Deus Espírito Santo


Deus, o Espírito Santo, desempenhou uma parte ativa com o Pai e o Filho na Criação, Encarnação e Redenção. Inspirou os escritores das Escrituras. Encheu de poder a vida de Cristo. Atrai e convence os seres humanos; e os que se mostram sensíveis são renovados e transformados por Ele, à imagem de Deus. Enviado pelo Pai e pelo Filho para estar sempre com Seus filhos, Ele concede dons espirituais à igreja, a habilita a dar testemunho de Cristo e, em harmonia com as Escrituras, guia-a em toda a verdade.

Deus Espírito Santo

Embora a crucifixão houvesse aterrorizado, angustiado e espantado os seguidores de Jesus, a ressurreição fez raiar a manhã em suas vidas. Quando Cristo rompeu os grilhões da morte, o reino de Deus amanheceu em seus corações.

Agora um fogo inextinguível ardia em suas almas. Diferenças que poucas semanas antes haviam erguido barreiras aparentemente intransponíveis entre os discípulos, agora desapareceram. Confessaram suas faltas uns aos outros e abriram o coração para receber mais plenamente a Jesus, seu Rei que retornara ao Céu.

A unidade desse rebanho outrora tão disperso crescia à medida que cada dia era dispendido em oração. Em certo dia inesquecível, eles se encontravam orando a Deus quando um ruído, semelhante ao rugido de um furacão, irrompeu em meio ao grupo. Como se a chama ardente em seus corações pudesse tornar-se visível, línguas de fogo desceram do Céu sobre a cabeça de cada um deles. À semelhança de um fogo devorador, o Espírito Santo descera sobre eles.

Cheios do Espírito Santo, os discípulos eram incapazes de conter seu novo e ardente amor e regozijo em Jesus. Pública e entusiasticamente, começaram a proclamar as boas novas da salvação. Advertidos pelo som, as pessoas que compunham a multidão de cidadãos locais, junto com os peregrinos provenientes de muitas nações, correram em direção ao prédio. Cheios de admiração e um tanto confusos, eles escutaram – em seus próprios idiomas – o poderoso testemunho das portentosas obras de Deus, apresentado pelos despretensiosos galileus.

“Não consigo entender”, disse alguém. “O que significa isto?” Outros tentaram fazer pouco caso, afirmando: “Eles estão bêbados.” “Nada disso”, exclamou Pedro, acima do ruído da multidão. “São apenas nove horas da manhã. Aquilo que vocês ouviram e viram, está ocorrendo porque o ressurreto Jesus Cristo está sendo exaltado à mão direita do Pai e nos está concedendo agora o Espírito Santo” (cf. Atos 2).

Quem é o Espírito Santo?

A Bíblia revela que o Espírito Santo é uma pessoa, e não uma força ou poder impessoal. Afirmações como esta: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (Atos 15:28), revelam que os cristãos primitivos O vislumbravam como uma pessoa.

Cristo igualmente falou dEle como uma pessoa distinta. “Ele Me glorificará”, disse Jesus, “porque há de receber do que é Meu e vo-lo há de anunciar” (João 16:14). As Escrituras, referindo-se ao Deus triúno, descrevem o Espírito como uma pessoa (Mat. 28:19; II Cor. 13:13).

O Espírito Santo possui personalidade. Ele contende (Gên. 6:3), ensina (Luc. 12:12), convence (S: João 16:8), dirige os assuntos da igreja (Atos 13:2), auxilia e intercede (Rom. 8:26), inspira (II Ped. 1:21) e santifica (I Ped. 1:2). Essas atividades não podem ser executadas por um mero poder, influência ou atributo de Deus. Somente uma pessoa pode empreendê-las.

O Espírito Santo é Verdadeiramente Deus

As Escrituras vêem o Espírito Santo como sendo Deus. Pedro mostrou a Ananias que, mentindo ao Espírito Santo, ele mentira “não... aos homens, mas a Deus” (Atos 5:3 e 4). Jesus definiu o pecado imperdoável como sendo a “blasfêmia contra o Espírito”, dizendo: “Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á isso perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir” (Mat. 12:31 e 32). Tal afirmação somente pode ser verdadeira se o Espírito Santo realmente é Deus.

