Comunhão e conduta cristãs

Verso Central: "Orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos" (Efés. 6:18).

Leituras da semana: Sal. 119:9 e 11; Mar. 13:33; Efés. 6:17-24; II Tim. 3:15-17; I Ped. 5:8

I - Introdução

COMUNHÃO E CONDUTA. Desde a origem de nossa vida até o mistério da cruz que estabeleceu uma família unida; desde a alegria da salvação até a responsabilidade da vida cristã; desde a criação de uma nova humanidade até a realidade da guerra espiritual – tudo o que o apóstolo falou até agora na epístola tem seu fundamento na Palavra de Deus. Sem a Palavra de Deus, inspirada e revelada por Seu Espírito, não teríamos conhecimento da Sua vontade e dos Seus propósitos para nós. É por Sua Palavra que Ele nos fala diretamente.

Embora Deus fale conosco, devemos nós também falar com Deus. A vida cristã requer tanto que ouçamos o que Deus diz em Sua Palavra como que falemos com Ele pela oração. A Palavra e a oração provêem o poder suficiente para resistirmos ao mal e permanecermos no caminho escolhido por Deus. Nesta semana, entre outras coisas, vamos examinar o que Paulo diz sobre o papel e o poder da Palavra de Deus.

II - A Palavra e o Espírito

"Tomai... a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus" (Efés. 6:17).

Embora Paulo mencione a Palavra de Deus como a última das seis peças que compõem a armadura cristã, não é intenção dele torná-la menos importante. A Palavra é fundamental para a vida cristã. Sem ela, não saberemos quem é Deus, quem somos, como viemos a existir, o que está errado conosco, como somos salvos do pecado, o que Deus fez por intermédio de Cristo, nem qual é o nosso destino final. A história dá testemunho de que onde a Bíblia foi abandonada, mesmo que por um breve período, trevas de imensa magnitude assumiram o comando. Isto é verdade na vida individual, como também na igreja como um corpo. Então, não é por acidente que Paulo dá tanta importância à Palavra de Deus ao travarmos as batalhas espirituais da vida.

1. A Palavra de Deus é chamada de espada do Espírito. Qual é a relação entre o Espírito e a Bíblia? Resuma as respostas dadas nos versos seguintes:
              a. II Ped. 1:21               b. João 14:26               c. I Cor. 2:10


A revelação de Deus é vista de diversas maneiras (Heb. 1:1-3). A maravilha dos céus, as belezas da natureza e as maravilhas da vida dão testemunho do Deus Criador (Sal. 33:6-9). Mas a revelação de Deus por Seu Filho Jesus e pela Palavra escrita são inigualáveis no sentido de que a primeira nos traz salvação do pecado, e a última dá testemunho do ato salvador de Jesus (João 1:1-3 e 14; 5:39; 17:17; Rom. 15:4). Deste modo, a Bíblia nos faz sábios "para a salvação pela fé em Cristo Jesus" (II Tim. 3:15).

Note o que Paulo diz mais adiante sobre o papel das Escrituras na vida cristã: "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra" (II Tim. 3:16 e 17).

Em sua cultura, quais são as forças que têm o efeito (pretendido ou não) de enfraquecer a confiança na Bíblia como Palavra de Deus? Depois de identificar essas forças, pergunte: O que posso fazer para proteger a mim mesmo e aos outros contra elas?

III - A espada e a batalha

Em Mateus 4:1-11, Jesus nos deu um exemplo de como podemos confiar na Palavra de Deus na guerra contra Satanás. Sua experiência no deserto nos ensina duas lições importantes: Primeira: a guerra espiritual é real, e nenhum dos filhos de Deus pode escapar da sua realidade ou da violência de Satanás. Ele não ataca os que são seus. Quanto mais próximos estivermos de Deus, mais Satanás tentará nos levar para o seu lado (Jó 1 e 2). Segundo, não é suficiente conhecer a Palavra; devemos conhecer o Autor da Palavra e ter confiança em Suas promessas. Satanás tentou usar a Palavra para lançar dúvidas sobre as promessas e propósitos de Deus, mas Jesus confiava na Palavra e seguia o caminho de Deus. "Jesus enfrentou Satanás com as palavras da Escritura. ‘Está escrito’ (Mat. 4:4), disse Ele. Em toda tentação, Sua arma de guerra era a Palavra de Deus. Satanás exigia de Jesus um milagre, como prova de Sua divindade. Mas alguma coisa maior que todos os milagres – uma firme confiança num "assim diz o Senhor", era o irrefutável testemunho. Enquanto Cristo Se mantivesse nessa atitude, o tentador nenhuma vantagem poderia obter." – O Desejado de Todas as Nações, pág. 120.

