Verdade

Verso Central: “Buscar-Me-eis e Me achareis quando Me buscardes de todo o vosso coração” (Jeremias 29:13).

Leituras para esta semana: : 2Cr 25:2; Sl 51:17; Jr 29:13; Jo 7:16, 17; 14:6; 17:3; Hb 5:14

I - Introdução:

A palavra grega aletheia, traduzida como verdade, tem dois significados. Um é a verdade objetiva (fatos reais, verdade ou princípio), e o outro é a verdade subjetiva (verdade como excelência pessoal – sinceridade mental livre de afetação, fingimento, dissimulação, falsidade ou engano). Portanto, verdade é o que conhecemos, os fatos objetivos. Mas existe também o elemento subjetivo da verdade, que impõe a maneira de respondermos individualmente ao que aprendemos. Quando esses dois sentidos são reais em nossa vida, manifestamos a verdade como fruto do Espírito.

É por isso que ambos os elementos são cruciais para a experiência cristã. Precisamos conhecer a verdade objetiva básica como é achada em Jesus e, em seguida, precisamos da experiência subjetiva pessoal de ter a vida mudada por essa verdade.

Olhe para Judas. Ele esteve com Jesus por mais de três anos e meio. Judas teve os dois tipos de verdade revelados a ele. Viu coisas sobre as quais só podemos ler. Mas, finalmente, veja que bem isso lhe fez!

Todos precisamos ter cuidado!

II - “Eu sou... a Verdade”

1. “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim” (Jo 14:6). O que significa este texto?

Em certo sentido, esse texto desafia radicalmente o relativismo (a ideia de que verdade é unicamente subjetiva e pessoal) tão atual no mundo de hoje. As palavras de Jesus não deixam ambiguidade: Não é verdade que “cada um acha seu próprio caminho para Deus”, e outras declarações assim. Com estas palavras, Jesus estabeleceu a realidade da verdade objetiva. Aqui está a Verdade. Ponto. Poucos versículos da Bíblia inteira são mais contrários ao sentimento de relativismo do que esses.

Ao mesmo tempo, também existe outro elemento inteiramente novo. A verdade é uma Pessoa. Você vem para a verdade por meio de um relacionamento com uma Pessoa. Essa ideia é radicalmente diferente da noção de verdade como um grupo de fatos. Jesus, um ser humano, é a Verdade; assim, se quiser conhecer a verdade, você precisa primeiramente conhecer Jesus.

2. Como o que está escrito acima nos ajuda a entender as palavras de Cristo em João 17:3?

Temos que ser cuidadosos, porém, com essa noção de que toda a nossa religião significa manter relacionamento com Deus. Todos vivem em relacionamento com Deus, de uma forma ou de outra. Os que negam Sua existência vivem em relacionamento com Deus. Pilatos teve um relacionamento com Jesus; o mesmo fez Caifás. Até o diabo tem um relacionamento com –Jesus: ele O odeia. O evangelho não é um chamado para manter relacionamento com Jesus mas para fazer um compromisso com Ele. Nicodemos, por exemplo, teve relacionamento com Jesus, no qual ele finalmente dedicou a Cristo a vida e tudo o que tinha. Esse é o tipo de relacionamento de que todos precisamos!

Sem dúvida, você mantém relacionamento com Jesus. A pergunta que você precisa formular a si mesmo é: Que tipo de relacionamento é esse? Como você pode melhorá-lo?

III - O Espírito e a Verdade

“Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade” (Jo 16:13).

Devido ao que aprendemos ontem, é óbvio que a obra do Espírito Santo é apontar-nos o caminho a Cristo e nos ajudar a permanecer nEle. “Quando, porém, vier o Consolador, que Eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dEle procede, esse dará testemunho de Mim” (Jo 15:26).

