Crendo no Filho de Deus

Verso Central: “Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?” (1Jo 5:5).

Leituras da semana: Mt 16:24, 25; Jo 1:1-3; 3:36; 5:24; Rm 6:1-6; Hb 12:4; 1Jo 5:1-12

I - Introdução

As idéias sobre quem Jesus era variaram não só na antiguidade mas hoje também são diversas. Alguns separam o Jesus bíblico do que eles chamam de Jesus histórico e afirmam que os dois podem não ter tido muito em comum. Supostamente, o Jesus histórico foi um homem comum com uma acentuada sensibilidade para o divino, e isso é tudo. E, certamente, Ele não era o Filho de Deus ressuscitado! Outros acreditam que Jesus foi um mero revolucionário político que, de maneira sutil, tentou subverter o Império Romano.

Podemos ser tentados a achar que essas questões são meros exercícios acadêmicos e filosóficos. Mas quem Jesus era e o que Ele declarou sobre Si mesmo afeta cada ser humano. Aquilo que pensamos sobre Jesus influencia dramaticamente nossa maneira de nos relacionar com Deus, de entender o plano de salvação e nossa confiança na salvação.

É por isso que João trata desse assunto em suas epístolas.

Prévia da semana: Que promessas de vitória nos foram dadas? O que João quis dizer com a expressão “por meio de água e sangue”? Que razões nos são dadas para crer? O que João diz sobre a divindade de Cristo? O que ele ensina sobre a promessa da vida eterna?

II - Fé em Jesus e vitória (1Jo 5:1-5)

“Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que O gerou também ama o que dEle é nascido” (1Jo 5:1).

Depois de ter estudado o ensino de João sobre amor fraternal, voltamos à questão da fé em Jesus como o Cristo/Messias, o Filho de Deus. De fato, os dois assuntos, crença e amor, se sobrepõem nos primeiros versos do capítulo 5.

João queria que seu público cresse em Jesus como o Cristo. Ele diz: Aqueles que são nascidos de Deus, amam a Deus, amam uns aos outros e guardam os mandamentos. Os crentes em Jesus como Filho de Deus também vencem o mundo (1Jo 5:1-5).

Ao longo da história, alguns entenderam que a batalha que os cristãos precisam travar para vencer o mundo seria algum tipo de conflito militar literal. Mas isso está errado. Em nenhuma parte das Escrituras os cristãos são chamados a organizar-se em cruzadas e forçar os outros à conversão. Em nenhuma parte do Novo Testamento uma nação é comparada com o reino de Deus e, dessa forma, ser defendida ou expandida mediante violência. A batalha que os cristãos têm que lutar é espiritual. Nos escritos de João, o caminho para a vitória não é pelo uso da violência nem da força física. O caminho para vencer é pela fé, e a fé se demonstra pelo tipo de vida que se tem.

1. Nos textos seguintes, João fala sobre vitória e superação. O que podemos aprender sobre essas promessas nestes textos?
                  a. Jo 16:33
                  b. 1Jo 4:4
                  c. Ap 2:7, 11; 3:5, 21
                  d. Ap 12:11


O vencedor por excelência é Jesus Cristo. Visto que Ele obteve a vitória, Seus seguidores podem também vencer. Até certo ponto, eles já têm a vitória: a de Cristo em seu favor. Os vencedores recebem promessas maravilhosas de Deus de que não mais precisamos ser escravos do pecado (Rm 6:1-6), mas que, em Jesus e na nova vida que temos nEle, servimos ao Senhor, não a Satanás, nosso antigo mestre.

Em que áreas de sua vida você experimentou a promessa da vitória e superação? Em que áreas você falhou, e por quê? Como você pode ter a vitória prometida? O que o está impedindo?

III - O Jesus em quem cremos (1Jo 5:6-8)

Depois de ter ressaltado a importância da fé em Jesus como Messias e Filho de Deus, João continua expondo ao público quem foi esse Filho de Deus, e uma das coisas que diz sobre Jesus é que Ele veio “por meio de água e sangue” (1Jo 5:6).

O que significa isso?

Em 1 João, a água só é mencionada nestes versos de hoje. Porém, aparece com muita frequência no Evangelho de João e também em Apocalipse. De acordo com a passagem, a água que João menciona em 1 João 5:6, 8 deve estar de alguma forma relacionada a Jesus e Sua primeira vinda, e deve ser um dos três elementos que testemunham que Jesus é o Messias e Filho de Deus.

A expressão “sangue e água” é usada em João 19:34 em relação com a morte de Jesus, mas não parece ser a água que João menciona em 1 João 5:6-8. Ao contrário, no princípio do Evangelho de João, a água está associada ao batismo (Jo 1:26, 31, 33; 3:5, 23). Essa parece ser a aplicação em 1 João. Jesus veio como Senhor encarnado e começou Seu ministério público sendo batizado com água. Ele concluiu Seu ministério terrestre na cruz, quando derramou Seu sangue. Aparentemente, a água aponta para o batismo e o sangue de Jesus, à Sua morte na cruz (1Jo 1:7).

