Apocalipse 18 - Explicação Verso por Verso

A queda de Babilônia ocupa um lugar importante na profecia bíblica. Mais de cem detalhes a respeito da queda da Babilônia literal foram preditos. Muito antes que isso acontecesse, a Bíblia identificou os poderes que marchariam contra Babilônia, quem comandaria os exércitos, como a cidade seria tomada e quais seriam as condições na cidade no tempo da invasão.

Esses detalhes são ainda mais significativos à luz da sua referência à queda da Babilônia espiritual, como está descrito em Apocalipse 18.

1 Depois destas coisas, vi descer do céu outro anjo, que tinha grande autoridade, e a terra se iluminou com a sua glória.


Autoridade: Ao anjo é dada grande autoridade por causa da importância da sua mensagem.

Existem ordens e categorias entre as hostes angélicas. Alguns anjos são mais distinguidos do que outros no serviço e na posição. Todos se caracterizam pelo poder (II Tessalonicenses 1:7; II Pedro 2:11), mas a alguns é conferido poder especial para agir em certas circunstâncias. Outros têm autoridade definida sobre uma área em particular, mas nunca foi conferida autoridade universal a um ser angélico. O Senhor Jesus Cristo, como Homem e Filho, é o Herdeiro de todas as coisas (Mateus 28:18; 11:27; Hebreus 1:2). Como Criador, Sua reivindicação de domínio universal não é algo que Lhe tenha sido conferido, pois Ele e soberano e independente (Colossenses 1:16). Ela está fundamentada nos direitos e na glória de Sua pessoa como Deus.

"Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra" (Mateus 28:18).

A Terra se iluminou com a sua glória: Este é um testemunho de que Deus está em cena, e que Ele está agindo em juízo. A queda de Babilônia foi um evento publico.

2 Então, exclamou com potente voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável,


Magia: Eram as magias de Babilônia que a levavam ao crime, e magia é uma pratica que existe no espiritismo hoje. É triste ver que o cristianismo apostatado vai se tornar um "covil de toda espécie de espírito imundo". Através do movimento da Nova Era, o espiritismo está entrando nas igrejas cristãs, tanto na Igreja Católica como nas igrejas protestantes.

Em Apocalipse, todos os livros da Bíblia se encontram e terminam. Aqui, a queda da Babilônia espiritual e ilustrada pela queda da Babilônia literal, como está descrito em Isaías, Jeremias e Ezequiel.

3 pois todas as nações têm bebido do vinho do furor da sua prostituição. Com ela se prostituíram os reis da terra. Também os mercadores da terra se enriqueceram à custa da sua luxúria.


Razões para queda de Babilônia:

1. Porque todas as nações beberam o vinho da sua prostituição. A idolatria é comparada ao vinho por causa da sua capacidade de corromper, ainda que de maneira agradável, a natureza humana, dominando o inconsciente de uma pessoa. Tal como o vinho, a idolatria é sedutora e enganadora.

2. Porque os reis da Terra prostituíram-se com ela. Eles uniram-se a ela em seus cultos idólatras. A política de Babilônia de atrair reis e príncipes é imitada porque ela sabe que o exemplo deles será seguido por seus inferiores.

3. Porque os mercadores da Terra enriqueceram através da abundância de suas iguarias. Seus perdões, missas e indulgencias enriqueceram a muitos. Tudo está à venda em Roma, e qualquer pecado pode ser perdoado, desde que se pague. O dinheiro pode comprar uma licença para qualquer coisa que, de outra maneira, seria ilegal.

4 Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos;

5 porque os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou dos atos iníquos que ela praticou.


Retirai-vos dela: Trata-sede um imperativo. Babilônia não pode ser reformada de acordo com os ditames das Escrituras. Só há um remédio: separar-se completamente dela. Assim como Ló foi chamado para fora de Sodoma antes que ela fosse destruída por fogo e enxofre (Genesis 19:14-22, 27-29), assim o povo de Deus é dirigido por uma voz que vem do Céu dizendo-lhe para sair de Babilônia antes que ela caia. Se uma casa está caindo, é melhor que os moradores saiam dela e salvem a própria vida.

Razões para sair de Babilônia:

1. Para não participarmos de seus pecados. Uma contínua associação com pecadores oferece o perigo de sermos influenciados a unir-nos a eles.

2. Para que não recebamos as suas pragas. A culpa e o castigo de todos os remanescentes de Babilônia são preditos aqui. Deus está para derrubar o sistema eclesiástico apostatado. Ele pede que o Seu povo saia antes que o último golpe seja desferido, esmiuçando-o até o pó.

