Apocalipse 17 - Explicação Verso por Verso

Para melhor entendimento deste capítulo, utilizaremos duas explicações: A do pastor Henry Feyerabend (cujo livro Apocalipse Verso por verso é a base deste site) e a do Pastor C. Mervyn Maxwel.

=> Explicação do livro Apocalipse Verso por Verso (folhas 147 à 153) de Henry Feyerabend.

Parece uma igreja. Age como uma igreja. Diz ser a única igreja verdadeira. É chamada mistério porque o seu verdadeiro caráter esta escondido sob um exterior falso. Duas vezes antes, no Apocalipse, sua queda foi predita (Apocalipse 14:8; 16:19).

1 Veio um dos sete anjos que têm as sete taças e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas,

2 com quem se prostituíram os reis da terra; e, com o vinho de sua devassidão, foi que se embebedaram os que habitam na terra.


Babilônia, a meretriz: Quem é esta estranha mulher entrando em cena? É uma estranha criatura, não mais grotesca do que algumas das outras representações que já vimos.

Confusão: A palavra Babilônia teve sua origem na torre de Babel. Babel quer dizer "o portão do Senhor", ou o portão do Céu. Foi isso que os homens tentaram erigir por seu próprio esforço na construção da torre de Babel, a qual devia alcançar o Céu. Foi um esforço do homem para, por si mesmo, alcançar o Céu, sem ajuda divina. Babel significa caminho para o Céu feito pelo próprio homem.

O resultado da tentativa do homem de erigir por si mesmo uma via para o Céu foi a confusão das línguas, a babilônia das línguas. Babilônia tornou-se sinônimo de confusão. Começou com um esforço humano para alcançar o Céu; terminou em total confusão e derrota.

O método uilizado pelo homem para se autojustificar pretende ser um portão para o Céu, mas é, na verdade, confusão. Ele sobe por outra via e não passa pela porta do aprisco. Jesus diz que aquele que sobe por outra via é "ladrão e salteador" (João 10:1).

Sentada sobre muitas águas: Águas representam multidões (Apocalipse 17: 15). Em muitas terras onde o evangelho de Cristo foi pregado, Babilônia manda seus emissários para desfazer o trabalho, semeando joio entre o trigo. Ela domina as nações religiosamente, assim como a besta o faz politicamente.

Montando uma besta escarlate: Assim como o cavaleiro coloca as rédeas em seu cavalo e o conduz para onde quer, assim a igreja conduz o Estado e o guia para onde quer. A igreja, montada sobre uma besta escarlate, que é o poder civil sobre o qual ela se ergue e o qual ela controla e guia de acordo com o seu desejo, acaba ficando como um cavaleiro no controle do animal em que está montado.

3 Transportou-me o anjo, em espírito, a um deserto e vi uma mulher montada numa besta escarlate, besta repleta de nomes de blasfêmia, com sete cabeças e dez chifres.

4 Achava-se a mulher vestida de púrpura e de escarlata, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas, tendo na mão um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícias da sua prostituição.


Ouro e jóias: A mulher estava esplendidamente adornada com ouro e jóias, numa descrição do esplendor e grandiosidade da igreja de Roma, com suas vestes e ornamentos de toda espécie. A igreja tem se vangloriado na sua superioridade e magnificência, superando ate mesmo a antiga Roma no ápice da sua prosperidade.

5 Na sua fronte, achava-se escrito um nome, um mistério: BABILÔNIA, A GRANDE, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES DA TERRA.


O nome na sua fronte: Era costume de meretrizes audaciosas pendurar um sinal com os seus nomes para que todos soubessem quem elas eram. O que significa esse nome?

1. Seu lugar de moradia: "a Grande Babilônia". Não a Babilônia literal, mas um lugar com mistério em seu nome, algo que lembra a velha Babilônia.

2. Seu infame jeito de se portar: ela não somente é uma meretriz, mas mãe de meretrizes, criadora de meretrizes, que cuidou delas e as treinou para a idolatria e todos os tipos de lascívia e perversidade. Ela é a mãe e a incentivadora de todas as religiões falsas.

3. Sua dieta: ela saciava-se com o sangue dos santos e mártires de Jesus. Ela bebeu o sangue deles com tanta avidez que chegou a intoxicar-se com ele.

