupção e deterioração moral de muitos membros do clero representaram alguns dos principais fatores que levaram as pessoas a clamar por uma reforma no seio da igreja estabelecida.

Questões Doutrinárias. Os exemplos que seguem mostram doutrinas não-bíblicas que contribuíram para o surgimento do protestantismo e ainda hoje separam protestantes e católicos romanos.

1. A cabeça da Igreja na Terra é o vigário de Cristo. Esta doutrina afirma que somente o bispo de Roma é o vigário ou representante de Cristo na Terra e a cabeça visível da Igreja. Em contraste com o conceito bíblico no tocante à liderança da Igreja, esta doutrina baseou-se na suposição de que Cristo tornou Pedro a cabeça visível da igreja, e que o papa é o sucessor de Pedro.[12]

2. A infalibilidade da Igreja e de sua cabeça. A doutrina que mais fortemente contribuiu para o prestígio e a influência da Igreja de Roma, foi a de que ela é infalível. A Igreja pretende jamais haver errado e que jamais errará. Ela baseou seu ensino no seguinte raciocínio, que não encontra apoio bíblico: uma vez que a Igreja é divina, um de seus atributos inerentes é a infalibilidade. Adicionalmente, uma vez que Deus pretende, através de Sua divina Igreja, conduzir as pessoas para o Céu, ela deve ser infalível ao ensinar a fé e a moral.[13] Cristo, portanto, irá preservá-la do erro através do poder do Espírito Santo.

O corolário lógico, que nega a corrupção básica dos seres humanos (veja o apítulo 7 deste livro), é que o líder da Igreja também deve ser infalível.[14] Em acordo com isso, a literatura católica atribui prerrogativas divinas a seu líder.[15]

3. O eclipse do ministério mediatório sumo-sacerdotal de Cristo. À medida que crescia a influência da Igreja de Roma, a atenção dos crentes foi sendo desviada de Cristo e de Sua contínua obra de mediação como Sumo Sacerdote no Céu – o antítipo dos sacrifícios diários contínuos apresentados nos serviços do santuário terrestre do Antigo Testamento – para um sacerdócio terrestre cujo líder se achava em Roma. Em vez de confiar em Cristo para o perdão dos pecados e para a eterna salvação, os crentes fizeram repousar sua fé em papas, sacerdotes e prelados. Contradizendo o ensino neotestamentário do sacerdócio de todos os crentes, passou-se a crer agora que o ministério sacerdotal da absolvição era vital à salvação.

O ministério sacerdotal de Cristo no Céu, onde Ele aplica constantemente os benefícios de Seu sacrifício expiatório aos crentes arrependidos, foi efetivamente negado quando a Igreja substituiu a Ceia do Senhor pela missa. Ao contrário da Santa Ceia – um serviço instituído por Cristo a fim de comemorar Sua morte e antecipar a vinda de Seu reino – a Igreja Católica pretende que a missa represente o sacrifício humano não-sangrento oferecido pelo sacerdote a Deus. Uma vez que Cristo é repetidas vezes oferecido, assim como o foi no Calvário, passou-se a considerar que a missa traz graça especial aos crentes e aos falecidos.[16]

Ignorando as Escrituras, conhecendo apenas a missa conduzida por um sacerdote humano, multidões perderam as bênçãos do acesso direto a nosso Mediador Jesus Cristo. Portanto, a promessa e convite: “Acheguemo-nos, ... confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Heb. 4:16), foram completamente obliteradas.

4. A natureza meritória das boas obras. O ponto de vista dominante, de que através da prática de boas obras a pessoa pode adquirir méritos essenciais à salvação, e que a fé não salva, contradiz os ensinos do Novo Testamento. A Igreja Católica ensina que as boas obras – decorrentes da graça administrada ao coração do pecador – são meritórias, o que significa que elas concedem ao indivíduo o direito de reclamar a salvação. De fato, alguém poderia até mesmo produzir mais boas obras do que aquelas que necessitaria para a sua salvação – o que teria sido o caso dos santos e desta forma acumular méritos extras. Estes méritos excedentes poderiam ser utilizados para o benefício de outros. Pelo fato de a Igreja sustentar que os pecadores são justificados com base na justificação infundida em seus corações, as boas obras passaram a desempenhar papel importante na justificação da pessoa.

Obras meritórias também passaram a desempenhar papel significativo na doutrina do purgatório, a qual afirma que aqueles que não são perfeitamente puros devem ser purificados, sofrendo uma punição temporária de seus pecados num lugar chamado purgatório, antes que possam participar da alegria do Céu. Através de suas preces e boas obras, os crentes vivos podem abreviar a duração e a intensidade dos sofrimentos daqueles que estão no purgatório.

5. A doutrina da penitência e da indulgência. Penitência é o sacramento pelo qual os cristãos podem obter o perdão dos pecados cometidos após seu batismo. O perdão dos pecados é obtido através da absolvição pronunciada pelo sacerdote, mas, antes que ele possa ser obtido, os cristãos necessitam examinar sua consciência, arrepender-se de seus pecados e tomar a decisão de nunca mais ofender a Deus. Devem então confessar seus pecados ao sacerdote e praticar a penitência – alguma tarefa designada pelo sacerdote. Contudo, a penitência não libera completamente os pecadores. Eles ainda devem sofrer a punição temporal, quer seja nesta vida, quer seja no purgatório. Para “dar um jeito” nessa punição, a Igreja instituiu as indulgências, capazes de prover a remissão do castigo temporal que ainda ficou pendente face ao pecado, depois que a culpa foi absolvida. As indulgências, que podem beneficiar tanto os vivos quanto os que se acham no purgatório, são asseguradas sob as condições de penitência e o desempenho das boas obras prescritas, muitas vezes sob a forma de valores monetários pagos à Igreja.

