A armadura cristã

Verso Central: "Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis" (Efés. 6:13).

Leituras da semana: João 14:6; 18:38; Rom. 1:16 e 17; I Cor. 1:30; Efés. 6:13-18; I Tess. 5:8

I - Introdução

TODA A ARMADURA DE DEUS. "A vida cristã é uma batalha e uma marcha. Nesta guerra não há trégua; o esforço deve ser contínuo e perseverante. É assim fazendo que mantemos a vitória sobre as tentações de Satanás." – A Ciência do Bom Viver, pág. 453.

Embora não possamos escapar da guerra contra Satanás, recebemos duas certezas. Primeira, Cristo já derrotou Satanás na cruz, e Sua vitória é nossa (Gál. 2:20); segunda, Cristo nos proveu "toda a armadura de Deus" (Efés. 6:11). Não perca de vista o objetivo de Paulo ao falar de toda a armadura. O apóstolo menciona pelo menos seis artigos que compõem essa armadura. Precisamos de todos eles, porque todos são preparados e fornecidos por Deus como um conjunto, e não temos condições de negligenciar uma parte sem enfraquecer toda a armadura. Nesta semana, vamos estudar cinco dos seis, deixando o último para a próxima semana.

II - "Cingindo-vos com a verdade" (Efés. 6:14)

"Que é a verdade?" (João 18:38). Pilatos fez a Jesus talvez uma das mais importantes e freqüentes perguntas da vida. A humanidade tem-se debatido com a mesma pergunta ao longo da História. Considere algumas das respostas possíveis: A verdade é a lógica; a verdade é o que funciona; a verdade é relativa; a verdade é o que se pode observar; a verdade é o que minha religião ou meu sacerdote me diz.

1. Qual é o conceito bíblico de verdade?
              a. Isa. 65:16               b. Sal. 43:3               c. João 17:17               d. João 14:6


Em última instância, a visão cristã da verdade não é apenas um conceito, uma posição filosófica, ou uma declaração racional e lógica. Para o cristão, a verdade é uma pessoa: Jesus Cristo, em quem é revelada "toda a plenitude de Deus" (Efés. 3:19) e da Sua verdade. A verdade que existe em Jesus é uma verdade salvadora, redentora: requer a morte para o pecado e a vida de justiça, integridade moral, coerência espiritual e fidelidade às expectativas de Deus em todas as relações. A verdade não envolve só o que cremos, mas também o que fazemos. Unicamente um compromisso com Cristo pode armar cada um de nós com a verdade em um mundo de pecado e engano. Vem daí a advertência de Paulo em outro lugar: "Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências" (Rom. 13:14).

Nos tempos do Novo Testamento, os soldados romanos amarravam um cinto ao redor da cintura para erguer a roupa a fim de poderem marchar sem empecilhos. O cinto do cristão é a verdade. Jesus, a verdade, deve envolver todo o nosso ser a fim de que aquilo que somos por dentro ou o que somos por fora não se torne um impedimento em nossa guerra espiritual. Nossa conversa e nossa conduta, nossa adoração e nosso trabalho, revelarão que estamos submissos àquele que é a verdade e em quem não existe variação.

Como você responderia à pergunta: O que é verdade? O que o conhecimento da verdade pode fazer por você?

III - A couraça da justiça (Efés. 6:14)

A segunda parte da armadura cristã é a couraça da justiça. Se a verdade de Deus, como é revelada em Cristo, forma a fundação da vida e da integridade cristã, essa vida precisa ser defendida pela couraça da justiça. Os soldados romanos vestiam uma grande placa de metal desde o pescoço até a coxa para proteger os órgãos vitais contra os ataques do inimigo – mais ou menos como os coletes à prova de balas de hoje. A vida cristã não é protegida por uma couraça feita de metal, mas pela justiça que tem sua fonte e significado em Deus.

2. Como Paulo descreve essa justiça? Como é revelada, como é recebida e que benefícios traz para quem a possui? Rom. 1:16 e 17; I Cor. 1:30; II Cor. 5:21

A justiça é uma característica distintiva do próprio Deus (Isa. 59:17; Rom. 3:26; II Tim. 4:8), e isso foi revelado por Cristo, que nos redimiu do pecado (Rom. 1:16 e 17). Foi por essa justiça revelada em Cristo que Deus nos justificou (Rom. 3:25 e 26) – isto é, Ele nos declarou justos e perdoou nossos pecados. Assim, a justiça de Cristo torna possível um relacionamento correto com Deus. Então, seguramente, não existe maior proteção contra os ataques de Satanás que do estar em uma relação correta com Deus.