Mãe das meretrizes: O protestantismo assumiu sua posição ao lado da Bíblia, e da Bíblia somente, no século 6. Foi esse princípio que causou a sua separação de Roma. Mas o protestantismo de hoje está repudiando essa plataforma e voltando-se outra vez para a tradição. Essas igrejas são filhas que sempre obedecem a mãe caída. E, com o seu abandono da Bíblia e seus ensinamentos, "caiu, caiu, Babilônia".

Entre as doutrinas tradicionais, mas não bíblicas, aceitas pelos protestantes de hoje, estão o tormento eterno para os perdidos, o batismo de crianças, o batismo por aspersão e a guarda do domingo.

6 Então, vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus; e, quando a vi, admirei-me com grande espanto.

7 O anjo, porém, me disse: Por que te admiraste? Dir-te-ei o mistério da mulher e da besta que tem as sete cabeças e os dez chifres e que leva a mulher:


Por que devia João maravilhar-se? Seria a perseguição uma coisa estranha para o povo de Deus em seus dias? Ele havia testemunhado a feroz perseguição do poder romano. Mas essa perseguição vinha da Rama pagã, inimiga declarada de Cristo. Agora, ele via cristãos perseguindo cristãos.

8 a besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá.


O poder que era: Durante 1.260 anos, esse poder praticamente controlou o cenário político na Europa, coroando reis e excomungando até mesmo "hereges" da realeza. Mas ele recebeu uma ferida mortal nas guerras napoleônicas, e até o próprio papa foi levado prisioneiro em 1798. Este período durou de 538 a 1798.

O poder que não é: Depois de 1798, desdobrou-se outro período de sua existência. Ela foi levada ao cativeiro (Apocalipse 13:10), e muitos escritores daquele tempo acreditavam que o papado nunca mais se levantaria. De 1798 a 1929, vários livros foram publicados por historiadores seculares que enfatizaram essa crença.

O poder que será: Em 1854, o dogma papal da Imaculada Conceição de Maria foi declarado. Em 1870, a igreja enunciou o dogma da infalibilidade papal. Em 1929, o papa recebeu reconhecimento como soberano governador. Em 1951, a igreja deu a conhecer o dogma da Assunção da Virgem Maria. Em 1984, o presidente Ronald Reagan indicou William A. Wilson como embaixador na Cidade do Vaticano. De 1929 até a vinda de Cristo, esse poder político-religioso crescerá.

9 Aqui está o sentido, que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis,

10 dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco.

11 E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição.

12 Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora.


Cinco caíram: No tempo a que se refere esta profecia, cinco das sete cabeças da besta haviam caído. Existem sete poderes diferentes e distintos aqui introduzidos pelos símbolos proféticos. São eles: Babilônia, Pérsia, Grécia, Roma pagã, Roma papal ou eclesiástica, Republicanismo ou Democracia e a última grande confederação do mal.

A Babilônia, a Pérsia e Roma pagã já caíram. Em 1798, Roma eclesiástica recebeu uma ferida mortal.

Um existe: A democracia surgiu na América no mesmo tempo em que o papado caiu.

O outro ainda não chegou: A besta de cor escarlate de Apocalipse 17 e a besta-leopardo de Apocalipse 13 não são "exatamente" a mesma coisa (ver explicação abaixo). Cada besta tem dez chifres. Os chifres do leopardo têm dez coroas, mas não há coroas na descrição da besta escarlate. A profecia descreve um tempo na História quando coroas e monarquias estariam fora de moda. Conta-se que, entre agosto e dezembro de 1914, mais de 200 realezas e pequenas monarquias abdicaram. Com o desaparecimento de reis, o estabelecimento de republicas tornou-se uma pratica comum aos governos, e foi o que ocorreu em muitos países.

A Besta Leopardo de apocalipse 13 e a Besta Escarlate de Apocalipse 17 são a mesma Besta?

É como se fossem tiradas 2 fotos em tempos diferentes.

Imagine: Um pai tirou uma foto de sua filha com um ano de idade e depois tirou outra foto de sua filha aos 18 anos. As 2 fotos são diferentes, pois na primeira foto a sua filha era apenas um bebê e na outra já era uma jovem, mas a pessoa é a mesma. A mesma coisa, A Besta Leopardo de apocalipse 13 e a Besta Escarlate de apocalipse 17, São a mesma besta, mas em épocas totalmente diferentes. A primeira na época das monarquias que mandavam e desmandavam e hoje na época das repúblicas, da democracia.

Mas mesmo que não pareça, ainda é o mesmo poder perseguidor que atuou durante os 1260 anos e que hoje está aparentemente adormecido. Mas não se enganem, no tempo da sétima cabeça, esse poder vai voltar ao domínio e ao seu antigo estilo perseguidor.