Foram os méritos “excedentes” dos mártires, santos, apóstolos e, especialmente, de Jesus Cristo e da Virgem Maria, que tornaram possíveis as indulgências. Seus méritos foram depositados no “tesouro de méritos” e são transferíveis a todos os crentes cujas contas são deficitárias. O papa, como suposto sucessor de Pedro, achava-se no controle das chaves desse tesouro e podia liberar as pessoas da punição temporal ao atribuir-lhes os créditos existentes no tesouro.[17]

6. A autoridade final repousa sobre a igreja. Ao longo dos séculos a Igreja estabelecida adotou muitas crenças, dias santificados e símbolos do paganismo. Quando as vozes se erguiam contra estas abominações, a Igreja de Roma assumia o direito único de interpretar as Escrituras. A Igreja, e não a Bíblia, tornou-se a fonte final de autoridade. A Igreja argumentava que existiam duas fontes de verdade divina: (1) As Sagradas Escrituras e (2) a tradição católica, que consistia dos escritos dos Pais da Igreja, os decretos de concílios eclesiásticos, credos aprovados e cerimônias da Igreja. Sempre que as doutrinas da Igreja fossem apoiadas pela tradição mas não pelas Escrituras, prevalecia a tradição. Crentes comuns não possuíam autoridade para interpretar as doutrinas que Deus revelou nas Escrituras. Essa autoridade residia tão-somente na Igreja Católica.[18]

O Amanhecer de um Novo Dia. No décimo quarto século, John Wycliffe insistiu quanto à necessidade de reforma da Igreja, não apenas na Inglaterra, como em toda a cristandade. Num tempo em que existiam poucas cópias da Bíblia, ele providenciou a primeira tradução da Bíblia completa para o idioma inglês. Seus ensinamentos quanto à salvação unicamente pela fé em Cristo e das Escrituras como única regra infalível de fé, representaram os alicerces da Reforma Protestante. Na qualidade de “Estrela da Manhã” da Reforma, tentou libertar a Igreja de Cristo das malhas do paganismo, que a haviam mantido na ignorância. Iniciou um movimento que haveria de libertar a mente dos indivíduos, bem como nações inteiras, das garras dos erros religiosos. Os escritos de Wycliffe calaram fundo na alma de Huss, Jerônimo, Lutero e muitos outros.

Martinho Lutero – aguerrido, impulsivo, inflexível – foi provavelmente a mais poderosa personalidade da Reforma. Mais que qualquer outro homem, ele conduziu as pessoas de volta às Escrituras e à grande verdade evangélica da justificação pela fé, ao mesmo tempo em que guerreou energicamente contra a salvação pelas obras.

Declarando que os crentes não deveriam aceitar qualquer outra autoridade que não as Escrituras, Lutero fez com que os olhos das pessoas se volvessem para o alto, desviando-se de sacerdotes humanos, obras e penitências, em direção a Cristo como o seu único Mediador e Salvador. Ele dizia que era impossível – através de obras humanas – aliviar a culpa do pecado ou evitar a punição. Somente o arrependimento diante de Deus e a fé em Cristo podem salvar os pecadores. Uma vez que é um dom concedido gratuitamente, a graça de Deus não pode ser comprada. Os seres humanos podem manter esperança, portanto, não em virtude de indulgências, e sim porque foi vertido o sangue do crucificado Salvador.

À semelhança de uma expedição arqueológica que encontra tesouros escondidos sob o lixo que os séculos acumularam, a Reforma trouxe à luz verdades bíblicas havia muito tempo esquecidas. A justificação pela fé, o grande princípio do evangelho, foi redescoberta, e passou a existir novo apreço pelo sacrifício expiatório único e completo de Jesus Cristo, bem como por Seu todo-suficiente sacerdócio mediatório. Muitos ensinos não-bíblicos, tais como as orações pelos mortos, veneração de santos e relicários, celebração da missa, adoração de Maria, purgatório, penitências, água benta, celibato dos sacerdotes, o rosário, a inquisição, a transubstanciação, a extrema-unção e a confiabilidade da tradição, foram repudiados e abandonados.

Os reformadores protestantes eram quase unânimes em identificar o sistema papal como o “homem do pecado”, o “mistério da iniqüidade” e a “ponta pequena” de Daniel – a entidade que deveria perseguir o verdadeiro povo de Deus durante os 1.260 anos de Apocalipse 12:6 e 14 e 13:5, antes da Segunda Vinda.[19]

A doutrina da Bíblia e a Bíblia somente, como norma de fé e moral, tornou-se básica para o Protestantismo. Os reformadores consideravam toda tradição humana como estando sujeita à autoridade final e mais elevada das Escrituras. Em matéria de fé religiosa, nenhuma autoridade – papa, concílios, Pais da Igreja, reis ou eruditos – poderia governar a consciência. Efetivamente, o mundo cristão começava a despertar de sua sonolência e, com o passar do tempo – e em muitos lugares – a liberdade religiosa foi proclamada.

