Paz

VERSO Central : “Deixo-lhes a paz; a Minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo” (João 14:27).

Leituras para esta semana: Mt 8:23-27; 11:28, 29; Rm 5:1-11; 12:9-21; Hb 12:14; Cl 3:13-15

I - Introdução:

Paulo, o campeão da paz, escreveu: “Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Ef 4:3). A palavra grega traduzida por “façam todo o esforço” é um verbo no imperativo, excluindo qualquer passividade, qualquer atitude “esperar para ver”. Devemos ser proativos. Se brigamos em casa, se nos dividimos em facções na igreja, se nos recusamos a amar e honrar os outros, este é um indício de que negamos a paz de Deus em Jesus Cristo, que Ele estabeleceu na cruz.

Como é estranho que tenhamos que lutar pela paz! Eleanor Roosevelt, em um programa radiofônico da Voz da América, disse: “Não é suficiente falar sobre a paz; precisamos crer nela. Não é suficiente crer nela; precisamos trabalhar por ela”. A paz que Cristo obteve para nós também requer esforço, trabalho árduo e constante exame próprio.

Ao fazermos nosso estudo, nesta semana, devemos perguntar a nós mesmos: Tenho me valido da paz que Jesus obteve para mim na cruz? Como posso cooperar com o Espírito Santo na tarefa de imprimir essa paz em minha vida?

II - Paz com Deus (Rm 5:1)

“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5:1).

Ter paz com Deus é mais que sentir-se à vontade em Sua presença. Significa que nós, que no passado éramos “separados de Deus e... inimigos por causa do [nosso] mau procedimento” (Cl 1:21), fomos reconciliados e restaurados à comunhão com Deus. No passado, estávamos em guerra contra Deus, mas, por Sua morte na cruz, Jesus tornou possível cessar as hostilidades e ser amigos de Deus, e não Seus inimigos.

Em certo sentido, essa paz não é algo em que crescemos, como se começássemos só com um pouquinho de paz. Ao contrário, somos reconciliados com Deus, de uma vez por todas, pela cruz de Cristo. É um fato consumado. Mas existe outro sentido em que crescemos na paz com Deus. Quanto mais claramente vemos os caminhos de Deus e andamos com Ele, mais nos apropriamos de Seu poder para viver como Seus filhos e filhas. Neste sentido, a paz com Deus é realmente um fruto do Espírito. Ao crescermos para a maturidade como filhos de Deus, experimentamos cada vez mais as bênçãos e benefícios de viver em Seu reino até que possamos dizer: “Grande paz têm os que amam a Tua lei; para eles não há tropeço” (Sl 119:165).

Colossenses 1:20-22 revela que não foi o pecado que fez com que Deus fosse misericordioso e perdoador; ao contrário, revelou que Ele era assim desde a eternidade. O plano de salvação demonstrou que, desde o início, Deus nos amava e estava disposto a perdoar.

1. Qual é a relação entre a justificação pela fé e a paz? Como é possível ter paz sob tribulações? Rm 5:1-11

Pense mais nessa ideia de que só pelo que Jesus fez, por causa de Sua vida perfeita atribuída a você pela fé, você pode ser perdoado e aceito diante de Deus, não importando seu passado. Por que esse ensino é tão importante para conhecermos a verdadeira paz?

III - Encontrando paz – I (Mt 11:28, 29)

Em uma escala de 1 a 10 (1 é muito pacífica, 10 é muito ansiosa), que nota você daria à sua vida? As pessoas estão cada vez mais frustradas na busca da paz pessoal. Em Mateus 11:28, 29, Jesus faz um convite. Embora não use a palavra paz, Ele usa uma palavra que significa descanso, refrigério, dar descanso a si mesmo.

2. Leia os versos a seguir: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11:28, 29). O que Jesus está nos dizendo aqui? Como podemos experimentar por nós mesmos a realidade dessa promessa maravilhosa?

Pelo que Jesus está dizendo nesses versos, Ele está propondo nos dar a paz como um presente, ou quer nos mostrar como obtê-la? Jesus não está ensinando que a paz pessoal é resultado de alguma causa e nos convidando a aprender dEle qual é essa causa?

“É o amor de si mesmo que traz desassossego. ... Os que se apegam à palavra de Cristo, e se entregam à Sua guarda e a Seu dispor, encontrarão paz e sossego. Coisa alguma no mundo os pode entristecer, quando Jesus os alegra com Sua presença. Na perfeita conformidade há descanso perfeito. O Senhor diz: ‘Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em Ti; porque ele confia em Ti’” (Is 26:3; O Desejado de Todas as Nações, p. 330, 331).