A oitava besta: O poder revitalizado do papado constitui outra cabeça; e quando, por um curto espaço de tempo, a besta e o falso profeta uniram seus poderes, eles constituíram outra cabeça - a oitava cabeça, que é uma das sete (Apocalipse 17: 11).

Uma hora: Uma hora seria 1/24 de um dia ou ano profético, o que representa 15 dias. João diz que "tem de durar pouco" (Apocalipse 17:10). E esse poder que decretara a sentença de morte a todos os que se recusarem a render-lhe homenagem.

O ano judaico tinha 360 dias

360/24 = 15 dias


13 Têm estes um só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem.


Uma confederação: Isaías 8:9-15 fala a respeito de uma confederação que existirá nos últimos dias, a qual equivale à declaração acerca de dez reis com apenas uma mente. As duas citações são paralelas a passagem no capitulo 16 acerca de três espíritos imundos que reúnem os reis do mundo inteiro para a batalha (Apocalipse 16:13 e 14).

14 Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele.

15 Falou-me ainda: As águas que viste, onde a meretriz está assentada, são povos, multidões, nações e línguas.

16 Os dez chifres que viste e a besta, esses odiarão a meretriz, e a farão devastada e despojada, e lhe comerão as carnes, e a consumirão no fogo.


Um dia, os que foram enganados pelos falsos mestres religiosos terão um triste despertar, e se voltarão contra os que os ludibriaram. Eles ficarão furiosos pela maneira errônea com que foram orientados, e deixarão de apoiar a igreja.

17 Porque em seu coração incutiu Deus que realizem o seu pensamento, o executem à uma e dêem à besta o reino que possuem, até que se cumpram as palavras de Deus.

18 A mulher que viste é a grande cidade que domina sobre os reis da terra.


Alguma forma de religião apostatada sempre tem sido usada por Satanás para manipular o poder civil, atrapalhando o trabalho de Deus e criando dificuldade para o Seu povo. Durante os tempos modernos, o povo de Deus tem gozado de um descanso das perseguições governamentais. Os dois chifres como um cordeiro, a liberdade civil e a liberdade religiosa, têm dominado por quase dois séculos. A besta tem sofrido com o golpe mortal, a ferida mortal; no grego, a expressão significa que sua garganta parecia ter sido ferida "de morte".

Em breve, a ferida mortal estará totalmente curada e a besta outra vez recobrará vida. Então, o mundo inteiro a seguirá em maravilhada admiração. O falso profeta começará a falar como dragão, e todos os outros eventos profetizados seguirão em rápida sucessão.

Quem é Babilônia? Aqui estão nove sinais identificadores que, indubitavelmente, apontam para o papado:

1. A mulher estava sentada sobre a besta, como que apoiada por ela. A igreja romana sempre buscou o apoio de governos para executar os seus decretos através da força bruta.

2. Ela cavalga a besta como se a governasse. A igreja romana sempre tentou controlar os poderes do governo para conseguir o que queria.

3. Ela está sentada sobre muitas águas. Ela é apoiada por vastas multidões ao redor de todo o mundo.

4. Ela tem um cálice cheio de abominações na mão. A Roma papal oferece quantidades enormes de indulgências e absolvições, e definitivamente seduz as pessoas ao pecado.

5. Os mercadores ficam ricos com ela. Muitos enriquecem através do ímpio trafico por ela conduzido.

6. Ela e adornada de modo extravagante. Qualquer um que tenha observado a obra da igreja romana não precisa a de palavras para convencer-se da sua grandiosidade e ofuscante resplendor.

7. Estima-se que, durante a perseguição papal infligida aos valdenses, albingenses, boêmios, os seguidores de Wicliffe e a outros protestantes, os que pereceram são contados em milhões.

8. A besta em que ela esta montada é cheia de nomes de blasfêmia. Isso cumpre-se com a proclamação da infalibilidade. Este cumprimento ultrapassa todos os outros.

9. Os habitantes da Terra são levados por ela a pecar. E notório que a igreja papal induz as pessoas ao pecado da idolatria. O culto de Roma é, em grande medida, a adoração prestada a uma grande deusa.

=> Explicação do livro Uma nova Era segundo as Profecias do Apocalipse (folhas 490 à 498) de C. Mervyn Maxwell.