As Escrituras associam atributos divinos ao Espírito Santo. Ele é vida. Paulo refere-se a Ele como o “Espírito da vida” (Rom. 8:2). Ele é verdade. Cristo identificou-O como o “Espírito da verdade” (João 16:13). As expressões “amor do Espírito” (Rom. 15:30) e “o Espírito de Deus” (Efés. 4:30) revelam que amor e santidade constituem parte de Sua natureza.

O Espírito Santo é onipotente. Distribui os dons espirituais “como Lhe apraz, a cada um, individualmente” (I Cor. 12:11). É onipresente. Ele irá “habitar” com Seu povo “para sempre” (João 14:16). Ninguém pode escapar de Sua influência (Sal. 139:7-10). É também onisciente, uma vez que “o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus” e “as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus” (I Cor. 2:10 e 11).

As obras de Deus são também associadas ao Espírito Santo. Tanto a criação quanto a ressurreição envolveram-nO. Disse Jó: “O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo-poderoso me dá vida” (Jó 33:4). O salmista acrescenta: “Envias o Teu Espírito e eles são criados” (Sal. 104:30). Paulo exclamou: “Se habita em vós o Espírito dAquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do Seu Espírito, que em vós habita” (Rom. 8:11).

Somente um Deus onipresente e pessoal – e não uma influência impessoal, ou um ser criado – poderia executar o milagre de trazer o divino Cristo à existência através de Maria. No Pentecostes, o Espírito tornou o Deus-homem, Jesus, universalmente presente a todos os recipientes que desejaram recebê-Lo.

O Espírito Santo é considerado em pé de igualdade com o Pai e o Filho na fórmula batismal (Mat. 28:19), na bênção apostólica (II Cor. 13:13) e na dissertação a respeito dos dons espirituais (I Cor. 12:4-6).

O Espírito Santo e a Divindade

Desde a eternidade o Espírito Santo viveu junto com a Divindade, como o Seu terceiro membro. O Pai, o Filho e o Espírito são igualmente auto-existentes. Embora todos sejam iguais, existe uma distribuição de funções que opera dentro da Trindade (veja o segundo capítulo deste livro).

A verdade acerca do Espírito Santo é melhor compreendida quando a vemos através de Jesus Cristo. Quando o Espírito vem aos crentes, Ele vem como o “Espírito de Cristo” – ou seja, Ele não vem de Seu próprio direito, apresentando Suas próprias credenciais. Sua atividade histórica centraliza-se na missão salvadora de Cristo. O Espírito Santo esteve ativamente envolvido no nascimento de Jesus (Luc. 1:35), confirmou Seu ministério público por ocasião do batismo (Mat. 3:16 e 17) e aplicou os benefícios do sacrifício expiatório de Cristo e de Sua ressurreição à humanidade (Rom. 8:11).

Na organização interna da Divindade, o Espírito Santo parece desempenhar o papel de executor. Quando o Pai entregou Seu Filho ao mundo (João 3:16), foi Ele concebido através do Espírito Santo (Mat. 1:18-20). O Espírito Santo veio para completar o plano, para torná-lo realidade.

O íntimo envolvimento do Espírito Santo na Criação pode ser contemplado no registro da mesma (Gên. 1:2). A origem e a manutenção da vida dependem de Sua operação; Sua partida significa morte. Diz a Bíblia que “se Deus... para Si recolhesse o Seu Espírito e o Seu sopro, toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó” (Jó 34:14 e 15; cf. 33:4). Podemos ver reflexos da obra criadora do Espírito quando contemplamos a obra de recriação que Ele opera em cada pessoa que abre o coração a Deus. Deus executa Sua obra no coração dos indivíduos através do Espírito Criador. Assim, na encarnação, na criação e na recriação, o Espírito vem para tornar realidade as intenções de Deus.

