Paciência

VERSO Central : “Vocês precisam ter paciência para poder fazer a vontade de Deus e receber o que Ele promete” (Hebreus 10:36).

Leituras para esta semana: Gn 6:3; Êx 34:6; Mc 4:26-29; Rm 15:5; Ef 4:1, 2; Tg 1:2-4

I - Introdução:

No grego, duas palavras expressam o significado de paciência, outro fruto do Espírito. O primeiro é hupomone, traduzida como resistência, firmeza e fortaleza em circunstâncias irreversíveis. A segunda palavra, makrothumia, significa ter espírito “paciencioso” ou “que não perde o ânimo”. É o oposto do temperamento irritado, impaciente e que se frustra facilmente. Em geral, significa apegar-se às coisas e não ser extraviado pela adversidade. Normalmente, a palavra é aplicada a ter paciência com as pessoas.

Uma pessoa paciente é meiga, gentil e constante em todas as circunstâncias. O verdadeiro teste de paciência não é a espera mas a maneira de se comportar enquanto espera. “Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma” (Tg 1:4).

Alcançar esse ponto na vida requer prática, aliada à graça de Deus e a disposição de pôr de lado o eu e submeter-se aos ditames do Espírito Santo. As boas-novas são que, se aprendermos a paciência, estaremos em posição de receber muitas outras bênçãos de Deus.

II - Paciência é atributo de Deus (Êx 34:6)

“E passando o Senhor por diante dele, clamou: Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade” (Êx 34:6)

Uma das muitas histórias da Bíblia que ilustram a paciência de Deus foi Seu trato com Nínive. O profeta Jonas reconheceu a paciência de Deus: “Ah! Senhor! Não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me adiantei, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus clemente, e misericordioso, e tardio em irar-Se, e grande em benignidade, e que Te arrependes do mal”(Jn 4:2).

Note algumas das outras qualidades com que a paciência é combinada em Êxodo 34:6. A graça, a misericórdia, a clemência, a bondade e a verdade protegem e sustentam até os pecadores mais endurecidos a fim de lhes dar o máximo de tempo e vantagem para mudar de vida. Se Deus removesse as pessoas tão depressa e frequentemente quanto nós fazemos, todos estaríamos mortos.

1. Por que Deus é paciente com os pecadores? (2Pe 3:8, 9). Como você vê a realidade dessa verdade manifesta em você mesmo ou em outros?

Se alguém lhe perguntasse como você vê Deus, como O descreveria? Isto é esclarecedor, porque a imagem que o cristão tem sobre Deus define sua visão de mundo e maneira de tratar os outros. Se vemos Deus como alguém zangado e prestes a castigar, como provavelmente trataríamos os outros na igreja e em casa?

2. Como podemos aprender a fazer o que o Senhor nos ordena a fazer em Romanos 15:5?

III - Paciência exigida (Ef 4:1, 2)

3. Leia Efésios 4:1, 2. Veja os elementos que Paulo apresenta para aqueles que devem caminhar “de maneira digna” do Senhor. Entre eles está a paciência (NVI). Como a paciência está relacionada com os outros atributos apresentados? Isto é, como se alimentam mutuamente?

A igreja é uma mistura de pessoas de várias origens e culturas. Também inclui pessoas que estão em diferentes degraus na escada da maturidade. A paciência é necessária para viver bem onde existem tantas diferenças. Para os que são maduros, é uma tentação ser impacientes para com os mais imaturos. Apesar de haverem levado anos para chegar a seu presente nível de conhecimento, frequentemente os amadurecidos estão pouco dispostos a dar aos imaturos a mesma quantidade de tempo e estudo para alcançar seu nível de conhecimento e entendimento.

4. Qual é o conselho de Paulo sobre a maneira de lidarmos com os fracos na fé? Rm 14:1; 15:1

A paciência na igreja é uma coisa. Mas que dizer da paciência em casa? O que nos deixa impacientes com os outros membros da família? Quanto tempo devemos orar pelos membros da família que estão fora da fé? Você conhece alguém que orou por algum familiar por muitos anos antes que a pessoa desse o coração ao Senhor? De que modos práticos podemos aprender a cultivar paciência com os familiares? Por que a morte para o eu é tão importante também nesse assunto?

Provavelmente, se pudermos ser pacientes em casa, com os que estão sempre junto de nós, seremos pacientes também com os outros.