Apocalipse 17 apresenta um desnorteante quebra-cabeças. Esse capítulo fala a respeito da "besta" que "era e não é, [e] está para emergir do abismo, e caminha para a destruição"; "e a besta que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição". "As sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher esta sentada." Eles "são também sete reis, dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou". Versos 8, 11, 9 e 10.

Quanto aos "dez chifres", são eles "dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora. Tem estes um só pensamento, e oferecem a besta o poder e a autoridade que possuem. Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá". "Os dez chifres que viste... odiarão a meretriz, e a farão devastada e despojada, e lhe comerão as carnes, e a consumirão no fogo." Versos 12-14 e 16.

A pessoa é tentada a dizer: "Impossível!" Mas o capítulo 17 é parte da "revelação de Jesus Cristo" (Apocalipse 1:1), como qualquer outro capítulo do livro. Existe a promessa de uma benção para todo aquele que lê (Apocalipse 1:3). Deveremos empreender um esforço, tentando compreender o que aí está.

Certamente chegaremos a conclusão de que a solução é mais simples do que supúnhamos.

Um levantamento das interpretações. Muitas interpretações têm sido propostas para o quebra-cabeças ao longo dos anos.

1. Uma interpretação para as "sete cabeças" inicia com uma lista de sete imperadores romanos, que eram "cabeças" do Estado romano: Augusto, Tibério, Claudio, Calígula, Nero e assim por diante.

2. Outra interpretação cita uma série de sucessivos estilos administrativos encontrados em Roma: república, consulado, triunvirato, e outros mais.

3. Uma terceira interpretação oferece uma sucessão de sete papas do tempo do fim, sendo estes "cabeças" da Igreja Romana.

4. Pois bem: em Jeremias 51:24 e 25 e Daniel 2:35, 44 e 45, a "montanha" é um símbolo de reino ou nação. Tendo isso em mente, uma das mais simples dentre todas as interpretações possíveis para as sete cabeças é considerá-las como sete poderes perseguidores, contemplados do ponto de vista dos dias em que João escreveu o Apocalipse.

Dentro dessa perspectiva, as sete "cabeças" (ou “montes”, ou “reis”), que já haviam "caído" (antes dos dias de João), são o Egito, Assíria, Babilônia, Pérsia e Grécia. A cabeça que "é" (lembremo-nos: nos dias de João) deve ser vista como o Império Romano, que governava nos dias do apóstolo. A cabeça que "ainda não chegou" deve ser entendida como a Igreja Romana, que sob diversos aspectos faz lembrar uma nação, e que nos dias de João ainda não atingira o poder. Egito e, especialmente, Assíria foram inimigos do povo de Deus nos tempos do Antigo Testamento. Conhecemos bastante bem os demais poderes.

Quanto aos "dez chifres", que são "dez reis", são eles percebidos, sob esta interpretação, como sendo as nações da Europa, que nos dias de João ainda não ocupavam seus respectivos lugares. A "hora" durante a qual eles deveriam reinar, são os 1.260 anos.

5. Há, entretanto, uma interpretação bastante simples, a qual vê o quebra-cabeças do ponto de vista do tempo do fim, em vez de nos dias de João. Segundo a mesma, as cinco cabeças que já "caíram" seriam Babilônia, Pérsia, Grécia, Roma Imperial e Roma Cristã. A sexta cabeça (no tempo do fim) "é" Roma Crista em seu estado de ferida mortal, e que deverá ser em breve sucedida pela sétima cabeça, "que ainda não chegou", a Igreja Romana em sua condição de "curada". A "hora" durante a qual os dez reis governam com a besta, será um breve período no ponto extremo do fim do tempo, quando esses poderes civis auxiliarão com ditatorial intensidade a besta, ao se reviver a feroz perseguição.

Três questões básicas. Existem três questões básicas que deveríamos tentar responder enquanto tentamos compreender o quebra-cabeças:

(1) A partir de que posição, temporalmente falando, deveríamos observar o assunto?
(2) Deveríamos valer-nos de qualquer poder perseguidor que ainda não estudamos em Daniel ou Apocalipse?
(3) Devemos tomar a linguagem tal qual se apresenta, ou devemos "acomodá-la" de alguma forma?

Examinemos essas questões, cada uma por sua vez.

