Daniel 2 - Explicação Verso por Verso

Sete Palavras Proféticas

O príncipe Zenrie era ainda jovem quando tornou-se o rei da Pérsia. Diz o conto que ele gostaria de possuir uma história universal. Seus homens se lançaram a tarefa de preparar exatamente aquilo que ele almejava. Gastaram 20 anos. Então, trouxeram uma caravana de 12 camelos, cada urn carregando 500 volumes. O secretário da sociedade histórica fez a apresentação com um pequeno discurso.

O rei lhes agradeceu o árduo trabalho.

- Mas - disse ele - eu já estou na meia-idade. Estarei velho antes de conseguir ler esses 6 mil volumes. Por favor, resumam o material para mim.

Vinte anos mais tarde, eles voltaram com três camelos e 1.500 volumes.

- Aqui esta o nosso trabalho - disseram. - Nada importante foi omitido.

- Mas, agora, estou velho. Nunca poderia ler tudo isso. Vocês têm que resumir ainda mais.

Dez anos mais tarde, voltaram a presença do rei com 500 volumes. Mas ele disse:

- Estou muito velho para ler tudo isso. Vocês precisam resumir o conteúdo.

Cinco anos depois, voltaram com apenas um volume, mas o rei estava velho demais para lê-lo. Encontrava-se no leito de morte.

Historia mundial em oito versos: Daniel não precisou de 6 mil volumes para registrar a história mundial. Ele conseguiu descrevê-la em oito versos curtos, abarcando a história da pompa e do poder deste mundo. Nesses oito versos, ele retorna 25 séculos e delineia a ascensão e queda de reinos e impérios, olhando para além dos nossos dias: para o tempo da volta de Cristo. Não há linguagem humana que possa conceber um registro tão curto e, ainda assim tão completo, da verdade histórica.

1 No segundo ano do reinado de Nabucodonosor, teve este um sonho; o seu espírito se perturbou, e passou-se-lhe o sono.

O objeto dos pensamentos deste tirano do Oriente ao recolher-se para dormir tornou-se o objeto de seus sonhos. Os pensamentos dele giravam em torno do futuro bem-estar do seu reino. Possivelmente, imaginava aquele grande reino durando para sempre. Mas, será que os seus oficiais permaneceriam leais? Seria ele derrotado da mesma maneira que ele e o pai derrotaram o império assírio?

No meio da noite, ele expediu uma ordem para que todos os homens que viviam na corte e se diziam habilitados a tratar de fenômenos sobrenaturais se reunissem e viessem até os aposentos do rei para que "declarassem ao rei qual tinha sido o seu sonho". Não importava ao rei tirar uma dúzia ou dez dúzias de homens da cama; ele tinha que ver seu capricho satisfeito imediatamente, a despeito dos problemas ou inconvenientes que isso pudesse causar para os outros. Por que razão o rei toleraria esses homens a sua volta, se não Fosse para que o ajudassem em momentos como esse?

2 Então, o rei mandou chamar os magos, os encantadores, os feiticeiros e os caldeus, para que declarassem ao rei quais lhe foram os sonhos; eles vieram e se apresentaram diante do rei.

3 Disse-lhes o rei: Tive um sonho, e para sabê-lo está perturbado o meu espírito.

Um grupo impressionante: Que grupo de homens poderosos se reuniu em volta do rei! Eles representavam a sabedoria e a erudição de todas as nações. Eram sacerdotes e profetas dos deuses de Babilônia, que eram considerados os maiores de todos os deuses. Quem eram eles?

Os magos: Eles diziam ser capazes de revelar os segredos dos deuses através de mágica e adivinhação. Como os feiticeiros da África, eles buscavam descobrir o nome de inimigos pelo usa de "encantamentos", "feitiços", "vaticínios" e "magias". Muitos tabletes de barro em que estão descritas as magias daqueles magos foram encontrados nas ruínas dos palácios babilônicos. Magia e idolatria são mencionadas como irmãs gêmeas.

Astrólogos: Esses diziam ser capazes de predizer o futuro através do estudo da posição relativa de estrelas e planetas. Eles acompanhavam governantes, dizendo-lhes o momento propicio para a tomada de certas decisões.

Encantadores: Era a responsabilidade deles proteger o povo, repelindo demônios. Usavam encantamentos e passes de mágica. Eram os médiuns e espiritualistas a quem a lei de Moises condenava à morte.

Caldeus: Eram membros de uma tribo armênia cujos antigos agrupamentos tiveram lugar na Baixa Mesopotâmia. Eles constituíam o grupo étnico predominante em Babilônia, e ofereciam serviços dos mais variados. O pai de Nabucodonosor era oriundo dessa tribo, e é compreensível que o rei os chamasse em situações de emergência. Eram os primeiros a falar quando se punham diante do governante, com todos os demais prontos a fazer o que eles determinassem.

4 Os caldeus disseram ao rei em aramaico: Ó rei, vive eternamente! Dize o sonho a teus servos, e daremos a interpretação.