O Espírito Prometido

A intenção divina para nós é que sejamos lugares de habitação para o Espírito Santo (I Cor. 3:16). O pecado de Adão e Eva separou-os tanto do Jardim do Éden quanto do Espírito Santo que habita no íntimo do indivíduo. Esta separação prossegue – a enormidade da pecaminosidade antes do dilúvio fez com que Deus declarasse: “O Meu Espírito não agirá para sempre no homem” (Gên. 6:3).

Nos tempos do Antigo Testamento o Espírito Santo habilitou certos indivíduos, dando-lhes capacidade para que desempenhassem tarefas especiais (Núm. 24:2; Juí. 6:34; I Sam. 10:6). Por vezes Ele aparece “em” algumas pessoas (Êxo. 31:3; Isa. 63:11). Sem dúvida os crentes genuínos sempre tiveram consciência de Sua presença, mas a profecia indicou que chegaria o tempo em que o Espírito seria derramado “sobre toda carne” (Joel 2:28) – um tempo em que manifestações mais notórias do Espírito fariam a humanidade ingressar em uma nova era.

Enquanto o mundo permanecesse nas mãos do usurpador, o derramamento da plenitude do Espírito deveria aguardar. Antes que o Espírito pudesse estender-Se sobre toda carne, Cristo teria de levar a efeito Seu ministério terrestre e oferecer Seu sacrifício expiatório. Apontando ao ministério de Cristo como sendo um ministério do Espírito, João Batista afirmou: “Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas Aquele que vem depois de Mim é mais poderoso do que Eu... Ele vos batizará com o Espírito Santo” (Mat. 3:11). Mas os Evangelhos não revelam que Jesus houvesse batizado com o Espírito Santo. Poucas horas antes de Sua morte, Jesus prometeu aos discípulos: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade” (João 14:16 e 17). Porventura foi o prometido Espírito recebido lá na cruz? Nenhuma pomba apareceu na sexta-feira da crucifixão – tão-somente escuridão, aliviada por rajadas de relâmpagos.

Não foi senão depois de Sua ressurreição que Jesus assoprou o Espírito Santo sobre Seus discípulos (João 20:22). Ele disse: “Eis que envio sobre vós a promessa de Meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder” (Luc. 24:49). Esse poder seria recebido “ao descer sobre vós o Espírito Santo”, fazendo com que o testemunho dos crentes se estendesse até aos confins da Terra (Atos 1:8).

João escreveu: “O Espírito Santo até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado” (João 7:39). A aceitação do sacrifício de Cristo por parte do Pai era o pré-requisito para o derramamento do Espírito Santo.

A nova era irrompeu somente depois que nosso vitorioso Salvador Se assentou no trono celestial. Depois de ter sido “exaltado... à destra de Deus”, afirma Pedro, Ele “derramou” o Espírito Santo (Atos 2:33) sobre Seus discípulos, os quais – antecipando ansiosamente este evento – se achavam unânimes em orações e súplicas (Atos 1:5 e 14). No Pentecostes, cinqüenta dias após o Calvário, a nova era explodiu sob o poder total do Santo Espírito. “De repente, veio do Céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. Todos ficaram cheios do Espírito Santo” (Atos 2:2 e 4).

As missões de Jesus e do Espírito Santo eram, pois, totalmente interdependentes. A plenitude do Espírito Santo não poderia ser concedida a não ser depois que Jesus houvesse completado Sua missão. Jesus, a Seu turno, foi concebido pelo Espírito Santo (Mat. 1:8-21), batizado pelo Espírito (Mar. 1:9 e 10), conduzido pelo Espírito (Luc. 4:1), executou Seus milagres através do Espírito (Mat. 12:24-32), ofereceu-Se a Si mesmo no Calvário pelo Espírito (Heb. 9:14 e 15) e foi, em parte, ressuscitado pelo Espírito (Rom. 8:11).

Jesus foi a primeira pessoa a experimentar a plenitude do Espírito. A estupenda verdade é que nosso Salvador e Senhor deseja derramar o Seu Espírito sobre todos aqueles que O desejam ardentemente.

