Amor

Verso Central : “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor” (1 Coríntios 13:13).

Leituras para esta semana: Dt 6:5; Mt 5:43-48; Mt 7:12; 22:39; Lc 10:25-37; 1Co 13:4-7

I - Introdução:

Não é por acaso que a lista de Paulo sobre as características que identificam o fruto do Espírito começa com o amor. O amor é a virtude suprema para os cristãos porque é a que melhor descreve o caráter de Deus. Foi o amor que motivou Deus a nos criar, nos sustentar, tornar-Se conhecido a nós e nos dar Seu Filho a fim de nos redimir.

João diz isso clara e simplesmente – “Deus é amor” (1Jo 4:16). O amor é uma característica tão central de Seu caráter, que deve também ser o centro de nosso caráter. “Aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele” (v. 16).

Infelizmente, a palavra amor é hoje aplicada a muitas coisas. Dizemos frequentemente que amamos o tempo, amamos nossa comida favorita, amamos nosso cachorro. Mas esses tipos de amor não passam pelo teste do verdadeiro amor divino (veja 1 Coríntios 13). É algo totalmente diferente, que afeta toda a nossa existência, nosso estilo de vida, nosso modo de nos relacionar com os outros. Os ingredientes do amor são um todo, não uma lista da qual podemos escolher o que mais nos atrai enquanto desconsideramos o restante. Como veremos nesta semana, o amor verdadeiro não é assim.

II - O amor é multidimensional (Dt 6:5)

“Respondeu Jesus: “Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento” (Mt 22:37-39; veja também Dt 6:5).

Como em todos os trabalhos escritos, as traduções da Bíblia escolhem diferentes palavras para expressar a mesma coisa. Por exemplo, na primeira bem-aventurança, encontramos as expressões “humildes de espírito” (RA), “pobres de espírito” (RC) e “pobres em espírito” (NVI). E todas essas traduções estão corretas. Então, é útil recorrer ao idioma original para definir os significados da palavra, a fim de estudar o fruto do Espírito. Em Deuteronômio 6:5, a palavra hebraica amor é ahab, que tem uma variação de significados semelhante à palavra amor em português, desde o infinito amor de Deus por Seu povo aos desejos dos seres pecaminosos. Os homens podem amar o mal (Sl 52:3), mas também podem amar o bem (Am 5:15). Em cada caso, o contexto determina que aspecto do amor é destacado. Em Deuteronômio 6:5, o amor de que Jesus fala com relação ao maior mandamento é a mais nobre e mais elevada forma de amor abnegado que cada pessoa deve ter para com Deus e os outros (veja Lc 10:25-37).

O povo judeu já sabia que o mandamento número um era amar a Deus com todo o coração, alma, mente e, como Marcos acrescenta, força (veja Mc 12:30). Ao apontar para todos esses quatro aspectos do ser humano, Jesus simplesmente reúne tudo o que a pessoa é. Ele está dizendo: "Você precisa amar a Deus com todo o seu ser.” Sua intenção não é separar o sentido individual de cada palavra; no entanto, pode-se ganhar muito estudando esses quatro aspectos.

1. Qual é a primeira lição importante dos evangelhos sobre o amor? Mt 7:12; 22:39

Amar o próximo como a si mesmo significa amar todas as pessoas com todo o coração. O amor mencionado nesse “segundo mandamento” é o mesmo do “primeiro mandamento”. É o amor em ação, envolvendo a vontade e a intenção. Pois amar o próximo como a si mesmo significa cuidar da outra pessoa assim como você cuidaria de si mesmo.

É fácil falar de amar os outros como a si mesmo; o que não é fácil é fazer isso. Como você está nessa área? Como você pode aprender as difíceis lições de morrer para o eu a fim de ministrar às necessidades dos outros?

III - O que o amor faz (1Co 13:4-8)

“O amor é paciente, o amor é bondoso; ... não guarda rancor... [mas] se alegra com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca perece” (1Co 13:4-8).

O amor definido é o primeiro passo; o amor aplicado é o seguinte. Devemos ser cuidadosos para não dizer impensadamente que amamos; ao contrário, precisamos analisar cuidadosamente nossa maneira de viver e de aplicar os princípios do amor como são expressos na Bíblia.