Os sábios que estavam de serviço foram chamados. Eles sempre tinham respostas para tudo. Compareceram diante do rei, cada um suspirando pelas ricas recompensas que receberiam. Cheios de confiança, apresentaram-se ao rei.

Indubitavelmente, já haviam sido chamados muitas vezes para interpretar os sonhos do rei. Normalmente, extraíam informações suficientes para formar uma base para interpretações falsas, de caráter unicamente humano. De boa fé, o rei normalmente relatava o sonho e esses homens sábios retiravam-se para, supostamente, consultar os deuses. Mas, na verdade, iam discutir entre si uma interpretação que satisfizesse o orgulho e as fantasias do rei. Eles não tinham dúvidas sobre sua habilidade para produzir interpretações. Se tão-somente o rei pudesse contar-lhes o sonho, o resto seria fácil.

5 Respondeu o rei e disse aos caldeus: Uma coisa é certa: se não me fizerdes saber o sonho e a sua interpretação, sereis despedaçados, e as vossas casas serão feitas monturo;

6 mas, se me declarardes o sonho e a sua interpretação, recebereis de mim dádivas, prêmios e grandes honras; portanto, declarai-me o sonho e a sua interpretação.

O rei Nabucodonosor tinha vinte e poucos anos naquele tempo e, portanto, não muito mais velho do que Daniel. Era um homem astuto, sendo capaz de julgar se eram genuínas ou fraudulentas as alegações das pessoas em sua volta. Pode ser colocado entre os monarcas mais capazes e inteligentes que já existiram.

O rei não estava disposto a facilitar para os magos. Deus fizera com que ele esquecesse o sonho, de modo que não viesse a confiar naqueles homens. Estava aterrorizado com o que vira, mas não conseguia lembrar-se do que era. Quanto mais se esforçava para lembrar o sonho, tanto mais o sonho se desvanecia da memória. Lembrava-se de que aquilo que vira era uma cena grandiosa que lhe causara muito medo. Sua alma estava apertada com pressentimentos, seu espírito estava perturbado, mas não conseguia lembrar-se dos detalhes.

7 Responderam segunda vez e disseram: Diga o rei o sonho a seus servos, e lhe daremos a interpretação.

8 Tornou o rei e disse: Bem percebo que quereis ganhar tempo, porque vedes que o que eu disse está resolvido,

9 isto é: se não me fazeis saber o sonho, uma só sentença será a vossa; pois combinastes palavras mentirosas e perversas para as proferirdes na minha presença, até que se mude a situação; portanto, dizei-me o sonho, e saberei que me podeis dar-lhe a interpretação.

O pedido deles - de que o rei primeiro lhes relatasse o sonho – deixou o rei furioso. Ele os ameaçou com terrível destruição caso fossem incapazes de revelar e interpretar o sonho, e lhes ofereceu ricas recompensas caso eles tivessem sucesso.

O rei os acusou de quererem ganhar tempo. É possível que eles esperassem que, se pudessem ganhar um pouco de tempo, o rei pudesse lembrar-se do sonho. Ou talvez perdesse o interesse no que sonhara. Com mais tempo, talvez pudessem achar outro jeito de escapar.

10 Responderam os caldeus na presença do rei e disseram: Não há mortal sobre a terra que possa revelar o que o rei exige; pois jamais houve rei, por grande e poderoso que tivesse sido, que exigisse semelhante coisa de algum mago, encantador ou caldeu.

11 A coisa que o rei exige é difícil, e ninguém há que a possa revelar diante do rei, senão os deuses, e estes não moram com os homens.

Agora, acusavam o rei de ser um déspota pouco razoável. Ele estava ordenando o impossível. Um pedido daquele tipo só poderia ser atendido pelos "deuses, e estes não moram com os homens".

O rei percebeu a fragilidade do argumento. Se aqueles deuses, cuja morada não é com os homens, pudessem dar uma resposta, eles não teriam problemas. Diziam estar em contato com os deuses e que suas interpretações vinham deles. Se os deuses podiam interpretar, por que não podiam revelar o sonho? Esses pobres astrólogos estavam admitindo que não podiam desvendar segredos, que não estavam em contato com os deuses. Deus estava preparando Nabucodonosor para aceitar o verdadeiro Deus, o único que realmente podia interpretar o sonho.

12 Então, o rei muito se irou e enfureceu; e ordenou que matassem a todos os sábios da Babilônia.

13 Saiu o decreto, segundo o qual deviam ser mortos os sábios; e buscaram a Daniel e aos seus companheiros, para que fossem mortos.

Aparece o verdugo: Arioque, o verdugo-chefe, apareceu na casa de Daniel para executar o decreto. Parece que Daniel foi pego de surpresa. Alguns comentaristas dizem que Daniel e seus companheiros moravam separados dos demais, e não estavam presentes quando os outros sábios foram desacreditados diante do rei. Outros sugerem que Daniel havia sido propositadamente excluído por ser um judeu cativo. Isso teria sido um caso de discriminação étnica. Se Fosse verdade, mostraria claramente a diferença entre Daniel e seus colegas babilônios.

Eles procuraram excluí-lo da honra de ser consultado pelo rei, mas ele estava ansioso para realizar algo que os salvasse da destruição.

