O Grande Conflito


Toda a humanidade está agora envolvida num grande conflito entre Cristo e Satanás, quanto ao caráter de Deus, Sua lei e Sua soberania sobre o Universo. Esse conflito originou-se no Céu quando um ser criado, dotado de liberdade de escolha, por exaltação própria, tornou-se Satanás, o adversário de Deus, e conduziu à rebelião uma parte dos anjos. Ele introduziu o espírito de rebelião neste mundo, ao induzir Adão e Eva em pecado. Este pecado humano resultou na deformação da imagem de Deus na humanidade, no transtorno do mundo criado e em sua conseqüente devastação por ocasião do dilúvio mundial. Observado por toda a criação, este mundo tornou-se o palco do conflito universal, dentro do qual será finalmente vindicado o Deus de amor. Para ajudar Seu povo nesse conflito, Cristo envia o Espírito Santo e os anjos leais, para os guiar, proteger e amparar no caminho da salvação.

O Grande Conflito

As Escrituras retratam uma batalha cósmica entre o bem e o mal, entre Deus e Satanás. Se compreendermos esta controvérsia, na qual se acha envolvido o Universo inteiro, compreenderemos a pergunta: “Por que veio Jesus a este planeta?”

Visão Cósmica do Conflito

Mistério dos mistérios, o conflito entre o bem e o mal começou no Céu. Como pôde o pecado originar-se num ambiente perfeito?

Os anjos, seres pertencentes a uma ordem superior à dos seres humanos (Sal. 8:5), foram criados para desfrutar de íntimo companheirismo com Deus (Apoc. 1:1; 3:5; 5:11). Possuindo força superior e sendo obedientes à Palavra de Deus (Sal. 103:20), eles funcionam como servos ou “espíritos ministradores” (Heb. 1:14). Embora geralmente invisíveis, por vezes podem assumir a forma humana (Gên. 18 e 19; Heb. 13:2). Foi através de um desses seres angélicos que o pecado foi introduzido no Universo.

A Origem do Conflito. Utilizando os reis de Tiro e de Babilônia como descrições figurativas de Lúcifer, as Escrituras provêem vislumbres de como a controvérsia cósmica iniciou. “Lúcifer, filho da alva”, ungido como querubim cobridor, residia na presença de Deus (cf. Isa. 14:12; Ezeq. 28:14).[1] Dizem as Escrituras: “Tu és o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniqüidade em ti” (Ezeq. 28:12 e 15).

Embora o surgimento do pecado seja inexplicável e injustificável, suas raízes podem ser encontradas no orgulho de Lúcifer: “Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa de teu resplendor” (Ezeq. 28:17). Lúcifer recusou-se a permanecer contente com sua exaltada posição, recebida do Criador. Em seu egoísmo, cobiçou a igualdade com o próprio Deus:

“Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao Céu, e, acima das estrelas de Deus, exaltarei o meu trono, e, no monte da congregação, me assentarei, ... Serei semelhante ao Altíssimo” (Isa. 14:13 e 14). Contudo, embora ele desejasse a posição de Deus, não almejava o Seu caráter. Ansiava possuir a autoridade de Deus, mas não o Seu amor. A rebelião de Lúcifer contra o governo de Deus foi o primeiro passo em sua transformação em Satanás, “o adversário”.

As dissimuladas ações de Lúcifer cegaram muitos dos anjos ao amor de Deus. O descontentamento e deslealdade resultantes – em relação ao governo divino – cresceram até que uma terça parte dos anjos se uniu a ele em rebelião (Apoc. 12:4). A tranqüilidade do reino de Deus foi perturbada e “houve batalha no Céu” (Apoc. 12:7). O estado de beligerância celestial resultou em que Satanás – retratado como o grande dragão, a antiga serpente e o demônio – fosse lançado para a Terra, e junto com ele os seus anjos rebeldes (Apoc. 12:9).

Por Que os Seres Humanos se Envolveram? Tendo sido expulso do Céu, Satanás espalhou sua rebelião aqui em nosso mundo. Disfarçado de serpente e utilizando os mesmos argumentos que haviam causado sua própria ruína, conseguiu minar a confiança de Adão e Eva nas palavras do Criador (Gên. 3:5). Satanás fez surgir em Eva o descontentamento com a posição por ela ocupada. Envaidecida com a perspectiva de tornar-se igual a Deus, aceitou as palavras do tentador – pelo que duvidou de Deus. Desobedecendo ao mandamento divino, comeu do fruto proibido e influenciou seu esposo a igualmente comê-lo. Pelo fato de crerem nas palavras da serpente mais do que em seu Criador, traíram sua confiança em Deus e portaram-se deslealmente em relação a Ele. Tragicamente, as sementes da controvérsia que havia começado no Céu, lançaram raízes no planeta Terra (Gên. 3).