Meu povo: Deus tem, e sempre teve, um povo em Babilônia. Homens e mulheres tementes a Deus às vezes vivem numa sociedade corrupta. A menos que deixem a companhia de gente perversa, eles acabarão por se envolver nos seus pecados, na sua culpa e no seu destino final.

6 Dai-lhe em retribuição como também ela retribuiu, pagai-lhe em dobro segundo as suas obras e, no cálice em que ela misturou bebidas, misturai dobrado para ela.

7 O quanto a si mesma se glorificou e viveu em luxúria, dai-lhe em igual medida tormento e pranto, porque diz consigo mesma: Estou sentada como rainha. Viúva, não sou. Pranto, nunca hei de ver!


Orgulho: Ela não diz "Eu sou uma rainha", mas: "Estou sentada como rainha." É orgulhosa e pensa que está sentada não somente em um lugar elevado, mas também seguro. Ela tem um assento firme e aquecido, bem arrumado, e tem grande capacidade de comando sobre muita gente.

Viúva não sou: Ela não é uma viúva triste, pois tem muitos filhos que a apóiam e seguem. Como uma rainha, ela não tem tristezas. Ela se esquece de que, na ausência do Noivo, seus dias são dias de jejum. Não consegue perceber o fato de que, até que o Senhor venha outra vez, seu estado é de viuvez. Em vez de recolher-se em seu luto, ela senta-se como uma rainha, bem à vontade, satisfeita e orgulhosa.

Luxúria: Ela vive em luxúria e em palácios pomposos, localizados em lugares muito agradáveis e fartamente mobiliados.

8 Por isso, em um só dia, sobrevirão os seus flagelos: morte, pranto e fome; e será consumida no fogo, porque poderoso é o Senhor Deus, que a julgou.

9 Ora, chorarão e se lamentarão sobre ela os reis da terra, que com ela se prostituíram e viveram em luxúria, quando virem a fumaceira do seu incêndio,

10 e, conservando-se de longe, pelo medo do seu tormento, dizem: Ai! Ai! Tu, grande cidade, Babilônia, tu, poderosa cidade! Pois, em uma só hora, chegou o teu juízo.

11 E, sobre ela, choram e pranteiam os mercadores da terra, porque já ninguém compra a sua mercadoria,


Razão para lamentar: Por que se lamentam os reis da Terra? Não é por causa do pecado da idolatria, mas por perderem mercadorias. Igual a muitas pessoas que conhecemos, eles não lamentam pelos seus pecados, mas pelo seu sofrimento. Como Caim, eles não ficam tristes por seus pecados, mas apenas pelo castigo. Derramam muitas lagrimas por causa das perdas materiais, mas podem falar dos seus pecados com olhos secos e corações insensíveis.

Conservam-se longe: Quão infrutífera e sem esperança é a amizade de pessoas ímpias! "Os reis da terra" ficam olhando Babilônia sendo destruída, mas não podem fazer nada.

12 mercadoria de ouro, de prata, de pedras preciosas, de pérolas, de linho finíssimo, de púrpura, de seda, de escarlata; e toda espécie de madeira odorífera, todo gênero de objeto de marfim, toda qualidade de móvel de madeira preciosíssima, de bronze, de ferro e de mármore;

13 e canela de cheiro, especiarias, incenso, ungüento, bálsamo, vinho, azeite, flor de farinha, trigo, gado e ovelhas; e de cavalos, de carros, de escravos e até almas humanas.

14 O fruto sazonado, que a tua alma tanto apeteceu, se apartou de ti, e para ti se extinguiu tudo o que é delicado e esplêndido, e nunca jamais serão achados.


Almas humanas: Temos uma lista de mercadorias que Babilônia comercializava. O orgulho e a sensualidade de Roma faziam com que ela comprasse todos os tipos de mercadoria. A Roma pagã de fato traficava escravos, mas não traficava almas. A Roma papal faz negócio com ambos. Ela vende as almas dos homens vendendo benefícios eclesiásticos.

15 Os mercadores destas coisas, que, por meio dela, se enriqueceram, conservar-se-ão de longe, pelo medo do seu tormento, chorando e pranteando,

16 dizendo: Ai! Ai da grande cidade, que estava vestida de linho finíssimo, de púrpura, e de escarlata, adornada de ouro, e de pedras preciosas, e de pérolas,

17 porque, em uma só hora, ficou devastada tamanha riqueza! E todo piloto, e todo aquele que navega livremente, e marinheiros, e quantos labutam no mar conservaram-se de longe.