14 Então, Daniel falou, avisada e prudentemente, a Arioque, chefe da guarda do rei, que tinha saído para matar os sábios da Babilônia.

15 E disse a Arioque, encarregado do rei: Por que é tão severo o mandado do rei? Então, Arioque explicou o caso a Daniel.

16 Foi Daniel ter com o rei e lhe pediu designasse o tempo, e ele revelaria ao rei a interpretação.

Uma corda para a execução: Daniel não tinha a menor idéia do que era o sonho, mas a sua fé sublime em Deus permitiu que ele assegurasse ao rei que ele teria uma resposta. Em vez de ser introduzido na câmara de execução, foi conduzido ate a presença do rei. Da presença do monarca, foi ate a presença do Rei dos reis. O mundo carece de Daniéis modernos que, ao não encontrarem resposta para os problemas da vida, apegam-se a Deus invocando Sua intervenção no assunto em pauta. Em vez de depender da sabedoria humana, Daniel dependia da sabedoria divina, que é muito diferente da sabedoria do mundo. O rei concedeu-lhe tempo, e ele dobrou os joelhos.

17 Então, Daniel foi para casa e fez saber o caso a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros,

18 para que pedissem misericórdia ao Deus do céu sobre este mistério, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem com o resto dos sábios da Babilônia.

Reunião de oração de emergência: Tanto na emergência como em tempos normais, Daniel era um homem de oração. Ele reuniu os três amigos e lhes pediu que se unissem a ele em fervorosa oração para que Deus pudesse livrá-los da morte, revelando o segredo do sonho do rei. Ele podia orar sozinho, mas reconheceu a necessidade de companhia e comunhão. Unidos em espírito, os quatro dobraram os joelhos rogando a Deus que, Iá de cima, enviasse uma resposta.

19 Então, foi revelado o mistério a Daniel numa visão de noite; Daniel bendisse o Deus do céu.

20 Disse Daniel: Seja bendito o nome de Deus, de eternidade a eternidade, porque dele é a sabedoria e o poder;

21 é ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes.

22 Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz.

23 A ti, ó Deus de meus pais, eu te rendo graças e te louvo, porque me deste sabedoria e poder; e, agora, me fizeste saber o que te pedimos, porque nos fizeste saber este caso do rei.

Tente imaginar o êxtase quando, durante aquela vigília de oração, Deus deu a Daniel uma visão revelando o mistério do sonho real. Daniel explodiu em poesia! Daniel glorificou o Deus dos céus. Ele não esqueceu de louvar a Deus por responder sua oração. Muitas pessoas agem como cristãos quando se trata de pedir bênção a Deus, mas agem como ateus quando se trata de agradecer-Lhe as bênçãos concedidas.

DEle é a sabedoria e o poder: Daniel reconheceu que a sabedoria e o poder formam extraordinária combinação. É essencial que se tenha sabedoria para que se saiba o que é melhor. Acrescente-se a isso o poder para executar os planos, e têm-se a combinação perfeita.

É Ele quem muda o tempo e as estações: Deus tem o perfeito controle da natureza. Os humanos são confinados pelos limites do tempo, mas Deus está além e acima desses limites.

Remove reis e estabelece reis: O monarca mais poderoso do mundo, que aparenta não estar sujeito a ninguém, está sob o controle do Rei dos reis.

Ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes: Deus desdenha e considera ridícula a sabedoria do mundo. Os intelectuais da corte de Nabucodonosor ficaram totalmente frustrados quando tiveram de encarar a própria ignorância. Somente Deus é o verdadeiro mestre. Somente Ele tem as respostas.

Ele revela o profundo e o escondido: Deus, em Sua graciosa misericórdia, compartilha com seres finitos coisas que nunca poderiam ser compreendidas, exceto por meio da revelação.

Conhece o que está em trevas; e com Ele mora a luz: Deus é um Deus de luz. No primeiro dia da Criação, Ele disse: "Haja luz." O reino de Satanás é reino de trevas.

24 Por isso, Daniel foi ter com Arioque, ao qual o rei tinha constituído para exterminar os sábios da Babilônia; entrou e lhe disse: Não mates os sábios da Babilônia; introduze-me na presença do rei, e revelarei ao rei a interpretação.

A primeira petição de Daniel foi em favor dos colegas babilônios. Seus sistemas pagãos de adivinhações não tinham a menor condição de revelar o mistério. E continuavam tão merecedores da condenação como nunca. Mesmo assim, Daniel estava ansioso que também recebessem os benefícios dados por Deus a ele próprio, e assim a vida deles foi poupada. Quantas vezes os iníquos são beneficiados pela presença dos justos! Se apenas dez justos pudessem ser encontrados em Sodoma, a multidão de seus perversos habitantes seria poupada por causa daqueles justos. Mesmo assim, os perversos desprezam, ridicularizam e oprimem exatamente aqueles por meio de quem lhes são possibilitadas as alegrias e as bênçãos da vida.

25 Então, Arioque depressa introduziu Daniel na presença do rei e lhe disse: Achei um dentre os filhos dos cativos de Judá, o qual revelará ao rei a interpretação.