1. O arcabouço do tempo. Em Apocalipse 21:9 e 10, um anjo convida João a contemplar a santa cidade que desce do Céu. Este convite por certo conduziu a mente do apóstolo em direção ao fim do milênio. Similarmente, no começo de Apocalipse 17 (o capítulo que ora estamos estudando), um anjo estende a João o convite para vir e ver o "julgamento" da grande meretriz. Tal convite projetou sua mente em direção ao futuro, para o início do tempo do fim.

Portanto, não deveria o capítulo 17 de Apocalipse ser interpretado do ponto de vista dos anos 1798/1844 ou mais tarde, a era do julgamento e o tempo do fim? Este é o arcabouço do tempo para a cena do juízo em Daniel 7, a abertura do pequeno rolo em Apocalipse 10, e a pregação da mensagem do primeiro anjo em Apocalipse 14:6 e 7: "Vinda é a hora do Seu juízo." Já destacamos uma porção de vezes que a segunda metade de Apocalipse, na qual se localiza o nosso quebra-cabeças, relaciona-se quase exclusivamente com o tempo do fim.

2. Os impérios. Parece-nos, também, que deveríamos ser relutantes em acrescentar impérios (tais como Egito e Assíria) àqueles que são tão proeminentes em Daniel e no restante de Apocalipse. As profecias de Daniel são a nossa chave para a interpretação do Apocalipse. O profeta do Antigo Testamento apresenta-nos Babilônia, Pérsia, Grécia, Império Romano e Igreja Romana, mas não fala coisa alguma a respeito do Egito ou da Assíria.

A besta de Apocalipse 17 é idêntica a besta semelhante a leopardo apresentada no capitulo 13; ambas procedem das águas e possuem sete cabeças e dez chifres.

A aparência é de que existem quatro animais simbólicos nos capítulos 12, 13 e 17 - o dragão, a besta semelhante a cordeiro, a besta marítima semelhante a leopardo e a besta marítima de cor escarlata. Entretanto, Apocalipse 16:13 e 20:6 falam dessas bestas como sendo apenas três: O "dragão" (ou "demônio"), o "falso profeta" (que é o animal semelhante a cordeiro) e a "besta" (não as bestas).

O dragão e a besta, ambos possuindo sete cabeças e dez chifres, representam o mesmo espírito perseguidor, fruto da associação entre Igreja e Estado. (A perseguição movida por Igreja-Estado é um assunto relevante no Apocalipse.) Suas sete cabeças chamam a atenção para a mesma seqüência sétupla de governos perseguidores. Entretanto, ao passo que (a) o dragão ressalta especialmente a perseguição não-cristã, e (b) a besta põe em realce o velho estilo de perseguição católica, (c) a besta com chifres de cordeiro evidencia o protestantismo do tempo do fim, o qual acaba adotando explicitamente sua semelhança com o dragão e com a besta, ao pôr em pratica o mesmo espírito perseguidor.

Quanto aos dois estágios da besta propriamente dita, o de besta semelhante a leopardo (Apocalipse 13) chama a atenção para o espírito perseguidor em ação durante a Idade Média, ao passo que a besta de cor escarlata (capitulo 17) destaca-se, em primeiro lugar, por sua fraqueza no momento em que começa a hora do juízo e, em segundo, por seu breve, porém dramático, reaparecimento no velho estilo perseguidor católico, imediatamente antes do segundo advento.

3. A linguagem. Uma terceira linha-mestra de interpretação das cabeças e chifres, da prostituta e da besta, mostra que determinada parte da linguagem do capítulo 17 é usada num sentido acomodado. Lemos no versículo 8 que a besta "não é"; entretanto, no exato momento em que ouvimos o anjo relatar-nos isso, podemos ver a besta através dos olhos de João. Podemos observá-la de pé sobre as águas, com a grande prostituta assentada em seu dorso!

De modo semelhante, diz-se no verso 12, a respeito dos dez reis, que eles "ainda não receberam reino". Contudo, nos versos 1 e 2, eles já foram apresentados como tendo ido para a cama com a prostituta. "Vem, mostrar-te-ei... a grande meretriz", disse o anjo, "com quem se prostituíram os reis da Terra." Portanto, eles já haviam desfrutado de poder real em alguma ocasião. No capítulo 13 nós os vemos utilizando suas coroas durante os 1.260 anos. Durante um pequeno período, a partir do ponto em que estamos lendo, eles deverão receber novamente "autoridade como reis" (indubitavelmente como líderes de estados totalitários) e governarão com a besta "durante uma hora" (verso 12), e é nesse momento que eles "pelejarão contra o Cordeiro" (verso 14) e se voltarão contra a prostituta (verso 16).

