Evangelhos

"Contamos a vocês o que vimos e ouvimos" (I João 1:3)



Há pouco tempo, comecei um estudo pessoal sobre os quatro Evangelhos. É muito provável que você já tenha lido várias das histórias contadas por Mateus, Marcos, Lucas e João, e é quase impossível que desconheça seu personagem principal: Jesus Cristo. No entanto, há detalhes que podem alterar completamente a maneira de ler e entender o texto. Como em qualquer livro inspirado, os autores, as histórias e as palavras não foram escolhidos par acaso, porque cumprem uma missão especial: atingir diferentes pessoas, em diferentes lugares, com a história do Homem da cruz.

Antes, porém, precisamos por as coisas no lugar. A sequência em que os livros aparecem em nossa Bíblia (Mateus, Marcos, Lucas e João) não segue a ordem em que os relatos foram escritos. Provavelmente, Marcos tenha sido o primeiro a registrar suas memórias.

E o evangelho do garoto nu (Mc 14:51-52), das palavras apressadas, dos muitos milagres, das cenas simultâneas, dos relatos intercalados - do Cristo em ação. É um grito urgente: Jesus é o Filho de Deus! (Mc 1:1).

E você já observou a forma como Jesus entra nas páginas de Marcos? Por meio do relato do Seu batismo (Mc 1:9-12) - no inicio de Seu ministério, quando Seus feitos milagrosos tomam lugar.

O segundo relato a ser escrito foi o de Mateus. É o Evangelho do judeu, das profecias se cumprindo (Mt 2:15), do novo monte, da nova lei, do novo Moisés, do novo reino - do Cristo Messias. E como Ele é apresentado? Em Seu nascimento (Mt 1:18-25), ligado historicamente ao rei Davi por uma extensa árvore genealógica, cheia de significados. Era o que os ouvidos judeus precisavam ouvir.

Em seguida, vem Lucas. Ele foi o único autor bíblico não judeu, e por isso mesmo escreve especialmente para cristãos de origem estrangeira. É o Evangelho que mais fala de estrangeiros, escravos, leprosos, cegos, pobres e mulheres. Lucas conheceu bem a dor dos excluídos. E você sabe como Jesus entra em cena nesse caso? Ainda no ventre de Maria (Lc 1:26-38) - uma mulher jovem, solteira e grávida. Jesus é o Filho da mulher solteira, o Nazareno, Filho do carpinteiro. É o samaritano, é o excluído.

Por último, aparece João. O quarto é o Evangelho do meu coração e das minhas lágrimas. É o registro das memórias mais bonitas do idoso discípulo. Foi escrito no fim do primeiro século, também para um grupo especial de cristãos. É o Evangelho da cruz, dos sinais, da Palavra. Perceba que até aqui existe uma espécie de progressão pelo avesso nos quatro evangelhos: em Marcos, Jesus aparece em Seu batismo; em Mateus, em Seu nascimento; em Lucas, na anunciação de Seu nascimento; e em João, os holofotes São apontados para um lugar no tempo desconhecido de todos.

E Jesus? É apresentado como a palavra divina e existente desde a eternidade (Jo 1:1).Ele é Deus. Ele é eterno. Ele é a Palavra. João foi o último dos discípulos a morrer; por isso, escreveu para a segunda geração de crentes - os que não viram o Cristo. Ele concentra suas atenções no poder transcendente de Jesus, que rompe com as barreiras do tempo e do espaço,que não está limitado ao toque e a Sua presença apenas, mas que se manifesta com a mesma força também por Sua Palavra.

Jesus Cristo é a boa noticia da Bíblia para você, independentemente de seu sobrenome, nacionalidade, antecedentes ou posição na linha cronológica da fé. Ele é o abraço humano que seca lágrimas e alivia dores, mas é também o poder divino para mudar circunstâncias e realizar salvação. É o elo definitivo entre a Terra e o Céu. Essa e a melhor notícia que poderíamos receber. Por isso, se chama evangelho.


(Pastor Cândido Gomes)