O que Deus fez

Verso Central: "No qual temos a redenção, pelo Seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça" (Efésios 1:7).

Leituras da semana:I Cor. 2:7; Rom. 8:15 e 16; Efés. 1:3-14; I Ped. 1:20; Apoc. 13:8

I - Introdução

LOUVOR E PETIÇÃO. No grego original, Efésios 1:3-14 é uma longa sentença pela qual o apóstolo introduz aspectos importantes da teologia cristã, inclusive a idéia de que a Divindade estava envolvida na formação da família de Deus na Terra, a igreja. Deus Pai "nos escolheu nEle [em Cristo] antes da fundação do mundo" (v. 4). É em Cristo que "temos a redenção pelo Seu sangue" (v. 7). Enquanto isso, o Espírito Santo nos oferece segurança e garante nossa herança eterna (vs. 13 e 14).

Paulo reconhece que, embora agindo na História e no tempo, Deus habita nos "lugares celestiais". Essa expressão ocorre cinco vezes em Efésios com relação ao lugar de onde vêm nossas bênçãos (v. 3), onde o Cristo ressuscitado Se assentou (v. 20), onde nós, também, nos assentaremos (2:6), onde os propósitos de Deus se tornarão conhecidos por causa da igreja (3:10), e onde se originaram os poderes das trevas com que devemos lutar (6:12).

II - Os escolhidos

"Assim como nos escolheu nEle antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele; e em amor" (Efés. 1:4).

Paulo situa a origem da Igreja na mente de Deus (Efés. 1:4, 5). O divino plano de redenção e Seu plano para os redimidos não são acidentais. Foram concebidos antes da criação, antes de o tempo começar. Deus formou um propósito em Sua mente: escolher-nos em Cristo. Mesmo antes de existirmos, Deus nos viu em relação com Cristo e, por causa disso, Ele nos fez Seus filhos. Conseqüentemente, não somos salvos por qualquer coisa que somos ou fazemos. Não influenciamos Deus; não podemos abrir caminho a Deus. De fato, quando ainda não existíamos, Ele já tencionava nossa salvação, de forma que, quando passamos a existir, tudo o que precisamos fazer é aceitar o que Cristo oferece.

1. Como os textos seguintes nos ajudam a entender essa idéia de predestinação? I Cor. 2:7; Efés. 1:4 e 5; 3:11; I Ped. 1:20; Apoc 13:8?

Muitos ficam confusos com o pensamento de que Deus nos escolheu antecipadamente para sermos salvos, porque pode dar a idéia de que alguns foram escolhidos para se perderem. Mas não é este o ensino bíblico. Ao contrário, Deus preparou antecipadamente o plano de salvação, de acordo com Seu propósito eterno, para que todos fossem salvos (I Tim. 2:6; II Pedro 3:9). O plano de salvação, em si, que inclui todo ser humano, foi determinado antes de o mundo ter início; o que não foi determinado antecipadamente foi a nossa resposta individual àquele plano. Dizer que Deus sabe com antecedência qual será o nosso destino eterno não é o mesmo que dizer que Ele predeterminou esse destino. A salvação nos foi oferecida por causa do que Cristo fez por nós, um plano revelado a nós mesmo antes de sermos criados. A única pergunta é: Como responderemos?

Deus escolheu antecipadamente que você devia ser salvo; isto é, Seu plano original era que você estivesse com Ele para sempre em um novo Céu e uma nova Terra. Escreva uma oração de gratidão e louvor por essa esperança maravilhosa e o que isso significa para você. Compartilhe sua oração com a classe no sábado.

III - Louvor a Deus por nos adotar (Efés. 1:4-6)

2. Que três coisas Deus faz para nós? Efés. 1:4-6
          a. Verso 4           b. Verso 5           c. Verso 6


A igreja teve suas raízes na mente de Deus quando Ele concebeu o plano de salvação antes da criação do mundo. Mas, quem formaria a igreja? Quem seria participante da família de Deus? Paulo já deu uma resposta parcial em Efésios 1:4: os que foram escolhidos em Cristo para serem "santos e irrepreensíveis", e andar em amor. Ser escolhido em Cristo não indica qualquer escolha arbitrária da parte de Deus, mas um reconhecimento da provisão divina, que proveu salvação ao mundo inteiro mas a tornou efetiva só para os que a reivindicaram para si.

A salvação e a vida eterna são oferecidas a todos como um dom de Deus em Jesus (João 3:16; Efés. 2:8 e 9), mas só "todo o que nEle crê" deve ser salvo. A natureza universal do dom é predestinada. A natureza contingente do presente é determinada pela escolha de "todo aquele".