Ao seduzir nossos primeiros pais ao pecado, Satanás engenhosamente roubou-lhes o domínio que possuíam sobre a Terra. Reclamando agora para si o título de “príncipe deste mundo”, Satanás desafiou a Deus, Seu governo e a paz de todo o Universo, a partir de seu novo quartel-general, o planeta Terra.

O Impacto Sobre a Raça Humana. Os efeitos da batalha entre Cristo e Satanás em breve se tornaram evidentes, à medida que o pecado distorceu a imagem de Deus que havia na humanidade. Embora Deus houvesse oferecido Seu concerto de graça à raça humana através de Adão e Eva (Gên. 3:15; veja o capítulo 7 deste livro), o filho mais velho do casal, Caim, assassinou seu irmão Abel (Gên. 4:8). A maldade continuou a multiplicar-se até que, tristemente, Deus teve de dizer, a respeito do homem, que a sua maldade “se havia multiplicado na Terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração” (Gên. 6:5).

vérsia a respeito Deus utilizou um grande dilúvio para purificar o mundo de seus impenitentes habitantes, e concedeu à raça humana um novo começo (Gên. 7:17-20). Pouco tempo decorreu, contudo, antes que os descendentes do fiel Noé se desviassem do concerto de Deus. Embora Deus houvesse prometido jamais tornar a destruir o mundo através do dilúvio, eles desafiadoramente concretizaram sua desconfiança de Deus ao erigirem a torre de Babel, numa tentativa de alcançar os céus e assim disporem de meios para escapar a um possível novo dilúvio. Nessa ocasião Deus subverteu a rebelião humana através da confusão das línguas (Gên. 9:1 e 11; 11).

Algum tempo mais tarde, com a Terra aproximando-se da apostasia total, Deus estendeu Seu concerto a Abraão. Por intermédio desse patriarca, Deus planejava abençoar todas as nações do mundo (Gên. 12:1-3; 22:15-18). Contudo, as sucessivas gerações de descendentes de Abraão provaram-se infiéis ao gracioso concerto divino. Envolvidos no pecado, contribuíram com Satanás, ajudando-o a alcançar seu objetivo no grande conflito, que foi a crucifixão do Autor e Fiador do concerto, Jesus Cristo.

Terra, Palco do Universo. No livro de Jó aparece o relato de uma convocação cósmica que envolveu representantes de várias partes do Universo. Esse relato provê lampejos adicionais a respeito do grande conflito. Assim começa o relato: “Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles. Então, perguntou o Senhor a Satanás: Donde vens? Satanás respondeu ao Senhor e disse: De rodear a Terra e passear por ela” (Jó 1:6 e 7; cf. 2:1-7).

Foi então que o Senhor disse: “Satanás, observe o Meu servo Jó. Ele obedece fielmente as Minhas leis. Ele é perfeito!” (Jó 1:8).

Satanás contra-atacou: “Sim, ele é perfeito, mas o é apenas porque precisa pagar a Ti. Não é verdade que Tu o proteges?” Cristo respondeu permitindo que Satanás provasse a Jó da forma como bem entendesse, desde que sua vida não fosse tomada (Jó 1:9 a 2:7).

A perspectiva cósmica provida pelo livro de Jó fornece poderosas provas do grande conflito entre Cristo e Satanás. Este planeta é o palco sobre o qual está sendo travada esta luta dramática entre o certo e o errado. As Escrituras estabelecem: “Porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens” (I Cor. 4:9).

O pecado rompeu o relacionamento existente entre Deus e o homem, e “tudo o que não provém de fé é pecado” (Rom. 14:23). A transgressão dos mandamentos de Deus, ou leis, é o resultado imediato da falta de fé, a evidência de ruptura do relacionamento. Por outro lado, através do plano da salvação, Deus pretende restaurar a confiança no Criador, a qual leva a um relacionamento de amor que se manifesta através de obediência. Conforme observou Cristo, o amor conduz à obediência (João 14:15).