2. Note nos versos abaixo como a Palavra de Deus nos capacita a vencer os assaltos de Satanás:
              a. Deut. 8:3; Mat. 4:4               b. Heb. 4:12               c. II Ped. 1:4               d. Sal. 119:9 e 11


O Espírito Santo, por intermédio de quem obtivemos a experiência do novo nascimento (João 3:3-8) é o selo e garantia dessa experiência (Efés. 1:13 e 14). Ele habita em nós (Rom. 8:9, 11 e 14; II Cor. 1:22), transforma nossa mente (Rom. 12:1 e 2), e nos leva à compreensão das Escrituras (Efés. 1:17-23; João 16:13). Foi o mesmo Espírito que inspirou a Palavra de Deus, e Seu poder de habitar em nós nos capacita a começar a estudar aquela Palavra como uma espada para desviar os ataques de Satanás. O soldado cristão deve usar essa Palavra, "viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes" (Heb. 4:12), para penetrar e cortar, discernir o certo do errado e distinguir entre a voz de Deus e as sugestões do diabo. É isso que faz da Palavra uma arma tanto de defesa como de ataque.

IV - A oração e a guerra cristã

"Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos" (Efés. 6:18).

Em O Peregrino, João Bunyan descreve uma cena de mudança em que Cristão se encontra com Apolião no grande Vale da Humilhação. Apolião, símbolo das forças satânicas, sai para esmagar os santos na marcha para o reino de Deus, e ataca Cristão com todas as armas à sua disposição. Armado com a espada do Espírito, Cristão trava uma batalha valorosa. No meio do combate mortal, Cristão perde a espada. Apolião se regozija porque a destruição de Cristão está próxima, mas Cristão procura outra arma experimentada chamada Toda-oração, e a batalha continua. Cristão, usando habilmente essa arma, derrota o inimigo e dá um grito poderoso de vitória!

3. Além de orar, Paulo advertiu os efésios sobre outra atitude diretamente ligada à oração. Qual é ela, e por que é tão importante? Efés. 6:18 Veja também Mar. 13:33; I Cor. 16:13; Col. 4:2; I Ped. 5:8

Embora Paulo não tenha incluído a oração como parte da armadura cristã, o apóstolo reconhece que esta é indispensável para a vida e vitória cristãs. "Orando em todo tempo... para isto vigiando", ele diz (Efés. 6:18). A oração não é só um princípio essencial para a vida cristã diária; ela também tem uma dimensão escatológica. A oração dá não apenas forças para hoje mas também esperança para as provas do tempo do fim. Uma vida protegida com a armadura de Deus, verdade, justiça, paz, fé, salvação e a Palavra – e ligada a Ele em oração – pode ser mais que vitoriosa sobre o mal.

Talvez, a maior ilustração da oração como meio de vitória esteja na vida de oração do nosso Senhor. Quarenta dias de jejum e oração, combinados com Seu conhecimento da Palavra de Deus e confiança nela, prepararam-nO para derrotar o diabo nas tentações do deserto (Mat. 4:1-11). A oração do Getsêmani, em que Jesus derramou o coração em agonia para conhecer e obedecer à vontade de Deus, preparou-O para a batalha decisiva na cruz (Mat. 26:36-46).

Faça uma lista de coisas que a oração faz por você. Faça uma lista de coisas que a oração não faz por você.

V - A oração e vitória cristã (Efés. 6:18-20)

Nos sistemas não-bíblicos, a oração é a busca do ser humano por Deus, uma procura pelo desconhecido. Na Bíblia, a oração é nossa resposta à Palavra de Deus. Ele falou. Ele prometeu. "Pedi", Ele disse (Mat. 7:7; Luc. 11:9). Respondamos ao Seu convite. Assim, para um cristão, a oração não é a primeira palavra; é a segunda. A primeira palavra é sempre de Deus. Confiando na promessa de Deus, devemos orar. Ouvindo a sua Palavra e buscando-O em oração temos completa comunicação com Deus.

A oração freqüentemente é associada com necessidades pessoais, nossos filhos, nossa família. Quanto mais próxima estiver uma pessoa do nosso coração, mais freqüentemente pensaremos naquela pessoa em nossas orações. Isso é natural, e não existe nada errado aí. Mas é errado quando a oração se limita só àquele círculo interno e não se expande para incluir os vizinhos, a comunidade, a igreja e, acima de tudo, o apressamento do reino de Deus. A oração pelos outros não significa que devamos ser magnânimos, mas reconhecer que a família de Deus é mais inclusiva do que a natureza humana nos faz crer.

4. Com base em Efésios 6:18-20, responda: como orar? Pelo que orar? Quando orar? – o que mais você aprendeu destes versos sobre a oração?

Observe, também, a nota pessoal que Paulo fez no meio de suas palavras aos Efésios. Ele pediu que eles orassem por ele. Mas o que ele pediu? Que fosse liberto da prisão? Que tivesse mais conforto pessoal, como comida melhor? Não! Ao contrário, em um pedido abnegado, pediu que eles orassem para que ele fosse uma testemunha corajosa de Cristo e que fosse ousado para falar, como [lhe] cumpria fazê-lo (v. 20). Que percepção sutil mas poderosa da mente de alguém que estava morto para o eu!

