Afundada na bebida. – Fui Resgatada !

Desenvolvi o primeiro ano de meu ministério numa favela, na capital de meu país. Era um morro habitado por gente necessitada e carente, em sua maioria, mas aquele lugar tornou-se cenário de conversões maravilhosas que o Espírito de Deus operou.

Certo dia, andando pelos estreitos caminhos daquele morro, fui surpreendido por um cachorro que começou a latir. Inexperiente, cometi a imprudência de correr e em poucos segundos não era só um mas um bando de cachorros que corria atrás de mim.

Assustado tive que empurrar a porta de uma casa e me esconder dos cães enfurecidos. Mas, quando percebi onde estava, teria preferido que os cachorros me pegassem lá fora. Era um quarto escuro e pouco ventilado, iluminado por duas velas grandes no centro de uma mesa. Havia um cheiro horrível. Em cima da mesa podia-se ver uma pequena montanha de cinza de cigarro e folhas de coca. Em torno da mesa, mulheres bêbadas e, no chão, garrafas vazias de bebidas alcoólicas.

Em fração de segundos, me vi rodeado pelas mulheres. Pedi desculpas. Expliquei que tinha entrado por causa dos cachorros, mas de nada adiantou a cortesia e as boas maneiras. Tive que ser de certo modo, mal educado, e à força consegui sair.

Alguns dias depois uma daquelas mulheres abordou-me na rua.

- Foi você que entrou em casa outro dia perseguido pelos cachorros?

- Sim -- disse -- e pedi desculpas mais uma vez.

- Desculpas? -- surpreendeu-se. -- Não senhor, acho que nós é que temos que nos desculpar.

Expliquei para ela que era pastor e que estava pregando todas as noites, no salão na parte alta do morro, e convidei-a para assistir às nossas conferências.

Aquela noite, para minha surpresa, ela esteve lá. Tinha bebido bastante e dormiu durante a pregação. A noite seguinte retornou e também a outra e a outra. Sempre bêbada, dormia enquanto eu falava.

Um dia, ela me procurou. "Pastor" -- disse angustiada e cheirando a álcool -- "preciso falar com o senhor. Minha vida é uma tragédia, o senhor pode pensar que eu não entendo nada do que fala porque sempre estou bêbada, mas infelizmente, entendo tudo, pastor, e estou desesperada."

Olhei para ela com simpatia. Era fácil ver no rosto, nos olhos, nas lágrimas que resistiam em sair, a tragédia de uma vida sem Cristo. Ela era uma alcoólatra inveterada.

"Pastor" – continuou -- "eu tive uma família bonita, um marido honesto e trabalhador e filhos maravilhosos. Não vivíamos na abundância, mas nunca faltou o pão de cada dia, até que fiquei viciada na bebida. Não sei como aconteceu. Cheguei a um ponto em que a bebida era o mais importante em minha vida. Às vezes meu marido chegava à noite cansado de trabalhar e me achava bêbada, os filhos com fome e abandonados. Esse foi o início da desgraça. Ele começou a me bater, mas nem por isso eu parava de beber. A vida em casa tornou-se insuportável. Um dia enquanto ele estava no trabalho, tive a coragem de pegar minhas roupas e abandonar o lar, o marido e os filhos, o menor dos quais tinha apenas dois anos. Aí, vim morar neste morro onde, para sobreviver, me entreguei a uma vida de promiscuidade e abandono."

Doía, doía muito ver como o pecado arruína completamente a vida de uma pessoa e a leva muitas vezes a cometer coisas que a própria pessoa não entende depois.

"Todo este tempo em que estive assistindo às conferências" -- seguiu falando a mulher -- "tenho sentido que minha vida não pode continuar assim; tenho que parar de beber. Mas pastor, quando estou lúcida, lembro de meus filhos, de meu marido e a angústia toma conta de mim, então para esquecer torno a beber e assim minha vida entrou num círculo vicioso."

