Louvor e oração

Verso Central: "E [Deus] pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, deu [Jesus] à igreja" (Efés. 1:22).

Leituras da semana: Luc. 1:37; Col. 4:5; Efés. 1:15-23; Tiago 2:20 e 26; 3:13 e 17

I - Introdução

LOUVOR E ORAÇÃO. Paulo tinha muitas lutas, muitas provações, muitos pesares; mas também era homem de louvor e oração. Assim, depois de relembrar nos versos anteriores as coisas maravilhosas que Deus fizera por nós em Cristo, ele deu graças a Deus pela fé da igreja de Éfeso porque, como disse, ele ouviu, não só de sua fé mas de seu "amor para com todos os santos" (Efés. 1:15). Ele então contou sobre a oração intercessora que fez em favor dos efésios.

Com muita freqüência, tendemos a pensar na oração só pelos que estão em más condições, os que realmente precisam de oração; mas aqui temos Paulo orando por pessoas que, aparentemente, iam muito bem. A lição para nós é que não devemos tomar nada como certo: quer estejam as pessoas que conhecemos prosperando na fé, quer mal se sustentem, precisam ser feitas orações em seu favor.

Enquanto isso, a oração de intercessão de Paulo nos dá maior compreensão do que Deus fez por nós em Cristo e a grande esperança que temos em resultado.

II - Fé e amor

"Por isso, também eu, tendo ouvido da fé que há entre vós no Senhor Jesus e o amor para com todos os santos, não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações" (Efés. 1:15 e 16).

Por causa de "toda sorte de bênção espiritual" (Efés. 1:3), com que Deus abençoou a igreja de Éfeso, Paulo irrompe em ação de graças. Essas bênçãos, como vimos na semana passada, incluem eleição, adoção, redenção, perdão, unidade em Cristo e a restauração final de toda a criação ao seu propósito original (vs. 3-14).

A ação de graças cristã vai além da mera gratidão. A ação de graças deve levar a uma vida que reflita e compartilhe as bênçãos de Deus em um viver ativo, diário e significativo. Com os efésios, parecia que esse era o caso. Eles eram cristãos que viviam o que pregavam. Realmente, na prisão, Paulo ouviu a respeito da sua fé "no Senhor Jesus" e "o amor para com todos os santos" (vs. 15 e 16). Para eles, o cristianismo era mais do que um sistema de crenças; era o chamado para uma vida transformada e um relacionamento vivo e dinâmico. Se a fé leva à crença, a crença deve levar à ação. Pois "a fé... atua pelo amor" (Gál. 5:6), e "a fé sem obras é morta" (Tiago 2:20 e 26).

1. O que a Bíblia diz sobre o cristão que vive o que prega? É possível alguém crer e não viver por aquilo que crê? Tiago 2:20 e 26

A fé dos efésios era viva. Eles criam no Cristo ressuscitado e confessavam que por meio dEle Deus providenciou o perdão e a salvação da humanidade. Mas fé é mais do que crença, mais do que mero consentimento intelectual. Fé também é a qualidade espiritual de ser fiel, e a igreja de Éfeso era fiel e leal a Cristo e aos Seus reclamos. Sua fé em Jesus teve o resultado natural: "amor para com todos os santos" (v. 15) tanto judeus como gentios.

Amor, fé e esperança são as graças básicas que marcam a vida cristã (I Cor. 13:13; Col. 1:4 e 5). Por mais ortodoxas que sejam as nossas doutrinas, por mais louvável que seja a nossa adoração e o nosso testemunho, e por mais fiel que seja a nossa mordomia, não podemos ser cristãos antes de nutrirmos amor a Deus e pelas pessoas.

Como o cristão pode expressar amor pelos outros? Que esforço externo, tangível, visível você pode fazer nos próximos dias para mostrar a alguém que sua fé em Cristo é verdadeira?

III - A sabedoria e o conhecimento de Deus

Tendo notado a primeira parte da oração de ação de graças de Paulo pela vida de fé e amor – agora voltamos para o aspecto intercessor da petição do apóstolo (Efés. 1:17-23). Freqüentemente, somos tentados a fazer petições ingênuas, concentrando-nos em necessidades materiais e orientadas para nós mesmos. O aspecto mais nobre da petição é a intercessão, apelando em favor de outras pessoas. Paulo orou para que Deus desse aos efésios "espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dEle" (v. 17).

Paulo orou por sabedoria e entendimento para que os crentes compreendam completamente a Deus. Para os gregos, conhecer a Deus significava conhecê-Lo intelectualmente; no sentido hebraico, significava conhecê-Lo por experiência.

2. Um conhecimento intelectual é suficiente para se obter sabedoria? Justifique sua resposta. Sal. 111:10; Prov. 2:2; Col. 4:5; Tiago 3:13

A filosofia pode dizer "Conhece-te a ti mesmo". A psicologia pode afirmar que na compreensão própria e no seu potencial, pode-se encontrar o significado da vida. Mas não existe conhecimento maior do que o conhecimento de Deus, e o maior conhecimento que podemos ter sobre Deus é o conhecimento que Ele próprio nos revela.