A Reforma Estagnada

A reforma da Igreja cristã não deveria ter cessado no décimo sexto século. Os reformadores haviam alcançado muito, mas não haviam redescoberto toda a luz que a apostasia suprimira. Eles mal haviam tirado o Cristianismo das trevas, mas ele ainda permanecia nas sombras. Ao mesmo tempo que haviam quebrado a mão férrea da Igreja medieval, restaurado o evangelho básico e oferecido a Bíblia ao mundo, haviam falhado em redescobrir outras verdades importantes. O batismo por imersão, a imortalidade ancorada em Cristo (por ocasião da ressurreição dos justos), o sétimo dia como o sábado bíblico e outras verdades achavam-se ainda nas sombras.

Em vez de fazer avançar a Reforma, os sucessores dos reformadores originais trataram de consolidar suas posições. Passaram a focalizar sua atenção nas palavras e opiniões dos reformadores, em vez de fazê-lo sobre as Escrituras. Uns poucos descobriram novas verdades, mas a maioria recusou-se a avançar para além daquilo que os primeiros reformadores haviam apresentado. Consequentemente, a fé protestante degenerou em formalismo e escolasticismo, e os erros que deveriam ter sido corrigidos, foram perpetuados. A chama da Reforma gradualmente se extinguiu, e as igrejas protestantes tornaram-se frias, formais e, elas próprias, necessitadas de reforma.

A era pós-Reforma fervilhou de atividade teológica, mas pouco progresso espiritual foi obtido. Frederic W. Farrar escreveu que nesse período “a liberdade foi trocada pela escravidão; princípios universais por elementos desprezíveis; verdades por dogmatismos; independência pela tradição; religião por sistemas. A reverência viva diante das Escrituras foi superada em favor de uma teoria morta quanto à inspiração. Ortodoxia genial cedeu lugar à férrea uniformidade e o pensamento vivo foi substituído pela dialética da controvérsia”.[20] Embora a “reforma tenha quebrado o cetro de chumbo do velho escolasticismo”, as igrejas protestantes introduziram “um novo escolasticismo, cujo cetro era de ferro”.[21] Robert M. Grant identificou esse novo escolasticismo como “tão rígido quanto qualquer construção teológica medieval”.[22] O protestantismo “praticamente escravizou a si próprio dentro dos limites das respectivas confissões”.[23]

Controvérsias irromperam. “Jamais houve uma época em que os homens estivessem tão ocupados em descobrir os erros uns dos outros, ou em que se chamassem uns aos outros com tantos nomes ignominiosos.”[24] Assim, as boas novas tornaram-se uma guerra de palavras. “As Escrituras não mais falavam ao coração e sim ao intelecto crítico.”[25] “Os dogmas eram ortodoxos, mas a espiritualidade se extinguiu. A teologia triunfou, mas o amor feneceu.”[26]

O Remanescente

A despeito da apostasia e tribulação dos 1.260 anos, alguns crentes continuaram a refletir a pureza da Igreja apostólica. Quando os 1.260 anos de opressão findaram em 1798 d.C., constatou-se que o dragão fracassara em erradicar inteiramente o fiel povo de Deus. Contra estes Satanás prosseguiu dirigindo seus esforços destrutivos. Disse João: “Irou-se o dragão contra a mulher e foi pelejar com os restantes da sua descendência, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus.” (Apoc. 12:17).

Que é o Remanescente? Ao descrever a batalha do dragão contra a mulher e a sua descendência, João utilizou a expressão “os restantes da sua semente” (Apoc. 12:17). Esta expressão significa “os que sobraram”, ou “remanescentes”. A Bíblia retrata o remanescente como um pequeno grupo de filhos de Deus que, ao longo de calamidades, guerras, e apostasias, permanece fiel a Deus. Esse dedicado remanescente sempre representou a fonte utilizada por Ele para propagar Sua Igreja visível na Terra (II Crôn. 30:6; Esd. 9:14 e 15; Isa. 10:20-22; Jer. 42:2; Ezeq. 6:8; 14:22).

Deus comissionou o remanescente a declarar Sua glória e conduzir Seu povo espalhado em todo o mundo ao Seu “santo monte, a Jerusalém”, ou “Monte Sião” (Isa. 66:20; 37:31 e 32; cf. Apoc. 14:1). A respeito daqueles que assim foram arrebanhados, dizem as Escrituras: “São eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá” (Apoc. 14:4).

Apocalipse 12:17 contém a descrição do último remanescente nessa linhagem escolhida, representada pelos leais seguidores de Deus – Suas leais testemunhas nos últimos dias, imediatamente antes da segunda vinda de Cristo. Quais são as características do remanescente?

Características do Remanescente. O remanescente dos últimos dias não pode ser facilmente confundido. João descreve esse grupo em termos bastante específicos. O grupo apareceria depois dos 1.260 anos de perseguição e é constituído por aqueles que “guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” (Apoc. 12:17).

Eles têm sobre si a responsabilidade de proclamar, justamente antes do retorno de Cristo, a advertência final de Deus ao mundo, a tríplice mensagem angélica de Apocalipse 14 (Apoc. 14:6-12). Essas mensagens contêm em si próprias uma descrição do remanescente, ao afirmarem que ele é constituído por aqueles “que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apoc. 14:12). Consideremos mais detalhadamente cada uma dessas características.