A promessa de Deus é que "Ele nos libertará das concupiscências deste mundo". "Ele nos manterá sem queda." "Ele nos dará uma nova natureza!" "Ele transformará o nosso ser." E foi isso o que aconteceu com aquela mulher. Desde o fundo do poço de desespero e culpabilidade, desde as profundezas das sombras de miséria e angústia, ela clamou a Deus: "Ó Senhor transforma meu ser, muda o rumo de minha vida, liberta-me da escravidão do vício que me domina, dá-me uma nova natureza." E Deus ouviu-a. Ninguém viu, mas o poder de Deus criou uma nova criatura.

Ela largou a bebida, mas passou a conviver com a tristeza do abandono do marido e dos filhos. Era uma realidade lacerante, feria as carnes e fazia sangrar o coração. Doía vê-la sofrendo e foi por isso que procurei o marido. Homem bom, aquele. Levantava-se toda manhã de madrugada, preparava a comida para os filhos e rumava para o trabalho. O garoto mais velho de doze anos, esquentava depois os alimentos para os irmãos mais novos. O homem retornava para casa à noite, cansado e ainda tinha que arrumar a casa e lavar a roupa. Era uma vida sacrificada.

Foi difícil falar alguma coisa vendo um quadro semelhante. Finalmente, após algumas visitas, disse para ele que vinha em nome da esposa. Ele mudou de atitude. Quase cuspindo fogo pelos olhos, disse:

"Não me fale dessa mulher, ela arruinou minha vida e a vida de meus filhos, aliás, ela acabou com a nossa vida porque o que nós vivemos hoje não é mais vida."

Os dias foram passando e com o tempo tornamo-nos amigos. Falei para ele que a esposa que o abandonara tinha morrido, que hoje aquela era outra mulher, que não bebia mais, e que sofria por ter abandonado a família.

Ah! o Espírito de Deus consegue coisas que para o homem são impossíveis. Meses depois, ele aceitou ver a esposa. Marcamos o encontro. Aquela noite orei a Deus e pedi que fizesse mais um milagre na vida dessa mulher, que tocasse o coração daquele homem, que reconstruísse aquele lar desfeito pelo pecado. Sabe? Existem momentos que marcam a vida para sempre. Aquele foi um desses momentos na minha vida.

Lá estava o marido, rodeado dos filhos. A mulher aproximou-se e caiu aos pés deles.

- Perdoem-me -- disse ela chorando -- perdoem-me, eu não mereço, mas por favor me perdoem. Já perdi todos os direitos que tinha, não sou ninguém, apenas quero que me permitam cuidar de vocês. Serei uma serva, nunca reclamarei de nada, só quero ficar perto e cuidar de vocês e fazer tudo o que deixei de fazer...

Foram momentos dramáticos e emotivos. No silêncio do coração continuei orando.

De repente o homem levantou a mulher e perguntou:

- Você não bebe mais?

- Não. Há meses que Cristo tirou a bebida de mim.

- É inacreditável -- completou o marido emocionado. -- Quando o pastor falou que você não bebia mais, eu não acreditei, quis conferir com meus próprios olhos, mas é verdade, você não bebe mais. Você diz que foi Cristo que tirou a bebida de você? Então eu quero conhecer o Cristo que foi capaz de fazer esse milagre.

A estas alturas, dei meia-volta e, escondendo duas lágrimas, retirei-me do lugar.

Meses depois tive a alegria de ver batizados aquele homem, sua mulher e o filho mais velho de doze anos.

Como Deus transforma? Não sei. Mas eu sei que ele é capaz de mudar. Ao longo de meu ministério tenho visto muitas vidas transformadas. Marginais, jovens viciados em drogas, bêbados, homens e mulheres que pareciam não ter mais esperança de recuperação.

E se Deus foi capaz de transformar todos eles, não poderá também transformar nosso ser?

"Pastor" -- você dirá -- "eu não sou como aqueles homens". Eu sei disso. Mas Nicodemos também não era assim, e Cristo disse para ele: "Você tem que nascer de novo, você precisa que Eu mude sua vida, você precisa de uma nova natureza." E Nicodemos achou que, porque conhecia bem a doutrina, já tinha sido convertido e achou que aquela declaração de Cristo era uma ofensa para ele e foi embora.