Dessa forma, a besta "não é", em comparação com aquilo que já foi e em comparação com o que ainda vira a ser; o mesmo é válido para os reis. De acordo com uma certa forma de expressão, quando comparados com o seu tremendo - embora breve - reinado futuro na qualidade de estados totalitários, os reis ainda não começaram a reinar.

A besta que é o oitavo rei e procede dos sete. O que dizer acerca da "besta que... é o oitavo rei, e procede dos sete"? Verso 11.

Não compliquemos demasiadamente o problema. A besta não é uma oitava cabeça! Ela é uma besta, e todas as sete cabeças lhe pertencem!

Quando somamos sete números diferentes, obtemos, como resultado, um oitavo número. Mas esse oitavo número pertence aos sete; ele representa a soma, a substância dos outros.

Quando a cabeça da besta recebeu uma "ferida mortal", a besta como um todo foi criticamente atingida. Quando esta mesma besta é curada, a besta como um todo é curada. Naturalmente! Veja Apocalipse 13:3, 12 e 14.

Durante a grave enfermidade da besta, a sua rival - aquela semelhante a cordeiro - ocupa o centro do palco. A besta parece ter sido ultrapassada definitivamente, mas não é bem assim. De fato, o animal com chifres de cordeiro em breve estará oferecendo seus préstimos à besta, para que esta recupere sua posição. Isto realmente ocorre e ela assume maior poder do que jamais tivera, conforme simbolizado pela sétima cabeça.

Aplicando agora as nossas três regras, podemos ver que das "sete cabeças", as "cinco" que já "caíram" nos são entidades bastante familiares:

(1) Babilônia, (2) Pérsia, (3) Grécia, (4) Império Romano e (5) Roma Cristã.

Na ocasião em que a visão deveria efetivar-se (na era do julgamento, 1798/1844), Roma Cristã "esta" suportando uma enfermidade crítica, resultante de sua "ferida mortal".

Assim, estamos agora vivendo no tempo da sexta cabeça - (6) Roma Crista ferida – uma era sem precedentes do ponto de vista da separação entre Igreja e Estado.

A última cabeça será (7) a Igreja Romana restabelecida – e, assim que a Igreja reviver, a besta como um todo (“o oitavo rei”) efetuara sua auto-atualização suprema. “Os dez chifres", que uma vez representaram os intolerantes reinos da Europa que agora constituem democracias mais ou menos tolerantes, tornar-se-ão novamente entidades totalitárias, asperamente intolerantes.

A besta e a prostituta. Dissemos que a besta e a prostituta, vistas por João, representam uma separação entre Igreja e Estado. Esta observação é confirmada pelas marcantes diferenças que se percebem entre a besta semelhante a leopardo, do capitulo 13, e a besta de cor escarlata que ora estamos examinando, no capitulo 17. A besta do capitulo 17 tem a cavalgá-la a grande prostituta. A Igreja (a prostituta) e o Estado (a besta), embora relacionadas, podem hoje ser percebidas como entidades distintas.

Durante séculos, a igreja medieval e os estados europeus estiveram inter-relacionados de forma tão intensa, e foram tão interdependentes, que eles puderam ser apropriadamente caracterizados por um único símbolo complexo, a besta com cabeças de leopardo. Os historiadores comumente consideram a história da Idade Média como sendo virtualmente a história da igreja.

Ao longo da maior parte dos 1.260 anos, reis e príncipes ocasionalmente se opuseram politicamente ao papa em exercício, mas a grande maioria desses soberanos deu apoio às crenças teológicas do papado. Conforme temos visto, por volta de 1798 emergiu um conceito inteiramente novo: a separação entre Igreja e Estado, num contexto republicano. Em parte, devido à própria existência deste conceito, o catolicismo recebeu sua ferida aparentemente mortal (Apocalipse 13:3), e os Estados Unidos iniciaram a sua escalada rumo a proeminência mundial.

O anjo conduziu João a um "deserto". Somos lembrados de que a mulher do capitulo 12, a verdadeira igreja de Deus, vivenciou uma experiência relacionada com o deserto durante 1.260 anos. Enquanto era perseguida, Deus lhe proveu o sustento. Entretanto, agora é a igreja da confusão, a prostituta do capitulo 17, quem enfrenta uma experiência vinculada ao deserto, no tempo do fim, enquanto Deus a julga porque ela perseguiu.