Veja esta poderosa declaração: “A pregação da Palavra não será de nenhum proveito sem a contínua presença e ajuda do Espírito Santo. Este é o único Mestre eficaz da verdade divina. Unicamente quando a verdade chega ao coração acompanhada pelo Espírito, vivificará a consciência e transformará a vida. Uma pessoa pode ser capaz de apresentar a letra da Palavra de Deus, pode estar familiarizada com todos os seus mandamentos e promessas; mas, a menos que o Espírito Santo impressione o coração com a verdade, ninguém cairá sobre a Rocha e se despedaçará” (O Desejado de Todas as Nações, p. 671, 672).

3. Qual é o papel do Espírito Santo, descrito na declaração acima?

O que vemos na obra do Espírito Santo é tanto o aspecto objetivo como subjetivo da verdade. O Espírito vem, testemunha de Jesus e convence “o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16:8). Esta é a crua realidade sobre o mundo, sobre Deus e sobre a realidade.

Ao mesmo tempo, a obra do Espírito Santo não termina simplesmente quando nos ensina essas verdades. Nossa vida precisa ser transformada de acordo com sua compreensão.Essas verdades objetivas e eternas nos tornarão inúteis a menos que nossa vida seja transformada por elas, e parte desse processo (talvez a mais importante) como Ellen White escreveu, é ser despedaçados sobre a Rocha (veja Sl 51:17).

Como você foi despedaçado (e você já foi)? O que aconteceu? Que mudanças ocorreram? O que você aprendeu dessa experiência sobre a vida, sobre o sofrimento e sobre Deus? Que outras lições você ainda precisa aprender?

IV - “De todo o coração”

“Buscar-Me-eis e Me achareis quando Me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29:13).

De todo o coração” significa “sinceramente” verdadeiro em palavras e atos. A palavra sincero vem de duas palavras latinas: seno (sem) e cera (cera). Aparentemente, no passado, escultores menos escrupulosos disfarçavam secretamente as falhas e rachaduras em seu trabalho tampando-as com cera, que, evidentemente, não dura muito tempo. Consequentemente, sinceridade significa ser real e genuíno, não artificial. Significa falar ou agir “do coração”.

4. Como essas duas atitudes se evidenciaram no reinado de Amazias? 2Cr 25:2

A palavra hebraica traduzida em algumas versões por perfeito ou inteiro vem da raiz slm (da qual deriva shalom). Basicamente, significa cheio, completo ou em paz. Assim, temos aqui um rei que fez a coisa certa mas com um coração que não estava no lugar certo. Ele não era sincero em suas ações. Este fato ergue a possibilidade de uma pessoa fazer as coisas certas pelos motivos errados. Embora sejamos capazes de enganar algumas pessoas por algum tempo, e a nós mesmos todo o tempo, não podemos enganar Deus em tempo nenhum. Quando Davi orou por seu filho, a primeira coisa ele pediu que o filho tivesse foi “um coração íntegro” (1Cr 29:19).

A sinceridade é importante porque a pessoa que não é sincera, cujo coração não está dedicado ao que é verdadeiro e certo, tem o coração dividido. Seguramente, existe alguma outra coisa retendo essa pessoa, e enquanto não abandonar esse peso, enquanto ainda permitir que outros compromissos ocupem o lugar, o coração não pode ser slm, completo nem perfeito diante de Deus. Então, a chave, é completa submissão ao Senhor, completo abandono do eu. Não é fácil; em sentido real, a fim de que isso aconteça, como vimos ontem, a pessoa precisa ser despedaçada sobre a Rocha.

Quanta sinceridade existe em sua fé? Não estamos falando de dúvidas ocasionais, ou perguntas sem respostas profundas (às vezes, todos têm dúvidas, e todos têm perguntas sem respostas profundas), nem estamos falando de lutar contra o pecado. Estamos falando sobre seu coração. Está completamente submisso a Deus, “completo” diante dEle, ou está dividido entre Deus e alguma coisa do mundo? Se for o último caso, que escolhas você precisa fazer?