Durante três anos continuou vivendo em meio à igreja e carregando aquele sentimento de que alguma coisa estava errada com ele. Continuou assistindo aos cultos, desempenhando suas responsabilidades de liderança, mas vazio e triste por dentro. Até que um dia os judeus prenderam Jesus e O levaram ao topo da montanha do Calvário. Aí, Seu corpo foi levantado. Embaixo, entre a multidão estava Nicodemos, tremendo. E ao ver a silhueta de Cristo se projetar no horizonte, lembrou a noite de três anos atrás, quando Jesus disse: "Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, é necessário que o Filho do homem seja levantado, para que todo aquele que nEle crê não pereça mas tenha a vida eterna."

Nicodemos não conseguia resistir mais. Eu imagino que se aproximou da cruz. Talvez o olhar agonizante de Cristo tivesse alcançado lá embaixo e é possível que Nicodemos clamasse: "Por favor Jesus, não vá embora. Não sem transformar meu ser. Dá-me a nova natureza de que falou aquela noite." E o clamor de Nicodemos foi ouvido. Cristo transformou seu ser. E aquele homem medroso que um dia procurou Jesus amparado pelas sombras da noite, não teve medo de confessar publicamente a Cristo como seu Salvador. E junto com José de Arimatéia reclamou o corpo de Cristo para dar-lhe sepultura.

Isso não é maravilhoso? O milagre da conversão pode acontecer. Com você, comigo, com qualquer um que o aceitar. É só correr para a cruz de Cristo e reconhecer três fatos.

Primeiro: "Eu sou um pecador." Não existe nada mais difícil para o orgulhoso coração humano do que reconhecer, não uma fraqueza, não um problema de personalidade, mas o pecado. Nada de jogar a culpa ao fato hereditário, ou o ambiente em que fomos criados ou à falta de oportunidades que tivemos. Temos que correr a Cristo e clamar: "Senhor ajuda-me, sou um pecador. Sou o único responsável, não tenho explicação, apenas quero ser perdoado."

Em segundo lugar -- doloroso fato -- "Eu não posso." Não adianta querer ser bom por nossos próprios esforços. A humanidade está ficando louca porque fala de "autodisciplina", de "energia interna", de "força mental". Ela esqueceu de olhar para Cristo e está olhando para dentro de si em busca de solução e só acha fracasso e frustração. Nada disso! Olhemos para Cristo e falemos: "O Senhor, já tentei de tudo e não consegui! Carrego dentro de mim uma natureza estranha que me leva para o pecado. Por favor, ajuda-me porque eu não posso."

E agora o fato mais extraordinário. "Deus pode!" Sim, meu amigo. Ele pode. Olhemos para o alto da montanha e como Nicodemos caiamos aos pés da cruz, clamando no silêncio do coração: "Deus, por favor, muda o rumo de minha vida, dá-me uma nova natureza."

A Palavra de Deus disse que o milagre acontecerá. Pode acontecer agora, neste momento, enquanto suas mãos seguram este livro. Você não está sentindo o Espírito de Deus trabalhando em seu coração. De repente você sente vontade de fechar o livro e jogá-lo no lixo, existe uma coisa que se revolta dentro de você. É a natureza pecaminosa que não gosta das coisas certas. Mas a voz de Deus continua chamando seu coração. Você sente. E pergunta: "Como pode ser isto? Como pode Deus mudar minha vida num segundo?" Não sei, milagres não têm explicação e a conversão é um milagre.

Eu não posso explicar como a água pura e simples pelo toque maravilhoso de Cristo um segundo depois era vinho de primeira qualidade. Nenhum químico do mundo pode explicar. Milagres não se explicam, se aceitam.

Como foi possível um cego de nascença viver em escuridão anos e anos e, num segundo depois do toque divino, estar enxergando? Oftalmologista nenhum pode explicar isso. Milagres não se explicam... se aceitam.

Nesse momento, agora, Deus quer fazer um milagre com você: o milagre da conversão. Estou orando enquanto escrevo as últimas linhas deste capítulo, orando por você sem conhecê-lo mas com a certeza de que você dirá em seu coração: "Senhor, eu aceito o milagre."


(Pastor Alejandro Bullón - Conhecer Jesus é tudo)