Como o Senhor tem sido paciente com você? Como essa realidade pode ajudá-lo a mostrar paciência pelos outros? Se o Senhor o tratasse da mesma forma como você trata os outros, qual acha você que seria seu destino?

IV - Paciência no Evangelho (2Tm 4:2)

A pregação e ensino do evangelho é uma das áreas mais difíceis para se exercitar a paciência. A maioria é muito impaciente com as pessoas que não conhecem a verdade ou que não parecem se importar com isso. Mas, em um mundo cheio de falsas doutrinas e preconceitos contra a verdade, devemos ser pacientes na missão de levar as pessoas a Cristo. É muito fácil balançar a cabeça e dizer: “Por que eles não entendem? A verdade é tão clara!”

A verdade sempre é clara para quem não a está vendo pelos óculos manchados por doutrinas falsas, tradição, família, e assim por diante. Devemos ser pacientes quando procuramos abrir as mentes e desatar os nós do preconceito e dos ensinos falsos que os ligam ao erro e à tradição.

5. Que lições práticas sobre a paciência na área de conduzir as pessoas a Cristo encontramos na parábola da semente? Mc 4:26-29

Somos propensos a pensar que quando alguém estuda uma doutrina bíblica e não a aceita imediatamente, isso deve significar que a pessoa rejeitou a verdade. No entanto, nem sempre é assim. O fato é que a conversão pode ser um processo longo e complicado que, em alguns casos, pode levar anos. Embora muitos de nós estejamos ansiosos por ver logo o fruto de nossos trabalhos, isso nem sempre acontece. O importante é que, em nosso zelo, não podemos nos tornar um empecilho a alguém; isto é, não devemos pressionar tanto até que a pessoa se torne resistente. Ainda mais, nunca devemos condenar ou julgar aquele que não assume um compromisso com as verdades que amamos tão profundamente no tempo preciso em que achamos que a pessoa deveria fazer. Seu trabalho, seu esforço pela pessoa, pode muito bem ser um passo importante em um processo que pode não produzir fruto por anos. Você não sabe. O mais importante é não arruinar tudo condenando ou sendo crítico.

Que lição importante se acha em 1 Samuel 16:7 e que devemos sempre ter em mente?

V - A paciência tem seus limites (Gn 6:3)

Não existe maior demonstração de paciência do que a revelada por Deus para com a humanidade. Mas devemos entender que até a paciência de Deus tem seus limites.

A paciência de Deus durou 120 anos nos dias de Noé enquanto a arca estava sendo construída (1Pe 3:20). Mas chegou o tempo em que a obstinação do povo exauriu a paciência de Deus, e Ele destruiu a Terra com um dilúvio.

6. Que princípio importante foi declarado pelo Senhor a respeito dos antediluvianos? Gn 6:3

7. Nos casos de Sodoma e Gomorra, Israel no deserto e no cativeiro babilônico, que atitudes do povo provocaram as consequências que o povo sofreu? Dt 31:27; Sl 95:8; Jr 17:23

Pode-se argumentar que, visto como Deus perdeu a paciência, isso nos dá a permissão de fazer o mesmo. Mas quando estudamos a história da longanimidade de Deus, fica evidente que Sua paciência não foi por um dia, uma semana nem mesmo por um ano. Frequentemente, passaram gerações antes que Sua paciência se esgotasse, o que, evidentemente, não é uma alternativa para nós.

Existe algum ponto em que nossa paciência pode legitimamente se esgotar quando lidamos com pessoas em uma situação difícil? Depende do que significa isso. Podemos decidir que determinada situação já teve sua oportunidade e concluímos que precisa acabar. Mas isso não é a mesma coisa que ser crítico, sem amor ou cruel nesse processo. Pode ser tempo de agir, mas essa ação nunca deve estar em desarmonia com os princípios de generosidade, amor e cuidado.

Pense em situações em que sua paciência se esgotou legitimamente e ilegitimamente. Qual foi a diferença entre as duas? O que você aprendeu dessas experiências? Se tivesse que repeti-las, o que você faria diferente?

VI - Como desenvolver a paciência (Tg 1:2–4)

“Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma” (Tg 1:2-4, NVI).

8. Qual foi sua experiência com a realidade desses versos? O que você aprendeu das várias provações que enfrentou e, no fim, o tornaram uma pessoa melhor, que reflete melhor o caráter de Jesus?

