O Milagre das Batatas

O reino do Céu pertence a criancinhas como estas! Mateus 19:14

– Devemos fazer a colheita hoje – anunciou meu esposo, Larry, enquanto virava as panquecas e despejava suco de laranja. – Deve começar a nevar, e a temperatura vai cair ao longo do dia.

– Eu ajudo, papai – declarou Garrick, nosso filho de 4 anos, enquanto se servia do suco.

Garrick, que havia morado nas Filipinas até os 3 anos de idade, gostava de plantações. Havia sentado à sombra de um pé de maracujá. Havia ajudado Larry a plantar espinhentas coroas de abacaxi. Se alguém o erguesse, ele apanharia mamões. E, depois de comer bananas pequeninas e doces, ajudava a cortar bananeiras para que os novos pés crescessem. Entusiasticamente ajudava a espalhar o esterco, regar a primavera – molhando seu pai também – e via se as goiabas estavam maduras. Mas ele pouco sabia sobre horticultura em Alberta, no Canadá.

Em seguida, foi tirada a mesa, empilhada a louça na pia, e Larry e Garrick vestiram casacos, luvas e gorros.

– Vou para lá depois de ligar a máquina de lavar roupa – disse eu, enquanto eles procuravam o rastelo. Enquanto a água enchia a máquina, vesti minha jaqueta, abri a porta e observei Larry e Garrick. O dia estava frio e carregado, úmido e ameaçador, mas eles riam juntos enquanto trabalhavam. Larry jogou os dentes do rastelo no solo úmido e pesado. Garrick, com o gorro de tricô quase cobrindo os olhos, as bochechas manchadas de terra, colocou-se de joelhos quando Larry disse “OK”. Pôs a mão dentro do buraco e depois ficou em pé, segurando uma grande batata vermelha em cada mão, com os olhos cheios de deslumbramento.

– Veja, mamãe! –, gritou ele, quando me viu parada na varanda. Ele agitava as batatas, eufórico. – Veja o que eu achei! – Depois, sua voz assumiu um tom solene. – Não sabemos de onde elas vieram.

O dia não era mais cinzento, nem o frio, cortante. Em vez disso, estava cheio de alegria e vibração. Um milagre havia ocorrido em nosso quintal. O milagre das batatas. Garrick as colocou num cesto e se ajoelhou novamente para ver se descobria mais algumas. – Venha, mamãe – incentivou ele, desejando partilhar aquela maravilha que acontecia no seu quintal. – Você também pode encontrar algumas!

Quando contemplamos o mundo de Deus com os olhos de uma criança, o Céu se aproxima da Terra e saboreamos a bênção que nos rodeia.

(Denise Dick Herr)