A Missão do Espírito Santo

No anoitecer do dia anterior a Sua morte, as palavras proferidas por Cristo no tocante a Sua partida, encheram os discípulos de perturbação. Ele lhes assegurou imediatamente que haveria de mandar-lhes o Espírito Santo como Seu representante pessoal. Eles não ficariam órfãos (João 14:18).

A Origem da Missão. O Novo Testamento revela o Espírito Santo de uma forma única e singular. Ele é identificado como o “Espírito de Jesus” (Atos 16:7), “Espírito de Seu Filho” (Gál. 4:6), “Espírito de Deus” (Rom. 8:9), o “Espírito de Cristo” (Rom. 8:9; I Ped. 1:11) e o “Espírito de Jesus Cristo” (Filip. 1:19). Quem deu origem à missão do Espírito Santo – Jesus Cristo ou o Pai?

Quando Cristo revelou a origem da missão do Espírito Santo ao mundo perdido, mencionou duas fontes. Em primeiro lugar, referiu-Se ao Pai: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, ... o Espírito da verdade” (João 14:16 e 17; cf. 15:26, onde lemos: “da parte do Pai”). O batismo com o Espírito Santo é chamado de “a promessa do Pai” (Atos 1:4). Em segundo lugar, Cristo fez menção de Si próprio: “Eu vo-lo enviarei [ao Espírito Santo]” (João 16:7). Portanto, o Espírito procede tanto do Pai quanto do Filho.

Sua Missão ao Mundo. Somente podemos reconhecer a soberania de Cristo se estivermos sob a influência do Espírito Santo. Paulo disse: “Ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo” (I Cor.12:3).

É-nos concedida a certeza de que, através do Espírito Santo, Cristo, a “verdadeira luz, ... ilumina a todo homem” (João 1:9). Sua missão é convencer “o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (João 16:8).

Em primeiro lugar, o Espírito Santo nos conduz a uma profunda convicção do pecado, especialmente do pecado de não aceitarmos a Cristo (João 16:9). Em segundo lugar, o Espírito insiste em que todos aceitem a justiça de Cristo. Em terceiro lugar, o Espírito nos adverte da realidade do julgamento, o que representa uma poderosa ferramenta para despertar as mentes obscurecidas pelos pecados, dando-lhes consciência da necessidade de arrependimento e conversão.

Uma vez que nos arrependemos, podemos experimentar o novo nascimento através do batismo da água e do Espírito Santo (João 3:5). Nossa vida passa a ser uma nova vida, pois nos tornamos o lugar de habitação do Espírito de Cristo.

Sua Missão em Favor dos Crentes. A maioria dos textos referentes ao Espírito Santo diz respeito a Seu relacionamento com o povo de Deus. Sua santificadora influência conduz à obediência (I Ped. 1:2), mas ninguém pode continuar recebendo Sua presença permanente sem preencher certas condições. Pedro diz que Deus concedeu Seu Espírito àqueles que Lhe obedecem continuamente (Atos 5:32).[1] Dessa forma, os crentes são advertidos contra o resistir, entristecer ou apagar o Espírito (Atos 7:51; Efés. 4:30; I Tess. 5:19).

O que faz o Espírito Santo em favor dos crentes?

1. Ele os assiste. Ao apresentar o Espírito Santo, Jesus O identificou como “outro Parakletos” (João 14:16). Essa palavra grega tem sido traduzida como “Ajudador”, “Confortador”, “Consolador”, “Conselheiro” e pode também significar “Intercessor”, “Mediador” ou “Advogado”.

Além do Espírito, o único Parakletos mencionado nas Escrituras é o próprio Cristo. Ele é nosso Advogado ou Intercessor diante do Pai. “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (I João 2:1).

Na qualidade de Intercessor, Mediador e Auxiliador, Cristo nos apresenta ao Pai e nos revela o Pai. Similarmente, o Espírito nos guia a Cristo e manifesta-nos a graça de Cristo. Isso explica por que o Espírito Santo é identificado como “Espírito da graça” (Heb. 10:29). Uma de Suas maiores contribuições é a aplicação da redentora graça de Cristo à vida das pessoas (I Cor. 15:10).