A palavra grega para provações, às vezes traduzida como tentações, é peirazo, que tem o significado mais amplo de provar ou testar. O diabo nos tenta a fazer o mal. As provas e tentações que Deus permite intervenham em nossa vida têm a finalidade de desenvolver nosso caráter.

“As provações da vida são obreiras de Deus para remover de nosso caráter impurezas e arestas. O processo de cortar, desbastar, aparelhar, lustrar e polir é penoso; é difícil ser pressionado sob a ação da pedra de polimento. Mas, depois, a pedra é apresentada pronta para ocupar seu lugar no templo celestial. O Mestre não efetua trabalho assim cuidadoso e completo com material imprestável. Só as Suas pedras preciosas são polidas, como colunas de um palácio” (O Maior Discurso de Cristo, p. 10).

Mas isso não significa que toda provação vem da providência de Deus. Frequentemente, trazemos o sofrimento a nós mesmos pela desobediência; com frequência, também, as provas e sofrimentos não passam de resultados do que significa viver em um mundo caído, pecador, em que temos um inimigo que nos odeia (1Pe 5:8). Porém, significa que pela submissão completa de nós mesmos ao Senhor, apegando-nos a Ele em fé e obediência, não importa o que passemos, podemos sair melhores ou mais refinados, se permitirmos que Deus trabalhe em nós. Ninguém disse que será divertido. Frequentemente, a vida aqui não é divertida, mas recebemos a maravilhosa promessa: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fp 1:6).

VII - Estudo adicional

“Em Seu trato com a humanidade, Deus suporta longamente o impenitente. Ele usa Seus agentes designados para chamar homens à submissão, e lhes oferece pleno perdão, caso se arrependam. Mas, por ser Deus paciente, as pessoas abusam de Sua misericórdia. ‘Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal’ (Ec 8:11). A paciência e a longanimidade de Deus, que deveriam suavizar e subjugar a vontade, têm uma influência totalmente diferente sobre os descuidados e pecadores. Leva-os a abandonar as restrições e os fortalece na resistência. Pensam que o Deus que tanto suportou por eles não dará atenção à sua perversidade. Se vivêssemos em uma época de retribuição imediata, as ofensas contra Deus não aconteceriam tão frequentemente. Mas, embora tarde, o castigo não deixa de ser inevitável. Existem limites até para a paciência de Deus. O limite de Sua paciência pode ser ultrapassado, e Ele certamente punirá os obstinados. E quando começar a estudar o caso dos pecadores presunçosos, Ele não o interromperá até que esteja concluído” (The SDA Bible Commentary, p. 1.166).

Perguntas para consideração

1. Dizer que Deus é paciente não é o mesmo que dizer que Ele é tolerante. Qual é a diferença entre paciência e tolerância, e por que é fácil confundir as duas?
2. Como a vida de Cristo revela o verdadeiro significado da paciência? Que exemplos poderosos de paciência Ele nos deu? Que exemplos Ele deu em que a paciência não era apropriada?
3. Pense mais na questão das provações e caráter. Certo, as provações podem aperfeiçoar nosso caráter em muitos casos. Ao mesmo tempo, o que acontece quando as provações deixam as pessoas amarguradas, as afastam de Deus, e as tornam céticas e duvidosas? Você já viu isso acontecer a alguém? Nesse caso, o que você pode aprender dessa experiência?
4. Existe alguém com quem você precisa se desculpar pela falta de paciência? Por que não se humilhar e pedir desculpas e fazer o que mais seja necessário para endireitar as coisas? Não é isso que significa ser cristão?

Respostas sugestivas para as perguntas:

Pergunta 1: Porque Ele nos ama e não quer nos ver perecer.
Pergunta 2: Pelo poder do Espírito Santo.
Pergunta 3: Humildade, mansidão, longanimidade, tolerância.
Pergunta 4: Acolhendo-os, suportando-os, até que cresçam na fé.
Pergunta 5: Existe um intervalo entre a semeadura e a colheita, que requer extrema paciência.
Pergunta 6: A paciência de Deus tem limite: a indisposição do ser humano para receber o dom da salvação.
Pergunta 7: Rebelião, endurecimento, falta de atendimento.
Pergunta 8: Resposta pessoal.


Complemento ao estudo

Resumo do estudo

Texto-chave: Tiago 1:2-5

DEVEMOS ...
                  Saber:     Aceitar a realidade de que o exercício da paciência poder ser difícil.
                  Sentir:     Desejar fervorosamente desenvolver a paciência.
                  Fazer:     Praticar a paciência em situações de provas e dificuldades.