V - Consciência endurecida

Nas semana passada, vimos como Jesus tinha palavras duras para a falsa “justiça” dos escribas e fariseus (veja Mt 23:27), chamando-os de “hipócritas”. A palavrahipócrita, na língua original (hupokrites) significa “ator”. Jesus estava deixando que eles soubessem que Ele podia discernir seus sentimentos interiores e pecados secretos. Era como se Ele estivesse lhes dizendo: “Vocês agem de uma maneira, mas por dentro vocês são outros, como se estivessem atuando em uma peça de teatro. Vocês não podem ser verdadeiros?” Outra ocasião, Jesus disse: “Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim” (Mc 7:6). Seu significado é óbvio.

5. Qual é o grande perigo de agir com hipocrisia? 1Tm 4:2; Tt 1:15. Nossa consciência é o lugar em que o Espírito Santo faz contato conosco. Que pode nos acontecer se constantemente estivermos agindo de maneira errada?

Não há dúvida de que quanto mais permanecermos no mal, e quanto mais fizermos o que sabemos ser errado, mais contaminada ficará nossa consciência e mais distantes da verdade estaremos. Novamente, você pode ter conhecimento intelectual mais do que suficiente para ser salvo. Infelizmente, o fogo final terá espaço para muitos que conheciam mais que suficientes verdades objetivas para ser salvos. Mas, como estamos dizendo, só a verdade objetiva não é fruto do Espírito. A verdade praticada em nossa vida, esse é o fruto que precisamos produzir.

6. Qual é a relação entre a verdade e o fruto do Espírito? Jo 7:16, 17; Hb 5:14

VI - Andando na verdade

“Fiquei sobremodo alegre em ter encontrado dentre os teus filhos os que andam na verdade, de acordo com o mandamento que recebemos da parte do Pai” (2Jo 4). “Se dissermos que mantemos comunhão com Ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade” (1Jo 1:6).

7. Que lição importante é ensinada nesses textos a respeito do que significa ter uma relação de salvação com Jesus?

A verdade, como fruto do Espírito, não é só o que sabemos – é o que fazemos. Viver na luz de Deus significa mais que conhecimento, apenas. Veja como João explica como é andar nas trevas: “Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão, até agora, está nas trevas. Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço. Aquele, porém, que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos” (1Jo 2:9-11).

Assim, andar na luz, andar na verdade, é mais que guardar simplesmente os Dez Mandamentos, pelo menos de acordo com a letra da lei. No fim, quando tudo estiver dito e feito, viver na verdade não se manifestará basicamente em nossa maneira de lidar com as pessoas? Se somos sarcásticos, irritadiços, irreconciliáveis, vingativos, odiosos, insensíveis; se tratamos os outros como objetos, e não como pessoas dignas, se pisamos nos outros na tentativa de nos aproveitar delas, isso significa que estamos andando nas trevas, não importa quão estritamente guardemos o sábado, não importa quão fielmente sigamos a mensagem de saúde, não importa quanto professemos fé em Jesus, com quanta fidelidade devolvamos o dízimo e vamos à igreja. Em certo sentido, frequentemente é muito mais fácil aprender a doutrina e a teologia correta do que ser bondosos, abnegados e generosos, não é assim?

Pense em suas interações com as pessoas nas últimas vinte e quatro horas. Como você as tratou? Que tipo de palavras você usou? Você se sentiria bem se suas atitudes e ações para com elas se tornassem públicas (não se preocupe, um dia isso irá acontecer; veja Mt 10:26). Que mudanças você precisa fazer em sua vida?

VII - Estudo adicional

“Não é a duração do tempo que labutamos, mas a voluntariedade e fidelidade em nosso trabalho que o torna aceitável a Deus. É requerida uma renúncia completa do próprio eu em todo o nosso serviço. O menor dever feito com sinceridade e desinteresse é mais agradável a Deus que a maior obra quando manchada pelo egoísmo. Ele olha para ver quanto nutrimos do espírito de Cristo, e quanto nosso trabalho revela da semelhança de Cristo. Considera mais o amor e a fidelidade com que trabalhamos do que a quantidade que fazemos” (Parábolas de Jesus, p. 402, ênfase provida).