Achei um homem! Arioque tentou dar a Nabucodonosor a impressão de que ele estivera procurando alguém para interpretar o sonho do rei e, como resultado de sua diligente busca, finalmente encontrara. Ele estava ansioso para obter alguma vantagem do que aconteceria a seguir.

26 Respondeu o rei e disse a Daniel, cujo nome era Beltessazar: Podes tu fazer-me saber o que vi no sonho e a sua interpretação?

27 Respondeu Daniel na presença do rei e disse: O mistério que o rei exige, nem encantadores, nem magos nem astrólogos o podem revelar ao rei;

28 mas há um Deus no céu, o qual revela os mistérios, pois fez saber ao rei Nabucodonosor o que há de ser nos últimos dias. O teu sonho e as visões da tua cabeça, quando estavas no teu leito, são estas:

O rei parecia estar questionando a habilidade de alguém tão jovem e inexperiente em fazer aquilo que os seus veneráveis sábios não conseguiram. Daniel foi em frente e apresentou para Nabucodonosor o verdadeiro Deus, o Governante do Céu e da Terra, o único revelador de segredos. É Ele, disse Daniel, quem "fez saber ... o que há de ser nos últimos dias".

29 Estando tu, ó rei, no teu leito, surgiram-te pensamentos a respeito do que há de ser depois disto. Aquele, pois, que revela mistérios te revelou o que há de ser.

30 E a mim me foi revelado este mistério, não porque haja em mim mais sabedoria do que em todos os viventes, mas para que a interpretação se fizesse saber ao rei, e para que entendesses as cogitações da tua mente.

Daniel dispensou qualquer crédito pessoal pela interpretação. Ele informou ao rei que, embora o sonho lhe Fosse revelado, isso não ocorreu por sua própria sabedoria ou mérito.

31 Tu, ó rei, estavas vendo, e eis aqui uma grande estátua; esta, que era imensa e de extraordinário esplendor, estava em pé diante de ti; e a sua aparência era terrível.

32 A cabeça era de fino ouro, o peito e os braços, de prata, o ventre e os quadris, de bronze;

33 as pernas, de ferro, os pés, em parte, de ferro, em parte, de barro.

34 Quando estavas olhando, uma pedra foi cortada sem auxílio de mãos, feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmiuçou.

35 Então, foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais se fizeram como a palha das eiras no estio, e o vento os levou, e deles não se viram mais vestígios. Mas a pedra que feriu a estátua se tornou em grande montanha, que encheu toda a terra.

36 Este é o sonho; e também a sua interpretação diremos ao rei.

O rei nunca havia ouvido ou visto um milagre como esse. Ali estava alguém que podia tornar explicitas as particularidades de um sonho sem que tivesse recebido nenhuma pista de ninguém.

37 Tu, ó rei, rei de reis, a quem o Deus do céu conferiu o reino, o poder, a força e a glória;

38 a cujas mãos foram entregues os filhos dos homens, onde quer que eles habitem, e os animais do campo e as aves do céu, para que dominasses sobre todos eles, tu és a cabeça de ouro.

Ouro: Para o monarca babilônio deve ter sido muito agradável ouvir que ele próprio era a cabeça de ouro! Ele não somente ficou lisonjeado, mas também deve ter ficado impressionado pelo modo como a explicação se encaixava.

Heródoto, que esteve em Babilônia cerca de 90 anos após a era de Nabucodonosor, ficou chocado com a quantidade de ouro que encontrou dentro do santuário de Belo. Ele viu tábuas de ouro, uma imagem do deus "todo de ouro" sentada em trono de ouro erguido sobre uma base de ouro, diante de "grande mesa de ouro". Todo o ouro usado para fazer esses objetos sagrados chegava a 800 talentos. Fora do templo também havia um altar de "ouro maciço" (ver Charles Boutflower, In and Around the Book of Daniel, págs. 24-26). Era propósito de Nabucodonosor construir uma cidade dourada e, em triunfo, a edificou.

É difícil descrever o reino dourado da Babilônia de Nabucodonosor. A cidade de Babilônia foi assentada num quadrado perfeito, com um perímetro de 96 quilômetros, 24 quilômetros de lado. Era cercada por um muro de aproximadamente 100 metros de altura e 30 metros de espessura, e uma vala de semelhante capacidade cúbica, que seguia ao longo do muro. A cidade era dividida em quarteirões cortados por muitas ruas planas e retas, cada qual com 50 metros de largura.

A cidade era cercada com 96 quilômetros de valas e 96 quilômetros de muro. Um rio cortava a cidade pelo meio, num trajeto de 48 quilômetros. Os portais de bronze maciço, os jardins suspensos plantados em terraços em cima de terraços até que se igualassem à altura dos próprios muros. Os templos a Belo, com um perímetro de quase cinco quilômetros. Os dois palácios reais, um com cinco e meio, e o outro com quase treze quilômetros de circunferência. O túnel subterrâneo sob o rio Eufrates ligando os dois palácios. Os arranjos arquitetônicos feitos para o conforto dos seus habitantes. Os ornamentos, o sistema de defesa e os recursos ilimitados. Todas essas coisas fizeram de Babilônia uma das maravilhas do mundo.