IV - Encontrando paz: II (Jo 14:27)

Conta-se a história de dois pintores. Cada um pintou um quadro para ilustrar seu conceito de descanso. O primeiro escolheu para sua cena um lago sereno, calmo entre as montanhas ao longe. O segundo pintou um cachoeira trovejante com uma frágil árvore curvada sobre a espuma; na forquilha de um galho, quase molhado pelos respingos da catarata, um pequeno pássaro sobre o ninho.

Quem retratou melhor a essência do descanso? Não é frequentemente neste mundo de tumulto que achamos o descanso de um lago solitário nas montanhas. Com mais frequência, encontramos descanso em meio ao tumulto da vida real.

3. Leia um exemplo de paz em meio ao tumulto. Mt 8:23-27. Como é possível dormir numa situação dessas? Qual era o segredo de Jesus? (Veja também Mc 4:35-41; Lc 8:22-25.)

Por que Jesus Se preocupou para que Seus discípulos tivessem paz? Jesus nos deixou uma bela promessa sobre a paz: “Deixo-vos a paz, a Minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo” (Jo 14:27). Como a paz que o mundo está tentando dar contrasta com a paz que Jesus oferece?

Uma coisa não devemos fazer: comparar a paz com uma vida sem problemas. É raro haver alguém, até mesmo o cristão mais fiel, que passa pela vida sem provas, dor e sofrimento. Realmente, parece que alguns têm mais que seu quinhão de sofrimentos. Mas a paz tem mais que ver com a maneira de enfrentarmos essas situações do que com as situações em si. A paz tem que ver com a confiança mais profunda em um Deus amoroso e atencioso que sabe o que estamos passando e que prometeu não nos abandonar, não importa o que aconteça.

Com que coisas você fica mais chateado? Fale com Deus sobre seus temores mais profundos. Chame-os pelo nome. Peça que o Senhor o ajude a identificar seu medo. Então, tome tempo para permitir que Ele comece a falar suavemente de paz sobre esses temores.

V - Paz no lar (Hb 12:14)

“Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor” (Hb 12:14). “Façam todo o possível para viver em paz com todos”(Rm 12:18).

4. Da vida e do exemplo de Jesus, o que podemos aprender para que essas advertências se apliquem à nossa vida? Existe em nossa vida alguma coisa que torna difícil, se não impossível, atender a essas advertências?

Por mais estranho que pareça, o lugar mais difícil de ser cristão é em casa. Que tragédia, pois o lar deveria ser o lugar em todo o mundo em que todos deveríamos ter paz!

Dois jovens soldados estavam em uma batalha no tempo da Guerra do Vietnã. As balas estavam zunindo, e as bombas explodiam perto deles. Tudo isso parecia não perturbar um dos soldados. Quando o amigo lhe perguntou como ele podia ficar tão tranquilo, ele respondeu que aquilo o fazia lembrar-se de casa!

5. Que recomendações de Paulo, se cumpridas, podem ajudar a trazer a paz ao lar? Rm 12:9-21. Faça uma aplicação prática desses conselhos.

Como cristãos, somos chamados a seguir um padrão incrivelmente elevado, aquele apresentado pelo próprio Jesus. Todos nós ficamos aquém dessa meta. Mesmo assim, não significa que não podemos ainda refletir os princípios revelados na vida de Jesus, princípios de amor, abnegação e atitude inflexível em relação com o mal e o pecado.

Imagine como seriam nossos lares se, realmente, refletíssemos esses princípios! Imagine como seria se aprendêssemos a pensar nos outros antes de nós mesmos; imagine se mostrássemos amor incondicional aos outros, mesmo quando não merecessem. Imagine se perdoássemos aqueles que nos ofendem. Imagine se tivéssemos tanta preocupação com o bem-estar dos outros como temos com nós mesmos. Embora o cumprimento desses princípios não resolvesse todos os nossos problemas familiares, sem dúvida, ajudariam muito!

VI - Paz na igreja (Mt 5:23, 24)

“Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta” (Mt 5:23, 24).

6. Que princípio básico Jesus ensinou com as palavras acima? Por que é tão difícil cumprir esse princípio em nossa vida?

É evidente que Jesus leva mais a sério nossas relações mútuas do que nós. Não é difícil que, por anos, exista amargura e ressentimento entre os membros de uma igreja. Imagine como seriam diferentes as coisas se todos seguíssemos esse ensino.

7. Qual é uma das características dos filhos de Deus? Mt 5:9. O que significa ser “pacificador”?

8. De acordo com Colossenses 3:13-15, de que três maneiras devemos nos relacionar com os outros membros da igreja? Que significam essas recomendações?

