No que Devo Crer?



Nos Estados Unidos da América do Norte o ateísmo possuía não há muitos anos um enérgico defensor na pessoa do coronel C. Este homem afirmava francamente que a religião era uma loucura, não havia Deus nem vida além-túmulo. Não contente, porém, com alimentar ele próprio estas convicções, esforçava-se, sempre que se lhe oferecia ensejo, por persuadir também outros da incoerência e sem-razão de suas crenças, encontrando quase sempre, em virtude de sua posição e de suas maneiras, aliás amáveis, quem de bom grado lhe desse ouvidos. Assim decorreram anos.

Sucedeu, então, que sua filha, que ele mui idolatradamente amava, adoecesse gravemente. Consultaram-se os mais afamados clínicos e o próprio Dr. L., médico da família, prestava à enferma os mais assíduos cuidados. A despeito de tudo, porém, a doença ia fazendo os seus fatais progressos, parecendo zombar de todos os esforços humanos. Um dia o coronel convidou o médico para o jantar. Terminada a refeição, recolheram-se ambos ao gabinete, onde, apenas chegados, um criado lhes anunciou que a enferma lhes desejava falar imediatamente. O estado da doente agravara-se de repente. Fundamente emocionado o coronel se acercou do leito em que jazia a alegria e o orgulho de sua alma. A enferma travou-lhe da mão e disse-lhe em tom de súplica: "Meu pai, sinto a morte avizinhar-se; diga-me, no que devo crer: no que o senhor me ensinou, ou naquilo que aprendi de minha mãe?" Sua mãe era uma senhora cristã que nunca deixava passar ensejo de instruir sua filha nas verdades do cristianismo e de lançar a boa semente no seu tenro coração.

O coronel parecia convertido em uma estátua. Tal pergunta, em presença da morte, e provinda dos lábios de sua idolatrada filha, ele não esperava. Os olhos fixos na moribunda, apenas os músculos de seu rosto se contraíam, revelando a luta ingente que se lhe travava no íntimo. Ainda uma vez sua filha lhe dirige aquela pergunta, num tom de insistente súplica. Súbito aquela estátua se anima e, murmurando entre os lábios: "Crê no que te ensinou tua mãe," o coronel deixa, com passo vacilante, o quarto da enferma.

Chegando ao seu gabinete, ele caiu aniquilado em uma poltrona. Deus Se havia servido dos poderosos sentimentos da sua afeição paterna para quebrar o orgulho do seu coração. Nunca antes ele reconhecera quanto as vãs asserções da razão humana eram importantes para satisfazer e tranqüilizar uma alma na hora extrema. Elas não resistem diante do Todo-poderoso. A morte da filha determinou uma mudança decisiva na vida do coronel.

Meu caro leitor, estás tu também disposto para encontrar a morte? Podes encará-la sem temor algum? Oh, não te deixes embair pro frívolos raciocínios! Vem a Jesus, não desprezando o tempo que se chama hoje. Abandona as veredas sinuosas do pecado, cujo fim é a perdição; dá-te pressa, vem, e aceita a salvação!