ESBOÇO DO APRENDIZADO

I. Saber: Aprendendo a paciência

O texto-chave reúne os dons do Espírito: alegria e paciência.
1. Como sabemos que precisamos ter paciência? Por que achamos difícil mostrá-la? Em que situações é mais difícil exercê-la?
2. Peça aos membros da classe que rememorem situações em que foram impacientes. Como acham que as situações poderiam ter sido evitadas?
3. Onde entra a alegria em situações que exigem paciência?

II. Sentir: A necessidade de desenvolver a paciência

O desenvolvimento da paciência, como todos os dons do Espírito, pede o exercício do poder de escolha. Como podemos lidar com os fracassos em mostrar paciência?

III. Fazer: Praticando a paciência em meio ao conflito

A. Tendo em conta que, frequentemente, o conflito é parte inevitável da vida, como podemos nos preparar mais eficazmente para ele?
B. Tiago diz que devemos “saber” ou entender, que a perseverança na provação de nossa fé leva à paciência e maturidade espiritual. Como podemos responder à provação de modo que nos ajude a evitar a impaciência? A preocupação com o próprio eu está na raiz da impaciência.

Resumo: Frequentemente, o desenvolvimento da paciência é difícil. A contemplação da paciência de Deus para conosco pode ajudar. A compreensão de que o egoísmo é um grande empecilho ao crescimento nos leva a buscar a graça de Deus para o amadurecimento espiritual.

Ciclo do aprendizado

Motivação:

Conceito-chave para o crescimento espiritual: A paciência é uma característica divina que tolera as fraquezas. Dá oportunidade de aprender, crescer e voltar a Deus.

“Todos os que neste mundo prestam verdadeiro serviço a Deus e ao homem recebem um preparo prévio na escola das aflições. Quanto mais pesado for o encargo e mais elevado o serviço, maior será a prova e mais severa a disciplina” (Educação, p. 151).

Pense nisto: Requer paciência, cuidado e muito tempo para executar um trabalho de qualidade. Deus pôs todas essas coisas em Seu trabalho conosco. Um artigo produzido manualmente com habilidade geralmente é muito valorizado. Por quê? Como Deus avalia o trabalho de Suas mãos? Como Seus longos esforços para conosco nos dá a paciência necessária para trabalhar longa e cuidadosamente com os outros?

Compreensão

Somos peregrinos em uma jornada rumo ao Céu. Uma parte importante de nossa caminhada espiritual é a paciência. -- Que é paciência? Como a paciência está relacionada com o caráter de Deus? Por que ela é tão importante para a experiência e o crescimento espiritual?

Comentário bíblico:

Em Gálatas 5:16-26, o apóstolo Paulo apresenta a vida cristã como uma guerra entre a vida na carne e a vida no Espírito. Depois de advertir os cristãos a renunciar às obras da carne, o apóstolo os admoesta a viver para produzir o “fruto do Espírito”. A produção de fruto é uma parte essencial da experiência de salvação e crescimento espiritual. Depois de descrever três aspectos desse fruto – amor, alegria e paz – o apóstolo destaca um quarto aspecto significativo: a paciência.

I. Paciência: Definição bíblica

(Releia Gl 5:22; Êx 34:6.)

O Novo Testamento usa duas palavras para paciência. A primeira, hupomone, é traduzida como paciência ou perseverança (Rm 5:3; 2Co 6:4; 2Ts 1:4). Nestes textos, paciência não significa resignação mas persistência em toda aflição que nos sobrevém na jornada espiritual. A segunda, makrothumia, longanimidade, é fruto do Espírito (Gl 5:22). A palavra, também traduzida como “paciência”, indica a característica que o cristão deve ter para com os outros, mesmo que sejam hostis, provocadores e vingativos. Sem a paciência, não podemos caminhar dignamente em nosso chamado cristão (1Co 13:4; Cl 3:12; 1Ts 5:14).

Paciência ou longanimidade é um fruto do Espírito Santo. Como virtude a ser desenvolvida em um redimido, a paciência não pode ter origem nos seres humanos. A própria natureza humana é pecaminosa (Rm 3:23) e, assim, é propensa à ira, pressa, impaciência e intolerância. Por outro lado, espera-se que uma pessoa redimida com a nova vida no Espírito tenha seu fruto: paciência.