Note o fluxo das graças cristãs em Tiago 3:17: “A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento”. Como seriam as igrejas se permitíssemos que o Espírito Santo alimentasse essas qualidades em nossa comunhão? Que coisas estariam notoriamente ausentes?

Pense na última vez em que você teve problemas com outro membro da igreja. Você seguiu as palavras de Cristo em Mateus 5? O mais provável é que você não tenha seguido (certo?). Analise seus motivos para escolher o “caminho fácil”, mundano e não o caminho que teria exigido humildade e abnegação. Como você pode fazer o que Jesus nos recomenda nessas situações?

VII - Estudo adicional

Leia Sl 4:3; 119:165; Is 26:3; Rm 8:6; Fp 4:7.

“Pouco tempo antes de Sua crucifixão, Cristo havia garantido aos discípulos um legado de paz. ‘Deixo-vos a paz’, disse Ele, ‘a Minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize’ (Jo 14:27). Essa paz não é a que se obtém mediante a conformação com o mundo. Cristo jamais comprou a paz condescendendo com o mal. A paz que Cristo deixou a Seus discípulos é antes interna que externa, e deve sempre permanecer com Suas testemunhas nas lutas e contendas” (Atos dos Apóstolos, p. 84). “A luta pela supremacia revela um espírito que, se acariciado, finalmente afastará do reino do Céu aqueles que o alimentarem. A paz de Cristo não pode habitar na mente e no coração de um obreiro que critica e encontra faltas no outro obreiro, simplesmente porque o outro não pratica os métodos que ele considera melhores, ou porque julga que não está sendo apreciado. O Senhor nunca abençoa aquele que critica e acusa seus irmãos, pois esta é a obra de Satanás” (Evangelismo, p. 102). Perguntas para consideração

1. Quando surgem tensões e discordâncias inevitáveis, como você pode trabalhar em sua igreja para ajudar a manter a paz entre os membros?
2. Que situações comuns em nossa vida diária ameaçam nossa paz? A que promessas da Bíblia podemos apelar quando surgem essas situações?
3. Evidentemente, é sempre fácil falar em confiar no Senhor em qualquer circunstância, e dessa confiança obter paz. E isso é verdade. Ao mesmo tempo, que passos concretos e práticos podemos dar para mudar as circunstâncias que tornam mais difícil a paz? Em outras palavras, com que frequência nossas inquietações e temores poderiam ser resultado das escolhas que fazemos?

Respostas sugestivas para as perguntas:

Pergunta 1: Sendo justificados diante de Deus, cessa a inimizade que antes tínhamos com Ele, e a paz se restabelece mediante a intercessão de Jesus Cristo. Nossas tribulações são exteriores, enquanto a paz é intera: mental, emocional e espiritual.
Pergunta 2: A paz é um dom de Deus aos que O recebem como Salvador e Senhor.
Pergunta 3: Tendo paz com Deus, não importa o que experimentemos, mesmo em caso de vida ou morte, estamos bem porque nossa vida está garantida em Jesus Cristo.
Pergunta 4: A Regra Áurea seria o melhor exemplo da busca da paz com todos. Jesus foi injuriado, espancado, cuspido, mas não abriu a Sua boca.
Pergunta 5: “Amai-vos uns aos outros”; Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer, e assim por diante.
Pergunta 6: Nosso primeiro dever diante daqueles com quem temos diferenças é procurá-los e buscar a paz.
Pergunta 7: Pacificadores. Buscar acalmar as tensões e fazer cessar os conflitos.
Pergunta 8: Suportar-nos, perdoar-nos e amar-nos uns aos outros.


Complemento ao estudo

Resumo do estudo

Texto-chave: Filipenses 4:7

DEVEMOS ...
                  Saber:     Ter a confiança de que a paz de Deus mantém e guarda nosso coração e mente.
                  Sentir:     A paz que vem só de Deus.
                  Fazer:     Demonstrar paz nas relações e situações difíceis.

ESBOÇO DO APRENDIZADO

I. Conhecer: A paz de Deus em Cristo

A. A paz que vem de Deus é encontrada na comunhão com Jesus, não no isolamento de Deus. Qual é a relação entre tomar sobre nós Seu jugo e ter paz com Deus?
B. Jesus nos convida a aprender dEle. Qual é a relação entre conhecer sobre Jesus e desfrutar Sua paz?
C. Como a paz em nós pode criar paz nos outros?
D. O texto-chave diz que a paz de Deus nos guarda. Como podemos entender o que significa ser guardado pela paz?