39 Depois de ti, se levantará outro reino, inferior ao teu; e um terceiro reino, de bronze, o qual terá domínio sobre toda a terra.

A queda de Babilônia: A queda de Babilônia se constitui num divino desafio ao ceticismo. O profeta de Deus antecipara o destino infeliz de Babilônia enquanto essa ainda era uma efervescente metrópole do mundo, localizada em rica área agrícola do Oriente, sem qualquer perspectiva de ser destruída por agentes humanos. As profecias não apenas anteciparam a descrição da queda de Babilônia, mas forneceram mais de cem detalhes, dos quais nenhum falhou.

Cento e treze anos antes do nascimento de Ciro, e 174 anos antes dele tomar Babilônia, temos uma profecia que, além de citar o seu nome, menciona detalhes de como ele conquistaria a cidade de Babilônia. (Ver Isaías 45:1)

Babilônia estava cercada por enormes muros que protegiam a cidade contra qualquer inimigo. O rei babilônio deu gargalhadas quando ouviu dizer que Ciro se aproximava. Ele estava bem preparado; suas defesas, em ordem; sua cidade bem abastecida. Se o inimigo o derrotasse em campo aberto, ele poderia buscar proteção atrás dos muros, e rir com desdém das tentativas de dominar a sua capital, seja por bloqueio ou ataque de surpresa.

Uma demora profética: Ciro estava a caminho de Babilônia quando se aproximou das margens do Gindes. Esse rio só podia ser atravessado de barco. Um dos cavalos brancos sagrados que acompanhavam a marcha, com brio e coragem, entrou na água e tentou atravessar sozinho; mas a correnteza o levou rio abaixo e puxou-o para o fundo, afogando o pobre animal. Ciro, furioso com a insolência do rio, ameaçou quebrar sua força de modo que, no futuro, até mulheres pudessem atravessá-lo, sem sequer molhar os joelhos. Por causa disso, atrasou o ataque a Babilônia.

Dividindo seu exército em dois grupos, marcou com cordas 180 trincheiras em cada margem do Gindes, as quais iam em todas as direções. Colocando, então, seu exército para cavar, uns de um lado e outros do outro, ele cumpriu a ameaça: espalhou o rio por 360 canais. Mas, quando finalmente a obra estava terminada, o verão já se fora. O ataque atrasou um ano.

Era o cumprimento de uma profecia proferida 60 anos antes desse evento. Deus dissera:

Não desfaleça o vosso coração, não temais o rumor que se há de ouvir na Terra; pois virá num ano um rumor, noutro ano, outro rumor; haverá violência na Terra, dominador contra dominador (Jeremias 51:46).

O povo de Babilônia ouviu rumores de que Ciro estava prestes a atacar a cidade. No entanto, Ciro atrasou-se um ano no rio Gindes. Veio, então, um segundo rumor e, não demorou muito: Babilônia caiu e houve violência na terra. A mão de Deus estava nisso tudo. Foi às margens do Gindes que Ciro e seu exército conseguiram a prática necessária para entrar na cidade de Babilônia. Outra vez, começaram a cavar canais para baixar o nível do rio Eufrates até o ponto em que pudessem passar por baixo dos muros, marchando sobre o leito.

Mas havia portões para impedir sua entrada na cidade. A noite da tomada de Babilônia foi de comemorações e Festa. As pessoas estavam tão ocupadas em beber e se divertir que nem sequer notaram que o nível do rio Eufrates baixara. Cento e setenta e quatro anos antes desse evento, Deus dissera:

Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações ante a sua face, e para descingir os lombos dos reis, e para abrir diante dele as portas, que não se fecharão (Isaías 45:1).

Prata: Os exércitos de Ciro entraram na cidade a noite; na manhã seguinte, Ciro já era o incontestável senhor da cidade.

O peito e braços de prata representam o império medo-persa. Em todas as línguas semíticas, a palavra "prata" também e usada para "dinheiro". O reino medo-persa desenvolveu abrangente sistema de tributação, em que os impostos eram pagos em prata. Os reis medo-persas ajuntaram vastos tesouros em moeda de prata.

Daniel disse que Babilônia cairia aos pés dos medo-persas. E assim foi! Mas o novo império não duraria para sempre. Os gregos, sob o comando de Alexandre o Grande, conquistaram a Pérsia.

Alexandre: Alexandre o Grande foi um jovem general que venceu todas as batalhas que precisava enfrentar. Depois, sentou-se para chorar por não haver mais inimigos para conquistar. Ao entrar na Síria, Dario escreveu para ele, oferecendo a filha em casamento e mais todas as terras do lado ocidental do Eufrates. Um dos seus generais, Parmênio, comentou:

- Se eu Fosse Alexandre, aceitaria esses termos e não correria mais nenhum risco.

Alexandre replicou:

- E seria o que eu faria se fosse Parmênio. Mas sou Alexandre. Não posso.