Uma só hora: Quatro vezes encontramos a expressão "uma só hora". É por apenas uma hora que os poderes do mundo reinam com ela (Apocalipse 17:12); em uma só hora chega o seu juízo (Apocalipse 18:10); em uma só hora suas riquezas são devastadas (verso 17); em uma hora ela fica desolada (verso 19).

18 Então, vendo a fumaceira do seu incêndio, gritavam: Que cidade se compara à grande cidade?

19 Lançaram pó sobre a cabeça e, chorando e pranteando, gritavam: Ai! Ai da grande cidade, na qual se enriqueceram todos os que possuíam navios no mar, à custa da sua opulência, porque, em uma só hora, foi devastada!

20 Exultai sobre ela, ó céus, e vós, santos, apóstolos e profetas, porque Deus contra ela julgou a vossa causa.


Perda de tesouros materiais: Se há algo que arranca um sincero grito de angústia de pessoas da nossa geração é tocar em seus tesouros. Há justiça neste castigo. Os que fizeram um decreto que os santos de Deus não podem nem comprar nem vender agora encontram-se sob as mesmas restrições de maneira muito mais efetiva.

Exultai: No tempo de Israel, Babilônia era o inimigo do povo de Deus. Sua destruição lhe trouxe liberdade. Da mesma maneira, a destruição da Babilônia espiritual é uma Fonte de júbilo para o povo de Deus.

21 Então, um anjo forte levantou uma pedra como grande pedra de moinho e arrojou-a para dentro do mar, dizendo: Assim, com ímpeto, será arrojada Babilônia, a grande cidade, e nunca jamais será achada.


Uma grande pedra: Arrojar uma grande pedra no mar é um símbolo da derrocada de Babilônia. Os profetas freqüentemente engajavam-se em atos proféticos simbólicos. Jeremias escreveu um livro descrevendo a destruição da Babilônia histórica e, então, ordenou que uma pedra fosse amarrada ao livro e que Fosse lançado no rio Eufrates:

Quando acabares de ler o livro, atá-lo-ás a uma pedra e o lançarás no meio do Eufrates (Jeremias 51:63).

A total desolação de Babilônia é representada pelo tipo e pelo sinal de uma pedra de moinho arremessada ao mar. Como uma pedra de moinho, ela esmagou e oprimiu a igreja de Deus. Sua ruína seria violenta, irrecuperável e irreparável; ela cairia para nunca mais se levantar. Arremessar uma pedra ao mar, antigamente, era emblema de eterno ostracismo.

22 E voz de harpistas, de músicos, de tocadores de flautas e de clarins jamais em ti se ouvirá, nem artífice algum de qualquer arte jamais em ti se achará, e nunca jamais em ti se ouvirá o ruído de pedra de moinho.

23 Também jamais em ti brilhará luz de candeia; nem voz de noivo ou de noiva jamais em ti se ouvirá, pois os teus mercadores foram os grandes da terra, porque todas as nações foram seduzidas pela tua feitiçaria.

24 E nela se achou sangue de profetas, de santos e de todos os que foram mortos sobre a terra.


A voz de harpistas, de músicos, de tocadores de flautas e de clarins: Nunca mais seria ali encontrado nada que tivesse alguma relação com prazer e deleite. Babilônia fora patrocinadora de artes, mas agora a másica terá que parar.

Nem artífice: Nada que produzisse lucros ou comércio, nada de artífices ou artesãos. Os negócios vão desaparecer completamente.

O ruído da pedra de moinho: Nada relacionado a alimentos nem ao ruído da pedra de moinho moendo o milho, nem qualquer provisão para se fazer pão.

A luz da candeia: Nada que alivie as trevas e o terror da noite, como a luz de uma candeia. As noites e também os dias não terão luz. A noite, as casas estarão em total escuridão.

A voz do noivo ou da noiva: Não há meios de proliferação da humanidade pelo casamento. As atividades e festividades normais, como casamentos, não mais alegrarão as casas e as ruas. Babilônia se tornará uma cidade morta.

O termo "jamais" aparece seis vezes. Sua destruição será completa, e Deus a acusa pelo sangue de todos os que foram mortos sobre a Terra. Que retrato tremendo das cenas finais introdutórias do futuro reino de glória! Quando a confederação inteira declara guerra contra Deus e o Seu povo, a promessa é que "o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele" (Apocalipse 17:14). A Terra será coberta com o conhecimento da salvação, e a luz da verdade presente será vista brilhando em todos os lugares.