2. Examine cada aspecto individual do que é o amor e pergunte: Como posso aplicar esses princípios em meu lar? 1Co 13:4-8

Pense por um momento como seriam nossos lares se, pela graça de Deus, praticássemos constantemente as qualidades do verdadeiro amor. Imagine a bênção de viver em um ambiente em que os membros da família fossem positivos e se apoiassem mutuamente. Talvez você não consiga que os outros façam isso, mas, se aplicar esses princípios, verá que efeito poderoso eles têm sobre os outros. Você não pode argumentar contra o amor; ele é a força mais poderosa de toda a criação. As pessoas podem argumentar contra sua teologia, seu estilo de vida, suas convicções, sua fé – tudo. Mas que argumento podem usar contra o amor incondicional, o tipo de amor revelado ao mundo em Jesus, o tipo de amor que podemos, por Sua graça, manifestar aos outros?

IV - O que o amor não faz

Volte a 1 Coríntios 13:4-8, mas, desta vez, sob uma perspectiva diferente. Veja o que o amor não faz. Embora sejam declarados no negativo, na realidade, são realmente outras características positivas do amor.

3. Repasse cada um dos “negativos” de 1 Coríntios 13:4-8 e escreva os atributos positivos encontrados. Pergunte a si mesmo como você está manifestando esses aspectos do amor e como pode fazer melhor.
a. Não inveja
b. Não se vangloria
c. Não se orgulha
d. Não maltrata
e. Não procura seus interesses
f. Não se ira facilmente
g. Não guarda rancor
h. Não se alegra com a injustiça


Quando contemplamos o significado do amor, detalhado no capítulo do amor (1 Coríntios 13), podemos apreciar o caráter de nosso Pai celestial, que é a personificação do amor. Também podemos ver que a palavra amor, como é usada na cultura popular, fica muito longe da compreensão correta do amor de Deus.

V - O teste do amor (Mt 5:43-48)

4. Em que o conselho de Jesus é superior à atitude de Seus contemporâneos? Qual foi Seu argumento para essa nova posição? Mt 5:43-48

Se devemos amar os inimigos, seria melhor descobrirmos exatamente quem são eles. Se inimiga é só a pessoa que ameaça nossa vida, podemos pensar que esse texto não se aplica a nós, considerando que provavelmente não tivemos a vida ameaçada ultimamente.

Mas, por definição, inimigo é um oponente, rival, concorrente, desafiante, contendor. Inimigo é quem nos odeia ou nos maltrata. Pode até ser um cônjuge ou outro membro da família. Pode haver ocasiões em que um membro da família não seja muito amoroso. Ele pode até procurar meios de nos irritar. Quando isso acontece, é fácil ser apanhado pela armadilha da vingança e mesquinhez.

Às vezes, podemos passar por conflitos no trabalho, e aqueles com quem trabalhamos lado a lado ao longo dos anos podem começar a nos considerar oponentes. Inimigo pode ser alguém por quem tivemos grande consideração por um bom tempo, ou pode até ser alguém em nossa igreja.

Precisamos perceber que o inimigo a quem Jesus Se referiu não está limitado a alguém que ameaça nossa vida, mas é qualquer pessoa que provoca aflição suficiente para nos tentar à vingança.

5. Que outros conselhos encontramos a respeito da necessidade de expressar amor? Pv 15:1; 25:21; 1Pe 3:9

Amar os inimigos? Muitos já se esforçam o suficiente para mostrar amor pelos amigos, que dirá pelos inimigos! Como podemos aprender a seguir o exemplo de Jesus? Como nosso coração pode ser transformado a fim de amarmos os inimigos? Como a oração por eles pode desempenhar um grande papel em nos ajudar a alcançar esse ideal cristão?

VI -Amor em ação (Lc 10:25-37)

O professor de um seminário deu início à sua classe de homilética por um modo incomum. Ele escalou cada um de seus alunos a preparar um sermão sobre a história do bom samaritano. Um por um, eles deviam ir de sala em sala, pregando amor e compaixão pelos outros. Só havia uma pequeno intervalo entre as aulas, o que forçava os candidatos a pregadores a se apressar a fim de cumprir o horário. Cada um dos candidatos a pastor precisava caminhar ao longo de um corredor e passar por um mendigo que fora deliberadamente colocado lá pelo professor.

O que aconteceu foi uma lição poderosa! O número de candidatos a pregadores que parou para ajudar esse homem foi extremamente baixo, especialmente daqueles que estavam sob a pressão do tempo. Apressando-se para pregar o sermão sobre o bom samaritano, quase todos passaram direto pelo mendigo que se postava no coração da parábola!

Na tópico anterior (V), falamos sobre a questão: Quem é meu inimigo? Agora, a pergunta é: Quem é meu próximo?