"Orai sem cessar" (I Tess. 5:17) exige que ordenemos a vida de acordo com a prioridade de Deus, para que em qualquer hora e qualquer lugar estejamos sintonizados com a vontade e os propósitos de Deus, e nossa vida se torne uma oração, um testemunho. Entre as suas prioridades, qual é a posição da oração? Que mudança você teria que fazer em sua vida a fim de dar à oração a prioridade que ela deve ter?

VI - Caráter cristão (Efés. 6:21-23)

Paulo concluiu a epístola assim como começou: com uma saudação bondosa em nome de Jesus. Embora estejamos cientes de que não existe nenhum outro nome dado debaixo dos céus pelo qual podemos ser salvos, a não ser pelo nome de Jesus, é imperativo perceber que não existe outro nome pelo qual podemos definir nossa relação com Deus e uns com os outros e estabelecer uma comunidade de fé. Esse tema domina a epístola, e com esse tema o apóstolo concluiu este grande hino à unidade.

Os versos finais da epístola afirmam três características maravilhosas do caráter cristão:

Um companheirismo comum. Com palavras ternas, Paulo apresentou aos efésios o mensageiro que levaria sua mensagem: "Tíquico, o irmão amado e fiel ministro do Senhor" (Efés. 6:21). Antes do encontro com Jesus na estrada de Damasco, Paulo não podia ter dito aquelas palavras sobre Tíquico. Mas, no Cristo crucificado, Paulo viu desmoronarem os muros entre os judeus e os gentios (Efés. 2:14-18). Ele aceitou Tíquico, um converso gentio, como irmão amado e ministro fiel. Nessa aceitação, vemos a glória de um companheirismo comum.

Uma preocupação comum. A comunidade em Cristo ultrapassa todos os tipos de fronteiras para afirmar uma preocupação comum. A igreja apostólica tinha uma troca de saudações personalizada, compartilhando notícias e ajudando nas necessidades das outras congregações. Preservando esse costume, Paulo informou aos efésios que Tíquico daria um relatório oral das condições em Roma. Essas preocupações contribuem para a consciência global no meio das igrejas.

Uma herança comum. A herança cristã é imperecível, e vem "da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo"... "a todos os que amam sinceramente" ao Senhor (Efés. 6:23 e 24). A Bíblia de Jerusalém traduz esta expressão por "com amor perene". O discipulado cristão pede uma permanência na relação entre os crentes e o Senhor. "Permanecei em Mim, e Eu permanecerei em vós", disse Jesus (João 15:4). Os que têm essa relação de amor eterno, permanente com o Senhor, são os que recebem a herança de paz, amor, fé e graça. Com estas grandes palavras, cada uma representando uma pedra preciosa na sala do trono de Deus no Céu, Paulo encerrou a epístola.

5. O que o motivo para enviar Tíquico a Éfeso revela sobre o caráter de Paulo? Em geral, segundo Paulo, como deve ser o caráter cristão? Veja também Mat. 4:23-25; Gál. 6:2; Filip. 2:4; I João 3:16

VII - Estudo adicional

A importância da oração: "A oração é a respiração do cristão, o conduto de todas as bênçãos. Quando... a pessoa arrependida faz Sua oração, Deus vê suas lutas, observa seus conflitos e percebe sua sinceridade. Ele tem o Seu dedo sobre o seu pulso, e toma nota de toda pulsação. Ela não é comovida por sentimento algum, agitada por emoção alguma, anuviada por nenhuma tristeza, manchada por pecado algum, enternecida por nenhum pensamento ou propósito de que Ele não esteja informado. Essa pessoa foi adquirida a um preço infinito, e é amada com inalterável devotamento."

Orar sempre: "Ore freqüentemente a seu Pai celestial. Quanto mais vezes você se empenhar em oração, mais será atraído em sagrada proximidade de Deus. O Espírito Santo fará intercessão pelo suplicante sincero, com gemidos inexprimíveis, e o coração será abrandado e sensibilizado pelo amor de Deus. As nuvens e sombras que Satanás lançar em torno da vida serão espancadas pelos brilhantes raios do Sol da Justiça, e as recâmaras da mente e do coração serão iluminadas pela luz do Céu."

Perguntas para consideração

1. Volte para o último paragrafo do ítem IV. Compare as listas. O que você aprendeu delas? Que idéias erradas ou falsas expectativas algumas pessoas podem ter sobre a oração? Por outro lado, como podemos correr o risco de subestimar a eficácia e o poder da oração?

2. Se somos salvos pela graça, por que o caráter é tão importante na vida do cristão? Por que a Bíblia põe tanta ênfase no caráter?