A Vida por um Fio

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum. Salmo 23:4

Conheço Desereé desde que ela era adolescente. De vez em quando, ela cuidava da minha animada filha de 3 anos de idade. Desereé a considerava mais graciosa que um botão, e acabou por tornar-se sua madrinha. Desereé sempre pareceu mais velha, em sensatez, do que a miaoria das meninas da sua idade. Acho que era porque ela havia lutado a vida toda contra a anemia falciforme. Essa é uma enfermidade muito dolorosa, debilitadora – e, por vezes, fatal – que ataca sem aviso. Mas Desereé era uma garota cristã decidida, que nunca permitiu que a doença a impedisse de alcançar seus alvos e sonhos. Tornou-se adulta, cuidava de si mesma, comia de maneira saudável e se vestia recatada e impecavelmente. Amava o Senhor e mantinha seus padrões morais acima de qualquer reprovação.

Quando me tornei diretora do Clube de Desbravadores da nossa igreja, ela foi minha assistente. Embora houvesse boa diferença de idade entre nós, compartilhávamos um amor pelos jovens que ia além da amizade. Estávamos sempre à disposição uma da outra, em tempos de necessidade. Assim, não era surpresa que, toda vez que ela sofresse uma crise, eu estivesse ao lado do seu leito no hospital para enxugar-lhe a testa, fazer-lhe companhia ou simplesmente orar por ela enquanto suportava a debilitante enfermidade.

Já fazia anos que ela não sofria uma crise, mas quando recebi o telefonema informando que ela estava na UTI, entendi que o caso era grave. Fiquei arrasada quando a vi no respirador. Estava em coma, e inchada a ponto de ficar irreconhecível. “Ó Deus”, orei, “por favor, conserva-a.”

Irmãs de fé se reuniram e oraram em favor dela. O prognóstico não era bom. Seus órgãos vitais haviam sido atacados e entravam em falência. Deus, silenciosamente, veio a ela e cumpriu Sua promessa de estar com aqueles que O amam, na sua experiência próxima da morte. Dezessete dias mais tarde, ela saiu da UTI e partiu para a lenta caminhada rumo à recuperação. No ano seguinte, festejou seu quadragésimo aniversário, e seu texto escriturístico preferido se tornou o Salmo 23, que todas nós podemos reclamar pessoalmente.

Se o mundo tão-somente conhecesse o Deus magnífico que temos o privilégio de chamar de Pai, Aquele que nos valoriza e cuida de nós! Se tão-somente nos regozijássemos como os anjos, no conhecimento de que Jesus declarou vitória sobre a morte! Se tão-somente o mundo cresse no Deus verdadeiro e vivo, então cada uma de nós caminharia por esta vida sem temor!

(Evelyn Greenwade Boltwood)