Esta é mais que tolerância; é makrothumia – longanimidade, também traduzida por bondade, generosidade, magnanimidade, em um mundo notório pela vingança rápida e insensata. Por exemplo, 2 Coríntios 6:3-10 menciona como fruto do Espírito, tanto a “paciência” como a “longanimidade” e motiva o cristão a enfrentar as probantes aflições e obstáculos irritantes da vida. Longanimidade é voltar a outra face (Mt 5:39). É paciência com propósito redentivo. É estar vestido do Espírito, dado ao cristão para estabelecer um novo modo de conduta moral (Cl 3:12-17).

Pense nisto: A maior parte das religiões considera que a paciência é uma característica de fragilidade, mas a Bíblia apresenta a paciência como uma virtude. Comente as duas posições.

II. Paciência: o caráter de Deus

(Releia Êx 34:6.)

Em uma das autorrevelações mais impressionantes e íntimas de Deus, Ele Se revela como “compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade” (Êx 34:6). Se Sua misericórdia e graça buscam nos salvar, se Sua bondade e verdade nos firmam no caminho da justiça, é Sua longanimidade que nos habilita a caminhar o longo e estreito caminho, colocar nossa confiança naquele que, mesmo quando caímos, nos deu o “Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1Jo 2:1). A paciência de Deus capacita a perseverança dos santos.

Pense nisto: Deus é santo, justo e íntegro. Ele também é amoroso, gracioso e longânimo. Como esses dois conjuntos de características se complementam?

III. Paciência: O mandado do Espírito para o cristão

(Releia Rm 15:5; 1Tm 6:11, 12; Tg 1:2-4.)

A experiência e o crescimento cristãos determinam que nossa conduta reflita o caráter de Deus. Por esta razão, Paulo ora para que “o Deus da paciência” nos conceda “o mesmo sentir de uns para com os outros” (Rm 15:5). Esse mandamento de ser pacientes deve refletir o Deus da paciência, sem limite nem fronteira (Rm 5:5; Tg 1:2-4; 1Tm 6:11, 12).

Assim, o “homem de Deus” é chamado a “buscar” a perseverança, juntamente com “a justiça, a piedade, a fé, o amor” a fim de combater o bom combate da fé que leva à vida eterna (1Tm 6:11, 12). Sem o perseverante efeito da paciência, dificilmente o crescimento e a maturidade cristãos conseguem alcançar sua gloriosa consumação (Tg 1:3, 4).

Pense nisto: O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade. Em que sentido a última pode ser ligada aos primeiros três?

Aplicação

Embora Davi tenha sido ungido para se tornar rei, ele teve que esperar muitos anos e viver de forma perigosa, rude e difícil antes de ser capaz de tomar o trono (1Sm 16–24). Ele aprendeu a depender completamente de Deus para conforto e apoio. Frequentemente, ele não fazia um movimento antes de buscar o conselho de Deus. Mas esses longos anos de dependência de Deus para todas as necessidades ensinaram a Davi as lições de que ele precisava para ser um rei bondoso e temente a Deus. “Foi mediante o preparo na escola das dificuldades e tristezas que Davi se habilitou a declarar que ‘julgava e fazia justiça a todo o seu povo’” (2Sm 8:15; Educação, p. 152).

Pense nisto: Que experiências que você teve lhe ensinaram paciência? Como podem ser úteis em seu futuro serviço a Deus?

Aplicação à vida diária

Onde entra em cena o limite da paciência? Qual é a diferença entre tolerância e paciência? Alguns dilemas na educação dos filhos tratam de questões sobre quanto tempo devemos ser pacientes com os filhos que estão aprendendo lições e quando devemos deixar que colham as consequências ou usar firmeza no amor. Situações semelhantes ocorrem no mundo adulto, em que um amigo ou membro da família faz más escolhas e precisamos estabelecer limites em um ou outro ponto. Que princípios entram em jogo nessas situações?

Criatividade

Pense em como podemos aprender do caráter de Deus e transferir os pensamentos e sentimentos de frustração, que levam à perda de paciência, à dependência de Deus para ajustar a atitude.

Atividade final: (Se posível faça com a sua família) Volte aos textos e promessas relativos à paciência. Em um gesto simbólico para reivindicar essas promessas, peça que os membros da sua família coloquem as mãos nos textos e promessas da Bíblia enquanto alguém ora pelo cumprimento dessas promessas na semana que entra.