Nesta nossa era de ilegalidade, os absolutos são neutralizados, a desonestidade é louvada, a corrupção é um meio de vida, o adultério é avassalador e os acordos, tanto internacionais quanto pessoais, são considerados como pouco importantes. É nosso privilégio olhar para além de nosso desesperado mundo, em direção a um Deus que vela por nós e é onipotente. Esta visão mais abrangente nos revela a importância da expiação efetuada por nosso Salvador, pois ela está fazendo aproximar-se do fim a controvérsia universal.

A Questão Cósmica

Qual é a questão-chave nesta luta de vida ou morte que se trava no Universo?

A Lei e o Governo de Deus. A lei moral de Deus é tão necessária à existência de Seu Universo quanto o são as leis físicas que o mantêm unido e em funcionamento. Pecado “é a transgressão da lei” (I João 3:4), ou “ausência de lei”, conforme indica a palavra grega anomia. A ausência de lei resulta da rejeição de Deus e de Seu governo. Em vez de admitir sua responsabilidade pelo estado de ilegalidade existente no mundo, Satanás lança acusações contra Deus. Afirma que a lei de Deus – segundo ele, arbitrária – restringe a liberdade individual. Adicionalmente – acusa ele – uma vez que é impossível obedecer a lei divina, ela trabalha em sentido contrário aos interesses dos seres criados. Através dessa constante e insidiosa subversão da lei, Satanás tenta subverter o governo de Deus e até mesmo destruir o próprio Deus. Cristo e a Questão da Obediência. As tentações enfrentadas por Cristo durante Seu ministério terrestre, revelam a gravidade da controvérsia no tocante à obediência e submissão à vontade de Deus. Ao enfrentar aquelas tentações, as quais O prepararam para tornar-Se “misericordioso e fiel sumo sacerdote” (Heb. 2:17), Cristo Se defrontou em combate direto com um adversário mortal. Lá no deserto, depois de haver jejuado durante quarenta dias, Jesus foi tentado por Satanás a transformar as pedras em pão, dando assim uma “prova” de que realmente era o Filho de Deus (Mat. 4:3). Assim como Satanás havia tentado Eva a duvidar da palavra de Deus lá no Éden, assim tentou ele levar Cristo a duvidar da validade daquilo que Deus Lhe dissera por ocasião de Seu batismo: “Este é o Meu Filho amado, em quem Me comprazo” (Mat. 3:17). Se Cristo houvesse tomado o assunto em Suas próprias mãos, transformando pedras em pães a fim de provar que era o Filho de Deus, também teria – à semelhança de Eva – revelado falta de confiança em Deus. Sua missão teria findado em fracasso.

Mas a mais elevada prioridade de Cristo era viver através da palavra do Pai. A despeito de Sua imensa fome, respondeu à tentação de Satanás com as palavras: “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mat. 4:4).

Noutra tentativa para derrotar a Cristo, Satanás Lhe ofereceu uma visão panorâmica de todos os reinos do mundo, prometendo-Lhe: “Tudo isto Te darei se, prostrado, me adorares” (Mat. 4:9). Ele deixou implícito que, assim procedendo, Cristo poderia reaver o mundo, completando a Sua missão, sem ter de suportar a agonia do Calvário. Sem um momento sequer de hesitação, Jesus ordenou: “Retira-te, Satanás.” Então, utilizando as Escrituras – a mais efetiva arma nesta guerra universal – o Salvador prosseguiu: “Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a Ele darás culto” (Mat. 4:10). Essas palavras encerraram a batalha. Pelo fato de manter Sua total dependência do Pai, Cristo havia conseguido derrotar a Satanás.

A Luta Final do Calvário. Essa controvérsia cósmica alcançou seu ponto focal no Calvário. Satanás intensificou seus esforços no sentido de fazer abortar a missão do Salvador à medida que o tempo se aproximava do fim. Satanás foi especialmente bem-sucedido ao utilizar os líderes religiosos da época, cuja inveja – face à popularidade de Cristo – causou tantos problemas que Ele teve de encerrar Seu ministério público (João 12:45-50). Através da traição por parte de um de Seus discípulos e de testemunhos falsos, Jesus foi aprisionado, julgado e condenado à morte (Mat. 26:63 e 64; João 19:7). Em absoluta obediência à vontade de Seu Pai, Jesus permaneceu fiel até à morte.