Cristo, nossa justiça, é, portanto, nossa couraça. Permanecer com Deus, estar vestido com a justiça de Cristo, ser para sempre fiel à graça salvadora de Deus, é anunciar ao diabo: "Se Deus é por nós, quem será contra nós? ... Quem [nos] condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós" (Rom. 8:31-34).

3. Como a justiça, uma relação correta com Deus, será vista na vida do cristão? Rom. 6:10-14

Justiça, como relação correta com Deus, deve levar à vida correta. É um chamado para o discipulado, no qual a vida é coerente com o caráter daquele que chama, com o próprio Cristo. Ser justo é ser semelhante a Cristo em obediência à lei de Deus, em retidão moral, em uma vida de correção e integridade, estendendo o amor de Cristo a todos.

Como podemos vestir a couraça da justiça? Como esse ato de vestir se relaciona com a experiência de "Cristo ... em mim" descrita em Gálatas 2:20? Quem veste a justiça precisa se despir de alguma coisa? De quê?

IV - Para os pés, o evangelho da paz (Efés. 6:15; Isa. 52:7)

4. Como são calçados os pés do guerreiro cristão? Efés. 6:15

Paulo estava usando imagem militar, como nos versos anteriores. Aparentemente, ele se referia aos sapatos ou botas calçadas pelo exército romano. Os soldados romanos usavam um tipo de calçado que assegurava forte aderência ao chão durante o combate. Soldados não podem escorregar e cair em plena batalha contra os inimigos. Igualmente, os cristãos também precisam estar firmes e inabaláveis na verdade do evangelho a fim de serem vitoriosos na guerra espiritual. A New English Bible traduz assim Efésios 6:15: "Que os calçados em seus pés sejam o evangelho da paz, a fim de lhes darem um apoio firme." Se os pés são o nosso fundamento, e precisam dar firmeza para que todo o corpo permaneça estável, não devemos ficar admirados de que o evangelho da paz seja o fundamento do que cremos. Realmente, não importa quão importantes sejam as outras verdades que nos foram dadas, tudo precisa descansar no fundamento da mensagem do evangelho da salvação pela fé em Jesus Cristo. Se não tivermos esse fundamento, tudo mais se desintegrará.

5. Qual é a relação entre as três mensagens angélicas e o evangelho? Apoc. 14:6-12

Note que Paulo usa a expressão evangelho da paz. Na Bíblia, representa a tranqüilidade que vem como resultado da vitória sobre o pecado e o eu. É uma palavra relacional – relação de reconciliação entre nós e Deus (Rom. 5:1) e de união entre nós mesmos, a comunidade humana, particularmente a comunidade de fé. Então, os cristãos são instruídos a procurarem a paz a todo momento (II Tim. 2:22; I Ped. 3:11). Alienação com Deus e de uns com os outros põe em risco o chamado cristão e nos deixa ao alcance dos estratagemas de Satanás.

Você conhece a paz do evangelho? Se não, que mudanças você precisa fazer a fim de conhecer por si mesmo esse dom maravilhoso?

V - O escudo da fé (Efés. 6:16)

O texto grego inicia este verso com uma preposição que significa "acima de tudo". Esta passagem diz três coisas sobre a fé como parte vital da armadura cristã: Primeiramente, acima de tudo o mais, tomai o escudo da fé. Acima de tudo não significa que este artigo é o mais importante, mas que é indispensável. O que Paulo diz é: "Além de todos estes" (Goodspeed) ou "além disso" (NVI), tenha certeza de tomar o escudo da fé. Segundo, a fé é fundamental para a vida e a vitória cristã.

6. Qual é o papel da fé para a salvação? Heb. 11:6. Como a fé se relaciona com Efésios 6:16?

7. O que Tiago 2:18-20 acrescenta para ajudar a definir o que é a fé bíblica?

Como entender o significado da fé nestes versos? Não é tanto de se dizer: "Eu creio isso" mas afirmar: "Eu creio nEle". O primeiro é uma concordância intelectual com um corpo de doutrinas (Efés. 4:13), mas o segundo é uma confiança básica em Deus.

"A fé é a confiança em Deus, ou seja, a crença de que Ele nos ama e conhece perfeitamente o que é para o nosso bem. Assim ela nos leva a escolher o Seu caminho em vez de o nosso próprio. Em lugar da nossa ignorância, ela aceita a Sua sabedoria; em lugar de nossa fraqueza, aceita a Sua força; em lugar de nossa pecaminosidade, Sua justiça. Nossa vida e nós mesmos somos já Seus; a fé reconhece essa posse e aceita as bênçãos dela." – Educação, pág. 253.