1. A fé de Jesus. O povo remanescente de Deus é caracterizado por uma fé semelhante àquela que Jesus possuía. Eles refletem a inabalável confiança de Jesus em Deus e na autoridade das Escrituras. Crêem que Jesus Cristo é o Messias da profecia, o Filho de Deus, que veio como o Salvador do mundo. Sua fé abrange todas as verdades da Bíblia – aquelas nas quais Cristo cria, pregando-as.

O remanescente de Deus dedicar-se-á, pois, à proclamação do eterno evangelho de salvação pela fé em Cristo. Eles advertirão o mundo de que a hora do juízo de Deus é chegada, pelo que procurarão fazer com que outros se preparem para o breve encontro com o Senhor. Eles se envolverão numa missão de extensão mundial a fim de completar o testemunho divino à humanidade (Apoc. 14:6 e 7; 10:11; Mat. 24:14).

2. Os mandamentos de Deus. Genuína fé em Jesus compromete os remanescentes a seguir o Seu exemplo. João explicou: “Aquele que diz que permanece nEle, esse deve também andar assim como Ele andou” (I João 2:6). Uma vez que Jesus guardou os mandamentos de Seu Pai, eles também obedecerão aos mandamentos de Deus (João 15:10).

Particularmente em vista de serem eles o remanescente, suas ações devem harmonizar-se com a sua profissão – doutra maneira, esta não tem qualquer valor. Jesus disse: “Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos Céus” (Mat. 7:21). Através do poder que Cristo lhes concede, obedecem aos requisitos divinos, inclusive os Dez Mandamentos – a imutável lei moral (Êxo. 20:1-17; Mat. 5:17-19; 19:17; Filip. 4:13).

3. O Testemunho de Jesus. João define o “testemunho de Jesus” como o “Espírito de profecia” (Apoc. 19:10). O remanescente será conduzido pelo testemunho de Jesus, manifestado através do dom de profecia.

Esse dom do Espírito deveria funcionar continuamente ao longo da história da Igreja, “até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efés. 4:13). Esta é, pois, uma das principais características do remanescente.

Semelhante orientação profética transforma o remanescente no povo da profecia que proclama a mensagem profética. Eles devem entender a profecia e ensiná-la. A revelação da verdade que vem ao remanescente ajuda-o a empreender sua missão de preparar o mundo para o retorno de Cristo.

O Surgimento do Remanescente dos Últimos Dias. A Bíblia indica que o remanescente apareceria no palco do mundo depois do período de grande perseguição (Apoc. 12:14-17). Os sensacionais eventos da Revolução Francesa, que desembocaram no aprisionamento do papa ao final dos 1.260 dias-anos (1798 d.C.), e o cumprimento de três grandes sinais cósmicos – em que a Terra, Sol, Lua e estrelas testificaram da proximidade do retorno de Cristo – conduziram a um grande reavivamento no estudo das profecias. Uma expectativa geral no tocante à iminente volta de Cristo foi observada. Por todo o mundo muitos cristãos reconheceram que o “tempo do fim” havia chegado (Dan. 12:4).[27]

O cumprimento das profecias bíblicas durante a segunda metade do século dezoito e primeira metade do século dezenove resultou num poderoso movimento interconfessional, centralizado na esperança do Segundo Advento. Em todas as igrejas os crentes na iminente volta de Cristo podiam ser encontrados, todos em oração, trabalhando e antecipando o clímax de todas as eras.

A esperança do Advento desenvolveu um espírito de profunda unidade entre seus participantes, e muitos se uniram para advertir o mundo do breve retorno de Cristo. O movimento adventista representou um genuíno movimento interconfessional bíblico, centralizado na Palavra de Deus e na esperança do Advento.

Quanto mais estas pessoas estudavam a Bíblia, mais e mais se convenciam de que Deus estava chamando um remanescente para prosseguir a estagnada reforma da Igreja cristã. Eles próprios já haviam experimentado a ausência do espírito de reforma em suas respectivas igrejas, e falta de interesse no estudo e na preparação para o Segundo Advento. Seu estudo da Bíblia revelou que as provas e desapontamentos que Deus lhes permitira atravessar, constituíam uma experiência profundamente espiritual e purificadora, que os fizera unir-se como o povo remanescente de Deus. O Senhor os comissionara a prosseguir com a reforma que tanta alegria e poder trouxera à Igreja. Com gratidão e humildade, aceitaram a missão, compreendendo que a divina comissão lhes fora atribuída não porque possuíssem qualquer superioridade inerente, e sim em virtude da misericórdia e poder de Cristo – único meio pelo qual poderiam alcançar sucesso.

A Missão do Remanescente

As profecias do livro de Apocalipse destacam claramente a missão do remanescente. As três mensagens angélicas de Apocalipse 14:6-12 revelam a proclamação do remanescente, a qual deverá trazer completa e final restauração da verdade do evangelho.[28] Essas três mensagens angélicas correspondem à resposta divina aos extraordinários enganos satânicos que varrem o mundo justamente antes do retorno de Cristo (Apoc. 13:3, 8, 14-16). Imediatamente em seguida ao último apelo divino dirigido ao mundo, Cristo retorna para efetuar a colheita (Apoc. 14:14-20).