3. Como Deus Se revelou a nós?
              a. Sal. 19:1               b. Rom. 1:19-21               c. João 5:39               d. João 14:9 e 10               e. Heb. 1:1-3


A revelação de Deus torna possível "o conhecimento dEle" (Efés. 1:17), mas "não podemos compreender nem apreciar devidamente a revelação divina sem o auxílio daquele Espírito pelo qual foi dada a Palavra". – Testemunhos Para a Igreja, vol. 5, pág. 241. Conseqüentemente, Paulo orou pelos efésios: "Iluminados os olhos do vosso coração" (v. 18). Os crentes precisam mais do que mero conhecimento racional. Precisam de percepção espiritual a fim de que, com os olhos internos do coração, conheçam melhor quatro grandes verdades: "a esperança do Seu chamamento", "a glória da sua herança" (v. 18), "a eficácia da força do Seu poder" (v. 19) e a liderança de Cristo sobre a Igreja (vs. 22 e 23).

Como a revelação que Deus fez de Si mesmo mudou a sua vida? Por quê? O que você seria hoje sem essa revelação?

IV - Esperança e herança (Efés. 1:18)

4. Que esperança temos no chamado de Cristo? O que podemos esperar da herança que Cristo nos prometeu? Efés. 1:18

Além de sabedoria e conhecimento, Paulo orou para que a igreja de Éfeso compreendesse plenamente "a esperança do seu chamamento" e "a riqueza da glória da Sua herança" (v. 18). Nos escritos de Paulo, o chamado destaca tanto o privilégio como a responsabilidade cristã. Deus nos chamou para pertencermos a Cristo, sermos Seus santos (Rom. 1:6), e termos a "comunhão de Seu Filho" (I Cor. 1:9). Por causa do chamado de Deus, aqueles que não eram Seu povo se tornaram Seu povo (Rom. 9:24). Para os que são chamados, Cristo Se torna "poder de Deus e sabedoria de Deus" (I Cor. 1:24). Os crentes são chamados para a vida eterna (I Tim. 6:12). O chamado os torna livres e os habilita a servir uns aos outros em amor" (Gál. 5:13). O chamado assegura comunhão harmoniosa, não fazendo caso de raça e classe social, como somos "chamados em um só corpo" (Col. 3:15) e somos incumbidos de viver de modo "digno da vocação a que [fomos] chamados" (Efés. 4:1). Este chamado não se destina "para a impureza, e sim para a santificação" (I Tess. 4:7) e uma vida pacífica (Col. 3:15) – vivendo de "modo digno de Deus, que [nos] chama para o Seu reino e glória" (I Tess. 2:12). Este chamado para o reino é "o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (Filip. 3:14), que deve nos motivar a avançar na corrida cristã.

Esta é a grandeza do chamado de Deus. Ele cobre o passado (perdão), abraça o presente (vida de comunhão e paz) e aguarda no futuro a "bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus" (Tito 2:13). Esta é a "esperança do Seu chamamento" (Efés. 1:18), disse Paulo, e ele orou para que sejamos iluminados para ver sua enormidade e superioridade.

À esperança, Paulo acrescenta "a riqueza da glória da Sua herança" (v. 18). A herança pode ser entendida de duas maneiras. Primeiramente, os crentes são a herança de Deus: "Herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo" (Rom. 8:17). Depois, a herança é o que os santos recebem de Deus como Seus herdeiros. O último sugere que a herança é tanto um privilégio presente, no sentido de que temos a alegria da salvação agora como a recompensa futura, garantida e selada pelo Espírito Santo (Efés. 1:13 e 14). Essa recompensa final é "incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros" (I Ped. 1:4).

A Bíblia diz que devemos viver "por modo digno de Deus, que vos chama para o Seu reino e glória" (I Tess. 2:12). Como pecadores, nunca podemos ser suficientemente dignos da salvação; mas, por agora sermos salvos, queremos viver de modo "digno de Deus". Neste contexto, que mudanças você precisa fazer a fim de demonstrar essa dignidade em sua vida?

V - A eficácia da força do Seu poder (Efés. 1:19-21)

A oração de Paulo se demorou na necessidade de sabedoria e conhecimento e na compreensão do chamado e da herança de Deus. Agora, o apóstolo se concentra na necessidade de conhecer "a suprema grandeza do Seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do Seu poder" (Efés. 1:19).

5. Uma característica de Deus é a onipotência. Isso significa que Deus é todo-poderoso. Como o Seu poder se manifesta? Dê alguns exemplos apoiados por textos bíblicos. (Veja, por exemplo, Gên. 2:7; Isa. 66:22; Luc. 1:37; II Cor. 5:17; I Tess. 4:16.)