“A adoração prestada em sinceridade de coração tem grande recompensa. ‘Teu Pai, que vê em segredo, te recompensará publicamente’ (Mt 6:6). Pela vida que vivemos mediante a graça de Cristo, forma-se o caráter. A beleza original começa a ser restaurada no íntimo. São comunicados os atributos do caráter de Cristo, começando a refletir-se a imagem do Divino. A fisionomia dos homens e mulheres que andam e trabalham com Deus revela a paz do Céu. São circundados da atmosfera celestial. Para essas pessoas começou o reino de Deus. Possuem a alegria de Cristo, a satisfação de ser uma bênção à humanidade. Têm a honra de ser aceitos para o serviço do Mestre; é-lhes confiado fazer Sua obra em Seu nome”.

Perguntas para consideração

1. Existe algum sentido em que a verdade pode ser relativa? Isto é, pode não ser aplicável a todo o tempo e a toda situação? Se não, por que não? Existem certas verdades, talvez, que poderiam ser relativas enquanto outras não são?

2. Pense mais nessa ideia do que significa ser sincero em sua fé. Por mais importante que seja a sinceridade, por que não é suficiente? Afinal, pessoas que atam cintos de bombas na cintura e se explodem, ao que parece, são sinceras. O que mais é necessário?

Respostas sugestivas para as perguntas:

Pergunta 1: O caminho para Deus se dá exclusivamente por meio de Jesus Cristo.
Pergunta 2: Conhecimento de Deus requer mais que reconhecimento intelectual dos fatos a Seu respeito. Implica um relacionamento de submissão e amor a Deus e a Seu Filho, Jesus Cristo.
Pergunta 3: Entre outras coisas, o Espírito nos move a receber Cristo na vida, sujeitar-nos a Ele, cumprir Sua vontade e compreender Sua Palavra.
Pergunta 4: Amazias fez o que era certo pelos motivos errados.
Pergunta 5: A hipocrisia endurece a consciência da pessoa, a um ponto em que ela não mais reconhece os apelos do Espírito Santo.
Pergunta 6: O conhecimento da verdade deve conduzir a pessoa a praticá-la, produzindo os frutos da conversão. Conhecimento apenas intelectual é uma contradição, se não for posto em prática.
Pergunta 7: A consequência natural será a obediência.


Complemento ao estudo

Resumo do estudo

Texto-chave: João 17:3

DEVEMOS ...
                  Saber:     Que a verdade suprema é encontrada em Jesus.
                  Sentir:     Alegria na liberdade que a verdade traz.
                  Fazer:     Mostrar que as Escrituras são o guia infalível para a salvação, vida e esperança.

ESBOÇO DO APRENDIZADO

I. Saber: Que Jesus define a verdade

A. As verdades encontradas nas Escrituras são verdades reveladas. Elas não podem ser deduzidas pela razão, mas não são hostis à razão. São aceitas pela fé.
B. A verdade espiritual é definida por Jesus. Não existe autoridade mais elevada.

1. Mencione algumas verdades que não podem ser conhecidas pela razão.
2. Por que cremos que verdade é definida por Jesus?
3. Como entendemos a afirmação de Jesus de que Ele é o caminho único para Deus e que Ele é a verdade e a vida?
4. Como o Espírito Santo nos guia na verdade?

II. Sentir: Liberdade e verdade

A. Jesus diz que a verdade nos liberta. Quais são algumas formas de liberdade que a verdade traz?
B. Jesus define que a vida eterna é conhecer “o único Deus verdadeiro” e o próprio Jesus. Como entendemos o significado desse conhecimento?

III. Fazer: Da verdade o nosso guia

A. A compreensão da verdade, como é revelada nas Escrituras, exige pensamento e esforço dedicados. Mas, embora a compreensão seja essencial, não tem valor real algum se não estivermos dispostos a nos submeter à verdade.