A Primeira Mensagem Angélica

“Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a Terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora do Seu juízo; e adorai Aquele que fez o Céu, e a Terra, e o mar, e as fontes das águas” (Apoc. 14:6 e 7).

O primeiro anjo simboliza o remanescente de Deus conduzindo o evangelho eterno ao mundo. Esse evangelho são as mesmas boas novas do infinito amor de Deus que os antigos profetas e os apóstolos proclamaram (Heb. 4:2). O remanescente não apresenta um evangelho diferente – em vista do julgamento eles reafirmam o evangelho eterno, de que os pecadores podem ser justificados pela fé e receber a justiça de Cristo.

Essa mensagem chama o mundo ao arrependimento. Exorta todos a “temer” ou reverenciar a Deus, e a dar-Lhe “glória” ou honra. Fomos criados para este propósito, e podemos dar honra ou glória a Deus através de nossas palavras e ações: “Nisto é glorificado Meu Pai, em que deis muito fruto” (João 15:8).

João predissera que o movimento que prepararia o mundo para o retorno de Cristo, haveria de enfatizar de modo especial a questão bíblica da glorificação de Deus. Como nunca antes esse movimento deverá apresentar o apelo do Novo Testamento no tocante à santidade da mordomia de nossa vida: “Vosso corpo é santuário do Espírito Santo.” Não possuímos direitos exclusivos sobre nossas capacidades físicas, morais ou espirituais; Cristo comprou estas capacidades com Seu sangue, no Calvário. “Glorificai a Deus no vosso corpo” (I Cor. 6:19 e 20). “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (I Cor. 10:31).

O fato de que “a hora do juízo é chegada” acrescenta urgência ao chamado para o arrependimento. Em Apocalipse 14:7, a palavra juízo traduz o grego krisis, o ato de julgar, e não a sentença do juízo (krima). Refere-se, portanto, a todo o processo de julgamento, inclusive a colocação das pessoas diante do divino tribunal, a investigação dos livros, o veredicto de absolvição ou condenação, e a atribuição da sentença de vida eterna ou morte eterna (Mat. 16:27; Rom. 6:23; Apoc. 22:12). A mensagem da hora do juízo também proclama o julgamento que Deus fará de toda a apostasia (Dan. 7:9-11 e 26; Apoc. 17 e 18).

A mensagem da hora do juízo aponta particularmente para o tempo em que – na última fase de Seu ministério sumo-sacerdotal no Céu – Cristo iniciou Seu trabalho de julgamento.

Esta mensagem também convoca a todos para a adoração do Criador. O chamado de Deus para a adoração deve ser posto em contraste com o chamado para a adoração da besta e sua imagem (Apoc. 13:3, 8 e 15). Em breve todos terão de tomar a decisão entre a verdadeira e a falsa adoração – entre adorar a Deus, nos termos em que Ele coloca este ato (justificação pela fé) ou adorar em nossos próprios termos (justificação pelas obras). Ao ordenar-nos que adoremos “Aquele que fez o Céu, e a Terra, e o mar, e as fontes das águas” (Apoc. 14:7; cf. Êxo. 20:11), essa mensagem chama a atenção para o quarto mandamento. Conduz as pessoas à verdadeira adoração do Criador, uma experiência que envolve a honra de Seu memorial da Criação – o sábado do Senhor, o dia sétimo, que Ele instituiu na Criação e confirmou ao entregar os Dez Mandamentos. A mensagem do primeiro anjo, portanto, chama as pessoas para a restauração da verdadeira adoração, ao apresentar Cristo perante o mundo, o Criador e Senhor do sábado bíblico. Esse é o sinal do Deus da Criação – um sinal negligenciado pela vasta maioria dos seres criados.

Providencialmente, a proclamação desta mensagem que chama a atenção para o Deus-Criador, começou no estágio da história em que a filosofia evolucionista recebeu o maior impulso de todos os tempos, mediante a publicação do livro Origem das Espécies, de Charles Darwin (1858). A pregação do primeiro anjo constitui o maior baluarte contra o progresso da teoria da evolução.

Finalmente, este chamado implica a restauração da honra da santa lei de Deus, que foi calcada a pés pelo “homem da iniqüidade” (II Tess. 2:3). Somente quando a verdadeira adoração é restaurada e os crentes vivem os princípios do reino de Deus, é que Deus pode ser glorificado.

A Segunda Mensagem Angélica

“Caiu, caiu a grande Babilônia que tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição” (Apoc. 14:8).

Desde a história antiga, a cidade de Babilônia simbolizou o desafio a Deus. Sua torre era um monumento da apostasia e um centro de rebelião (Gên. 11:1-9). Lúcifer (Satanás) era o seu rei invisível (Isa. 14:4; 12-14) e parece que ele pretendia fazer de Babilônia uma agência de seu plano-mestre para o governo da raça decaída. Ao longo de toda a Bíblia, a batalha entre a cidade de Deus – Jerusalém – e a cidade de Satanás – Babilônia – ilustra o conflito entre o bem e o mal.