6. Que resposta Jesus deu? Como essa parábola está relacionada com toda a questão do que é o amor verdadeiro? Por que Jesus colocou especificamente pessoas religiosas, e até líderes religiosos, no papel dos “sujeitos maus”? Lc 10:25-37

Considere estas palavras: “Tive fome, e vocês formaram um clube humanitário para discutir o problema. Fui preso, mas vocês reclamaram da taxa de criminalidade. Estava nu, e vocês debateram sobre a moralidade de Minha aparência. Estive doente, e vocês agradeceram a Deus por sua saúde. Estive sem teto, e vocês pregaram para Mim sobre o abrigo do amor de Deus. Vocês parecem tão santos e tão perto de Deus; mas ainda estou com fome, solitário, com frio e em dor. Isso tem importância?"

Seja honesto. Que mudanças de estilo de vida você deve fazer a fim de se tornar um bom samaritano para os outros? Quem você conhece agora mesmo que, neste momento, está ao lado da estrada no mundo de dor? Quanta morte para o eu é necessária para você tratar essas pessoas como “próximas”?

VII - Estudo adicional

O cientista Arthur Zajonc encheu uma caixa com luz. Mas fez isso de tal maneira que nenhuma luz se refletisse de nenhuma superfície interna. Dentro da caixa havia luz, e só luz. Mas, se você olhasse por dentro, onde havia luz, o que você veria? Com que se parece a luz, sozinha?

Pura escuridão, a escuridão do vazio, seria isso que você veria. A menos que se reflita em alguma coisa, ou a menos que você olhe diretamente para ela, a luz é invisível.

Então, Zajonc tomou uma vara e a moveu através da escuridão da caixa. A vara, em si, no lado de que entrava a luz, estava iluminada. Parecia que uma luz estreita estava brilhando unicamente na vara, nada mais, embora a luz estivesse em todos os lugares da caixa (como se estivesse cheia de água). Só quando se refletia em alguma coisa (a vara) ela se tornava visível. De outra forma, a luz era trevas.

Na Terra, a luz solar que se derrama do céu o deixa azul, cinzento ou vermelho, dependendo do tempo e da hora do dia. Na Lua, não importa quanta luz solar se derrame, se você olhasse para cima, veria o que veria na caixa de Zajonc, puras trevas, a escuridão do espaço vazio. E isso porque a Lua não tem atmosfera, não tem ar, não tem umidade, e nenhum dos gases e fumaças que, refletindo a luz solar, a transformam na abundância de cor que reina aqui.

A lição?     A luz, a menos que seja refletida em alguma coisa, aparece como pura escuridão.

Respostas sugestivas para as perguntas:

Pergunta 1: O cumprimento da lei é o amor.
Pergunta 2: Resposta pessoal.
Pergunta 3: a. Alegra-se pelo bem-estar dos outros; b. Mantém-se modesto; c. Reconhece sua pequenez. d. É bondoso. e. É generoso. f. É paciente. g. É perdoador. h. É justo.
Pergunta 4. O amor de Deus é mais abrangente e inclusivo que o humano. Devemos imitar a perfeição divina, dentro de nossa esfera.
Pergunta 5. Fazendo o bem aos que nos desejam o mal, poderemos abrandar seus resultados e demonstraremos o amor de Deus.
Pergunta 6. Todo aquele que necessita de nosso auxílio é nosso próximo. Surpreendentemente, a maldade pode até estar disfarçada pela religião.


Complemento ao estudo

Resumo do estudo

Texto-chave: 1 Coríntios 13:7, 8

DEVEMOS ...
                  Saber:     Saber: Reconhecer que o amor vem de Deus.
                  Saber:     Sentir: Confiança no amor de Deus.
                  Saber:     Fazer: Expressar amor aos outros.

ESBOÇO DO APRENDIZADO

I. Saber: O amor de Deus vem a nós como Seu dom

A. Primeira aos Coríntios 13 afirma claramente que o amor de Deus é o maior poder do Universo:
1. Como podemos definir o amor de Deus?
2. Como o amor de Deus enche nosso coração? (Veja Rm 5:5.)
B. O amor precisa ser expresso. Quais são as evidências de que o amor está trabalhando em nossa vida em relação a:
1. Outras pessoas?
2. Para com Deus?
C. Como o amor pode envolver elementos de dor? Abnegação? Alegria? Paz? Frustração? Rejeição? Sacrifício?

II. Sentir: O amor é a base da salvação

Que razões existem para que confiemos na realidade e natureza inextinguível do amor de Deus?