2. Ele revela a verdade de Cristo. Cristo mencionou o Espírito Santo como o “Espírito da verdade” (João 14:17; 15:26; 16:13). Sua função inclui o ato de trazer à nossa lembrança “todas as coisas... que vos tenho dito” (João 14:26) e guiar-nos “em toda a verdade” (João 16:13). Sua mensagem testifica de Jesus Cristo (João 15:26). Cristo afirmou: “Não falará por Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele Me glorificará, porque há de receber do que é Meu e vo-lo há de anunciar” (João 16:13 e 14).

3. Ele traz a presença de Cristo. Ele não somente apresenta a verdade de Cristo, mas traz a própria presença de Cristo. Jesus disse: “Convém-vos que Eu vá, porque, se Eu não for, o Consolador [o Espírito Santo, de acordo com João 14:16 e 17] não virá para vós outros; se, porém, Eu for, Eu vo-lo enviarei” (João 16:7).

Revestido do manto da humanidade, o Homem Jesus não podia ser onipresente, de modo que era conveniente que Ele partisse. Através do Espírito, Ele poderia estar presente em toda parte ao mesmo tempo. O Mestre afirmou: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade” (João 14:16 e 17). Ele garantiu que o Espírito deveria habitar dentro das pessoas. “Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros” (João 14:18). “O Espírito Santo é o representante de Cristo, mas despojado da personalidade humana e dela independente.”[2]

Na encarnação o Espírito Santo trouxe a presença de Cristo a uma pessoa – Maria. No Pentecostes, o Espírito trouxe o vitorioso Cristo ao mundo. As promessas de Jesus – “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Heb. 13:5) e “Eis que estou convosco todos os dias” (Mat. 28:20) – deveriam cumprir-se através do Espírito Santo. Por essa razão, o Novo Testamento atribui ao Espírito Santo um título que Ele jamais recebe no Antigo Testamento – “o Espírito de Jesus” (Filip. 1:19).

Da mesma forma como, através do Espírito, tanto o Pai quanto o Filho estabelecem morada no coração do crente (João 14:23), assim a única forma pela qual os crentes podem permanecer em Cristo é através do Espírito.

4. Ele conduz a operação da igreja. Uma vez que o Espírito Santo traz a própria presença de Cristo, Ele é o verdadeiro Vigário de Cristo na Terra. Sendo o verdadeiro centro de autoridade em termos de fé e doutrina, os caminhos pelos quais Ele conduz a Igreja por certo estarão em pleno acordo com a Bíblia. “O traço que distingue o protestantismo – sem o qual este não existiria – é a alegação de que o Espírito Santo é o Vigário ou sucessor de Cristo na Terra. Depender de organização, líderes ou sabedoria humana, é colocar o humano no lugar do divino.”[3]

O Espírito Santo achava-Se intimamente envolvido na administração da igreja apostólica. Ao selecionar missionários, a igreja obteve Sua orientação através da oração e do jejum (Atos 13:1-4). Os indivíduos escolhidos eram conhecidos por sua disposição em aceitar a direção do Espírito. O livro de Atos os descreve como “cheio do Espírito Santo” (Atos 13:9; cf. verso 52). Suas atividades achavam-se sob o controle do Espírito (Atos 16:6 e 7). Paulo fez recordar aos líderes da igreja que eles haviam sido colocados nas respectivas posições pelo Espírito Santo (Atos 20:28).

O Espírito Santo desempenhou papel importante na solução de sérias dificuldades que ameaçaram a unidade da Igreja. Efetivamente, a Escritura apresenta as decisões do primeiro concílio da Igreja com as palavras: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós...” (Atos 15:28).