Durante os primeiros séculos da era cristã, quando os romanos oprimiam tanto os judeus quanto os cristãos, estes – judeus e cristãos – referiam-se na literatura à cidade de Roma como sendo Babilônia.[29] Muitos crêem que Pedro usou Babilônia como pseudônimo para Roma (I Ped. 5:13). Em virtude de sua grande apostasia e perseguição, a maioria dos protestantes da era da Reforma e da pós-reforma referiam-se à Igreja de Roma como sendo a Babilônia espiritual (Apoc. 17), a inimiga do povo de Deus.[30]

No Apocalipse, Babilônia refere-se a uma mulher de má qualidade, a mãe das prostitutas, e a suas filhas impuras (Apoc. 17:5). Ela simboliza todas as organizações religiosas apóstatas e sua liderança, embora se aplique de modo especial à grande aliança religiosa apóstata entre a besta e sua imagem, a qual trará a lume a crise final descrita em Apoc. 13:15-17.

A mensagem do segundo anjo expõe a natureza universal da apostasia babilônica e seu poder coercitivo, dizendo que ela “tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição” (Apoc. 14:8). O “vinho” de Babilônia representa seus ensinos heréticos. Babilônia pressionará os poderes do Estado para que este obrigue à imposição universal de seus falsos ensinos religiosos e decretos.

A “fornicação” mencionada representa o relacionamento ilícito entre Babilônia e as nações – entre a igreja apóstata e os poderes civis. Supostamente é a Igreja a noiva do Cordeiro; ao buscar apoio do Estado em vez de apoiar-se no Senhor, ela deixa seu esposo e comete adultério espiritual (cf. Ezeq. 16:15; Tia. 4:4).

Esse relacionamento ilícito resulta em tragédia. João vê os habitantes da Terra “embriagados” com falsos ensinos, e a própria Babilônia “embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus”, as quais se recusaram a aceitar doutrinas não baseadas na Bíblia e a submeter-se à autoridade da grande meretriz (Apoc. 17:2 e 6).

Babilônia caiu porque se recusou a atender à mensagem do primeiro anjo – o evangelho da justificação pela fé no Criador. Assim como durante os primeiros séculos da era cristã a Igreja de Roma apostatou, assim muitos protestantes da atualidade se desviaram das grandes verdades da Reforma. Esta profecia da queda de Babilônia encontra de modo especial seu cumprimento no afastamento geral do protestantismo da pureza e simplicidade do evangelho eterno da justificação pela fé, que foi uma vez o poderoso móvel propulsor da Reforma.

A mensagem do segundo anjo tornar-se-á crescentemente relevante à medida que o fim se aproxima. Encontrará seu completo cumprimento mediante a aliança entre as várias organizações religiosas que rejeitaram a mensagem do primeiro anjo. A mensagem da queda de Babilônia é repetida em Apocalipse 18:2-4, a qual anuncia a completa derrocada de Babilônia e convida aqueles dentre o povo de Deus que ainda se encontram nos vários grupos religiosos componentes de Babilônia, a que saiam de suas congregações. Diz o anjo: “Retirai-vos dela, povo Meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos” (Apoc. 18:4).[31]

A Terceira Mensagem Angélica

“Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da Sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome. Aqui está a perseverança dos santos; os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apoc. 14:9-12).

A mensagem do primeiro anjo proclama o evangelho eterno e convida à restauração da verdadeira adoração de Deus como Criador, uma vez que a hora do juízo é chegada. O segundo anjo adverte contra todas as formas de adoração originadas em mecanismos humanos. Finalmente, o terceiro anjo proclama o mais solene aviso divino contra a adoração da besta e de sua imagem – que é o procedimento no qual se envolvem, em última análise, todos aqueles que rejeitam o evangelho da justificação pela fé.

A besta descrita em Apocalipse 13:1-10 é a união Igreja-Estado que dominou o mundo cristão durante tantos séculos, e que foi descrita por Paulo como o “homem da iniqüidade” (II Tess. 2:2-4), e por Daniel como o “chifre pequeno” (Dan. 7:8, 20-25; 8:9-12). A imagem da besta representa aquela forma de religião apóstata que se desenvolverá quando as igrejas, tendo perdido o verdadeiro espírito da Reforma, se unirão com o Estado a fim de impor seus ensinamentos às pessoas. Ao unirem Igreja com Estado, se tornarão uma perfeita imagem da besta – a igreja apóstata que perseguiu durante 1.260 anos. Essa é a razão de a Palavra de Deus utilizar a expressão imagem da besta.

A mensagem do terceiro anjo proclama a mais solene e assustadora advertência da Bíblia. Revela que aqueles que se submeterem à autoridade humana durante a crise final da Terra, estarão adorando a besta e sua imagem em vez de estar adorando a Deus. Durante esse conflito final, duas classes distintas se desenvolverão. Uma classe advogará o evangelho das maquinações humanas e adorará a besta e sua imagem, trazendo essas pessoas sobre si próprias os mais terríveis juízos. A outra classe, em acentuado contraste, viverá de acordo com o verdadeiro evangelho e guardará “os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apoc. 14:12). A questão derradeira envolverá adoração falsa e verdadeira, o verdadeiro e o falso evangelho. Quando essa questão for claramente colocada diante do mundo, aqueles que rejeitam o memorial divino da Criação – o sábado bíblico – escolhendo adorar e honrar o domingo – mesmo depois de ter pleno e cabal conhecimento de que este não é o dia apontado por Deus para a adoração – receberão a “marca da besta”. Esta é a marca da rebelião; a besta afirma que o fato de ela haver alterado o dia de adoração é uma prova de sua autoridade em modificar a lei de Deus.[32]

A terceira mensagem dirige a atenção do mundo para as conseqüências de se recusar a aceitação do eterno evangelho e das mensagens divinas que convidam à restauração da verdadeira adoração. Descreve vividamente os resultados finais das decisões das pessoas no tocante à adoração. A decisão por certo não é fácil, pois qualquer que seja ela, envolverá sofrimento. Aqueles que optam por adorar a Deus sofrerão a ira do dragão (Apoc. 12:17) e, num determinado momento, chegarão a ser ameaçados de morte (Apoc. 13:15), ao passo que aqueles que escolhem adorar a besta e sua imagem incorrerão nas sete últimas pragas e finalmente enfrentarão o “lago de fogo” (Apoc. 15 e 16; 20:14 e 15).