Conta-se a história de que certo dia havia apenas um copo de água para beber. O copo foi trazido a Alexandre por um dos soldados. Então, ele derramou a água na areia para que ele não tivesse nenhuma prerrogativa a mais do que os soldados.

Ele derrotou Dario na batalha de Arbela, embora as forças de Dario fossem muito maiores do que as dele. Ao perseguir Dario, que batera em retirada, Alexandre o empurrou até as fronteiras de Bactriana. Ali ele viu um homem moribundo numa carruagem, ao lado do caminho. Era Dario, que fora golpeado pela espada de Bessus, sátrapa de Bactriana. Diante desse quadro, Alexandre verteu lagrimas de compaixão. Ele fez com que Dario Fosse sepultado com honras reais e se proclamou rei da Ásia.

Alexandre foi vitorioso sobre todos os inimigos. Mas com o que se ocupará um soldado profissional se não houver batalhas? A vida parecia ter perdido o encanto.

Foi então que Alexandre perdeu uma batalha. Ele perdeu a batalha contra o eu. Foi derrotado pela bebida, e morreu depois de embriagar-se exageradarnente. Morreu com 33 anos de idade. Treze anos após tomar o poder.

Bronze: O império grego foi representado na profecia como o império de bronze. Os soldados gregos usavam capacete de bronze, peitoral de bronze, escudo de bronze e espada de bronze. Eram conhecidos como os "gregos forrados de bronze". O bronze tornou-se sinal e símbolo das conquistas gregas e do império grego.

40 O quarto reino será forte como ferro; pois o ferro a tudo quebra e esmiúça; como o ferro quebra todas as coisas, assim ele fará em pedaços e esmiuçará.

Ferro: Quem já estudou História conhece o relato das legiões de Ferro de Roma. O Ferro significava o tremendo poder do último reino. O Ferro é mais forte do que o ouro, a prata ou o bronze. O ouro é bom para ornamentos, mas o Ferro é bom para armamentos.

Roma foi o último dos impérios universais do mundo. Nunca mais uma nação consolidaria outras, formando um vasto império. Entre os anos 351 d.C. e 476, dez nações menores foram instrumentos na destruição do império romano: Alamanos, Ostrogodos, Visigodos, Francos, Vândalos, Suevos, Burgundos, Hérulos, Anglo-saxões e Lombardos. A conexão entre esses reinos e algumas das nações modernas da Europa ainda e facilmente percebida.

41 Quanto ao que viste dos pés e dos artelhos, em parte, de barro de oleiro e, em parte, de ferro, será esse um reino dividido; contudo, haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro, pois que viste o ferro misturado com barro de lodo.

42 Como os artelhos dos pés eram, em parte, de ferro e, em parte, de barro, assim, por uma parte, o reino será forte e, por outra, será frágil.

43 Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-ão mediante casamento, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro.

Sem ligação: Assim como não há ligação entre Ferro e barro, nunca mais haveria um império universal, consolidando os fragmentos representados pelos artelhos da imagem. A divisão dos dez reinos continuaria até o tempo do reino representado pela pedra que esmiuçou os pés da estatua.

Misturar-se-ão mediante casamento: Desde a queda de Roma, muitos têm sonhado em unir os reinos da Europa Ocidental num império consolidado. Alguns tentaram uni-los à força.Outros tentaram fazê-lo por meio de casamentos.

Estadistas iludidos estiveram obcecados com a idéia de que, se misturassem o sangue, isso faria com que as nações se unissem. Se todos na Europa se tornassem parentes, não poderia haver discórdias que levassem às guerras. "Parentes nunca brigam" - assim argumentavam.

O rei Cristiano IX, da Dinamarca, teve seis filhos. O mais velho tornou-se Frederico VIII, da Dinamarca. A filha mais velha casou-se com Eduardo, Príncipe de Gales, e tornou-se a rainha Alexandra, da Inglaterra. O segundo filho, príncipe Guilherme, tornou-se o rei da Grécia e ficou conhecido como Jorge V. A segunda filha, casou-se com o Czar Alexandre da Rússia. O filho da rainha Alexandra, da Inglaterra, tornou-se Jorge V; e um filho de Jorge V, da Grécia, tornou-se Constantino, da Grécia. Assim os reis da Noruega, Dinamarca, Rússia, Inglaterra e Grécia eram primos de primeiro grau, sendo netos de Cristiano IX, da Dinamarca.

O filho mais velho da rainha Vitória tornou-se Eduardo VII, da Inglaterra, e sua filha mais velha casou-se com o imperador Frederico, da Alemanha, vindo a ser a mãe do imperador Guilherme. A Irma de Guilherme casou-se com Constantino X, da Grécia. Portanto, a rainha da Grécia e o imperador da Alemanha eram irmãos, e ambos eram primos do rei da Inglaterra. O Czar Nicolau II casou-se com a Princesa Alix, da Inglaterra, uma neta da rainha Vitoria, da Inglaterra, e do imperador Guilherme, da Alemanha. Haakon VII, da Noruega, casou-se com a princesa Maude, irmã do rei Jorge, da Inglaterra. Portanto, a czarina da Rússia, a rainha da Noruega e a rainha da Grécia eram primas de primeiro grau, enquanto a rainha da Noruega e o rei da Inglaterra eram irmãos.