5. Ele concede dons especiais à Igreja. O Espírito Santo derramou dons especiais sobre a igreja. Nos tempos do Antigo Testamento, “o Espírito do Senhor” veio “sobre” indivíduos, concedendo-lhes poderes extraordinários com os quais puderam libertar a Israel (Juí. 3:10; 6:34; 11:29; etc.). Concedeu igualmente a habilidade de profetizar (Núm. 11:17, 25 e 26; II Sam. 23:2). O Espírito veio sobre Saul e Davi quando foram ungidos como líderes do povo de Deus (I Sam. 10:6 e 10; 16:13).

A algumas pessoas, a infusão do Espírito Santo concedeu dons artísticos especiais (Êxo. 28:3; 31:3; 35:30-35).

Da mesma forma, na igreja cristã primitiva foi o Espírito Santo quem repartiu os dons que Cristo concedeu à Sua igreja. O Espírito distribuiu esses dons aos crentes de acordo com Sua vontade, de modo a beneficiar toda a igreja (Atos 2:38; I Cor. 12:7-11). Ele providenciou o poder especial necessário para que a proclamação do Evangelho chegasse “até aos confins da Terra” (Atos 1:8; veja o capítulo 16 deste livro).

6. Ele ocupa o coração dos crentes. A pergunta incisiva de Paulo aos crentes de Éfeso: “Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes?” (Atos 19:2), representa uma questão crucial para todo aquele que crê. Ao receber uma resposta negativa daqueles discípulos, o apóstolo repousou as mãos sobre eles e então lhes foi concedido o batismo do Espírito Santo (Atos 19:6).

O incidente demonstra que a convicção de pecado que é trazida à luz pelo Espírito Santo e a infusão da vida com o Santo Espírito, são duas coisas diferentes.

Jesus salientou a necessidade de sermos nascidos da água e do Espírito (João 3:5). Justamente antes da ascensão, Ele ordenou que os novos conversos fossem batizados “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mat. 28:19). Em harmonia com essa ordem, Pedro pregou que “o dom do Espírito Santo” deveria ser recebido através do batismo (Atos 2:38). Paulo confirma a importância do batismo do Espírito Santo (veja o capítulo 14 deste livro) através de um urgente apelo no sentido de que os crentes fossem cheios do Espírito (Efés. 5:18).

O recebimento interior do Espírito Santo, que nos transforma à imagem de Deus, prossegue a obra de santificação que em nós iniciou através do novo nascimento. Deus nos salvou de acordo com Sua misericórdia, “mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que Ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador” (Tito 3:5 e 6).

“É a ausência do Espírito que faz com que seja tão sem poder o ministério evangélico. Erudição, talento, eloqüência e todos os dotes naturais ou adquiridos podem estar de posse da pessoa; entretanto, sem a presença do Espírito de Deus, nenhum coração será tocado, nenhum pecador será ganho para Cristo.
Por outro lado, se estiverem em conexão com Cristo, se os dons do Espírito forem seus, os mais pobres e mais ignorantes discípulos de Cristo possuirão um poder que exercerá influência sobre os corações. Deus os transformará em canais para a comunicação das mais elevadas influências do Universo.”[4]

O Espírito é vital. Todas as mudanças que Jesus Cristo opera em nós, advêm-nos pela operação do Espírito. Na qualidade de crentes deveríamos reconhecer constantemente que, sem o Espírito, não seremos capazes de empreender coisa alguma (João 15:5).

Nos dias atuais, o Espírito Santo dirige nossa mente para o maior dom de amor do Pai, manifestado em Seu Filho. Ele insiste em que não resistamos a Seus apelos, mas aceitemos o único meio pelo qual podemos ser reconciliados com nosso amorável e gracioso Pai.


Referências:
[1]. Veja Arnold V. Wallenkampf, New by the Spirit (Mountain View, CA: Pacific Press, 1978), págs. 49 e 50.
[2]. E. G. White, O Desejado de Todas as Nações, pág. 669.
[3]. LeRoy E. Froom, A Vinda do Consolador, pág. 66.
[4]. E. G. White, Testimonies for the Church (Mountain View, CA: Pacific Press, 1848), vol. 8, págs. 21 e 22.