Contudo, ainda que ambas as decisões impliquem sofrimento, os resultados finais são diferentes. Os adoradores do Criador escaparão da ira mortal do dragão e estarão em pé com o Cordeiro no Monte Sião (Apoc. 14:1; 7:2 e 4). Os adoradores da besta e de sua imagem, a seu turno, recebem a plenitude da ira de Deus e morrem na presença dos santos anjos e do Cordeiro (Apoc. 14:9 e 10; 20:14).

Toda e qualquer pessoa terá de decidir a quem adorará. Se alguém escolher a justificação pela fé, isto será demonstrado em sua participação no culto que Deus aprova; se alguém escolher a justificação pelas obras, isto será demonstrado por sua participação numa forma de culto que Deus proibiu, mas que a besta e sua imagem ordenam – uma adoração montada à imagem do homem. Deus não pode aceitar esta última forma de adoração porque ela oferece prioridade aos mandamentos dos homens e não aos mandamentos de Deus. Ela procura a justificação através das obras dos homens, e não pela fé que decorre da completa submissão ao Deus Criador, Redentor e Recriador. Nesse sentido, pois, é a terceira mensagem angélica uma mensagem de justificação pela fé.

Deus tem Seus filhos em todas as igrejas; mas é através da igreja remanescente que Ele proclama a mensagem que deverá restaurar a verdadeira adoração, mediante o chamamento de Seu povo para fora dos círculos da apostasia e a preparação dos mesmos para o retorno de Cristo. Reconhecendo que muitos dentre o povo de Deus ainda deverão unir-se ao povo remanescente, este tem clara percepção de suas imperfeições e fraquezas quando tentam executar sua solene missão. Percebem que é unicamente através da graça de Deus, que lhes será possível cumprir sua monumental tarefa.

À luz do breve retorno de Cristo e da necessidade de preparo para encontrá-Lo, o compassivo e urgente chamado de Deus se dirige a cada um de nós: “Retirai-vos dela, povo Meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos; porque os seus pecados se acumularam até ao Céu, e Deus Se lembrou dos atos iníquos que ela praticou” (Apoc. 18:4 e 5).