Tal fé nos capacita a "apagar todos os dardos inflamados do maligno" (Efés. 6:16). Esses dardos inflamados do inimigo tomam diferentes formas: tentação, dúvida, sensualidade, desespero, provação, rebelião, culpa etc.

O escudo romano media cerca de um metro de altura por meio metro de largura. Era feito de madeira e couro forte, com armação de ferro. Com o escudo em uma das mãos e a espada na outra (nosso estudo da próxima semana), o soldado estava equipado tanto para a defesa como para o ataque. A fé em um Deus infalível nos dá confiança absoluta para resistirmos a Satanás com toda a coragem. O próprio Deus "é escudo para os que nEle confiam" (Prov. 30:5).

Em sua experiência, contra quais "dardos inflamados" a fé o protegeu? Da dúvida? Desânimo? Medo? Descreva o processo pelo qual a fé o ajudou. O que você aprendeu para ajudar outros que podem estar sendo atingidos pelos mesmos ataques?

VI - O capacete da salvação (Efés. 6:17; I Tess. 5:8)

Albert era jovem, bonito, inteligente e muito promissor. Ele era o encanto dos seus pais e uma bênção para a comunidade da pequena igreja com que ele partilhava seu amor pela música, suas habilidades com o computador e seu conhecimento da Bíblia. As crianças gostavam de estar com ele. Os mais velhos sabiam, com certeza, que ele seria alguém de quem sua comunidade poderia se orgulhar. Mas, no dia em que ele completou 18 anos, a tragédia atingiu Albert, mergulhando seus pais em dor e a pequena comunidade adventista em tristeza insuportável. Poucos minutos depois de sair de casa para ir a uma loja ali perto a fim de comprar algo de que um vizinho idoso precisava, um caminhão em alta velocidade atingiu a motocicleta de Albert por trás, e ele caiu de cabeça no chão. "Graves ferimentos na cabeça", disse o médico legista. "Se ele tão somente houvesse colocado o capacete..."

O capacete é usado para proteger a cabeça. Em muitas partes do mundo, a lei exige o uso de um capacete como proteção contra diversos perigos. No tempo de Paulo, o capacete, feito de metal duro, como bronze ou ferro, era o equipamento padrão dos soldados. Nenhuma espada poderia cortá-lo.

O mesmo acontece na guerra cristã. Os crentes devem usar capacete para proteger o centro de sua vontade, pois ali são tomadas sérias decisões sobre onde devem estar sua lealdade e suas esperanças. Paulo identifica esse capacete como a salvação que nos é dada por Cristo.

8. Leia I Tessalonicenses 5:8, onde Paulo também usou a imagem de um capacete. Como ele aplica essa imagem?

Como cristãos, temos que viver com a "esperança da salvação" (I Tess. 5:8). E podemos ter essa esperança, porque ela está em nós; não naquilo que podemos realizar mas só no que Cristo fez por nós. Se a salvação fosse conseguida pelas obras, ou por quanto podemos realizar ou por quão santos poderíamos nos tornar – quem não acabaria desistindo em desespero? A boa notícia, porém, é que as obras de Jesus, Sua realização, Sua santidade é que nos dão a esperança da salvação. Se essa esperança tivesse como base outra coisa qualquer, mais cedo ou mais tarde ela seria perdida.

Assim, embora Satanás freqüentemente lance dúvidas sobre nossa experiência de salvação, não precisamos temer. Enquanto permanecermos em Cristo, vestindo o capacete da salvação, Ele será nossa garantia (João 6:37-39; Rom. 8:31-39; I Ped. 1:3-10).

VII - Estudo adicional

A armadura celestial: "Se estivermos usando a armadura celestial, descobriremos que os assaltos do inimigo não terão poder sobre nós. Os anjos de Deus estarão ao nosso redor para nos proteger."

O cinto da verdade. "Não há absolutamente outra salvaguarda contra o mal senão a verdade. Nenhum homem em cujo coração não habite a verdade pode ficar firme pelo direito. ..."

A couraça da justiça: "Todos os que se vestiram da justiça de Cristo estarão perante Ele como escolhidos, e fiéis e leais. Satanás não tem poder para arrancá-los da mão do Salvador. Ninguém que em fé reclame a Sua proteção, permitirá Cristo que passe para o poder do inimigo."

O escudo da fé. "A fé salvadora é um ajuste pelo qual aqueles que recebem a Cristo se unem a Deus em concerto. Fé genuína é vida. Uma fé viva significa acréscimo de vigor, segura confiança pela qual o cristão se torna vitorioso."