O rei Pedro, da Sérvia, casou-se com a princesa Zerka, uma irmã do rei Nicolau, de Montenegro. O rei Victor Emanuel, da Itália, casou-se com a princesa Helena, filha do rei Nicolau, de Montenegro. Eduardo VIII, da Inglaterra, era tio de Guilherme II, da Alemanha, e cunhado de Frederico VIII, da Noruega, o tio de Nicolau II, da Rússia, sobrinho "emprestado" de Oscar II, da Suécia. Afonso XIII, da Espanha, era sobrinho de José I, da Áustria, sendo que pelo casamento de Eduardo VII, da Inglaterra, Guilherme II, da Alemanha, tornou-se seu sobrinho, bem como cunhado de Constantino, da Grécia. Victor Emanuel II, da Itália, era primo de Carlos I, rei de Portugal. A rainha Vitória era chamada de "a vovó da Europa".

"Mas não se ligarão um ao outro": Essas sete palavras proféticas nos garantem que nunca haverá uma fusão completa do que resultou da divisão do antigo império romano. Eles continuarão a se dividir até a vinda de Cristo. Houve sete grandes tentativas para provar que essa profecia não era verdadeira:

A primeira das sete tentativas foi feita por Roma. No dia de Natal, do ano 800, Carlos Magno foi coroado pelo papa como imperador do Santo Império Romano. Durante a coroação, todos clamavam: "Glória a Carlos Augusto, coroado de Deus, o grande pacificador, imperador do Santo Império Romano." Mais tarde, diria Voltaire: "O Santo Império Romano não era santo, não era romano, nem tampouco era um império."

Carlos Magno era alto, forte, atento e dono de expressões sempre radiantes. Na realidade, ele não era romano, mas franco. O povo por ele governado tampouco era romano. Ele possuía interesse particular em assuntos intelectuais. Chegou a saber ler, mas nunca aprendeu a escrever, embora tentasse com afinco. Ele mantinha um tablete de escrever debaixo do travesseiro, e praticava sempre que havia oportunidade, mas não progrediu muito.

Carlos Magno foi descrito por alguém que o conhecia pessoalmente:

Carlos era grande e robusto, de impressionante estatura e muito bem proporcionado. Parece que media oito vezes o tamanho do seu próprio pé. A cabeça era redonda, os olhos grandes e atentos, o nariz um tanto comprido. Tinha cabelos grisalhos, e o rosto era agradável e fulgurante. Sentado ou em pé, ele mostrava presença e dignidade. - New Standard Encyclopedia, vol. 3, pág. 223.

Após sua morte, o epitáfio de Carlos Magno dizia: "Sob esta lápide repousa o corpo de Carlos Magno, o grande imperador ortodoxo que de maneira nobre expandiu o reino dos francos e por 47 anos reinou com prosperidade." Sua tentativa de unir os países da Europa ocidental falhou.

Carlos V foi o segundo a tentar unir os países da Europa ocidental. Em 1519, foi eleito santo imperador de Roma. Embora Fosse o mais poderoso governante da Europa, ele foi incapaz de conter a expansão do Luteranismo. Gastou muito do seu tempo lutando contra Francisco I, da França. A Paz de Ausburgo, que deu fim à guerra em 1555, foi uma vitória para as forças protestantes. Ela permitiu que cada príncipe fizesse do seu Estado uma nação católica ou protestante, conforme achasse mais adequado.

Um ano mais tarde, Carlos abdicou e dividiu seu imperio entre o irmão Ferdinando e o filho Filipe (Filipe II, da Espanha). Sua tentativa de dominar toda a Europa falhou.

Luís XIV, também conhecido como "O Grande", "O Grande Monarca", e "O Rei Sol", subiu ao trono da França em 1643, com cinco anos de idade. Sua mãe e o cardeal Mazarini governaram por ele, enquanto era de menor. Após a morte de Mazarini, em 1661, Luís governou como autocrata, fazendo jus à famosa declaração a ele atribuída: ''L’etat c'est moi." (O Estado sou eu.) Sob seu comando, a França foi o poder militar mais poderoso da Europa. Somente depois que outras nações fortes, inclusive a Inglaterra, se aliaram contra ele, formando a Grande Aliança, e que parou com as agressões. Sofreu as maiores derrotas militares nas Guerras de Sucessão Espanholas (1701-14). Ele enviou todos os homens fortes da França para a guerra. Foram tantos os de alta estatura que morreram, que chegam a dizer que com isso diminuiu (até hoje) a altura média do homem Francês em cinco centímetros. Luís XIV falhou.

Napoleão foi o próximo a tentar conquistar toda a Europa. Quase conseguiu. A maior parte da Europa Ocidental caiu ante os seus exércitos. Somente as ilhas britânicas resistiram. Ele disse: "O canal Inglês é uma vala que, para ser atravessada, se necessita apenas de um dedo de coragem." Mas descobriu que era preciso mais do que um dedo de coragem.

