Pantera das Petúnias

Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor [...] procurando alguém para devorar. 1 Pedro 5:8

Tempos atrás, nós e nossos dois gatos, Billy Bob e Priscila, mudamo-nos para uma área rural. Três semanas depois, Billy Bob simplesmente desapareceu. Nós o chamamos. Andamos de carro pela região à sua procura. Perguntamos aos vizinhos se tinham visto um gato amarelo brincalhão. Não tinham visto. “Por causa da população de coiotes nestas colinas, os gatos não costumam durar muito por aqui”, avisaram.

Pouco tempo depois, eu trouxe para casa uma gatinha preta de pelos longos, para fazer companhia à solitária Priscila. A recém-chegada gostava de brincar, e brincar bastante. Para dizer a verdade, ela brincava tão agressivamente que meu esposo a chamou de Pantera. Quando ela começou a estraçalhar as flores, expandimos seu nome para Pantera das Petúnias.

No fim de uma tarde de verão, estávamos sentados na varanda dos fundos da casa, conversando com amigos e rindo das piruetas da Pantera. Meu esposo a chamava toda vez que ela se afastava muito. Às vezes, ela retornava até ele, mas geralmente não voltava. Acima da conversa agradável e das risadas, comecei a ouvir algo mais. O som vinha de alguns metros adiante, ao pé da nossa colina coberta de pinheiros. Virando-me um pouco, vi, sob alguns arbustos, duas pernas longas e finas – e depois mais duas. Os olhos amarelos de um coiote estavam fixos em Pantera, que brincava alegremente. “Lá está um coiote!” disse eu ao meu esposo, em voz baixa, antes de descer correndo os degraus na direção do intruso. O coiote simplesmente desapareceu no bosque sombrio, enquanto, atrás de mim, meu esposo acolhia a ingênua Pantera na segurança das suas mãos fortes.

Como aquele coiote se parecia com o nosso inimigo mortal! E, como Pantera, muitas vezes estamos inconscientes de que o adversário de nossa alma aguarda e observa enquanto mergulhamos no lazer, trabalho, preocupações, autopiedade ou amargura. Aproxima-se furtivamente, preparado para precipitar-se sobre nós e nos destruir. O apóstolo Pedro nos admoesta a ter consciência daquilo que nos acontece na vida, a ser constantemente vigilantes, se quisermos evitar cair vítimas do inimigo da nossa alma. Somente a segurança das fortes mãos de Deus nos conservará fora das garras do arquipredador.

(Carolyn Rathbun Sutton)