Assim, Seu batismo e Sua crucificação apontam para quem Jesus era e o que Ele deveria realizar por nós. Nos dois casos, as manifestações divinas e as reações humanas mostraram que Ele era, realmente, o Filho de Deus (Mt 3:17; 27:50-54).

Nestes versos, João ainda estava lidando com o falso ensino desses anticristos. Esses conceitos estavam afetando a mente dos crentes. Se Jesus não tivesse sido nem o Messias nem o Filho de Deus, a mensagem deles seria: a morte expiatória do Filho de Deus não é necessária para nossa salvação. O Filho de Deus não morreu na cruz em nosso lugar a fim de nos redimir. Esse conceito levaria a uma compreensão completamente diferente da salvação e da Divindade. A redenção se daria por meio do conhecimento (gnosis), não por meio da cruz. Consequentemente, João desejava que as pessoas soubessem exatamente quem era Jesus e o que Ele havia feito por elas mediante Sua vida e morte. Ele não queria que as pessoas fossem enganadas por esses falsos ensinos.

Água e sangue. Pense nessas duas imagens e como se aplicam a Jesus. Como devemos experimentar a realidade da água e do sangue em nossa própria vida? Em outras palavras, o que seu batismo significou para você? O que diz sobre você, e que mudanças tiveram lugar em sua vida? O mesmo se pode perguntar a respeito do sangue: O que significa o conceito do sangue derramado, pelo menos no que se refere a ser cristão? Veja Mt 16:24, 25; Hb 12:4.

IV - Jesus e o testemunho de Deus (1Jo 5:9, 10)

A primeira e a segunda testemunha sobre a filiação divina de Jesus são a água e o sangue. A terceira testemunha é o Espírito Santo (1Jo 5:6, 8). De acordo com o Evangelho de João, Jesus anunciou que o Espírito Santo testemunharia sobre Ele (Jo 15:26).

Por que essas testemunhas são necessárias? No Antigo Testamento, eram requeridas duas ou três testemunhas para confirmar uma questão (Dt 19:15). Aparentemente, João queria deixar claro que o caso de Jesus tinha um fundamento sólido. Ele queria mostrar que temos boas razões para crer.

2. A que testemunhas João apela a respeito da divindade de Jesus? 1Jo 5:9, 10. O que Ele quer que creiamos?

Para João, é importante a ideia de testemunhos ou vários testemunhos sobre Jesus. Em seu Evangelho, ele menciona várias outros: o testemunho de João Batista (Jo 1:6, 7), o testemunho do próprio Jesus (Jo 3:32), o testemunho da mulher samaritana (Jo 4:39), o testemunho das obras de Jesus (Jo 5:36), o testemunho das Escrituras (v. 39), o testemunho de Deus Pai (Jo 8:18), o testemunho dos que assistiram à ressurreição de Lázaro (Jo 12:17), o testemunho do Espírito Santo (Jo 15:26) e o testemunho do próprio apóstolo João (Jo 21:24). Isto é muito impressionante. João quis demonstrar que a convicção em Jesus repousa em testemunhos poderosos.

O testemunho do Pai em nosso texto tem sido entendido de forma diferente. Parece fazer mais sentido se conectado com o tríplice testemunho mencionado nos versos anteriores. Isto é, esse tríplice testemunho é, basicamente, o testemunho de Deus.

João diz que se estamos dispostos a aceitar o testemunho de humanos, quanto mais o testemunho do próprio Deus? Realmente, com frequência damos valor ao que as pessoas dizem, na mídia impressa ou na televisão, mesmo que não haja muita base para crer no que ouvimos. Quanto mais devemos aceitar o testemunho do próprio Deus e crer em Jesus como descrito no Novo Testamento!

Deus é confiável e verdadeiro (1Jo 5:20). Se não aceitamos Seu testemunho, afirmamos que Deus é mentiroso, acusação realmente séria.

V - A questão da Trindade (1Jo 5:7, 8)

Em algumas Bíblias, em 1 João 5:7, 8, aparecem as palavras “no Céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra”. O único problema é que elas são um acréscimo posterior, não encontrado nos manuscritos originais.

Entre os estudiosos bíblicos existe concordância de que essa declaração não é genuína e foi acrescentada, provavelmente para apoiar a doutrina da Trindade. Evidentemente, os textos bíblicos nunca deveriam ser alterados, por muitas razões (Ap 22:18), uma das mais importantes sendo que as pessoas podem começar a ter dúvidas sobre a confiabilidade das Escrituras como um todo e começar a desconfiar da Palavra de Deus.

O fato é que, mesmo sem essas palavras, a doutrina da Trindade está firmemente estabelecida nos escritos de João. Embora os autores do Novo Testamento creiam que Deus é um, eles retratam Jesus e o Espírito Santo como Deus. Para conciliar a unicidade de Deus com a divindade de Pai, Filho e Espírito Santo, o conceito da Trindade é decisivo.