Para alguém que esteja no deserto, certamente a meretriz utiliza uma indumentária muito extravagante. "Achava-se a mulher vestida de púrpura e escarlata" (nos dias de João, estes eram os custosos matizes próprios da realeza) e "adornada de ouro, de pedras preciosas, e de pérolas." Mas esses trajes caros e finas jóias aparentam-se espalhafatosos quando comparados as vestes luminosas (qual brilho do sol) e a coroa de estrelas usadas pela mãe genuína. Veja Apocalipse 12: 1.

A prostituta sustenta na mão "um cálice de ouro, transbordante de abominações e com as imundícias da sua prostituição". "Então vi a mulher", diz João, "embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus." Apocalipse 17:4 e 6.

Esta linguagem particular, concernente a sua vocação sanguinária e a prostituição, é adaptada de uma velha profecia (ou "oráculo") aplicável a Nínive. Ai da cidade sanguinária, toda cheia de mentiras e de roubo, ... que vendia os povos com a sua prostituição." Naum 3:1-4. Já estamos bastante acostumados a ouvir a Igreja Romana ser chamada de "Babilônia". Nínive era a capital do Império Assírio, cujo povo era o mais sanguinário de todos os povos da Antiguidade.

A meretriz - Igreja Romana Medieval - cometeu fornicação ao unir-se com o Estado, tendo em vista compelir o povo a aceitar as suas errôneas doutrinas, sob ameaça de morte. Suas perseguições foram cruéis. Contudo, no momento em que João a vê cavalgando a besta, seu poder perseguidor fora temporariamente eclipsado. Ela está sofrendo as conseqüências da separação entre Igreja e Estado.

Todavia, embora a besta e a prostituta sejam expostas como duas entidades separadas, elas são virtualmente idênticas no caráter. Moralmente, pouquíssima diferença existe entre ambas. As duas são de cor "escarlata". Tanto uma quanto a outra demandam incondicional lealdade e, tão logo se lhes apresente a oportunidade, ambas perseguirão impiedosamente. Seu amargo conflito final é um episódio do tipo "diamante cortando diamante" (ou, como diríamos popularmente no Brasil, "cobra comendo carne de cobra"), em que a rivalidade interna se manifesta em pleno ódio.

A "expiação" de Satanás. No texto que estamos analisando (Apocalipse 17: 13 e 14), todos os dez reis oferecem o seu poder à besta. Na passagem que focaliza a besta semelhante a cordeiro, ou o falso profeta (Apocalipse 13:11-17), essa besta com chifres de cordeiro - símbolo da grande nação norte-americana - persuade todos os que vivem no mundo a que ergam uma imagem em adoração a besta. No texto correspondente ao Armagedom (Apocalipse 16:13 e 14), o dragão, o falso profeta e a besta (cujo retorno foi entusiasticamente promovido pelo falso profeta) enviam demônios cuja função é "ajuntar os reis do mundo inteiro".

Nesses três textos temos a apresentação do mesmo acontecimento global, visto sob diferentes perspectivas: a resposta dos "dez reis" à liderança da América. O mundo inteiro se posiciona sob a influência dos Estados Unidos, no sentido de fazer progredir a causa da opressão religiosa.

Quando nos deparamos pela primeira vez com os dez chifres, em Daniel 7, eles representavam as nações da Europa. Mas, em Apocalipse 17: 12, eles aparecem no tempo do fim como representantes dos "reis do mundo inteiro", tal como em Apocalipse 16:14. Uma vez o cristianismo romano esteve confinado à Europa. Em nossos dias, ele espalhou-se de modo muito mais vasto.

Antes da era de 1798 - antes da revolução industrial, antes das revoluções americana e francesa, antes da propagação mundial das idéias do Ocidente, e assim por diante - as principais profecias de Daniel e Apocalipse aplicavam-se predominantemente a Europa e Oriente Médio. Agora, porém, as profecias apropriadas são universais em sua aplicação.

Isto se harmoniza com um princípio básico que já mencionamos anteriormente. As profecias bíblicas tendem a selecionar - para menção - aquelas entidades políticas e religiosas que existem no lugar em que também vive o povo de Deus, uma vez que a própria profecia freqüentemente se relaciona com a perseguição do povo de Deus, e porque este povo dispõe das Escrituras e pode, assim, beneficiar-se a partir da instrução inspirada do relato sagrado. No tempo do fim o evangelho se estenderá a todo o mundo, o povo de Deus poderá ser encontrado em todas as nações, e assim as profecias bíblicas falarão de todas as nações da Terra.