III. Fazer: O amor de Deus, demonstrado em Cristo, desafia nossas relações para com Deus e outras pessoas

A. Por que não existe razão para duvidar da realidade do amor de Deus por nós, individualmente?
B. Se alguma vez sentirmos que somos tão maus que Deus não nos pode amar, qual é o remédio?
C. Que dano e perda sofremos se duvidarmos do amor de Deus?

Resumo: O amor vem de Deus. É inextinguível. Isso traz paz, confiança e liberdade à nossa vida. Quando Deus o demonstra por nosso intermédio, Ele abençoa e enriquece infinitamente outras vidas. Cristãos amorosos e amáveis são inestimáveis.

Ciclo do aprendizado

Motivação:

Conceito-chave para o crescimento espiritual: O amor é o maior dos dons espirituais porque sustenta, guia e informa os outros dons e tudo o que esperamos realizar como cristãos.

O amor não é principalmente um sentimento mas um modo consistente e disciplinado de se relacionar com o mundo.

Em 25 de junho de 1967, os Beatles lançaram “Tudo que você precisa é amor”. De acordo com seu gerente, Brian Epstein, “o melhor de tudo é que essa mensagem não pode ser mal-interpretada. É uma mensagem clara dizendo que o amor é tudo”. – “All you need is love”, http://en.wikipedia.org/wiki/All_You_Need_Is_Love.

Mas pode ser e foi mal-interpretada. Não se deve imaginar saber o que os Beatles queriam dizer – convenientemente, eles se esqueceram de definir o amor – mas o Novo Testamento é bastante claro que o amor não é principalmente uma emoção positiva, mas um modo de ser.

Quem ou o que você ama? Como você mostra isso? Por exemplo, se você ama a Deus, você se esforça para conhecer Sua vontade para sua vida e agir de acordo com ela?

Pense nisto: Se “tudo que você precisa é amor”, essas são necessariamente boas-novas para nós como seres humanos, se considerarmos que o amor é mais que apenas ter sentimentos positivos sobre algo ou alguém? Onde se pode obter amor?

Compreensão

Como 1 Coríntios 13:4-7 deixa claro, o amor é o princípio central da fé cristã. Para o pensamento moderno, o amor é um conceito nebuloso. Enfatize que Paulo queria definir claramente tanto o que é o amor como o que não é. Grande parte de sua descrição – especialmente a parte negativa, infelizmente – pode ter surgido de sua observação do comportamento dentro da comunidade cristã.

Comentário bíblico

I. Philia

(Recapitule com a classe Tt 3:4.)

O grego Koine em que Paulo escreveu tinha quatro palavras diferentes para amor. Estas eram agape, philia, eros e storge. Dessas, só agape e philia são usadas com alguma frequência no Novo Testamento. Storge, o amor necessitado de uma criança pequena por seu pai ou mãe, é usada só uma vez – na combinação da palavra philostorgos em Romanos 12:10 para descrever o amor mútuo de pais e filhos ou de marido e esposa. Eros, embora não se referira necessariamente ao amor sexual, inclui isso e aparece só duas vezes nas traduções gregas do Antigo Testamento (Pv 7:18; 30:16).

Philia é a palavra que chega mais perto do significado comumente entendido da palavra portuguesa amor. Ela se refere principalmente ao afeto sentido por alguém em relação a outra pessoa, ou possivelmente uma coisa ou ideia. A maioria sabe, por exemplo, que Filadélfia – o nome de uma cidade antiga – significa “amor fraternal” ou, mais literalmente, “afeição fraternal”.

Muitos comentaristas dirão que philia é o amor condicional, e é verdade no sentido de que o afeto provém da apreciação das qualidades de seu objeto. Mas não é condicional no sentido em que são eros ou storge, os quais incluem o uso egoísta de seu objeto para satisfazer necessidades ou lascívia.

Os escritores do Novo Testamento consideravam philia uma palavra útil e um tanto neutra moralmente, e a usaram muitas vezes para descrever tudo, desde o “amor do dinheiro” (philarguria; 1Tm 6:10) ao amor a Deus (philotheos; 2Tm 3:4).

No entanto, primeiramente, Philia era uma palavra que se referia ao sentimento. A fim de descrever o amor de Deus, mostrado no sacrifício de Jesus Cristo, o Novo Testamento precisou de uma palavra diferente, que existia, mas raramente era usada. Essa palavra foi agape.

Pense nisto: Por que o amor philia não é suficiente para descrever o amor de Deus? (Veja Mt 5:46, 47.)