3. João tem declarações poderosas sobre a divindade de Jesus. O que ele ensina sobre Jesus Cristo nos textos seguintes?
                  a. Jo 1:1-3, 14
                  b. Jo 8:58, 59
                  c. Jo 10:30, 31
                  d. Jo 20:28
                  e. 1Jo 2:23
                  f. 1Jo 5:20


Embora não haja nenhuma dúvida quanto à divindade de Jesus, como demonstrada por esses textos (e muitos outros), a passagem que estamos estudando nesta semana não procura estabelecer a doutrina da Trindade. Não era esse o objetivo do autor. Ao contrário, é uma passagem sobre a fé em Jesus como Filho de Deus e o testemunho dado ao mundo sobre Ele.

VI - O resultado de crer em Jesus (1Jo 5:11, 12)

Deus concedeu um dom maravilhoso à humanidade. Esse dom é a vida eterna (1Jo 5:11, 12). Porém, ela só está disponível em Jesus Cristo. Como podemos receber esse dom? Pela aceitação do testemunho de Deus sobre Seu Filho; isto é, crendo em Jesus e aceitando-O.

4. O que o apóstolo João ensina em seu Evangelho sobre a vida eterna?
                  a. Jo 3:16
                  b. Jo 3:36
                  c. Jo 5:24
                  d. Jo 6:54


A discussão de João sobre a fé em Jesus, quem é Jesus e por que podemos aceitar o testemunho de Deus não é um exercício acadêmico. Tem um claro objetivo prático; isto é, encontrar a vida eterna no Filho de Deus. Os oponentes de João – que questionavam a verdadeira divindade de Cristo, ou que questionavam a verdadeira humanidade de Cristo, ou que pretendiam separar o divino do humano – tinham uma visão diferente de Jesus e não criam nEle no sentido bíblico. Pelo motivo de que não tinham o Jesus das Escrituras, não tinham a vida eterna. Mesmo que alegassem ter a vida eterna, apesar de terem um conhecimento superior e um bom sentimento de que tinham a vida eterna, suas afirmações não eram verdadeiras.

5. “A vida eterna só é possível por meio de Jesus Cristo.” Quais são as implicações dessa declaração? 1Jo 5:11, 12

João afirma claramente que os que não têm o Filho de Deus não têm vida, e os que têm Jesus têm a vida eterna. Essas são palavras muito fortes, cheias de implicações incríveis para toda a humanidade. Não se nega que os assuntos de salvação sejam realmente importantes. São, literalmente, uma questão não só de vida ou morte, mas de vida eterna ou morte eterna. Você não pode pensar em algo mais sério que isso.

Que dizer de pessoas que nunca tiveram a oportunidade de ouvir o evangelho apresentado de maneira clara? Estão todos automaticamente perdidos? Enquanto você procura pensar em sua resposta, não se esqueça de levar em conta o amor universal de Deus por toda a humanidade. Como você pode aprender a confiar melhor no Senhor sobre essa questão difícil?

VII - Estudo adicional

Leia Mt 16:13-17; Jo 12:37-46.

"'NEle estava a vida, e a vida era a luz dos homens’ (Jo 1:4). Não é a vida física que é aqui especificada, mas a imortalidade, a vida que é exclusivamente propriedade de Deus. O Verbo, que estava com Deus e era Deus, possuía essa vida. A vida física é algo que todo indivíduo recebe. Não é eterna nem imortal; pois Deus, o doador da vida, toma-a outra vez. O homem não tem domínio sobre sua vida. A vida de Cristo, porém, não era de empréstimo. Ninguém pode arrebatar-Lhe essa vida. ‘Eu de Mim mesmo a dou’ (Jo 10: 18), disse Ele. NEle havia vida, original, não tomada por empréstimo, não derivada. Essa vida não é inerente ao homem. Ele só a pode possuir mediante Cristo. Não a pode ganhar por mérito; é-lhe dada como dádiva livre, se ele crer em Cristo como seu Salvador pessoal. ‘A vida eterna é esta: que Te conheçam, a Ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste’ (Jo 17:3). Esta é a fonte de vida, aberta ao mundo” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 296, 297).

Respostas sugestivas para as perguntas:

Pergunta 1: A vitória está garantida aos que servem ao Senhor e confiam em Seu sacrifício, e seu prêmio é a vida eterna.
Pergunta 2: Ao testemunho dos homens e, principalmente, ao de Deus.
Pergunta 3: a. Personalidade divina; b. Pré-existência; c. Unidade com o Pai; d. Divindade; e. União com o Pai; f. Ele é Deus.
Pergunta 4: a. Concedida ao que crê; b. O que se mantém rebeldes não a tem; c. É nossa pela fé; d. Através da ressurreição.
Pergunta 5: Não existe vida eterna à parte de Jesus Cristo.