A quinta tentativa foi feita pelo Kaiser Guilherme, na Primeira Guerra Mundial. Alguns dos nossos antepassados lutaram nessa guerra. Parecia que a Alemanha conquistaria o resto da Europa Ocidental, mas aquelas sete palavras proféticas não permitiriam que isso acontecesse. O Kaiser falhou.

Muitos de nós nos lembramos da próxima tentativa que foi feita para "desmascarar" as sete palavras proféticas. Adolf Hitler assombrou o mundo e marchou sobre a Europa como relâmpago. Muitas nações caíram diante dos seus exércitos. Parecia não haver meio de resistir à Alemanha. Mas Hitler falhou. A Bíblia diz: "mas não se ligarão um ao outro".

Neste momento, uma sétima tentativa está sendo feita. Comenta-se que se os países da Europa juntarem-se tendo como base o Mercado Comum Europeu, formam um novo poder mundial. Esse poder mundial teria mais gente e dinheiro do que os Estados Unidos.

O plano era fazer essa união em três etapas: (1) eliminação das barreiras comerciais; (2) total união econômica com uma moeda comum; (3) uma confederação política dos Estados Unidos da Europa.

Nenhum ser humano pode prever exatamente quais serão os resultados finais dessa tentativa. Porém, as sete palavras proféticas de Daniel nos garantem que os países da Europa nunca mais formarão um império mundial.

Uma pedra cortada sem mãos

44 Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre,

45 como viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro. O Grande Deus fez saber ao rei o que há de ser futuramente. Certo é o sonho, e fiel, a sua interpretação.

A figura importante no capítulo 2 de Daniel não é Nabucodonosor, nem Daniel. O símbolo importante não é a estátua, mas a pedra que a atinge e a despedaça. Jesus é essa pedra.A figura importante no capítulo 2 de Daniel não é Nabucodonosor, nem Daniel. O símbolo importante não é a estátua, mas a pedra que a atinge e a despedaça. Jesus é essa pedra.

A Bíblia se refere com freqüência a Jesus como a rocha, ou a pedra. Paulo nos fala, em I Coríntios 10:4, que a Rocha da qual os filhos de Israel receberam sua água representa a Cristo. Isaías se refere a Ele como a "pedra preciosa de esquina, que esta bem firme e fundada" (Isaías 28:16). Jesus entendeu as profecias do Antigo Testamento e as aplicou para Si mesmo. Referindo-se à pedra de esquina de Isaías, Ele disse:

Mas Jesus, fitando-os, disse: Que quer dizer, pois, o que está escrito: A pedra que os construtores rejeitaram, esta veio a ser a principal pedra, angular? Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó (Lucas 20:17 e 18).

Jesus é a Rocha eterna. Quando Jesus voltar nas nuvens para estabelecer Seu reino de glória, veremos o cumprimento do sonho de Nabucodonosor.

Quando vier o Filho do homem na Sua majestade e todos os anjos com Ele, então, Se assentará no trono da Sua glória (Mateus 25:31).

Conclusão triunfante: O segundo capítulo de Daniel tem final feliz. Daniel é exaltado, o rei se consterna com o poder da profecia, e todos os que estudam o livro de Daniel passam a ter razões para crer numa triunfante conclusão da história deste mundo.

46 Então, o rei Nabucodonosor se inclinou, e se prostrou rosto em terra perante Daniel, e ordenou que lhe fizessem oferta de manjares e suaves perfumes.

47 Disse o rei a Daniel: Certamente, o vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador de mistérios, pois pudeste revelar este mistério.

48 Então, o rei engrandeceu a Daniel, e lhe deu muitos e grandes presentes, e o pôs por governador de toda a província da Babilônia, como também o fez chefe supremo de todos os sábios da Babilônia.

49 A pedido de Daniel, constituiu o rei a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego sobre os negócios da província da Babilônia; Daniel, porém, permaneceu na corte do rei.

Daniel recebeu poder e riqueza, mas não se esqueceu dos três companheiros. Eles haviam se unido a Daniel em oração. Agora, ele partilha as honras com os amigos. A seu pedido, são colocados como líderes dos negócios de Babilônia, enquanto o próprio Daniel assenta-se à porta do rei.

Deve ter sido uma ocasião de jubilo para o povo de Deus, especialmente para aqueles que estavam no cativeiro, ver como o nome de Deus fora vindicado!

A revelação da história futura do mundo fez com que um rei iníquo se prostrasse em reverência ao mensageiro de Deus. Ao vermos as evidências do cumprimento profético, também devíamos nos prostrar diante do Deus de Daniel e reconhecê-Lo como o Deus dos deuses. Ainda mais, devíamos consagrar a vida a Ele, em devoção e serviço.

O fato de que o sonho de Nabucodonosor se cumpriu ao pé da letra dá-nos a garantia de que a parte que ainda falta se cumprirá. O próximo grande evento é a vinda de Cristo. O reino de Cristo irá cobrir a Terra inteira. Quão importante para nós é ter a certeza de que teremos lugar nesse reino!