1. Como as Escrituras se tornam o guia para a vida diária?
2. Qual é a relação entre a verdade e a esperança?

Resumo: As Escrituras são a verdade revelada como é definida por Jesus e entendida pela submissão à direção do Espírito Santo; são o guia para toda a vida.

Ciclo do aprendizado

Motivação:

Conceito-chave para o crescimento espiritual: A verdade é uma Pessoa, isto é, Jesus Cristo. Tanto a verdade objetiva como a subjetiva se encontram em Jesus. Para que o cristão conheça e entenda a verdade, ele deve ter Jesus. Para que a vida do cristão seja de lealdade à verdade, ele deve ter Jesus.

Poucos desejaram viver uma vida de verdade mais do que Gandhi, o grande catalisador da libertação da Índia no século 20 pela ética da ação civil não violenta. Talvez seja por isso que ele deu à sua autobiografia o subtítulo de “A História de Minhas Experiências Com a Verdade”. Ele suportou extremas provações e perseguições pela causa da verdade. Mas Gandhi entendeu que a busca da verdade exige a ajuda de um “vidente” perfeito, alguém que conhece todas as coisas. Gandhi nunca abraçou o cristianismo nem Jesus, mas ele certamente apreendeu o dilema de buscar a verdade desprovido de um Ajudante.

Jesus não mediu palavras quando declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida” (Jo 14:6). Jesus não só nos ajuda a encontrar a verdade; Ele é a verdade. Esta é a mensagem central que os alunos precisam levar do estudo desta semana.

Pense nisto: Muitas religiões entendem de maneira diferente o que é a verdade. Essas religiões compreendem e interpretam erroneamente a verdade? Por que sim, ou por que não? Por que um seguidor do hinduísmo, do budismo ou do islamismo deveria pensar em se tornar seguidor de Jesus? O que torna atraente a verdade cristã?

Compreensão

Comentário bíblico:

I. Podemos conhecer a verdade -- 14:6 e Jo 8:32

Antes de Jesus declarar aos discípulos que Ele é a verdade, disse-lhes que era possível conhecer a verdade e que esse conhecimento os libertaria” (Jo 8:32). Evidentemente, eles não tinham nenhuma indicação sobre o significado mais profundo de Suas palavras. Estavam literalmente caminhando e falando, comendo e dormindo com a Verdade, mas estavam desapercebidos da sutil transformação que havia tido início em sua vida. Eles estavam chegando a conhecer a Verdade.

A palavra conhecer, usada por Jesus em João 8:32 vem da palavra grega ginosko, que significa perceber, entender, reconhecer, obter conhecimento, vir a conhecer. É o conhecimento da verdade que começa como uma percepção e progride à plena consecução. É a verdade obtida pela experiência pessoal. Esse conceito de conhecer radicalmente a verdade é diferente do domínio de um conjunto de fatos. É relacional.

Antes da primeira vinda de Jesus, a verdade ficou obscurecida por muitas práticas espirituais “criativas”. As pessoas tateavam nas trevas espirituais, tanto que, mesmo quando liam o Antigo Testamento, não o podiam compreender nem a quem os profetas antigos apontavam (2Co 3:14, 15). Hoje, não podemos entender completamente quão radical foi para Jesus dizer que a verdade podia ser conhecida pelo cidadão comum. Essa mesma verdade libertou muitos em Seus dias.

Pense nisto: Como a verdade revelada em Jesus nos liberta ainda hoje?

II. O grande hiato -- 2:15; Jo 5:39

A Bíblia, a Sagrada Palavra de Deus, revela quem é Jesus. É o meio pelo qual entendemos a grande metanarrativa da existência humana – o grande conflito entre Deus e Satanás, o plano da salvação, o fim da história do pecado e de Satanás. Portanto, é impossível conhecer a Verdade – Jesus – sem a Santa Palavra de Deus.

Paulo aconselhou Timóteo a estudar diligentemente a Palavra de Deus, a fim de poder manejá-la corretamente e nunca ser envergonhado. Com muitas vidas pendendo na balança, um conhecimento claro dos fatos objetivos da verdade seria essencial ao ministério do jovem Timóteo. Os que professam amor a Jesus serão achados examinando diligentemente as profundezas da Palavra de Deus.