Paulo acrescenta mais um pensamento: os que aceitam a provisão redentiva de Deus em Jesus são predestinados "para Ele, para a adoção de filhos" (Efés. 1:5). Novamente, não é que Deus escolheu alguns e rejeitou outros; ao contrário, aqueles que aceitaram o que Cristo fez por eles simplesmente cumpriram o que estava planejado originalmente para eles desde o princípio.

3. Por que Paulo usou a expressão "adoção" para descrever o que Deus fez por nós? Veja também Rom. 8:15, 16; Gál. 3:26-29; 4:5

A Igreja de Deus é composta de filhos adotados. Os filhos naturais são órfãos e pródigos – estão fora da família de Deus por causa do seu pecado e por sua escolha de estarem em rebelião contra Deus. Mas quando aceitam a provisão predestinada de Deus, eles são adotados na Sua família. A relação agora passa a ser de família, fundada em amor.

Pense em alguém que você ama. O que motiva suas ações para com essa pessoa? Como essa relação o ajuda a entender qual deve ser sua relação para com Deus, seu Pai adotivo?

IV - Redenção em Cristo (Efés. 1:7 e 8)

4. De acordo com Efésios 1:7 e 8, por que meio temos a redenção? Pode haver salvação sem sangue? Veja Heb. 9:22

Redenção significa libertação de um escravo mediante pagamento. Nas Escrituras, redenção significa provisão de Deus em Cristo para nos salvar da escravidão do pecado. O derramamento do sangue de Cristo na cruz pelos nossos pecados tornou possível não só o perdão dos pecados mas também a redenção e a adoção na família de Deus (Gál. 4:4-6; Efés. 1:7 e 8). Sem Cristo, nada disso teria sido possível.

O perdão do pecado é gratuito para nós. Realmente, não podemos pôr um preço sobre ele ou pagar por ele. Mas o perdão por parte de Deus custou muito: o sangue de Jesus. O pecado, por sua própria natureza, produz morte. Onde o pecador devia morrer, foi necessária a morte substituinte. No sistema do santuário do Antigo Testamento, Deus provia o perdão mediante o derramamento do sangue de animais. Todo o sistema sacrifical antecipava o dia em que Cristo, "o Cordeiro de Deus", levaria os pecados do mundo (João 1:29). na cruz, Jesus pagou a penalidade dos nossos pecados. Seu sangue derramado possibilitou o perdão dos pecados (Rom. 5:8 e 9; Efés. 2:13; Col. 1:20).

Nossa redenção e adoção são tornadas possíveis pela cruz, "segundo a riqueza da Sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós" (Efés. 1:7 e 8). Paulo usa a palavra riqueza seis vezes em Efésios (1:7 e 18; 2:4 e 7; 3:8 e 16). Podemos ser pobres e destituídos de muitas formas, mas somos generosamente ricos na graça de Deus. Estamos livres da culpa do pecado.

Alguém perguntou a um rico industrial com quanta fortuna mais ele ficaria satisfeito. "Sempre um pouco mais", respondeu o multimilionário. Pergunte a um cristão, e a resposta será: "E o meu Deus, segundo a Sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades" (Filip. 4:19).

"Graça é favor imerecido, e o crente é justificado sem qualquer mérito seu próprio, sem nenhum direito a alegar a Deus. É ele justificado pela redenção que há em Cristo Jesus, que está nas cortes do Céu como substituto e penhor do pecador." (Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 398) -- Memorize esta citação; ela voltará à memória quando você estiver desanimado ou em dúvida sobre a salvação.

V - O mistério (Efés. 1:9-12)

5. Para que propósito Deus nos predestinou? Isso significa que Deus predestinou outros para outros propósitos? Se o propósito de Deus não se cumprir, em quem está a falha? Efés. 1:9-12

O povo de Deus tem motivos pelos quais louvá-Lo: eleição, adoção, redenção, perdão e aceitação. A lição de hoje acrescenta mais um: "O mistério da Sua vontade, [que Ele desvendou] segundo o Seu beneplácito" (v. 9).

Paulo usa a palavra mistério seis vezes em Efésios. O termo grego tem dois significados: primeiro, algo secreto e conhecido só de uns poucos; segundo, algo que anteriormente estava escondido mas agora foi revelado por Deus. É no segundo sentido que Paulo usa essa palavra.

6. Qual é esse "mistério" da vontade de Deus de que fala Paulo em Efésios 1:9-12?

Efésios 3 identifica o mistério como o plano de Deus de trazer à comunhão tanto judeus como gentios; isto é, criar uma humanidade sem divisões, uma igreja sem paredes. Mas existe outra dimensão para esse mistério. O que Cristo realizou por meio da cruz trazendo judeus e gentios a um só corpo é apenas um aperitivo do que Deus "propusera em Cristo, de fazer convergir nEle, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do Céu, como as da Terra" (Efés. 1:9 e 10). Assim como na "plenitude do tempo" (Gál. 4:4) Deus enviou Seu Filho para redimir e unir judeus e gentios, Ele tem o plano de unir nEle "todas as coisas" (Efés. 1:10) na plenitude do tempo – isto é, quando Cristo vier pela segunda vez.