II. Agape

(Recapitule com a classe 1Co 13:4-7.)

A palavra amor, usada por Paulo em 1 Coríntios 13:4-7 é agape. Embora essa palavra grega já fosse usada, seu uso era raro. Ela se referia ao amor como emoção geral, sem a particularidade e parcialidade de philia. Na tradução grega Septuaginta do Antigo Testamento, agape foi muito frequentemente usada para traduzir o hebraico ahaba, possivelmente por causa do som semelhante das palavras.

Provavelmente, agape tenha sido usada tão extensamente no Novo Testamento por dois motivos. Primeiro: os primeiros cristãos, a quem Paulo e outros autores do Novo Testamento escreveram, ou eram judeus que falavam o grego ou gentios gregos que tiraram da Septuaginta a maior parte de seu conhecimento sobre o Antigo Testamento. Segundo: a palavra agape expressa melhor a generalidade e imparcialidade do amor de Deus como se vê em Cristo.

Talvez a melhor ilustração da diferença entre philia e agape seja a conversa entre Jesus e Pedro em João 21:15-17. Em português, essa sequência é quase incompreensível. Pode parecer que Jesus estivesse Se repetindo para enfatizar ou estava duvidando da sinceridade de Pedro. Ou, possivelmente, Jesus estivesse dando a Pedro a oportunidade de afirmar por três vezes o que antes ele havia negado três vezes. Embora possa haver alguma validade nessas interpretações, é importante saber que, nas primeiras duas vezes em que Jesus perguntou a Pedro se O amava, Ele usou a palavra agapeo, e Pedro respondeu com a palavra phileo, indicando que sua devoção não era tudo o que devia ser. Imagine dizer a Deus que você gosta muito dEle. Por que Pedro se entristeceu quando Jesus lhe perguntou pela terceira vez se O amava? Porque Jesus usou intencionalmente a mesma palavra que Pedro usou: phileo, indicando que havia notado a dedicação incompleta de Pedro.

Pense nisto: Que se pode entender sobre a dedicação de Pedro no uso da palavra philia àquela altura? É possível ter alguma luz sobre seu comportamento nos eventos relacionados com a crucifixão?

Aplicação

O amor é fundamental para a vida em si, e no amor de Deus vemos o amor em sua forma perfeita.

Perguntas para reflexão:

1. Visto que o amor, como definido na Bíblia, é mais uma questão da vontade, da mente e dos atos que da emoção, ele ainda seria um tanto estéril e frio se não envolvesse as emoções. Qual é o lugar das emoções no esquema bíblico? Por que é correto dizer que devem estar sujeitas à vontade, à mente e aos atos, em vez de guiá-los?
2. Jesus disse que devemos amar os inimigos (Mt 5:44). Quem eram os inimigos de Jesus? Como Ele lhes mostrou amor?

Perguntas de aplicação:

1. Jesus diz que devemos amar o próximo como a nós mesmos (Mt 22:39). Assim, entende-se que amamos a nós mesmos e que é correto e apropriado fazer assim. O que significa amar a nós mesmos? Como isso se ajusta com o conselho de morrer para a si mesmo em Romanos 8:13? Qual é a diferença entre o amor bíblico por si mesmo e o egoísmo e a indulgência própria que as pessoas consideram ser amor próprio?
2. De acordo com João 13:35, os discípulos de Cristo serão conhecidos pelo fato de que amam uns aos outros. Discutivelmente, esse pode ser o ponto distintivo da vida e prática cristã. Mas é o mais difícil de fazer. De fato, muitos de nós achamos mais fácil inundar de amor estranhos e possíveis futuros conversos do que mostrar bondade comum aos membros da igreja ou membros da família a quem conhecemos há anos. Por quê? Como podemos adquirir o hábito de mostrar amor e apreciação de uns para com os outros?

Criatividade:

A atividade seguinte pretende enfatizar o amor como a virtude central da vida e experiência cristã de modo a tornar real o amor na consideração da própria vida.

Examine as qualidades positivas e negativas do amor em 1 Coríntios 13:4-7. Imagine alguém lendo esses versos em um culto na igreja e, então, deixando o púlpito e fazendo ou dizendo algo espalhafatosamente invejoso, orgulhoso, etc. Pense: se você fosse esta pessoa, qual seria a sua reação quando alguém lhe mostrasse que está errado?   Racionalizaria suas ações?   Ficaria ofendido?   Se arrependeria?

E se você fosse a pessoa que iria mostrar que a atitude estava errada, como você abordaria esta pessoa ?