Pense nisto: Se o estudo da Palavra de Deus é essencial para conhecer e manejar corretamente a verdade, por que Jesus reprovou os fariseus de Seus dias por examinar as Escrituras? (Veja Jo 5:39.) Enfatize que os fariseus acreditavam alcançar a salvação pelo conhecimento das Escrituras. Eles não sentiam necessidade de um Salvador. Isso explica parcialmente por que eles estavam prontos para matar Jesus. Tendo isso em conta, quais eram especificamente os hábitos de estudo dos fariseus que mereciam a condenação de Jesus?

III. Desdobrando o infinito -- Jo 15:26; Jo 16:13

Esses dois textos destacam o papel essencial que tem o Espírito Santo em ajudar o cristão a conhecer e viver a verdade como é encontrada em Jesus. Não importa quão sérios sejam nossos esforços, nenhuma pesquisa da verdade ajudará muito sem a direção do Espírito Santo. Por que precisamos do Espírito Santo? Em primeiro lugar, a mente humana é finita e severamente debilitada pelo pecado. A verdade infinita só pode ser compreendida limitadamente pelas mentes finitas. Só por essa razão, precisamos do Espírito Santo.

Jesus prometeu que o Espírito Santo nos guiaria “a toda a verdade”. Essa é uma notícia maravilhosa, mas as palavras de Jesus dizem mais do que percebemos à primeira vista. Essa promessa não se refere às verdades que serão desdobradas enquanto estivermos aqui na Terra, apenas, mas também às que veremos no mundo por vir. E deve ser assim, pois a verdade de Deus é infinita. O fato de que os remidos estarão continuamente aprendendo as verdades de Deus pode nos dar uma indicação sobre o papel do Espírito Santo no plano educacional do Céu para os remidos.

Pense nisto: Até agora, aprendemos que a verdade é uma pessoa – Jesus – e que a verdade se amplia para o crente por meio do Espírito Santo. É possível chegar a conhecer Jesus, a verdade. Como é igualmente possível conhecer o Espírito Santo? Como podemos distinguir a voz do Espírito em meio ao coro de vozes que clamam por nossa atenção?

Aplicação

1. As Escrituras nos aconselham a dedicar a vida a Jesus, avançar além da mera profissão da verdade e abraçá-la diretamente. Por que simplesmente viver a verdade sem confessá-la abertamente não é suficiente?

2. Muitos cristãos bem intencionados usam o conhecimento da verdade para atingir aqueles que não podem compartilhar suas convicções. Se a verdade é Jesus, como esse comportamento afeta a visão dos que não creem em Jesus?

3. Se você abraçasse completamente a verdade já revelada a você pelo Espírito Santo, como sua vida mudaria? Por exemplo, sua atitude no emprego seria diferente? Que dizer de sua maneira de falar? Você precisaria mudar os hábitos de dirigir? Que dizer de suas escolhas de entretenimento? O que você está fazendo com a verdade que Deus já lhe revelou?

Criatividade

“O que a atividade a seguir me ensina sobre Jesus, a verdade viva e a única estrada para o Céu?” Jesus veio à Terra para remover o véu dos corações que não compreendiam o Antigo Testamento e abrir seus olhos para a verdade. Existem alguns sistemas de navegação que nos dão indicações sobre qualquer lugar aonde se queira ir. A tecnologia do GPS (sistema de posicionamento global) indica a localização exata de um veículo a partir de uma quantidade de satélites. Estas duas ferramentas náuticas nos ajudam a chegar aonde precisamos ir com maior eficácia e precisão. Se a Bíblia é nosso atlas para o Céu, o que estaria no “mapa” para nos fazer chegar ali? Se você precisasse dar a alguém as orientações para chegar lá ou desenhar um mapa para o Céu, que voltas, sinais rodoviários e marcos espirituais você incluiria nessas orientações?