Referências:
[1]. O fulgurante brilho do sol que circunda a mulher pura (Apoc.12:1) representa, de acordo com vários comentaristas, a luz do evangelho do Novo Testamento, que concedeu poder e unção à Igreja primitiva. A luz, espelhando a luz do sol, simboliza adequadamente os reflexos do Antigo Testamento, da luz do evangelho, através de predições e ritos que apontavam ao futuro, para a cruz dAquele que haveria de vir. A coroa com doze estrelas representa as raízes da Igreja, baseadas no Antigo Testamento nos pais das doze tribos, e estendendo-se para o Novo Testamento através dos doze apóstolos.
[2]. O uso do princípio do dia-ano para cálculos proféticos, foi mencionado pela primeira vez em referência à profecia messiânica de Daniel 9.
[3]. SDA Bible Commentary, vol. 4, pág. 835.
[4]. O nome papa deriva literalmente do baixo latim papa, do baixo grego papas, “pai”, “bispo”; do grego pappas, “pai”. O papa é o “bispo de Roma; a cabeça da Igreja Católica Romana”. (Webster’s New Universal Unabridged Dictionary, 2ª edição [New York, NY: Simon e Schuster, 1979]).
[5]. O papado pode ser definido como o sistema de governo eclesiástico no qual a autoridade suprema é representada pelo papa.
[6]. Carta, Justiniano ao Papa João, citada na Carta do Papa João a Justiniano, no Codex Justinianus (Código de Justiniano), Livro I, título 1, 8, Corpus Juris Civilis, compilação de Paulus Krueger, 12ª edição (Berlim: Weidmannsche Verlaglsbuchhandlung, 1959), vol. 2, pág. 11, em The Civil Law, edição e tradução de S. P. Scott (Cincinatti, OK: Central Trust Company, 1932), vol. 12, págs. 11-13. Cf. Justiniani Novellae, (A Nova Constituição de Justiniano), 131ª Constituição, capítulo 2, Corpus Juris Civilis, compilação de Rudolfus Schoell e Guilelmus Kroll, 7ª edição, vol. 3, pág. 665, em Civil Law, vol. 17, pág. 125. Veja também Don Neufeld e Julia Neuffer, editores, Seventh-day Adventist Bible Student’s Source Book (Washington, D.C.: Review and Herald, 1962), págs. 684 e 685.
[7]. Carta, Justiniano ao Arcebispo Epiphanius de Constantinopla, 26 de Março de 533, in Codex Justinianus, Livro I, título 1, 7, Corpus Juris Civilis, Krueger’s editores, vol. 2, pág. 8, conforme citado em Source Book, pág. 685.
[8]. Veja, por exemplo, “Persecution”, Encyclopedia of Religion and Ethics, edição de James Hastings (New York, NY: Charles Scribner’s Sons, 1917), vol. 9, págs. 749-757; John Dowling, The History of Romanism: From the Earliest Corruptions of Christianity to the Present Time, 10ª edição (New York, NY: Edward Walker, 1846), págs. 237-616.
[9]. Isto representou um forte abalo no prestígio do papado, porém não o fim de sua influência. Apocalipse 13:3 fala da cura dessa “ferida mortal”, indicando uma renovação da influência papal. Nos últimos dias ele se tornará a mais poderosa influência religiosa do mundo.
[10]. George Trevor: Rome: From the Fall of the Western Empire (London: The Religious Tract Society, 1868), págs. 439 e 440; John Adolphus, The History of France From the Year 1790 to the Peace Concluded at Amiens in 1802 (London: George Kearsey, 1803), vol. 2, págs. 364-369. Veja também Source Book, págs. 701 e 702.
[11]. LeRoy E. Froom, The Prophetic Faith of Our Fathers (Washington, D.C.: Review and Herald, 1948), vol. 2, págs. 765-782.
[12]. Peter Geiermann, The Convert’s Catechism of Catholic Doctrine (Saint Louis, MO: B. Herder Book Co., 1957), págs. 27 e 28.
[13]. Ibidem, pág. 27.
[14]. Mais tarde, a doutrina da infalibilidade papal foi baseada na suposição de que (1) “infalibilidade, como atributo de uma igreja divina, é necessariamente encontrada em sua plenitude na cabeça da igreja; (2) Pedro foi infalível ao ensinar fé e moral e (3) o papa herdou de Pedro os atributos da divina igreja. Concluiu-se, pois, que ao falar ex cathedra, “o papa é um ensinador infalível da fé e da moral” (Geiermann, pág. 29). Ex cathedra, do latim, significa literalmente “da cadeira”. Aplicada ao papa, a expressão refere-se aos pronunciamentos que ele dirige à Igreja Católica.
[15]. Quanto a reivindicações feitas pelo papado, veja, por exemplo, Lucius Ferraris, “Papa”, artigo 2, in Prompta Bibliotheca (Venice; Gaspar Sorti, 1772), vol. 6, págs. 25-29, conforme citado em Source Book, pág. 680. Quanto às reivindicações do papado em relação a si mesmo, veja, por exemplo, o Papa Leão XIII, Encyclical Letter, 10 de janeiro de 1890 e 20 de junho de 1894, em The Great Encyclopedia Letters of Pope Leo XIII (New York, NY: Benziger Brothers, 1903), págs. 193 e 304. Veja também Source Book, págs. 683 e 684.
[16]. Catechism of the Council of Trent for Paris Priests, tradução de John A. McHugh e Charles J. Callan (New York, NY: Joseph F. Wagner, Inc., 1958, reimpressão), págs. 258 e 259. Veja Source Book, pág. 614.
[17]. SDA Bible Commentary, vol. 7, págs. 47 e 48.
[18]. Veja Council of Trent, Session IV (8 de abril de 1546), conforme citado em The Creeds of Christendom, edição de Philip Schaff, 6ª edição, revisada (Grand Rapids, MI: Baker, 1983), vol. 2, págs. 79-83. Veja também Source Book, págs. 1.041-1.043.
[19]. Froom, Prophetic Faith of Our Fathers, vol. 2, págs. 528-531.
[20]. Ibidem.
[21]. Ibidem.
[22]. Robert M. Grant, A Short History of Interpretation of the Bible (Philadelphia, PA: Fortress Press, 1984), pág. 97.
[23]. Farrar, pág. 361.
[24]. Ibidem, pág. 363.
[25]. Grant, pág. 97.
[26]. Farrar, pág. 365.
[27]. Quanto à origem do remanescente, veja Froom, Prophetic Faith of Our Fathers, vol. 4; P. Gerard Damsteegt, Foundations of the Seventh-day Adventist Message and Mission (Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans, 1977).
[28]. Cf. Damsteegt, “A Theology of Restoration” (trabalho apresentado ao Centennial Conference on Evangelism, Andrews University, 4 de maio de 1974).
[29]. Veja Midrash Rabbah on Canticles I.6, 4; Tertullian, Against Marcion, III, 13; Tertullian, Answer to the Jews, 9.
[30]. Froom, Prophetic Faith of Our Fathers, vol. 2, págs. 531 e 787.
[31]. SDA Bible Commentary, vol. 7, págs. 828-831.
[32]. A Igreja Católica reivindica a autoridade para mudar o dia de adoração. “Pergunta: Qual é o dia de sábado? Resposta: O sétimo dia é o sábado. Pergunta: Por que nós observamos o domingo em lugar do sábado? Resposta: Nós observamos o domingo em lugar do sábado porque a Igreja Católica transferiu a solenidade do sábado para o domingo” (Geiermann, pág. 50). Veja também Source Book, pág. 886. Este catecismo recebeu a “bênção apostólica” do Papa Pio X, em 25 de janeiro de 1910 (Ibidem)