Paulo usa quatro palavras gregas em Efésios 1:19 para enfatizar a natureza inclusiva e incomparável do poder de Deus. Primeiramente, "a suprema grandeza do Seu poder", a palavra "poder" é dunamis, que destaca a habilidade inata de realizar o que alguém se propõe a fazer. As outras três palavras são "segundo a eficácia [energeia] da força [poder = ischys] do Seu poder [kratos]." Paulo acrescenta uma palavra após a outra, de significado quase semelhante, para destacar a natureza imensurável e absoluta do que o poder de Deus realizou no Universo. Energeia sugere atividade e eficácia. O poder de Deus está em ação. Ischys se refere à força ou poder intrínseco. Kratos, usado no Novo Testamento unicamente com relação a Deus ou Sua Palavra, sugere o poder que subjuga ou é vitorioso.

O apóstolo imediatamente acrescentou que essa demonstração suprema do poder de Deus é vista no que Deus efetuou em Cristo (Efés. 1:20). Paulo definiu essa realização em três idéias:

Ressurreição: "Ele O ressuscitou dos mortos" (v. 20). Para Paulo, a manifestação suprema do amor de Deus é a morte de Cristo (Rom. 5:8), e a manifestação suprema do poder de Deus é a ressurreição de Cristo (Efés. 1:19 e 20).

Exaltação: "Fazendo-O sentar à Sua direita" (v. 20).

Domínio universal: "Pôs todas as coisas debaixo dos [Seus] pés" (v. 22). Cristo é Senhor do Universo.

O poder que trouxe Cristo de entre os mortos é o mesmo que nos salva do pecado para a salvação. Então, por que continuamos a cair tanto, se temos um poder tão incrível trabalhando em nós? Onde está a falha? Como nossas escolhas determinam a extensão do que Deus fará em nós?

VI - A Igreja, corpo de Cristo

6. Como Paulo declarou a majestade e a glória da vitória final de Cristo sobre Satanás e Sua relação íntima com a Igreja? Efés. 1:20-23

O quarto pedido na oração de Paulo é uma mistura primorosa de louvor e súplica. Louvor por causa da ressurreição e da exaltação de Cristo. Súplica para que os crentes saibam que a vitória de Cristo sobre a morte e Sua exaltação teve dois efeitos de significado cósmico. Primeiro, Deus pôs Cristo "acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro. E pôs todas as coisas debaixo dos pés". (Efés. 1:21 e 22). Aqui está o sinal ao Universo de que na grande batalha cósmica entre Cristo e Satanás, Cristo obteve a vitória final, e agora todas as coisas estão colocadas debaixo dEle. Ele é o Senhor reconhecido de todos (Filip. 2:9-11).

Segundo, Deus fez de Cristo "o cabeça sobre todas as coisas, O deu à igreja, a qual é o Seu corpo" (Efés. 1:22 e 23).

7. Que tipo de responsabilidades têm os membros da Igreja pelo fato de serem o corpo de Cristo? Veja também I Cor. 12:12-25

A metáfora do corpo enfatiza a unidade essencial da igreja com e em Cristo. A própria existência da Igreja como comunidade de crentes depende da obra de salvação de Cristo. Seu fundamento e seu destino final na Nova Terra estão firmados nEle. A não ser por Cristo, não existe Igreja. O Senhor ressuscitado não é só o Senhor do Universo mas também da igreja. Conseqüentemente, diz Paulo, Ele é o cabeça da Igreja, "a qual é o Seu corpo" (Efés. 1:23). Como cabeça, a fonte e o centro da autoridade e da missão da Igreja é Cristo.

Por causa dessa proximidade, essa unidade da Igreja como corpo de Cristo, Deus encheu a igreja com "a plenitude dAquele que a tudo enche em todas as coisas" (v. 23). Aqui há certeza perfeita: Cristo enche a Igreja de toda bênção e dom (Efés. 4:11-16) para que a Igreja possa permanecer fiel a Ele como Seu corpo.

Que palavras de advertência e conselho você daria a alguém (levando em conta o estudo de hoje) que dissesse: "Não preciso ser parte de qualquer igreja ou corpo organizado a fim de servir ao Senhor"?

VII - Estudo adicional

Fé que salva: "Não basta crer no que se diz acerca de Cristo; devemos crer nEle. ... A fé salvadora é um ajuste pelo qual aqueles que recebem a Cristo se unem a Deus em concerto. ... Uma fé viva significa acréscimo de vigor, segura confiança pela qual o cristão se torna uma força vitoriosa." – O Desejado de Todas as Nações, pág. 347.

Sobre a revelação de Deus: A revelação de Si Mesmo, concedida por Deus em Sua Palavra, merece nosso estudo. Isso podemos procurar entender. Mas além desse ponto não devemos avançar. O intelecto mais elevado pode esforçar-se até a exaustão em conjeturas a respeito da natureza de Deus; mas o esforço será infrutífero. Esse problema não nos foi dado a resolver. Mente humana alguma pode compreender Deus. Que homem finito algum tente interpretá-Lo. ... Aqui, o silêncio é eloqüência. O Onisciente está acima da discussão." - Testemunhos Para a Igreja, vol. 8, pág. 279.

Cristo, cabeça da Igreja: "Muito íntima e sagrada é a relação entre Cristo e Sua igreja: Ele é o noivo, e a igreja, a noiva; Ele, a cabeça, e a igreja, o corpo. Conexão com Cristo, portanto, envolve conexão com Sua igreja. – Educação, págs. 268.