O empenho persuasivo que a besta com chifres de cordeiro desenvolve em relação ao mundo inteiro, em Apocalipse 13, é expressamente destinado a opor-se aos mandamentos de Deus; tal esforço efetiva-se, entre outras coisas, através do estabelecimento de um dia alternativo de adoração, cuja imposição apóia-se em penalidades econômicas e até mesmo na pena de morte para os "transgressores". As pessoas que recusarem essa imposição, ver-se-ão proibidas de comprar ou vender, e muitas serão sentenciadas a morte. Esta situação também é simbolizada em Apocalipse 17 (o capítulo objeto de nosso presente estudo), quando a besta lidera os "reis do mundo inteiro" na guerra contra o Cordeiro.

A besta, agora representada dramática e demoniacamente por sua sétima cabeça e por todos os seus chifres, é uma espectral realização da "aldeia global", a idéia-síntese do mundo inteiro, inspirada por Satanás. Aqui se encontra a contrafação satânica da expiação propiciada por Cristo - os seres humanos tornados um com Deus. Aqui se encontra a inteira raça humana – exceto os próprios santos de Deus – em pé como uma só pessoa, possuidora de um mesmo pensamento, em birrenta oposição a seu Salvador.

Não é de admirar que a besta, que é a eminência parda desse malicioso posicionamento, seja descrita como quase saindo "do abismo" e dirigindo-se para a "destruição". Verso 8.

Obviamente, todo este plano de maldade fracassa por completo. "O Cordeiro os vencerá." Verso 14. O livramento dos fiéis seguidores de Deus é um dos principais temas em Daniel e Apocalipse. Deus cuida de Seus filhos!

O genuíno povo de Deus - adultos e jovens - terá decidido abandonar cada uma das comunidades "prostitutas". Encontrar-se-ão unidos em sua lealdade ao Cordeiro. Sobreviverão a todos os amargos ataques desferidos pelas forças do mal; mas, por ocasião da segunda vinda, eles serão arrebatados às nuvens para o encontro com seu Senhor. Veja I Tessalonicenses 4:16-18.

Amargamente frustrados, compreendendo que foram guiados de forma completamente equivocada e mediante esse fato perderam sua oportunidade de vida eterna, as massas humanas do mundo se voltarão contra os seus líderes religiosos com intensa hostilidade. Eles "queimam" a prostituta "com fogo".

Mas a besta e o falso profeta são “lançados vivos dentro do lago do fogo que arde com enxofre", e todos aqueles que ainda estiverem vivos sobre a face da Terra (os que não foram arrebatados nas nuvens do Céu com Cristo Jesus) são mortos. Veja Apocalipse 19:20.

Começa nesse momento o período dos mil anos especiais. Veja Apocalipse 20.

=> Conclusão sobre as 7 Cabeças


Quanto as cinco primeiras Cabeças os dois livros estão em consenso.

1) Babilônia,
2) Pérsia,
3) Grécia,
4) Império Romano e
5) Roma Cristã ou Papal


- A sexta cabeça que “existe” e “não é” – É Roma Cristã ferida, destituída do seu poder.

Apesar dos dois autores elegerem poderes diferentes como sendo esta cabeça, eles descrevem o mesmo período, da quebra do domínio católico, do crescimento do protestantismo e aparecimento de repúblicas onde antes existiam monarquias...

Ainda estamos no período desta cabeça.

- Quanto a sétima cabeça é a Igreja Romana (Roma Papal) com seu poder restabelecido.

- E a Besta como um todo é o oitavo Rei. O poder revitalizado do papado constitui outra cabeça. Quando a besta e o falso profeta e o dragão, que uniram seus poderes por um curto espaço de tempo, receberem o apoio total e incondicional dos governos - dos 10 reis (que serão os grandes governantes do planeta nesta época), eles constituirão outra cabeça - a oitava cabeça, O papado totalmente curado e pleno de autoridade e poder mundial (v. 13), quando assume maior poder do que jamais tivera e durante “uma hora” ou quinze dias exerce plenamente seu poder para a última tentativa de destruir o povo de Deus.

- Como vimos, existem outras teorias a respeito das 7 cabeças da Besta de apocalipse 17, mas esta foi a que se mostrou mais coerente de acordo com o principio de deixar que a bíblia explique a própria bíblia.

Ao fazer este estudo, peça que Deus guie o seu entendimento a verdade e espere que os acontecimentos futuros possam lançar luz sobre o fato presente.