Os benefícios, tanto da vida quanto da morte de Cristo, estenderam-se para muito além do limitado mundo dos seres humanos. Falando a respeito da cruz, Cristo disse: “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe [Satanás] será expulso” (João 12:31); “O príncipe deste mundo já está julgado” (João 16:11).

A controvérsia cósmica atingiu o clímax no Calvário. O amor e a fiel obediência demonstrados por Cristo ali na cruz, face à crueldade de Satanás, subverteram a posição deste, assegurando a sua derrota final.

Controvérsia a Respeito da Verdade Tal Qual Ela é em Jesus

Hoje, o grande conflito que se desencadeia em torno da autoridade de Cristo, envolve não apenas a Sua lei, como também a Sua Palavra – as Escrituras. Desenvolvem-se abordagens de interpretação da Bíblia que deixam pouco ou nenhum espaço para a divina revelação.[2] As Escrituras são tratadas como se não houvesse diferença entre elas e outros escritos antigos, sendo analisadas mediante os mesmos métodos críticos. Crescente número de cristãos, incluindo muitos teólogos, não mais vêem as Escrituras como a Palavra de Deus, a infalível revelação de Sua vontade. Conseqüentemente, chegaram ao ponto de questionar a visão bíblica da pessoa de Jesus Cristo: Sua natureza, nascimento virginal, Seus milagres e Sua ressurreição têm sido vastamente debatidos.[3]x

A Mais Crucial de Todas as Questões. Quando Cristo perguntou: “Quem diz o povo ser o Filho do homem?”, os discípulos responderam: “Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas” (Mat. 16:13 e 14). Em outras palavras, a maioria de Seus contemporâneos consideravam-nO meramente um homem. As Escrituras prosseguem com o relato. Jesus perguntou aos doze: “Mas vós... quem dizeis que Eu sou?” “Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.”

“Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelaram, mas Meu Pai, que está nos Céus” (Mat. 16:15- 17).

Nos dias de hoje, todos defrontam a mesma questão apresentada por Cristo aos discípulos. A resposta da pessoa a esta questão de vida ou morte, depende de sua fé no testemunho da Palavra de Deus.

O Centro das Doutrinas Bíblicas. Cristo é o foco das Escrituras. Deus nos convida a compreender a verdade tal qual ela é em Jesus (Efés. 4:21), pois Ele é a verdade (João 14:5). Uma das estratégias de Satanás no conflito cósmico é tentar convencer as pessoas de que podem compreender a verdade independentemente de Cristo. Assim, vários centros de verdade têm sido propostos, quer individualmente, quer combinados uns com os outros: (1) o homem, (2) a Natureza, ou Universo observável, (3) as Escrituras e (4) a igreja.

Embora todas essas fontes tenham sua parte na revelação da verdade, as Escrituras apresentam a Cristo como o Criador de uma delas, transcendendo a elas. Todas somente encontram significado real nAquele de quem derivam. Divorciar dEle as doutrinas bíblicas significa compreensão errônea do “caminho, verdade e vida” (João 14:6). Faz parte da natureza do anticristo sugerir outros centros de verdade, distintos de Cristo. (No original grego, anticristo não significa “contra Cristo”, e sim “em lugar de Cristo”.) Ao colocar alguns outros centros de verdade em lugar de Cristo, no contexto das doutrinas bíblicas, Satanás alcançou seu objetivo de desviar a atenção dAquele que representa a única esperança da humanidade.

A Função da Teologia Cristã. A visão cósmica desvenda a tentativa de Satanás no sentido de remover Cristo de Seu devido lugar, tanto no Universo quanto na verdade. A teologia, que por definição é o estudo de Deus e de Seu relacionamento com as criaturas, deve expor todas as doutrinas à luz de Cristo. A função e objetivo da teologia cristã deve ser inspirar confiança na autoridade da Palavra de Deus e substituir todos os demais centros de verdade por Cristo Jesus. Quando ela se ocupa desta função, a teologia cristã serve adequadamente à igreja, pois se dirige à própria raiz da controvérsia cósmica, expondo-a e enfrentando-a com o único argumento não-controvertido – Cristo, conforme revelado nas Escrituras. A partir desta perspectiva, Deus pode utilizar a teologia como um instrumento efetivo no auxílio à humanidade, ao opor-se esta aos esforços de Satanás na Terra.

