Sede Benignos

Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou. Efésios 4:32

Que margem de tolerância damos aos outros, aos de casa, aos nossos subalternos, aos amigos? É muito fácil ser exigente ou traçar uma linha: “Você precisa chegar aqui para ser perfeito” ou “É assim que quero que você faça.” O que fez Jesus? Permitiu pacientemente que Judas ficasse até o fim. Jesus nunca o corrigiu. Permitiu que Judas mesmo visse quando estava errado. E quanto a nós? Quão bondosos somos com aqueles que se sentem incapazes de entender ou fazer tão bem quanto nós?

Fazíamos uma viagem de férias a Kodaikanal, na Índia, com nosso filho e sua família. Certa tarde, nossos dois netos, Tanisha e Rohit, com 7 e 6 anos de idade, estavam extremamente entediados. Cansaram-se de ficar sentados dentro do carro, e seus pais não haviam levado nenhum dos seus brinquedos ou livros. Assim, sugeri que saíssem e brincassem de amarelinha. Eles gostaram da ideia e me convidaram para brincar junto. Para agradá-los, concordei, e nós três saímos.

Nenhum deles conseguia traçar as linhas retas, e me ofereci para ajudá-los. Ficaram espantados diante das minhas linhas retas, e em pouco tempo o trabalho estava concluído para começarem o jogo. Eu sabia como brincar, mas o problema era que não pulava tão bem quanto eles. Imagine: eu, com quase 70 anos, tentando pular de um quadrado para outro, usando uma perna só. Não era possível. Pisei na linha tantas vezes que as crianças perguntaram por que eu fazia aquilo. Exasperado, um deles gritou: “Nana, você não pode pisar nas linhas.” Um deles demonstrou como devia ser feito. Por fim, eu disse: “Querido, Nana está velha demais. Não consegue pular direito. Vocês, por favor, brinquem sozinhos.” Desapontado, um disse para o outro: “Vamos deixar a Nana pisar nas linhas. Vamos brincar. Nana, você pode pisar na linha.”

Imagine crianças sendo condescendentes comigo. Que exemplo! Que melhores mundo, igreja ou lar haveria se déssemos espaço para que os outros crescessem, se lhes déssemos a liberdade de escolher ou oferecêssemos oportunidades para fazerem as coisas sozinhos, do seu jeito. Como seria melhor se lhes confiássemos responsabilidades, se fôssemos tolerantes e aceitássemos o seu melhor, quando não conseguem fazer melhor, sem ridicularizá-los quando cometem erros. Esse é o jeito de Jesus.

(Birol Charlotte Christo)