"Este é o propósito divino – a restauração da unidade perdida. Deve necessariamente ser em Cristo, porque Ele é o centro de todas as coisas. ... A unidade do Universo de Deus foi desfeita pelo pecado. O mistério da vontade de Deus é Seu plano de restaurar essa unidade quando chegar a ocasião, restauração a ser realizada por intermédio de Cristo. Esse mistério culminará no fim do grande conflito, quando todas as coisas no Céu e na Terra serão unidas em Cristo, e o caráter da Divindade será vindicado." – (SDA Bible Commentary, vol. 6, pág. 1.000)

VI - Judeus e gentios (Efés. 1:11-14)

Em Efésios 1:11-13, Paulo apresenta um exemplo da nova unidade que Cristo traz entre judeus e gentios. Ele usa as palavras nós e vós – "fomos... feitos herança" (v. 11); "nós, os que de antemão esperamos em Cristo" (v. 12); "também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade" (v. 13). "Nós" refere-se aos cristãos judeus com quem Paulo se identifica, e "vós" se refere aos cristãos gentios.

Em que sentido os judeus foram os primeiros? Deus os escolheu primeiro para serem a Sua herança (Deut. 4:20; 9:29; Zac. 2:12). Pois a eles "foram confiados os oráculos de Deus" (Rom. 3:2). O evangelho foi pregado primeiro a eles (Rom. 1:16), e, conseqüentemente, os primeiros a crer no evangelho foram os judeus (João 1:11; 8:31; Atos 1:8; 3:26).

Ao dizer que os judeus foram os primeiros, porém, Paulo não atribui qualquer superioridade aos cristãos judeus. Realmente, ele diz em Efésios 1:13 que os gentios também creram, e o Espírito Santo Se tornou o "penhor da nossa [tanto judeus como gentios] herança" (v. 14).

No reino de Deus, o fato de conhecer pessoalmente a Cristo ou ter ido a Cristo em primeiro lugar não traz qualquer condição especial. O que se discute não é quando aceitamos o evangelho mas se permanecemos fiéis às suas reivindicações.

Paulo reforça a certeza da nossa herança referindo-se à obra do Espírito Santo, a quem ele dá três qualificativos. Primeiro, Ele é o Espírito da promessa. Deus prometeu o Espírito por meio de Jesus a todos os que se arrependem e crêem (Luc. 24:49; Gál. 3:14 e 16). Segundo, o Espírito é o selo de Deus. O selo é um sinal de propriedade e autenticidade. Deus faz que o Espírito habite dentro de nós como sinal de que somos Seus (veja também Rom. 8:14-17; II Cor. 1:22). Terceiro, o Espírito é a garantia de Deus. A palavra garantia também é traduzida como "depósito" ou "penhor". Pelo Espírito, Deus fez um depósito, um penhor, de que cumprirá todas as Suas promessas tanto para os judeus como para os gentios "em louvor da Sua glória" (Efés. 1:14).

Embora a experiência exata da salvação varie de pessoa para pessoa, os versos 13 e 14 falam de três passos básicos. Leia esses versos e escreva os processos expressos ali. Como eles refletem a sua experiência? Como a sua experiência foi diferente da descrita por Paulo? Existe alguma coisa que você pode fazer, ou mudar, para aprofundar ou enriquecer essa experiência? O quê?

VII - Estudo adicional

Antes da fundação do mundo: "O plano de nossa redenção não foi um pensamento posterior, formulado depois da queda de Adão. Foi a revelação ‘do mistério que desde tempos eternos esteve oculto’. Rom. 16:25. Foi um desdobramento dos princípios que têm sido, desde os séculos da eternidade, o fundamento do trono de Deus. Desde o princípio, Deus e Cristo sabiam da apostasia de Satanás, e da queda do homem mediante o poder enganador do apóstata. Deus não ordenou a existência do pecado. Previu-a, porém, e tomou providências para enfrentar a terrível emergência. Tão grande era Seu amor pelo mundo, que concertou entregar Seu Filho unigênito ‘para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna’. João 3:16." (O Desejado de Todas as Nações, pág. 22)

Predestinação divina: "No conselho do Céu foi feita a provisão de que os homens, embora transgressores, não deveriam perecer em sua desobediência, mas, pela fé em Cristo como seu substituto e segurança, poderiam se tornar eleitos de Deus, predestinados para a adoção de filhos por Jesus Cristo para Ele mesmo, de acordo com o beneplácito de Sua vontade. Deus deseja que todos sejam salvos. ... Os que perecerem morrerão porque se recusam a ser adotados como filhos de Deus por meio de Cristo Jesus." (SDA Bible Commentary, vol. 6, pág. 1.114)