II. Sentir: Paz com Deus

A. Jesus nos deu a paz como uma herança para hoje. Como podemos tomar posse dela em nossas situações de conflito e provocação?

III. Fazer: Fazendo paz

A. Fazer a paz tem muitas dimensões. Como podemos fazer paz com Deus? Uns com os outros? Em nosso coração?
B. Por que a existência da paz em nossa vida é condição essencial para que isso também aconteça na vida de outras pessoas?
C. Como você descreveria a falta de paz na vida de uma pessoa?

Resumo: Somos guardados e desfrutamos a paz unicamente mediante a comunhão com Jesus. A paz deve existir primeiro em nosso coração, antes de podermos criar a paz nas pessoas de nossos relacionamentos.

Ciclo do aprendizado

Motivação:

Conceito-chave para o crescimento espiritual: Quando estivermos em paz com Deus – o que se tornou possível por Seu sacrifício, e trouxe nossa reconciliação com Ele – estaremos em paz com nós mesmos e com os que nos cercam. Embora não sejamos por natureza pacíficos, Deus nos deu a disposição de nos tornar pacificadores.

Alguns anos atrás, um dos mais antigos “vídeos virais”, que hoje são onipresentes na internet, mostrou dois motoristas em posição de ataque no pátio de um estacionamento. Depois de uma série de manobras dignas das maiores corridas de demolição, o motorista derrotado, esgotado, fugiu, com as rodas guinchando. O quadro final do vídeo mostrava o parachoque traseiro ostentando um adesivo que dizia: “a guerra não é a resposta”.

Embora, obviamente, seja um exagero, esse vídeo revela um fato desagradável. Todos queremos a paz, mas somos incapazes de alcançá-la, mesmo em nossas reações mais básicas no mundo ao nosso redor.

Não estamos em paz com nós mesmos nem com os outros porque não estamos em paz com Deus. As boas-novas (ou evangelho) são que, nos últimos dois mil anos, Deus esteve em paz conosco. Tudo o que precisamos fazer é reconhecer isso. Assim, podemos ser os pacificadores que Deus quer que sejamos, espalhando Sua mensagem de reconciliação mediante nossas palavras e exemplo.

O que significa estar em paz? Como Deus nos dá a paz? Por que temos que trabalhar para ser pacíficos? A paz é o resultado natural de estar reconciliado com Deus ou é necessária alguma coisa mais?

Compreensão

Seja dentro de nós mesmos, seja em nossas relações com os outros, o que buscamos é descrito mais corretamente como paz. Mas a paz parece ser mais difícil de alcançar que outra coisa qualquer. De acordo com a Bíblia, o que está na raiz de deixarmos de estar em paz?

Comentário bíblico

I. Paz no Antigo Testamento

(Releia Is 26:2-4; Ez 37:26; Dt 28.)

No Antigo Testamento, em quase todas as suas manifestações, a palavra paz é traduzida de shalom. Esta pode se referir à paz na vida pessoal, nas relações dentro da sociedade e entre povos e nações e no relacionamento ideal com Deus. A paz era considerada necessária para a saúde e segurança individual e coletiva, bem como à prosperidade econômica, as quais eram consideradas resultado de um relacionamento correto com Deus.

Um exemplo disso pode ser visto em Deuteronômio 28, onde as bênçãos da obediência eram bênçãos essencialmente de paz, enquanto as maldições da desobediência envolviam guerra, rompimento da ordem pessoal, natural, social e caos.

A palavra shalom, e também seus cognatos em outros idiomas semitas da região, também implicava inteireza ou plenitude. Isso a ligava também à saúde, ou, literalmente, “salubridade”. Estar em paz significava estar em harmonia consigo mesmo, com os outros e com o ambiente. Por exemplo, em sentido literal, de ausência de guerra, paz significava que a pessoa tinha que estar em “acordo” com seu oponente potencial. A inteireza ou paz corporal significava que o corpo estava “inteiro”, que todas as partes trabalhavam juntas para garantir uma condição favorável de saúde e funcionamento.

O fato doloroso é que o povo do Antigo Testamento idealizava a paz e inteireza enquanto só a alcançava rara e transitoriamente. Entre outras coisas, a história de Adão e Eva em Gênesis pode ser considerada uma explicação dos motivos por que a paz era tão escassa e passageira. Naturalmente, era porque o estado original de inteireza e unidade que Deus pretendia para Sua criação foi interrompido pelo primeiro ato de desobediência.

Pense nisto: A ideia de paz está no centro das promessas do Antigo Testamento. Como essas promessas se cumpriram no Novo?

II. Paz no Novo Testamento

(Releia Rm 5:1-11; 12:18.)