O Significado da Doutrina

A doutrina do grande conflito revela a tremenda batalha que afeta todas as pessoas uma vez nascidas neste mundo – ou seja, que em realidade atinge todos os rincões do Universo. Diz a Escritura: “Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Efés. 6:12).

A Doutrina Produz um Estado de Constante Vigilância. A compreensão desta doutrina convence a pessoa da necessidade de combater o mal. O sucesso será possível tão-somente através da dependência de Jesus Cristo, o Capitão dos exércitos, Aquele que é “forte e poderoso, o Senhor, poderoso nas batalhas” (Sal. 24:8). Conforme disse Paulo, o fato de assumirmos a estratégia de sobrevivência indicada por Cristo, significa tomarmos sobre nós “toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus; com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Efés. 6:13-18). Quão grande é o privilégio do verdadeiro cristão! Viver uma vida que se caracterize pela paciência e fidelidade, uma permanente prontidão para enfrentar o conflito (Apoc. 14:2), manifestando constante dependência dAquele que nos torna “mais que vencedores” (Rom. 8:37).

Isto Explica o Mistério do Sofrimento. O mal não se originou com Deus. Aquele que ama a justiça e aborrece a iniqüidade (Heb. 1:9), não pode ser acusado diante da miséria do mundo. Satanás, um anjo caído, é o responsável pela crueldade e sofrimento. Podemos compreender melhor os roubos, assassinatos, funerais, crimes e acidentes – aqueles que mais nos partem o coração – quando os contemplamos dentro da moldagem do grande conflito.

A cruz testifica tanto da capacidade destruidora do pecado quanto das profundidades do amor de Deus em favor dos pecadores. Portanto, o grande conflito constitui um tema que nos ensina a odiar o pecado e a demonstrar amor pelo pecador.

Ela Expõe o Atual Interesse Amorável de Cristo Pelo Mundo. Após Seu retorno ao Céu, Cristo não deixou órfãos os Seus filhos. Manifestando grande compaixão, providenciou-nos todo auxílio possível na batalha contra o mal. O Espírito Santo foi comissionado a “encher-nos” em favor de Cristo, representando nossa constante companhia até que Jesus retorne outra vez (João 14:16; cf. Mat. 28:20). Os anjos também foram comissionados a envolver-se com Sua obra salvadora (Heb. 1:14). Nossa vitória está assegurada. Podemos manifestar esperança e coragem quando contemplamos o futuro, uma vez que o nosso Mestre está no comando. Nossos lábios podem abrir-se em magnífico louvor diante de Sua obra redentora.

Ela Revela o Significado Cósmico da Cruz. A salvação da humanidade achava-se em jogo durante o ministério e morte de Cristo, pois Ele veio para oferecer a vida para a remissão de nossos pecados. Ao assim proceder, vindicou o caráter, a lei e o governo do Pai, contra os quais Satanás lançara falsas acusações.

A vida de Cristo vindicou a justiça e a bondade de Deus, demonstrando que a lei e o governo de Deus eram justos. Cristo revelou a falta de fundamento dos ataques de Satanás contra Deus, mostrando que através de total dependência do poder e da graça de Deus, os pecadores arrependidos podem erguer-se acima dos aborrecimentos e frustrações causados pelas tentações, e podem viver vitoriosamente em relação ao pecado.

Referências:
[1]. “Lúcifer” provém do latim Lúcifer, que significa “portador de luz”. A frase “filho da manhã” era uma expressão comum, cujo significado era “estrela da manhã” – Vênus. “Uma tradução literal da expressão hebraira traduzida como ‘Lúcifer, filho da manhã’, seria ‘o radiante filho da alva’. A aplicação figurada do radiante planeta Vênus – o mais notável de todos os luminares celestes – a Satanás antes da queda, ... é muito apropriada como ilustração gráfica do elevado estado do qual Lúcifer caiu” (“Lúcifer”, SDA Bible Dictionary, edição revista, pág. 683).
[2]. Veja: General Conference Committee, “Methods of the Bible Study”, 1986; Hasel, Biblical Interpretation Today (Washington, D.C.: Biblical Research Institute [of the General Conference of Seventh-day Adventists], 1985).
[3]. Veja, por exemplo, K. Runia, The Present-day Christological Debate (Downers Grove, IL: Inter-Varsity Press, 1984); G. C. Berkouwer, The Person of Christ (Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans, 1954), págs. 14-56.