Apocalipse 15 - Explicação Verso por Verso

Após um dia duro, como prisioneiro em Patmos, João retorna ao seu lugar de descanso. Olhando para o mar Egeu, ele está admirando um lindo pôr-do-sol quando, de repente, recebe uma visão do mar de vidro misturado com fogo. Ali, ele tem um vislumbre dos vencedores do grande conflito dos séculos e se emociona com o som do cântico de vitória.

1 Vi no céu outro sinal grande e admirável: sete anjos tendo os sete últimos flagelos, pois com estes se consumou a cólera de Deus.


As últimas pragas e as pragas do Egito: Existem interessantes semelhanças entre as pragas do Egito (Êxodo 7:20 a 12:30) e as sete últimas pragas. Nos dois casos, encontramos um rio, sangue, rãs, úlceras, granizo e ameaçadora escuridão. Mas não São a mesma coisa.

Literal ou simbólica: A linguagem do Apocalipse é geralmente simbólica. Existem quatro coisas que São literais. Os quatro primeiros selos, com seus famosos cavaleiros, São simbólicos, mas o sexto selo, com seus sinais do fim e o relato da segunda vinda de Cristo, é literal. As frases "úlceras malignas e perniciosas", "sangue como de morto", "homens remordendo a língua por causa da dor que sentiam" e "mui grave chuva de pedras" podem ser consideradas literalmente. "Escuridão sobre o trono da besta" e "espíritos imundos semelhantes a rãs" precisam de alguma interpretação.

2 Vi como que um mar de vidro, mesclado de fogo, e os vencedores da besta, da sua imagem e do número do seu nome, que se achavam em pé no mar de vidro, tendo harpas de Deus;


Um mar de vidro, mesclado de fogo: Os que já testemunharam o espetáculo brilhante de um pôr-do-sol a beira do mar, nos trópicos, podem ter uma pálida idéia da glória que o profeta tenta descrever aqui. Quando o grande Sol, qual uma enorme bola de fogo, esconde-se atrás da linha do horizonte, o próprio mar parece explodir em chamas de glória. As ondas são retocadas com escarlate e toda a cena é transformada numa mescla de muitas águas e fogo.

3 e entoavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus, Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações!

4 Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois só tu és santo; por isso, todas as nações virão e adorarão diante de ti, porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos.


O cântico de Moisés e do Cordeiro: Ouvimos o eco de um poderoso hino que surge dos lábios dos que, por meio da graça,venceram o poder do inimigo. E o cântico de Moisés, pois este cântico transmite o louvor dos que, tal como o antigo Israel no Mar Vermelho, foram milagrosamente livrados da iminente destruição. Mas também é o cântico do Cordeiro, pois fala do triunfo do povo de Deus sobre a morte e a tumba. Será um cântico de experiência pessoal, e somente os que passaram por tal experiência poderão unir suas vozes nesse louvor.

No livro do Apocalipse, 46 vezes são ouvidas vozes e, quase sempre, são vozes de vitória.

5 Depois destas coisas, olhei, e abriu-se no céu o santuário do tabernáculo do Testemunho,

6 e os sete anjos que tinham os sete flagelos saíram do santuário, vestidos de linho puro e resplandecente e cingidos ao peito com cintas de ouro.

7 Então, um dos quatro seres viventes deu aos sete anjos sete taças de ouro, cheias da cólera de Deus, que vive pelos séculos dos séculos.

8 O santuário se encheu de fumaça procedente da glória de Deus e do seu poder, e ninguém podia penetrar no santuário, enquanto não se cumprissem os sete flagelos dos sete anjos.


O santuário se encheu de fumaça: Na dedicação do primeiro templo, o rei Salomão subiu numa pequena plataforma de bronze, ajoelhou-se, abriu os braços e fez uma grandiosa oração. Quando terminou, a glória do Senhor encheu o templo. "Os sacerdotes não podiam entrar na Casa do Senhor, porque a glória do Senhor tinha enchido a Casa do Senhor" (II Crônicas 7:2). Aquela antiga manifestação de glória marcou o começo do ministério sacerdotal no templo de Salomão. A glória do tempo do fim, antevista em Apocalipse 15, logo marcará o término do ministério sacerdotal no santuário celestial.

Ainda hoje podemos achegar-nos "confiadamente junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia (Hebreus 4:16). Apocalipse 15 fala a respeito de um tempo quando ninguém poderá entrar. Deus tem permitido que o tempo da graça continue para que todos, inclusive assassinos, blasfemos, torturadores e os piores dos criminosos, possam ter bastante tempo para se arrepender. Mas vai chegar a hora em que o tempo da graça termina. Deus dirá:

Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se (Apocalipse 22:11).

Por milhares de anos, Deus tem Se angustiado vendo seres humanos maltratarem e torturarem os semelhantes. Agora, Ele diz: "Já basta." O profeta Oséias uma vez declarou com tristeza: "Efraim está entregue aos ídolos; é deixá-lo.”

Naquele tempo, o povo de Deus estará tão arraigado na verdade que não será possível separá-lo dela. Eles serão vitoriosos e conquistadores, portando o selo de Deus. Obtiveram a vitória sobre a besta e a sua imagem.