A palavra grega para paz usada pelo Novo Testamento (e pelo Antigo Testamento grego, a Septuaginta) é eirene. Por ser uma palavra grega comum, tinha um significado muito mais limitado que a hebraica shalom, referindo-se apenas à ausência ou cessação literal da guerra ou hostilidade. Mas, na Septuaginta e no Novo Testamento, era usada com os mesmos sentidos da palavra hebraica.

Como no Antigo Testamento, a paz era considerada condição prévia de todas as boas coisas; assim, vemos Jesus seguindo o costume universal do tempo e lugar ao saudar discípulos, seguidores e outros com desejos de paz (Mc 5:34; Lc 7:50; Jo 20:19-21). Muitas das epístolas de Paulo e outras do Novo Testamento também começam com desejos de paz aos leitores ou ouvintes.

O Novo Testamento deixa explícito o que só está implícito no Antigo Testamento. O Antigo Testamento reconhece claramente que a presença de paz é sinal da presença de Deus (Nm 6:26, por exemplo). O Novo Testamento vai além e reconhece que a falta de paz, típica da experiência humana, é sinal de que a humanidade está literalmente em hostilidade ou guerra contra Deus, de onde se origina toda falta de paz. Vendo que a humanidade não está de maneira nenhuma pronta para tomar a iniciativa, Deus fez o primeiro movimento enviando Seu Filho (Rm 5:1-11). Fazendo paz conosco, Deus nos torna pacíficos e também pacificadores (Rm 12:18). (Adaptado de “Peace in the OT”, “Peace in the NT”, The Interpreter’s Dictionary of the Bible [Nashville: Abingdon Press, 1962], v. 3, p. 704-707).

Pense nisto: Como o Novo Testamento expande e aprofunda o ideal de paz também encontrado no Antigo Testamento? (Veja Mt 5:43, 44.)

Aplicação

Perguntas para reflexão

1. Em João 14:27, Jesus diz que a paz que Ele deixa conosco é diferente do que o mundo chama de paz. Em que aspectos é diferente? Por que a paz concedida por Jesus é mais duradoura? Por que a paz concedida por Deus é mais que a ausência de discussão ou conflito?
2. O que significa o fato de que Jesus nos chama para ser pacificadores (Mt 5:9), levando em conta que a paz permanente quase certamente nunca será atingida deste lado do milênio? Como e com quem devemos fazer paz?
3. Como reconciliar essa missão de ser pacificadores com o que Jesus (Mt 10:34) disse especificamente de Si mesmo e de Sua mensagem, que não só seriam causa de conflito, divisão e discussão mas que essa era Sua intenção (por exemplo, Ele disse que não veio trazer paz, mas espada)? Que noção de paz Jesus espera perturbar, e como é diferente da paz que Ele espera nos dar?

Perguntas de aplicação

1. Filipenses 4:7 se refere à “paz de Deus, que excede todo o entendimento” que resulta de aceitarmos Cristo. Mas todos conhecemos pessoas que aceitaram Cristo mas não têm a certeza da salvação. Provavelmente, nós mesmos nos sentimos assim, pelo menos de vez em quando. Como você ajudaria essa pessoa a obter a certeza que traz essa paz?
2. Embora nos seja dito que devemos fazer “todo o possível para viver em paz com todos” (Rm 12:18) como reflexo da paz com Deus e que nos é dada por Ele, existem claramente situações em que não é possível estar em paz, ou pelo menos evitar o confronto com outras pessoas. Sob quais circunstâncias o cristão deve entrar em confronto, e como podemos confrontar e ainda assim continuar sendo pacíficos?

Criatividade

Como outros aspectos da vida cristã, o dom da paz é algo que existe dentro de nós; mas, se existir só dentro de nós, será irrelevante. A atividade a seguir pretende lhe dar um meio prático de espalhar a paz e reconciliação em seu círculo imediato de amigos, conhecidos, colegas de trabalho, familiares, membros da igreja, etc.

1. Alguém, em algum lugar, disse: “A paz começa com você”, e é verdade. Embora a atitude pacífica não é garantia de que nosso ambiente externo seja pacífico, a falta dessa atitude certamente garante que isso não acontecerá.

2. Pense em algumas maneiras de facilitar a obtenção da paz que Deus tem para nós. Essas podem incluir técnicas proativas (começar o dia de certa maneira, por exemplo), maneiras de lidar com as pessoas ou situações que pressionam na direção contrária à natureza e às nossas inclinações, escolhas de música ou literatura, e assim por diante. --- Agora tente por em prática no seu dia a dia , o que você pensou.