Está consumado

Assim, pois, foram acabados os céus e a Terra e todo o seu exército. Gên. 2:1.

Véspera de Natal de 1968. Aquele foi um ano comprido e difícil para a América. Em janeiro de 1968, a Coréia do Norte capturou o U.S.S. Pueblo. Em fevereiro e março, as baixas no Vietnã foram imensas e o sentimento do público contra a guerra estava mais forte do que nunca. A primavera trouxe o assassinato de Martin Luther King Jr. e de Robert F. Kennedy. O verão não trouxe nenhum alívio, pois as negociações sobre a paz no Vietnã continuavam se arrastando e os protestos, se intensificando. Sem dúvida, 1968 foi um ano que rapidamente seria esquecido.

Mas, na véspera de Natal, um raio de esperança brilhou em meio à escuridão. A emoção de um feito nos serviu de inspiração. Pela primeira vez na história, homens entraram em órbita em torno da Lua. Mal acreditamos em nossos olhos quando a televisão mostrou as comoventes imagens da superfície da Lua. Os astronautas Frank Borman, James Lovell e William Anders enviaram seus votos de Feliz Natal. Em um grandioso momento de véspera de Natal, de um livro com séculos de existência, nossos astronautas leram as conhecidas palavras de Gênesis 1:1: "No princípio, criou Deus os céus e a Terra."

Em órbita lunar, olhando para a Terra a uma distância de quase 400.000 quilômetros, os astronautas nos relembraram que a vida não é um acidente cósmico. "No princípio, criou Deus os céus e a Terra." Há um profundo significado, um significado prático, uma verdade duradoura nessas palavras. Consideremos a cena da criação com um pouco mais de cuidado.

Quando Deus completou a semana da criação, Ele a coroou criando Adão e Eva. Alegremente, Ele exclamou para todo o Universo: "Acabou." Gênesis 2:1 descreve a cena desta maneira: "Assim, pois, foram acabados os céus e a Terra e todo o seu exército." As palavras "foram acabados", na criação, falam de algo que Deus fez. A criação é a obra de Deus. Nós não evoluímos. Nós não criamos a nós mesmos. As palavras "foram acabados" falam de um Criador que acabou Sua criação e de um Criador que Se importa com as coisas por Ele feitas. Nunca mais você precisa pensar que tem pouco valor.

Deus nos criou. Ele nos ama. Não somos órfãos cósmicos.



[Jesus] disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito. João 19:30.

As palavras de Jesus ao morrer foram: "Está consumado!" O que Ele quis dizer? O que estava consumado?

A culpa estava consumada. Toda nossa culpa foi pregada na cruz, no corpo de Cristo. A escravidão do pecado foi quebrada. Estava consumado. Na cruz, Jesus demonstrou que o poder da graça é maior do que o poder do pecado.

Na cruz, acabou o medo. Nunca mais precisamos temer a morte. A guerra com o pecado já foi travada. Cristo transformou a tumba em um túnel. Diante da morte, a cruz oferece esperança. Na cruz, acabou toda a apreensão indevida acerca do caráter de Deus. Ela mostra até onde Deus irá para nos salvar.

Existe uma bonita lenda romena que revela de maneira maravilhosa o significado da cruz. Um membro da nobreza romena era muito rico e possuía muitas terras e animais. Tinha como vizinho um camponês que morava numa simples cabana e possuía poucos animais. O avarento dono daquelas terras subornou algumas pessoas da cidade para que, à noite, conduzissem os animais do pobre homem para as suas terras. Então, alegando que o homem pobre era um irresponsável, declarou que ele tinha que abrir mão de todos os seus pertences.

Um julgamento teve lugar na praça da cidade e o camponês perdeu tudo o que tinha. O nobre cuspiu nele e o pobre camponês tornou-se um mendigo, passando a vagar pelos campos.

Um dia, o pobre camponês encontrou-se com o rei, que estava visitando todas as cidades do seu reino. O camponês lhe explicou sua situação. O rei bondosamente escutou o camponês e deu-lhe dois grandes sacos de ouro – que valiam muito mais do que ele havia perdido.

Diante de toda a cidade, o rei curvou-se, beijou o camponês em ambas as faces e disse: "Conte para todos que, no lugar onde aquele homem mau cuspiu, o rei beijou. Com este beijo, você está livre de toda a vergonha."

Na cruz, o Rei do Universo colocou o tesouro do Seu próprio amor em nossas mãos e livrou-nos de toda a vergonha. Somos filhos do reino, aceitos e amados, beijados em ambas as faces pelo Rei do Universo.



Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Apoc. 21:6.

Solidão, dor, injustiça e morte são os resultados de viver em um mundo cheio de pecado. As palavras imortais de Deus proferidas em Apocalipse 21:6: "Tudo está feito", falam de um fim eterno para tudo o que atrapalha nossa felicidade.

Um dia, a solidão desaparecerá para sempre. Um dia, estaremos com Deus. Fomos feitos para Ele. Ele preencherá o vazio da solidão de nossa vida.

As palavras finais de Deus também banem a dor para sempre. Pois "já não haverá... dor" (verso 4). A doença não mais existirá. As palavras "está feito" são Sua promessa de que, um dia, Ele nos dará novo corpo que pulsará com vida, alegria e saúde.

Suas palavras "está feito" falam de um Deus que fará "novas todas as coisas" (verso 5). Esta vida é cheia de injustiça e desigualdade. Mas um dia o Rei da Justiça irá reinar. Cristo Se assentará em Seu trono celestial. Na eternidade, a sociedade celeste será justa e reta. Pode ser que não se encontre sempre justiça na Terra, mas ela será encontrada no Céu.

O pronunciamento final de Deus, "está feito", é um brado de que a morte desaparecerá para sempre. Você perdeu um ente querido? A dor desta perda parece difícil demais de suportar sozinho? Um dia, a morte será uma coisa do passado. O amanhã glorioso de Deus trará, para sempre, um fim para a morte. Ela desaparecerá.

Em uma triunfante nota final, o divino anúncio celestial é proclamado: "Está feito." A guerra acabou. As lágrimas, o terror, os conflitos acabaram. A justiça reina para sempre.